Arquivos da categoria: Artigos

Sua Igreja tem fantasmas? – Artigo

Ghost statues by artist Jakub Hadrava are placed at the St. George's church near Plzen on November 16, 2014 in Lukova, Czech Republic. Artist Jakub Hadrava created 32 plaster life-size ghost statues, which symbolize Sudeten Germans who lived in the village. St. George's church, which was build in the north-western Bohemian region of the Czech Republic in 1352, fell into disrepair after the roof collapsed during a funeral service in 1968. Hadrava's aim is to make the church more attractive for visitors and to gain money for renovation work. According to voluntary church manager Petr Koukl, about 2500 people from around the world have been visiting the church this year. (Matej Divizna/Getty Images)

por Rev, Ronaldo Vasconcelos

pastor na Igreja Presbiteriana de Santa Maria, Rio Grande do Sul

As igrejas estão cheias de fantasmas!

Mas calma, você não precisa sair correndo, essa não é uma história de terror, apesar de ter um certo drama. Quando falo de “fantasmas” não estou falando daquele que você tem em mente, mas de um outro tipo, menos reconhecível, porém mais presente. São aquelas pessoas que estão ausentes, que parecem ter “morrido” na comunhão da igreja, mas que são tratadas como fantasmas, porque não estão ali, mas todo mundo finge que está. Continue lendo

O Evangelismo Trinitariano – Walter McAlister

01

O que é evangelismo? Todo cristão tem uma ideia sobre o que seja o ato de evangelizar e sabe que essa é uma ação que devemos praticar. Agora, vamos refletir sobre a que de fato estamos nos referindo quando falamos sobre isso. Evangelizar é o ato de trazer alguém para a Igreja? É a afirmação pública de que somos cristãos? É a entrega de um panfleto na praia? O que é, afinal?

É fundamental que saibamos que evangelismo é essencialmente a explicação clara das boas-novas de Cristo: sua origem, sua obra e a esperança que podemos ter ao seguir Jesus nesta vida, com vistas à vida após a morte. Evangelismo não se resume a afirmar promessas de bem-estar, alegria temporal ou um sentimento de alívio pelo perdão dos pecados. Certamente, o perdão faz parte da mensagem. Mas não é o livramento do sentimento de culpa que a obra de Cristo nos proporciona. É muito mais do que isso. Tampouco evangelismo é um convite de adesão denominacional ou de incorporação a um movimento alavancado por alegria.

De onde vem a necessidade do evangelismo? Por que devemos admitir o proselitismo numa época tão antenada e movida pelo pluralismo moderno e o desconstrutivismo pós-moderno? Que absolutos podem nos mover a violar o espaço uns dos outros com uma mensagem que claramente fere a cartilha cívica e social dos nossos tempos? Afinal, dizem, todos os caminhos levariam a Deus. “Tudo é relativo”, segundo… bem, “todo mundo”.

Não, nem tudo é relativo.

Tudo o que existe — os céus, a terra, a humanidade — tem sua origem em Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. Começamos pela afirmação da triunidade de Deus, porque é nessa identidade trina que achamos a essência das boas-novas. Ao contrário do que muitos disseram no passado, Deus não criou o homem porque estava solitário. Ele não criou o universo porque teve de fazê-lo. Deus é completo em si. Sua existência é absolutamente e infinitamente plena. Não há sombra em Deus. Não há lacunas em Deus. Não há um espaço que exista fora de Deus. Pois, se Ele é infinito e eterno, não há um lugar onde ele não esteja, nem tampouco um tempo no qual ele não habite. Fora do tempo, o próprio tempo é criação dele, segundo Agostinho explicou em Cidade de Deus. A esfera temporal faz parte de dimensões que nos definem. Mas não definem Deus. É impossível fazê-lo. Todavia, não quero me perder em devaneios especulativos. Vamos nos limitar ao que temos por revelação clara, nas Escrituras. Pois Deus foi condescendente ao fazer com que pudéssemos conhecê-lo, mesmo que em parte (1 Co 13.12).

Se Deus não teve de nos criar, a pergunta que exige ser feita é “então por que criou?” Por que Deus pronunciou o fiat, “Haja luz”? A resposta não pode ser achada num versículo-chave. É por meio do pleno conselho de Deus, ou seja, pelo testemunho pleno da Bíblia toda, que vemos que o Senhor agiu pela graça. Foi a graça de Deus, a sua prerrogativa divina, que o levou a criar céus e terra. Foi a sua decisão, antes do início do início, formar o homem a sua imagem e semelhança. Foi o seu ato trino, fruto da sua natureza única e, ao mesmo tempo, existente em três pessoas. Pois foi o próprio Cristo quem falou, na sua oração sacerdotal de João 17: “Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (v.3).

Deus mandou seu Filho. Mas o Filho “veio”, ele “se fez” carne (Jo 1.11). O Pai deu seu Filho para morrer em nosso lugar. Mas o Filho disse “eu dou a minha vida” (Jo 10.17).  O Espírito, igualmente, participa de tudo o que Pai e Filho fizeram. Assim como Deus criou o mundo, tudo foi feito por meio do Filho. Mas o Espírito pairava sobre as profundezas. Ninguém vem ao Pai senão por intermédio do Filho (Jo 14.6). Mas, quando o Filho ora, afirma que ele cuidou dos que lhe foram dados pelo Pai. Ao mesmo tempo, quem convence o pecador é o Espírito, que fala tudo o que recebe do Filho (Jo 16.8-13).

Um dos textos que revelam a Trindade em ação é o batismo de Jesus no rio Jordão (Mt 3.13-17). Para Agostinho, esse texto apresenta um problema. Pois sugere que haja três deuses. Todavia, ele resolve o impasse com uma explicação perfeita. Embora haja três modos de agir, há um só ato sendo praticado. Em outras palavras, enquanto o Filho desceu às águas, o Pai o reconhece e o Espírito desce sobre Ele. Não há como separar os três. Literalmente, em cada ação de um dos membros da Santíssima Trindade, os outros dois se fazem presentes e agem, de forma diferente, mas numa unidade de propósito.

Há quem ache que evangelismo tem de enfatizar o Pai somente. Fala-se muito de um Deus, em termos tão genéricos que recorremos à poesia para tentar explicar quem ele é, o que faria ou não. Para outros, a mensagem é o Filho somente. Afinal, “foi ele quem nos livrou da ira do Pai inacessível”, segundo eles. Já os pentecostais querem enfatizar o Espírito. Seu evangelismo é uma chamada para milagres, sinais e prodígios.

Mas para que pessoas venham a entender o que é a vida eterna, a vida espiritual e a esperança que a mensagem cristã nos proporciona, temos de abraçar a mensagem evangelística trina: o Pai criou (Gn 1.1), por meio do Filho criou (Hb 1.2), no poder do Espírito criou (Gn 1.2) — um só Deus criou. O Pai amou (Jo 3.16), por amor o Filho veio (Mt 23.37 e Jo 1.10,11) e esse amor é derramado nos nossos corações pelo Espírito (Rm 5.5). O Pai ofereceu o seu Filho como propiciação dos nossos pecados (1 Jo 410). Mas o Filho também se ofereceu como propiciação pelos nossos pecados (Hb 2.17). O Filho disse “destrua este templo e eu mesmo irei reerguê-lo em três dias” (Jo 2.19). Mas o que o Filho fez, fez no poder do Espírito Santo (Rm 8.11). O Pai nos chama, o Filho nos chama, o Espírito nos convence. Oramos para o Pai, em o nome do Filho, no poder do Espírito.

Fomos chamados para participar de uma comunhão sagrada. Essa comunhão compreende a nossa justificação pelo sangue. Mas redunda numa vida de santificação no Espírito, pela lavagem da Palavra (Jo 16.13; 17.17). Isso porque o nosso Pai no céu é santo (1 Pe 1.16).

Voltando à pergunta inicial: o que é evangelismo? Por que evangelizamos? Por causa da graça de Deus que opera em nós. Precisamos de mais membros? Não. Precisamos de um clube cristão maior? Não. Mas há muitos que ainda não o conhecem. De graça recebemos. De graça devemos dar também (1 Pe 5.5; Mt 10.8). Fomos amados pela graça, devemos amar de graça, também (1 Jo 4.10). Pois todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus (1 Jo 4.7,8). Ele nos instruiu a ir e falar Dele (Mc 16.15-18). Mas precisamos nos envolver com Ele: Pai, Filho e Espírito Santo. Por isso Jesus disse: “Vocês são testemunhas destas coisas. Eu lhe envio a promessa de meu Pai; mas fiquem na cidade até serem revestidos do poder do alto” (Lc 24.48-49). Sim, até para falar Dele precisamos Dele mesmo (Jo 15.1-5). Assim como a nossa mensagem é trinitariana, nossa missão também é. E, assim como a nossa missão é, o nosso método tem de ser. Não será na força da razão ou na excelência da nossa apologia que o Evangelho alcançará quem precisa ser salvo. Será no poder do Espírito, que revela o Filho e traz glória ao Pai.

_______________________

Walter McAlister é bispo primaz da Aliança das Igrejas Cristãs Nova Vida; http://www.icnv.com.br/icnv/pt/Default.aspx

O Papado – uma heresia

O Cabeça da Igreja - Spurgeon capaPor John MacArthurUm dos principais catalisadores do início da Reforma Protestante foi um livro de Jan Hus, um cristão da Boemia que precedeu Martinho Lutero por um século inteiro. O livro foi De Ecclesia ( A Igreja ), e um dos pontos mais profundos de Hus foi proclamado no título de seu quarto capítulo: ” Cristo, o único cabeça da Igreja.”
Hus escreveu: “Nem o papa, nem os cardeais são cabeça de todo o corpo santo, universal e católico da [isto é, verdadeira] igreja. Para nós Cristo é o cabeça da igreja. “Lembrando que a maioria dos líderes da igreja em sua época, na verdade, desprezava o senhorio de Cristo, Hus disse,” o clero chegou a um ponto tão baixo  que eles odeiam ver os que pregam chamarem muitas vezes Jesus Cristo, o Senhor. ” A candura de Hus lhe custou a vida. Ele foi declarado herege e queimado na fogueira em 1415.
Mais de cem anos depois, e já em desacordo com o instituição papal, Martin Lutero leu De Ecclesia . Depois de terminar o livro, ele escreveu a um amigo, “Eu ensinei até agora que todas as opiniões de Hus eram surpreendentes, assim que João Staupitz. Mas em suma, todos nós somos hussitas sem saber. “
Como chefe da Igreja Católica Romana, o papa é muitas vezes chamado de “Santo Padre” e “Vigário de Cristo”, nomes e funções que se aplicam somente a Deus. Ele afirma ter a capacidade de falar ex cathedra, exercendo infalibilidade divina para adicionar e aumentar a Escritura ( Apocalipse 22:18 ). Ele exerce a autoridade, não-bíblica e profana sobre seus seguidores, usurpando a liderança de Cristo e pervertendo a obra do Espírito Santo.
Os reformadores entenderam o que era declarado com uma ousadia descarada. Como Martinho Lutero escreveu a um amigo: “Nós aqui temos a convicção de que o papado é a sede do verdadeiro e real Anticristo. . . . Pessoalmente, eu declaro que devo ao Papa a mesma obediência a que devo ao Anticristo.”
Em sua Institutas da Religião Cristã , João Calvino disse:
Algumas pessoas pensam que somos muito graves e de censuráveis, quando chamamos o Anticristo pontífice romano. Mas aqueles que são desta opinião não consideram que eles trazem a mesma carga de presunção contra o próprio Paulo, de quem falamos, e cuja língua que adotamos. E para que ninguém se oponha, que pervertem indevidamente ao pontífice romano as palavras de Paulo, que pertencem a um assunto diferente, vou brevemente mostrar que eles não são capazes de qualquer interpretação diferente da que implicá-los para o papado (John Allen tradução livro, quatro, capítulo sete).
As palavras de Paulo que Calvino referiu-se eram de 2 Tessalonicenses, onde o apóstolo descreveu a vinda do Anticristo “, que se opõe e se exalta acima de todo que se chama Deus ou objeto de adoração, de forma que ele toma seu lugar no templo de Deus, exibindo a si mesmo como sendo Deus “( 2 Tessalonicenses 2:4 ).
Esse mesmo entendimento foi posteriormente refletido na Confissão de Fé de Westminster, que diz: “Não há outro Cabeça da Igreja senão o Senhor Jesus Cristo. Nem o Papa de Roma, em qualquer sentido, é o cabeça dela, mas ele é aquele anticristo, aquele homem do pecado e filho da perdição que se exalta na Igreja contra Cristo e contra tudo que se chama Deus “(25,6).
Isso não quer dizer que o papa é o último Anticristo. Tem sido e continuará a ser, como 1 João 2:18 diz, muitos falsos mestres que personificam o espírito do Anticristo. Como o  puritano americano Cotton Mather escreveu em A Queda de Babilônia : “Os oráculos de Deus predizem o surgimento de um Anticristo [ou seja, uma ou mais anticristos que personificam o espírito do Anticristo] na igreja cristã. E no Papa de Roma, todas as características de que o Anticristo são tão maravilhosamente respondidos que, se qualquer um que ler as Escrituras não vê-lo, há uma cegueira maravilhosa sobre eles. “
Em um sermão intitulado “Ore por Jesus”, Charles Haddon Spurgeon exortou sua congregação que “é dever de cada cristão orar contra o Anticristo, e como o  Anticristo age. Nenhum homem sensato deve levantar outro questionamento: se ele não for o papado na igreja de Roma e da Igreja da Inglaterra, não há nada no mundo que possa ser chamado por esse nome. “
Ele passou a dizer:
Papado em qualquer lugar, seja Anglicano ou Romano, é contrário ao Evangelho de Cristo! E é o Anticristo, e devemos orar contra ele! Essa deve ser a oração diária de cada crente que o Anticristo possa ser arremessado como uma pedra de moinho no dilúvio e afundar para não subir mais. Devemos orar contra o erro para com Cristo, porque ele rouba Cristo de Sua glória, porque coloca a eficácia sacramental no lugar de Sua expiação e levanta um pedaço de pão no lugar do Salvador, e algumas gotas de água no lugar do Espírito Santo, e coloca um mero homem falível como nós como se fosse o Vigário de Cristo na terra.  Devemos orar por ele, pois devemos amar as pessoas mesmo odiando os seus erros! Vamos amar suas almas embora nós detestemos os seus dogmas, e assim o sopro de nossas orações será adoçado porque voltamos nossos rostos para Cristo quando oramos.
Em outro sermão, intitulado “Cristo Glorificado”, Spurgeon disse:
Cristo não redimiu Sua igreja com o Seu sangue para que o papa pudesse entrar e roubar a glória. O Papa nunca veio do céu para a terra e derramou seu coração para que Ele possa comprar o seu povo, de modo que um pobre pecador, um homem simples possa ser definido em alta admiração por todas as nações e de se chamar o representante de Deus na terra! Cristo sempre foi o cabeça de Sua igreja.
Em 1 Timóteo 2:5 , Paulo disse: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem.” O papa assumiu para si uma posição de autoridade que não precisa ser preenchida.FONTE: John MacArthur Brasil 

LEiA o sermão de C.H.Spurgeon “O Cabeça da Igreja” no Projeto Spurgeon

Manjares perigosos – Arthur Pink

titulo_manjares

 

“Quando te assentares a comer com um governador, atenta bem para aquele que está diante de ti” (Pv 23:1).

 

 

Supõe-se que este verso tem pouca ou nenhuma aplicação para muitos de nossos leitores, visto como não há quase ninguém que possa vir, algum dia, a ser convidado para jantar com o presidente dos Estados Unidos ou com o rei da Grã-Bretanha. Infelizmente esse é o tipo de pensamento que pode encontrar lugar na mente de qualquer cristão. Infelizmente essa é a tendência de carnalizar a Palavra de Deus que é agora tão generalizada. Infelizmente esse é o [verso] que nossos intérpretes espirituais dos Oráculos Divinos têm quase banido da terra. Mas ainda que não haja um professor ungido para abrir as Escrituras, não deveria ser auto-evidente que o Espírito Santo nunca teria colocado um verso como este na Palavra se não possuísse aplicação para todos os do povo de Deus? E não deve esta mesma consideração nos levar a buscar em oração seu significado oculto?

“Quando te assentares a comer com um governador, atenta bem para aquele que está diante de ti”. Há outros “governantes” mencionados nas Escrituras, além dos civis. Não lemos sobre o “principais da congregação” (Êx 16:22), o “chefe da sinagoga” (Lc 8:41), bem como dos “dominadores deste mundo tenebroso” (Ef 6:12)? Perceba que nem todos os “chefes” da cristandade hoje foram escolhidos por Deus. De fato, longe disso. Pessoalmente o escritor duvida muito que dois a cada mil dentre os pregadores, ministros, e missionários, por todo mundo, foram chamados por Deus! Muitos deles se auto-indicaram, alguns foram enviados por homens, a maioria cresceu sobre a tutela de Satanás. O leitor atento dos Velho e Novo Testamentos perceberá que o número dos falsos profetas, em todas as eras, superavam em muito o número dos verdadeiros. É por essa razão que Deus nos ordena a “não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora” (I Jo 4:1). Por isso a admoestação dada em Provérbios 23:1 tem sempre sido atual para o povo de Deus prestar muita atenção, e talvez nunca tenha sido tão necessário dar um alerta sobre isso do que neste tempo apóstata e degenerado em que todos nós fomos lançados.

A pregação que ouvimos, e que em certa medida é absorvida, tem precisamente o mesmo efeito sobre nossas almas, assim como a comida que comemos tem efeito sobre nossos corpos: se for saudável, é nutritivo; se danosa, nos fará mal. “Quando te assentares a comer com um governador, atenta bem para aquele que está diante de ti”. É uns fatos trágicos que muitos dos próprios filhos de Deus são tão pouco espirituais, e tão ignorantes espiritualmente, que eles mal sabem como “atentar bem” o que está “diante deles”. Eles não sabem quais testes usar, nem como examinar o que ouvem. Se o pregador for “ortodoxo” e aprovado por aqueles que ele mesmo considera “sadios na fé”, eles pensam que sua mensagem deve estar correta. Se o pregador apenas crê nos “fundamentos” da fé, eles creem que deve ser um verdadeiro servo de Deus. Se o pregador se achega à letra das Escrituras, eles imaginam que suas almas estão sendo alimentadas com o verdadeiro leite da Palavra. Que tristeza a credulidade de tais almas desavisadas.

O leitor está prestes a perguntar, “Mas que outros testes devemos aplicar?” Vamos ajudá-lo a responder sua própria pergunta ao perguntar outra. Que critérios você aplica à comida material que você come? Você se satisfaz se ela foi preparada e cozida conforme os melhores livros de culinária? Claro que não. O principal é, o que sua comida produz? Ela satisfaz ou incomoda seu sistema digestivo? Ela promove ou ataca sua saúde? Nós concordamos, não? Muito bem, agora aplique a mesma regra ou teste à comida espiritual – ou, deveríamos dizer, mais acuradamente, a comida “religiosa” – que você está saboreando; que efeito ela está tendo sobre seu caráter e conduta, o que está produzindo no seu coação e na sua vida? Mas não devemos parar aí com uma mera generalização. Se as almas precisam de ajuda hoje, o servo de Deus deve ser preciso, e entrar em detalhes. Pondere cuidadosamente estas questões, querido leitor.

  Continue lendo

Como se conduzir na Caminhada Cristã – Jonathan Edwards

titulo_vidacristaCarta de Jonathan Edwards a uma jovem

Escrita no ano de 1741

 

Minha querida jovem amiga,

Como era do seu desejo que eu a mandasse, por escrito, algumas diretrizes em como conduzir-se a si mesma em sua Caminhada Cristã, agora o faço. As doces lembranças das coisas maravilhosas que vi em sua igreja inspiram-me a fazer qualquer coisa que estiver a meu alcance, contribuindo para a alegria e prosperidade espirituais do povo de Deus que aí está.

1. Aconselho-te a manter o esforço e o fervor na religião, como se estivesse em seu estado natural, procurando converter-se. Aconselhamos pessoas com convicção a serem fervorosas e violentas para o Reino dos Céus; mas elas não devem ser menos vigilantes, trabalhadoras e fervorosas na seara quando já convertidas, porém, ainda mais, pois há infinitas coisas a mais a se fazer. Por ser esta uma característica que nos falta, muitas pessoas, em poucos meses de conversão, começam a perder seu doce e vivo senso das coisas espirituais, crescendo geladas e em trevas, “desviando-se da fé e a si mesmos se atormentando com muitas dores” (1 Tm 6; 10), enquanto se tivessem atentado às palavras do apóstolo em Filipenses 3; 12-14, seus caminhos seriam como “a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4; 18)

 

2. Não deixe de procurar a Deus, de jejuar e orar pelas mesmas coisas que exortamos a pessoas não-convertidas a orar e jejuar, tendo você já passado por este processo. Ore para que seus olhos estejam abertos, para que receba a visão correta, conhecendo-te a ti mesma, e para seus pés descansem em Deus. Que você veja a glória de Deus e Cristo, e tenha o amor de Cristo derramado em todo o teu coração. Aqueles quem tem a muitas destas coisas, ainda assim precisam orar por elas, pois ainda há tanta cegueira, dificuldade, orgulho e corrupção, que necessitam ter o trabalho de Deus sobre eles a fim de receber luz e vida, sendo trazidos da escuridão para a maravilhosa luz de Deus, recebendo como que uma nova conversão e ressurreição dos mortos. Há poucos deveres convenientes a um não-convertido que também não o são, de certa maneira, para o povo de Deus.

 

3. Quando ouvir a um sermão, ouça por si mesma. Mesmo que provavelmente o que está sendo pregado seja para não-convertidos ou para aqueles que, de outras maneiras, estão em diferentes circunstâncias que você. Assim, deixe com que a principal intenção de sua mente seja a ponderação: em quais aspectos isto é aplicável a mim? E em que posso melhorar para o próprio bem de minha alma?

4. Apesar de Deus ter perdoado e esquecido seus pecados, não os esqueça: lembre-se sempre deles, de como era uma escrava sem esperança na terra do Egito. Traga à memória suas ações de pecado antes de sua conversão, assim como o apóstolo Paulo está sempre mencionando sua antiga atitude de blasfêmia, em que perseguia o Espírito e maltratava o povo de Deus, humilhando seu coração, dizendo ser “o menor dos apóstolos”, indigno de “ser chamado apóstolo”, “menor dos santos” e “o maior dos pecadores”. Confesse sempre seus pecados a Deus e deixe com que este texto esteja sempre em sua mente: “para que te lembres e te envergonhes, e nunca mais fale a tua boca soberbamente, por causa do teu opróbrio, quando eu te houver perdoado tudo quanto fizeste, diz o SENHOR Deus.” (Ez 16; 63)

5. Lembre-se que você tem muito mais motivos para lembrar-se e humilhar-se dos seus pecados agora, desde que se converteu, do que antes. Tudo isso se deve a suas muitas obrigações para com a vida com Deus, olhando para os escolhidos de Cristo, amando sempre sua amabilidade, apesar de toda a sua falta de valor desde sua conversão.

6. Esteja sempre vigilante para com seu contínuo pecado e não pense que você se preocupa muito com ele. Ainda sim, não esteja desencorajada nem permita que ele anule seu coração, pois, apesar de sermos exageradamente pecadores, temos um Advogado com o Pai, a saber, Jesus Cristo, o Santo. O sangue cuja preciosidade, o mérito cuja retidão, a grandeza cujo amor e fé infinitamente sobrepujam as mais altas montanhas de nossos pecados!

7. Quando começar a orar, ou tomar parte na Ceia do Senhor, ou participar de qualquer outra atividade de adoração, venha a Cristo como Maria Madalena fez!  Venha, e coloque-se aos Seus pés, e os beije, derrame perante Ele o doce óleo perfumado de amor oriundo de um coração puro e quebrantado, como ela derramou o perfume precioso de sua jarra de alabastro! “E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com unguento e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o unguento.” (Lc 7; 37-38)

8. Lembre-se que orgulho é a pior víbora do coração, o grande distúrbio da paz da alma e da doce comunhão com Cristo: foi o primeiro pecado e se encontra bem baixo na fundação da obra de Satanás, sendo muito dificilmente arrancado fora, pois é o mais escondido, secreto e arruinador de todas as luxúrias, inserindo insensibilidade no meio da religião e até mesmo sob a desculpa de humildade. “O temor do SENHOR consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu os aborreço.” (Pr 8:13)

9. Que você faça um correto julgamento de si mesma, vendo sempre nos outros as melhores descobertas, o melhor conforto, pois têm esses dois lados: uns te fazem menor e insignificante, como uma criança. Outros, animam e consertam seu coração em uma disposição firme em negar-se a Deus, passar tempo com Ele e por Ele.

10. Se em algum momento você se encontrar em dúvidas sobre o estado de sua alma, em partes escuras e sem sentido, é necessário rever sua experiência passada. Mas não invista muito tempo e esforços neste caminho. Ao contrário, disponha-se com todo o seu ser a procurar ardentemente uma nova experiência, nova luz, novas ações de fé e amor. Uma nova descoberta da gloriosa face de Cristo fará mais sobre aterrorizadoras nuvens negras do que examinar experiências passadas durante um ano, sob as melhores nuances que podem dar.

11. Quando pouco se exercita a graça e a corrupção prevalece juntamente com o medo, não tente tirar isto de seu coração de qualquer outra maneira além de reviver o amor a Deus. Assim, o medo será efetivamente expulso, como a escuridão desaparece de um quarto quando os deliciosos raios de sol penetram-no.

12. Quando aconselhar e alertar as pessoas, o faça com vontade e afeição, com firme convicção. Lembre-se que estará falando ao seu próximo deixando que suas palavras contenham expressão de sua própria pequenez, mas também da graça soberana que te faz diferente.

13. Se você organizar encontros devocionais com jovens mulheres como você, uma vez a cada certo tempo, além de participar de outros encontros gerais, será muito proveitoso e útil.

14. Em quaisquer dificuldades, necessidades ou longos períodos de escassez, qualquer caso específico, para você ou outros, separe um dia para oração secreta e jejum. Gaste o dia, não tão somente pelas petições que faz, mas procurando seu coração olhando para sua vida, confessando seus pecados perante Deus. Não como se costuma fazer quando se ora publicamente, mas como um resumo a Deus de todos os pecados de sua vida, desde a infância, antes e depois da conversão, incluindo as circunstâncias e decaídas em relação a eles, apresentado diante d’Ele todas as particulares abominações de seu coração da maneira mais completa possível.

15. Não permita que os adversários da cruz reprovem a verdadeira religião. Quão retamente deveriam se comportar os filhos remidos e amados do Filho de Deus! Ainda, “caminhem como filhos da luz e do dia” e “adquira a doutrina de Deus seu Salvador”. E, especialmente, pondere sobre as virtudes cristãs que te fazem parecida com o Cordeiro de Deus. Seja humilde e submissa de coração, pura, celestial, amando a todos. Faça atos de amor aos outros e auto-negação pelos outros. Que haja em você uma disposição em pensar sobre os outros maior do que em você mesma.

16. Na sua vida, caminhe com Deus e siga a Cristo como uma pequena, pobre e desprotegida criança tomando a mão de Cristo. Mantenha seus olhos nas marcas das feridas em Suas mãos e lado, donde veio o sangue que te purifica do pecado, escondendo sua nudez nas vestes brancas celestiais.

17. Ore frequentemente pelos ministros da igreja de Deus, especialmente para que Ele continue seus glorioso trabalho que tem começado, até o dia da terra estar cheia de Sua glória.


ORE PARA QUE O ESPIRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA TRAZER UM CONHECIMENTO SALFÍVICO DE JESUS CRISTO E PARA EDIFICAÇÃO DA IGREJA

FONTE: http://gracegems.org/26/Edwards_letter.htm

Tradução: Projeto Castelo Forte