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O Evangelismo Trinitariano – Walter McAlister

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O que é evangelismo? Todo cristão tem uma ideia sobre o que seja o ato de evangelizar e sabe que essa é uma ação que devemos praticar. Agora, vamos refletir sobre a que de fato estamos nos referindo quando falamos sobre isso. Evangelizar é o ato de trazer alguém para a Igreja? É a afirmação pública de que somos cristãos? É a entrega de um panfleto na praia? O que é, afinal?

É fundamental que saibamos que evangelismo é essencialmente a explicação clara das boas-novas de Cristo: sua origem, sua obra e a esperança que podemos ter ao seguir Jesus nesta vida, com vistas à vida após a morte. Evangelismo não se resume a afirmar promessas de bem-estar, alegria temporal ou um sentimento de alívio pelo perdão dos pecados. Certamente, o perdão faz parte da mensagem. Mas não é o livramento do sentimento de culpa que a obra de Cristo nos proporciona. É muito mais do que isso. Tampouco evangelismo é um convite de adesão denominacional ou de incorporação a um movimento alavancado por alegria.

De onde vem a necessidade do evangelismo? Por que devemos admitir o proselitismo numa época tão antenada e movida pelo pluralismo moderno e o desconstrutivismo pós-moderno? Que absolutos podem nos mover a violar o espaço uns dos outros com uma mensagem que claramente fere a cartilha cívica e social dos nossos tempos? Afinal, dizem, todos os caminhos levariam a Deus. “Tudo é relativo”, segundo… bem, “todo mundo”.

Não, nem tudo é relativo.

Tudo o que existe — os céus, a terra, a humanidade — tem sua origem em Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. Começamos pela afirmação da triunidade de Deus, porque é nessa identidade trina que achamos a essência das boas-novas. Ao contrário do que muitos disseram no passado, Deus não criou o homem porque estava solitário. Ele não criou o universo porque teve de fazê-lo. Deus é completo em si. Sua existência é absolutamente e infinitamente plena. Não há sombra em Deus. Não há lacunas em Deus. Não há um espaço que exista fora de Deus. Pois, se Ele é infinito e eterno, não há um lugar onde ele não esteja, nem tampouco um tempo no qual ele não habite. Fora do tempo, o próprio tempo é criação dele, segundo Agostinho explicou em Cidade de Deus. A esfera temporal faz parte de dimensões que nos definem. Mas não definem Deus. É impossível fazê-lo. Todavia, não quero me perder em devaneios especulativos. Vamos nos limitar ao que temos por revelação clara, nas Escrituras. Pois Deus foi condescendente ao fazer com que pudéssemos conhecê-lo, mesmo que em parte (1 Co 13.12).

Se Deus não teve de nos criar, a pergunta que exige ser feita é “então por que criou?” Por que Deus pronunciou o fiat, “Haja luz”? A resposta não pode ser achada num versículo-chave. É por meio do pleno conselho de Deus, ou seja, pelo testemunho pleno da Bíblia toda, que vemos que o Senhor agiu pela graça. Foi a graça de Deus, a sua prerrogativa divina, que o levou a criar céus e terra. Foi a sua decisão, antes do início do início, formar o homem a sua imagem e semelhança. Foi o seu ato trino, fruto da sua natureza única e, ao mesmo tempo, existente em três pessoas. Pois foi o próprio Cristo quem falou, na sua oração sacerdotal de João 17: “Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (v.3).

Deus mandou seu Filho. Mas o Filho “veio”, ele “se fez” carne (Jo 1.11). O Pai deu seu Filho para morrer em nosso lugar. Mas o Filho disse “eu dou a minha vida” (Jo 10.17).  O Espírito, igualmente, participa de tudo o que Pai e Filho fizeram. Assim como Deus criou o mundo, tudo foi feito por meio do Filho. Mas o Espírito pairava sobre as profundezas. Ninguém vem ao Pai senão por intermédio do Filho (Jo 14.6). Mas, quando o Filho ora, afirma que ele cuidou dos que lhe foram dados pelo Pai. Ao mesmo tempo, quem convence o pecador é o Espírito, que fala tudo o que recebe do Filho (Jo 16.8-13).

Um dos textos que revelam a Trindade em ação é o batismo de Jesus no rio Jordão (Mt 3.13-17). Para Agostinho, esse texto apresenta um problema. Pois sugere que haja três deuses. Todavia, ele resolve o impasse com uma explicação perfeita. Embora haja três modos de agir, há um só ato sendo praticado. Em outras palavras, enquanto o Filho desceu às águas, o Pai o reconhece e o Espírito desce sobre Ele. Não há como separar os três. Literalmente, em cada ação de um dos membros da Santíssima Trindade, os outros dois se fazem presentes e agem, de forma diferente, mas numa unidade de propósito.

Há quem ache que evangelismo tem de enfatizar o Pai somente. Fala-se muito de um Deus, em termos tão genéricos que recorremos à poesia para tentar explicar quem ele é, o que faria ou não. Para outros, a mensagem é o Filho somente. Afinal, “foi ele quem nos livrou da ira do Pai inacessível”, segundo eles. Já os pentecostais querem enfatizar o Espírito. Seu evangelismo é uma chamada para milagres, sinais e prodígios.

Mas para que pessoas venham a entender o que é a vida eterna, a vida espiritual e a esperança que a mensagem cristã nos proporciona, temos de abraçar a mensagem evangelística trina: o Pai criou (Gn 1.1), por meio do Filho criou (Hb 1.2), no poder do Espírito criou (Gn 1.2) — um só Deus criou. O Pai amou (Jo 3.16), por amor o Filho veio (Mt 23.37 e Jo 1.10,11) e esse amor é derramado nos nossos corações pelo Espírito (Rm 5.5). O Pai ofereceu o seu Filho como propiciação dos nossos pecados (1 Jo 410). Mas o Filho também se ofereceu como propiciação pelos nossos pecados (Hb 2.17). O Filho disse “destrua este templo e eu mesmo irei reerguê-lo em três dias” (Jo 2.19). Mas o que o Filho fez, fez no poder do Espírito Santo (Rm 8.11). O Pai nos chama, o Filho nos chama, o Espírito nos convence. Oramos para o Pai, em o nome do Filho, no poder do Espírito.

Fomos chamados para participar de uma comunhão sagrada. Essa comunhão compreende a nossa justificação pelo sangue. Mas redunda numa vida de santificação no Espírito, pela lavagem da Palavra (Jo 16.13; 17.17). Isso porque o nosso Pai no céu é santo (1 Pe 1.16).

Voltando à pergunta inicial: o que é evangelismo? Por que evangelizamos? Por causa da graça de Deus que opera em nós. Precisamos de mais membros? Não. Precisamos de um clube cristão maior? Não. Mas há muitos que ainda não o conhecem. De graça recebemos. De graça devemos dar também (1 Pe 5.5; Mt 10.8). Fomos amados pela graça, devemos amar de graça, também (1 Jo 4.10). Pois todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus (1 Jo 4.7,8). Ele nos instruiu a ir e falar Dele (Mc 16.15-18). Mas precisamos nos envolver com Ele: Pai, Filho e Espírito Santo. Por isso Jesus disse: “Vocês são testemunhas destas coisas. Eu lhe envio a promessa de meu Pai; mas fiquem na cidade até serem revestidos do poder do alto” (Lc 24.48-49). Sim, até para falar Dele precisamos Dele mesmo (Jo 15.1-5). Assim como a nossa mensagem é trinitariana, nossa missão também é. E, assim como a nossa missão é, o nosso método tem de ser. Não será na força da razão ou na excelência da nossa apologia que o Evangelho alcançará quem precisa ser salvo. Será no poder do Espírito, que revela o Filho e traz glória ao Pai.

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Walter McAlister é bispo primaz da Aliança das Igrejas Cristãs Nova Vida; http://www.icnv.com.br/icnv/pt/Default.aspx

O Papado – uma heresia

O Cabeça da Igreja - Spurgeon capaPor John MacArthurUm dos principais catalisadores do início da Reforma Protestante foi um livro de Jan Hus, um cristão da Boemia que precedeu Martinho Lutero por um século inteiro. O livro foi De Ecclesia ( A Igreja ), e um dos pontos mais profundos de Hus foi proclamado no título de seu quarto capítulo: ” Cristo, o único cabeça da Igreja.”
Hus escreveu: “Nem o papa, nem os cardeais são cabeça de todo o corpo santo, universal e católico da [isto é, verdadeira] igreja. Para nós Cristo é o cabeça da igreja. “Lembrando que a maioria dos líderes da igreja em sua época, na verdade, desprezava o senhorio de Cristo, Hus disse,” o clero chegou a um ponto tão baixo  que eles odeiam ver os que pregam chamarem muitas vezes Jesus Cristo, o Senhor. ” A candura de Hus lhe custou a vida. Ele foi declarado herege e queimado na fogueira em 1415.
Mais de cem anos depois, e já em desacordo com o instituição papal, Martin Lutero leu De Ecclesia . Depois de terminar o livro, ele escreveu a um amigo, “Eu ensinei até agora que todas as opiniões de Hus eram surpreendentes, assim que João Staupitz. Mas em suma, todos nós somos hussitas sem saber. “
Como chefe da Igreja Católica Romana, o papa é muitas vezes chamado de “Santo Padre” e “Vigário de Cristo”, nomes e funções que se aplicam somente a Deus. Ele afirma ter a capacidade de falar ex cathedra, exercendo infalibilidade divina para adicionar e aumentar a Escritura ( Apocalipse 22:18 ). Ele exerce a autoridade, não-bíblica e profana sobre seus seguidores, usurpando a liderança de Cristo e pervertendo a obra do Espírito Santo.
Os reformadores entenderam o que era declarado com uma ousadia descarada. Como Martinho Lutero escreveu a um amigo: “Nós aqui temos a convicção de que o papado é a sede do verdadeiro e real Anticristo. . . . Pessoalmente, eu declaro que devo ao Papa a mesma obediência a que devo ao Anticristo.”
Em sua Institutas da Religião Cristã , João Calvino disse:
Algumas pessoas pensam que somos muito graves e de censuráveis, quando chamamos o Anticristo pontífice romano. Mas aqueles que são desta opinião não consideram que eles trazem a mesma carga de presunção contra o próprio Paulo, de quem falamos, e cuja língua que adotamos. E para que ninguém se oponha, que pervertem indevidamente ao pontífice romano as palavras de Paulo, que pertencem a um assunto diferente, vou brevemente mostrar que eles não são capazes de qualquer interpretação diferente da que implicá-los para o papado (John Allen tradução livro, quatro, capítulo sete).
As palavras de Paulo que Calvino referiu-se eram de 2 Tessalonicenses, onde o apóstolo descreveu a vinda do Anticristo “, que se opõe e se exalta acima de todo que se chama Deus ou objeto de adoração, de forma que ele toma seu lugar no templo de Deus, exibindo a si mesmo como sendo Deus “( 2 Tessalonicenses 2:4 ).
Esse mesmo entendimento foi posteriormente refletido na Confissão de Fé de Westminster, que diz: “Não há outro Cabeça da Igreja senão o Senhor Jesus Cristo. Nem o Papa de Roma, em qualquer sentido, é o cabeça dela, mas ele é aquele anticristo, aquele homem do pecado e filho da perdição que se exalta na Igreja contra Cristo e contra tudo que se chama Deus “(25,6).
Isso não quer dizer que o papa é o último Anticristo. Tem sido e continuará a ser, como 1 João 2:18 diz, muitos falsos mestres que personificam o espírito do Anticristo. Como o  puritano americano Cotton Mather escreveu em A Queda de Babilônia : “Os oráculos de Deus predizem o surgimento de um Anticristo [ou seja, uma ou mais anticristos que personificam o espírito do Anticristo] na igreja cristã. E no Papa de Roma, todas as características de que o Anticristo são tão maravilhosamente respondidos que, se qualquer um que ler as Escrituras não vê-lo, há uma cegueira maravilhosa sobre eles. “
Em um sermão intitulado “Ore por Jesus”, Charles Haddon Spurgeon exortou sua congregação que “é dever de cada cristão orar contra o Anticristo, e como o  Anticristo age. Nenhum homem sensato deve levantar outro questionamento: se ele não for o papado na igreja de Roma e da Igreja da Inglaterra, não há nada no mundo que possa ser chamado por esse nome. “
Ele passou a dizer:
Papado em qualquer lugar, seja Anglicano ou Romano, é contrário ao Evangelho de Cristo! E é o Anticristo, e devemos orar contra ele! Essa deve ser a oração diária de cada crente que o Anticristo possa ser arremessado como uma pedra de moinho no dilúvio e afundar para não subir mais. Devemos orar contra o erro para com Cristo, porque ele rouba Cristo de Sua glória, porque coloca a eficácia sacramental no lugar de Sua expiação e levanta um pedaço de pão no lugar do Salvador, e algumas gotas de água no lugar do Espírito Santo, e coloca um mero homem falível como nós como se fosse o Vigário de Cristo na terra.  Devemos orar por ele, pois devemos amar as pessoas mesmo odiando os seus erros! Vamos amar suas almas embora nós detestemos os seus dogmas, e assim o sopro de nossas orações será adoçado porque voltamos nossos rostos para Cristo quando oramos.
Em outro sermão, intitulado “Cristo Glorificado”, Spurgeon disse:
Cristo não redimiu Sua igreja com o Seu sangue para que o papa pudesse entrar e roubar a glória. O Papa nunca veio do céu para a terra e derramou seu coração para que Ele possa comprar o seu povo, de modo que um pobre pecador, um homem simples possa ser definido em alta admiração por todas as nações e de se chamar o representante de Deus na terra! Cristo sempre foi o cabeça de Sua igreja.
Em 1 Timóteo 2:5 , Paulo disse: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem.” O papa assumiu para si uma posição de autoridade que não precisa ser preenchida.FONTE: John MacArthur Brasil 

LEiA o sermão de C.H.Spurgeon “O Cabeça da Igreja” no Projeto Spurgeon

Manjares perigosos – Arthur Pink

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“Quando te assentares a comer com um governador, atenta bem para aquele que está diante de ti” (Pv 23:1).

 

 

Supõe-se que este verso tem pouca ou nenhuma aplicação para muitos de nossos leitores, visto como não há quase ninguém que possa vir, algum dia, a ser convidado para jantar com o presidente dos Estados Unidos ou com o rei da Grã-Bretanha. Infelizmente esse é o tipo de pensamento que pode encontrar lugar na mente de qualquer cristão. Infelizmente essa é a tendência de carnalizar a Palavra de Deus que é agora tão generalizada. Infelizmente esse é o [verso] que nossos intérpretes espirituais dos Oráculos Divinos têm quase banido da terra. Mas ainda que não haja um professor ungido para abrir as Escrituras, não deveria ser auto-evidente que o Espírito Santo nunca teria colocado um verso como este na Palavra se não possuísse aplicação para todos os do povo de Deus? E não deve esta mesma consideração nos levar a buscar em oração seu significado oculto?

“Quando te assentares a comer com um governador, atenta bem para aquele que está diante de ti”. Há outros “governantes” mencionados nas Escrituras, além dos civis. Não lemos sobre o “principais da congregação” (Êx 16:22), o “chefe da sinagoga” (Lc 8:41), bem como dos “dominadores deste mundo tenebroso” (Ef 6:12)? Perceba que nem todos os “chefes” da cristandade hoje foram escolhidos por Deus. De fato, longe disso. Pessoalmente o escritor duvida muito que dois a cada mil dentre os pregadores, ministros, e missionários, por todo mundo, foram chamados por Deus! Muitos deles se auto-indicaram, alguns foram enviados por homens, a maioria cresceu sobre a tutela de Satanás. O leitor atento dos Velho e Novo Testamentos perceberá que o número dos falsos profetas, em todas as eras, superavam em muito o número dos verdadeiros. É por essa razão que Deus nos ordena a “não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora” (I Jo 4:1). Por isso a admoestação dada em Provérbios 23:1 tem sempre sido atual para o povo de Deus prestar muita atenção, e talvez nunca tenha sido tão necessário dar um alerta sobre isso do que neste tempo apóstata e degenerado em que todos nós fomos lançados.

A pregação que ouvimos, e que em certa medida é absorvida, tem precisamente o mesmo efeito sobre nossas almas, assim como a comida que comemos tem efeito sobre nossos corpos: se for saudável, é nutritivo; se danosa, nos fará mal. “Quando te assentares a comer com um governador, atenta bem para aquele que está diante de ti”. É uns fatos trágicos que muitos dos próprios filhos de Deus são tão pouco espirituais, e tão ignorantes espiritualmente, que eles mal sabem como “atentar bem” o que está “diante deles”. Eles não sabem quais testes usar, nem como examinar o que ouvem. Se o pregador for “ortodoxo” e aprovado por aqueles que ele mesmo considera “sadios na fé”, eles pensam que sua mensagem deve estar correta. Se o pregador apenas crê nos “fundamentos” da fé, eles creem que deve ser um verdadeiro servo de Deus. Se o pregador se achega à letra das Escrituras, eles imaginam que suas almas estão sendo alimentadas com o verdadeiro leite da Palavra. Que tristeza a credulidade de tais almas desavisadas.

O leitor está prestes a perguntar, “Mas que outros testes devemos aplicar?” Vamos ajudá-lo a responder sua própria pergunta ao perguntar outra. Que critérios você aplica à comida material que você come? Você se satisfaz se ela foi preparada e cozida conforme os melhores livros de culinária? Claro que não. O principal é, o que sua comida produz? Ela satisfaz ou incomoda seu sistema digestivo? Ela promove ou ataca sua saúde? Nós concordamos, não? Muito bem, agora aplique a mesma regra ou teste à comida espiritual – ou, deveríamos dizer, mais acuradamente, a comida “religiosa” – que você está saboreando; que efeito ela está tendo sobre seu caráter e conduta, o que está produzindo no seu coação e na sua vida? Mas não devemos parar aí com uma mera generalização. Se as almas precisam de ajuda hoje, o servo de Deus deve ser preciso, e entrar em detalhes. Pondere cuidadosamente estas questões, querido leitor.

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Como se conduzir na Caminhada Cristã – Jonathan Edwards

titulo_vidacristaCarta de Jonathan Edwards a uma jovem

Escrita no ano de 1741

 

Minha querida jovem amiga,

Como era do seu desejo que eu a mandasse, por escrito, algumas diretrizes em como conduzir-se a si mesma em sua Caminhada Cristã, agora o faço. As doces lembranças das coisas maravilhosas que vi em sua igreja inspiram-me a fazer qualquer coisa que estiver a meu alcance, contribuindo para a alegria e prosperidade espirituais do povo de Deus que aí está.

1. Aconselho-te a manter o esforço e o fervor na religião, como se estivesse em seu estado natural, procurando converter-se. Aconselhamos pessoas com convicção a serem fervorosas e violentas para o Reino dos Céus; mas elas não devem ser menos vigilantes, trabalhadoras e fervorosas na seara quando já convertidas, porém, ainda mais, pois há infinitas coisas a mais a se fazer. Por ser esta uma característica que nos falta, muitas pessoas, em poucos meses de conversão, começam a perder seu doce e vivo senso das coisas espirituais, crescendo geladas e em trevas, “desviando-se da fé e a si mesmos se atormentando com muitas dores” (1 Tm 6; 10), enquanto se tivessem atentado às palavras do apóstolo em Filipenses 3; 12-14, seus caminhos seriam como “a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4; 18)

 

2. Não deixe de procurar a Deus, de jejuar e orar pelas mesmas coisas que exortamos a pessoas não-convertidas a orar e jejuar, tendo você já passado por este processo. Ore para que seus olhos estejam abertos, para que receba a visão correta, conhecendo-te a ti mesma, e para seus pés descansem em Deus. Que você veja a glória de Deus e Cristo, e tenha o amor de Cristo derramado em todo o teu coração. Aqueles quem tem a muitas destas coisas, ainda assim precisam orar por elas, pois ainda há tanta cegueira, dificuldade, orgulho e corrupção, que necessitam ter o trabalho de Deus sobre eles a fim de receber luz e vida, sendo trazidos da escuridão para a maravilhosa luz de Deus, recebendo como que uma nova conversão e ressurreição dos mortos. Há poucos deveres convenientes a um não-convertido que também não o são, de certa maneira, para o povo de Deus.

 

3. Quando ouvir a um sermão, ouça por si mesma. Mesmo que provavelmente o que está sendo pregado seja para não-convertidos ou para aqueles que, de outras maneiras, estão em diferentes circunstâncias que você. Assim, deixe com que a principal intenção de sua mente seja a ponderação: em quais aspectos isto é aplicável a mim? E em que posso melhorar para o próprio bem de minha alma?

4. Apesar de Deus ter perdoado e esquecido seus pecados, não os esqueça: lembre-se sempre deles, de como era uma escrava sem esperança na terra do Egito. Traga à memória suas ações de pecado antes de sua conversão, assim como o apóstolo Paulo está sempre mencionando sua antiga atitude de blasfêmia, em que perseguia o Espírito e maltratava o povo de Deus, humilhando seu coração, dizendo ser “o menor dos apóstolos”, indigno de “ser chamado apóstolo”, “menor dos santos” e “o maior dos pecadores”. Confesse sempre seus pecados a Deus e deixe com que este texto esteja sempre em sua mente: “para que te lembres e te envergonhes, e nunca mais fale a tua boca soberbamente, por causa do teu opróbrio, quando eu te houver perdoado tudo quanto fizeste, diz o SENHOR Deus.” (Ez 16; 63)

5. Lembre-se que você tem muito mais motivos para lembrar-se e humilhar-se dos seus pecados agora, desde que se converteu, do que antes. Tudo isso se deve a suas muitas obrigações para com a vida com Deus, olhando para os escolhidos de Cristo, amando sempre sua amabilidade, apesar de toda a sua falta de valor desde sua conversão.

6. Esteja sempre vigilante para com seu contínuo pecado e não pense que você se preocupa muito com ele. Ainda sim, não esteja desencorajada nem permita que ele anule seu coração, pois, apesar de sermos exageradamente pecadores, temos um Advogado com o Pai, a saber, Jesus Cristo, o Santo. O sangue cuja preciosidade, o mérito cuja retidão, a grandeza cujo amor e fé infinitamente sobrepujam as mais altas montanhas de nossos pecados!

7. Quando começar a orar, ou tomar parte na Ceia do Senhor, ou participar de qualquer outra atividade de adoração, venha a Cristo como Maria Madalena fez!  Venha, e coloque-se aos Seus pés, e os beije, derrame perante Ele o doce óleo perfumado de amor oriundo de um coração puro e quebrantado, como ela derramou o perfume precioso de sua jarra de alabastro! “E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com unguento e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o unguento.” (Lc 7; 37-38)

8. Lembre-se que orgulho é a pior víbora do coração, o grande distúrbio da paz da alma e da doce comunhão com Cristo: foi o primeiro pecado e se encontra bem baixo na fundação da obra de Satanás, sendo muito dificilmente arrancado fora, pois é o mais escondido, secreto e arruinador de todas as luxúrias, inserindo insensibilidade no meio da religião e até mesmo sob a desculpa de humildade. “O temor do SENHOR consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu os aborreço.” (Pr 8:13)

9. Que você faça um correto julgamento de si mesma, vendo sempre nos outros as melhores descobertas, o melhor conforto, pois têm esses dois lados: uns te fazem menor e insignificante, como uma criança. Outros, animam e consertam seu coração em uma disposição firme em negar-se a Deus, passar tempo com Ele e por Ele.

10. Se em algum momento você se encontrar em dúvidas sobre o estado de sua alma, em partes escuras e sem sentido, é necessário rever sua experiência passada. Mas não invista muito tempo e esforços neste caminho. Ao contrário, disponha-se com todo o seu ser a procurar ardentemente uma nova experiência, nova luz, novas ações de fé e amor. Uma nova descoberta da gloriosa face de Cristo fará mais sobre aterrorizadoras nuvens negras do que examinar experiências passadas durante um ano, sob as melhores nuances que podem dar.

11. Quando pouco se exercita a graça e a corrupção prevalece juntamente com o medo, não tente tirar isto de seu coração de qualquer outra maneira além de reviver o amor a Deus. Assim, o medo será efetivamente expulso, como a escuridão desaparece de um quarto quando os deliciosos raios de sol penetram-no.

12. Quando aconselhar e alertar as pessoas, o faça com vontade e afeição, com firme convicção. Lembre-se que estará falando ao seu próximo deixando que suas palavras contenham expressão de sua própria pequenez, mas também da graça soberana que te faz diferente.

13. Se você organizar encontros devocionais com jovens mulheres como você, uma vez a cada certo tempo, além de participar de outros encontros gerais, será muito proveitoso e útil.

14. Em quaisquer dificuldades, necessidades ou longos períodos de escassez, qualquer caso específico, para você ou outros, separe um dia para oração secreta e jejum. Gaste o dia, não tão somente pelas petições que faz, mas procurando seu coração olhando para sua vida, confessando seus pecados perante Deus. Não como se costuma fazer quando se ora publicamente, mas como um resumo a Deus de todos os pecados de sua vida, desde a infância, antes e depois da conversão, incluindo as circunstâncias e decaídas em relação a eles, apresentado diante d’Ele todas as particulares abominações de seu coração da maneira mais completa possível.

15. Não permita que os adversários da cruz reprovem a verdadeira religião. Quão retamente deveriam se comportar os filhos remidos e amados do Filho de Deus! Ainda, “caminhem como filhos da luz e do dia” e “adquira a doutrina de Deus seu Salvador”. E, especialmente, pondere sobre as virtudes cristãs que te fazem parecida com o Cordeiro de Deus. Seja humilde e submissa de coração, pura, celestial, amando a todos. Faça atos de amor aos outros e auto-negação pelos outros. Que haja em você uma disposição em pensar sobre os outros maior do que em você mesma.

16. Na sua vida, caminhe com Deus e siga a Cristo como uma pequena, pobre e desprotegida criança tomando a mão de Cristo. Mantenha seus olhos nas marcas das feridas em Suas mãos e lado, donde veio o sangue que te purifica do pecado, escondendo sua nudez nas vestes brancas celestiais.

17. Ore frequentemente pelos ministros da igreja de Deus, especialmente para que Ele continue seus glorioso trabalho que tem começado, até o dia da terra estar cheia de Sua glória.


ORE PARA QUE O ESPIRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA TRAZER UM CONHECIMENTO SALFÍVICO DE JESUS CRISTO E PARA EDIFICAÇÃO DA IGREJA

FONTE: http://gracegems.org/26/Edwards_letter.htm

Tradução: Projeto Castelo Forte

 

 

 

O que é Crer – J.C.Ryle

titulo_crerA fé e a crença, tratados por mim anteriormente, são uma graça de suma importância e serão, naturalmente, falsificadas, portanto, precisamos estar preparados para isso. Assim como existe uma fé morta, também existe a fé viva; a fé dos perversos, assim como a fé dos eleitos por Deus; a fé que é vã e inútil e a fé que justifica e salva. Como o homem saberá se ele tem a fé verdadeira ou não? Como ele saberá se acredita na salvação de sua alma? Há como descobrir. Um etíope é reconhecido pela sua pele, assim como um leopardo por suas manchas. A fé verdadeira pode ser reconhecida por algumas marcas. Elas estão expostas claramente nas escrituras. Leitor, vou me esforçar para deixar essas marcas de forma clara diante de você. Observe-as cuidadosamente e teste sua própria alma com o que vou dizer.

1.  Aquele que acredita em Cristo tem, dentro de si, paz e esperança.  Está escrito “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo”, “Porque nós, os que temos crido, entramos no repouso” (Rm 5:1, Hb 4: 3). Os pecados do cristão são perdoados e suas iniquidades são levadas embora, sua consciência já não está mais carregada com o peso de suas transgressões não perdoadas. Ele está reconciliado com Deus e tornou-se um de seus amigos, podendo olhar para a morte, o julgamento e a eternidade sem temor. A tormenta da morte é afastada e quando o julgamento do dia final for realizado e os livros forem abertos, não haverá nada posto a seu cargo. Ele estará preparado para quando a eternidade chegar, porque sua esperança está no céu e na cidade sólida. Ele pode não ser completamente sensível a todos esses privilégios, seu senso e visão sobre estas coisas podem variar enormemente dependendo do momento e podem ser frequentemente obscurecidos por dúvidas e medos. Como uma criança que ainda é muito nova, mas herda uma grande fortuna, ele pode também não estar ciente do valor de suas posses, mas com todas as suas dúvidas e temores, ele tem uma esperança verdadeira, sólida e real que o fará suportar as provas e poderá dizer “Tenho uma esperança que faz com que não me sinta envergonhado”. (Rm 5: 5.)

2.  Aquele que acredita em Cristo tem um novo coração. Está escrito, “Assim, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo“, “mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos quais crêem no seu nome, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”, “Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus” (2 Co 5:17, Jo 1:12,13, I Jo 5:1). Um cristão não tem mais a mesma natureza de antes. Ele está mudado, renovado e transformado à imagem de seu Senhor e Salvador. Aquele que se preocupa primeiro com os assuntos da carne, não tem fé. A verdadeira fé e regeneração espiritual são companheiras inseparáveis. Uma pessoa não convertida não é cristã!

3.  Aquele que acredita em Cristo é uma pessoa cujo coração e vida são santos. Está escrito que Deus purifica “os seus corações pela fé” e que cristãos são “santificados pela fé”, “E qualquer que nele tem esta esperança, purifica-se a si mesmo” (At 15: 9, 26: 18, I Jo 3: 3). Um cristão ama aquilo que Deus ama e odeia o que Deus odeia. O desejo do seu coração é caminhar segundo as ordenanças de Deus e se abster de qualquer costume maldoso. Seu desejo é andar segundo o que é justo, puro, honesto, amável e de bom testemunho e purificar-se de toda impureza da carne e do espírito. Por diversas vezes ele está muito aquém de seus propósitos e vê sua vida diária como um duelo constante contra a corrupção que habita nele. Ele luta e se recusa a servir o pecado. Onde não há santidade, podemos ter certeza de que não há fé salvífica. Um homem profano não é cristão!

4.  Aquele que acredita em Cristo trabalha na obra de Deus. Está escrito que a “fé opera pelo amor” (Gl 5:6). Uma crença verdadeira nunca fará um homem perder tempo, nem permitirá que ele fique imóvel, satisfeito com sua própria religião. Essa crença o motivará a realizar atos de amor, bondade e caridade quando perceber uma oportunidade. Ele será compelido a andar pelo mesmo caminho que seu Mestre, que “andou fazendo o bem”. De uma forma ou de outra, fará com que ele trabalhe. As obras que ele faz, talvez não atraiam os olhares do mundo. Elas podem parecer insignificante para muitas pessoas, mas não serão esquecidas por Ele, que nota até um copo de água gelada oferecida em Seu nome. Onde não há um trabalho por amor, não há fé. Um cristão preguiçoso e egoísta não pode caracterizar-se como cristão!

5.  Aquele que acredita em Cristo vence o mundo. Está escrito que “todo o que é nascido de Deus, vence o mundo, e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (I Jo 5:4). Um verdadeiro cristão não se regra pelos padrões mundanos de certo e errado, verdade ou mentira, não depende da opinião do mundo e não se importa com o reconhecimento do mundo. Ele não é movido pela censura do mundo, nem busca seus prazeres, tampouco ambiciona as recompensas dele. Ele olha para o que não se pode ver. Ele vê um Salvador invisível, um julgamento por vir e uma coroa de glória que não se desvanece. Tudo isso faz com que ele pense pouco do mundo. Onde o mundo reina no coração, não há fé. Um homem conformado com esse mundo, não pode se denominar cristão!

6.  Aquele que acredita em Cristo, tem um testemunho interno de sua crença.  Está escrito que “quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho” (I Jo 5:10). A marca diante de nós, requer um manejo delicado. A testemunha do Espírito é, inquestionavelmente, um assunto muito difícil, mas não posso temer em declarar minha própria convicção, de que verdadeiros cristãos sempre têm sentimentos dentro de si que são peculiares a eles, sentimentos que estão conectados com sua fé e que fluem dela, sentimentos que descrentes desconhecem. Ele tem o Espírito da adoção, pelo qual ele olha para Deus como o Pai reconciliador e o observa sem temor. Ele tem o testemunho de sua consciência, borrifada pelo sangue de Cristo, de que, tão fraco quanto possa ser, ele descansa em Cristo. Ele agora tem esperança, alegria, medo, dor, consolação e expectativa, coisas que não conhecia antes de crer. Ele recolheu evidências que o mundo não consegue entender, mas que são bem melhores para ele, mais do que qualquer livro de evidências existente. Os sentimentos são, sem dúvida alguma, muito enganosos. Mas onde não há sentimentos religiosos, não há fé. Um homem que não sabe nada sobre religião interna, espiritual e experimental, não é, ainda, um cristão!

7.  Por último, aquele que acredita em Cristo, tem um olhar especial em sua religião à pessoa de Cristo. Está escrito, “E assim para vós, os que credes, é preciosa” (I Pe 2: 7). Esse texto merece uma atenção especial. Ele não diz que o cristianismo é precioso, ou que o evangelho é precioso, ou que a salvação é preciosa, mas que Cristo é precioso. A religião de um cristão não consiste em mero consentimento intelectual a algumas afirmações e doutrinas, não é uma crença fria de um conjunto de verdades e fatos concernentes a Cristo. Ela consiste em união, comunhão e camaradagem com uma Pessoa que vive: Jesus, o Filho de Deus. É uma vida de fé, confiança e descanso em Jesus; uma vida de sugar o máximo dEle, falar com Ele, trabalhar para Ele, amá-lO e ansiar pela Sua segunda vinda. Essa vida parece entusiasmar a muitos, mas onde há fé verdadeira, Cristo será sempre conhecido e visto como um amigo vivo e pessoal. Aquele que não vê a Cristo como seu pastor, médico e redentor, não tem conhecimento algum sobre crer!

Leitor, agora coloquei diante de você, as sete marcas de quem crê e peço para que considerem-nas. Não estou dizendo que todos os cristãos as têm igualmente, e também não estou dizendo que aquele que não tiver todas essas marcas, não será salvo. Sei que muitos cristãos são tão fracos na fé, que passam todos os dias de sua vida duvidando até deles mesmo. Digo apenas que existem marcas para as quais o homem deveria direcionar-se primeiro, caso queira responder à questão: você crê?

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FONTE: Trecho do sermão “Você Crê?” pregado por J.C.Ryle e em breve na integra em nosso Projeto Ryle – Anuciando a Verdade Evangélica

O Estudo da Bíblia – Arthur Pink

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A partir das cartas que recebemos, concluímos que nestes dias difíceis, não são poucos os que lamentam o fato de que já não têm mais o mesmo tempo livre para uma leitura diligente, tempo este que antes eles tinham. As condições de trabalho têm exigido tanto, a competição é tão acirrada e impiedosa, e o ritmo se tornou tão acelerado que a maioria está demasiadamente exausta no final do dia para dedicar-se a qualquer coisa que envolva muito esforço. Nós compreendemos estes exaustos trabalhadores e ofereceremos a eles as seguintes orientações.

Primeiro, Deus não é um capataz egípcio, lançando sobre nós um fardo insuportável.

Segundo, não há nada mais relaxante e que traga mais alívio a uma mente sobrecarregada, do que gastar meia hora a sós com Deus, que sejam cinco minutos na leitura de um salmo ou uma porção dos evangelhos, 15 a 20 minutos diante do Trono da Graça – agradecendo a Deus por suas misericórdias do dia, expondo à Ele nossos problemas, buscando pelo refrigério da graça – e então a leitura de um capítulo das epístolas.

Terceiro, vá descansar meia-hora mais cedo que de costume, e levante-se mais cedo pela manhã, então gaste esse tempo com Deus, preparando-se para as exigências do dia.

Quarto, esteja mais determinado a observar estas sugestões aos domingos, a fim de que você gaste algumas horas lendo a Palavra de Deus e livros edificantes. Pois, não honra ao Senhor correr de uma reunião para outra, deixando para si mesmo pouco tempo para a devoção particular.

No entanto, há ainda uma outra classe de pessoas mais jovens ou aqueles que não são tão pressionados pelas exigências da vida moderna, que nos escrevem e perguntam o que consideramos ser “a melhor maneira de estudar a Bíblia”. Ultimamente nos parece que o termo “estudo”, neste âmbito, soa presunçoso e cheira à carnalidade. Não seria quase que irreverente empregar este tipo de linguagem aqui, desvalorizando a santa e única Palavra de Deus, trazendo-a ao nível de meras produções humanas? É um entendimento claro ou uma consciência sensível, que é a mais essencial para beneficiar-se da revelação Divina? É mais provável que qual destas, seja na prática, chamada de “estudo” adequado? “Qual método você recomenda para o estudo da Bíblia?” Não parece que tal pergunta indica que aquele que faz estas perguntas, supõe que as Sagradas Escrituras são endereçadas sobretudo ao intelecto? Aquele que questiona pode não estar ciente disto – pois o coração é muito enganoso – porém, não é isto que está realmente implícito? Você pode imaginar alguém que tenha recebido uma carta de seu amor, propondo que se sentem e a “estudem“? Esta expressão não seria totalmente absurda em tal relação?

Mas não foi o próprio Deus quem nos exortou que “estudássemos” Sua Palavra? Onde? Em qual passagem? O termo atual para “estudar”, ocorre somente cinco vezes na Bíblia. Duas vezes em Provérbios (v. 15:28; 24:2) onde tem o significado de “meditar” antecipadamente; uma vez em Eclesiastes capítulo 12 verso 12; novamente em 1 Tessalonicenses 4 verso 11 – “Estude para viver tranquilamente”; e finalmente, “estude para apresentar-se a Deus aprovado, um obreiro que não tem do que se envergonhar, que maneja bem a  Palavra de Deus” (v. 2 Tm 2:15), o qual é endereçado a um pregador, e significa que ele deve fazer deste seu interesse primordial, esforçando-se para agradar a Deus em todas as coisas, e para não poupar esforços em equipar-se a fim de ministrar a Palavra em tempo oportuno às almas carentes, de forma que cada uma receba sua porção necessária. Nem o verso, nem o seu próprio contexto, fazem qualquer referência a separação das Escrituras, atribuindo um livro para este determinado fim e outro para aquele determinado fim – o que é uma sutileza do Inimigo para roubar dos filhos de Deus, muitas das porções necessárias de seu alimento espiritual.

Estamos insinuando, então, que o povo de Deus deveria devotar menos tempo às Escrituras, ou que deveriam ser encorajados a examiná-la superficialmente? Não, de maneira nenhuma! Aquilo contra o que estamos protestando aqui é a idéia, que desonra à Deus, de que Sua Palavra é meramente uma peça de literatura, a qual pode ser “dominada” por um mero método de “estudo“. Aquilo contra o que advertiríamos é a atenção indevida aos aspectos técnicos da Bíblia. Sem hesitar, leia e releia toda a Bíblia em sequência, de forma a tornar-se familiarizado com seu conteúdo. Sem hesitar, “examine as Escrituras diariamente” (v. Atos 17:11) com o objetivo de por à prova tudo o que você ouve e lê; “compare” uma parte com outra, a fim de que você obtenha uma visão clara do que está diante de você. Ore sempre para que vocês tenha a direção e a iluminação do Espírito, para que Ele possa lhe dar discernimento dos mistérios divinos; pondere calmamente cada palavra em cada verso. Acima de tudo, rogue a Deus que escreva Sua Palavra mais claramente e de forma plena sobre as tábuas do seu coração.

A bendita Palavra de Deus não é deve ser dissecada pela fria faca do intelectualismo, mas ela deve ser guardada no coração. Ela não nos foi dada para exibirmos sabedoria e “esplendor“, mas para que nos curvemos diante dela em verdadeira humildade. Ela não foi concebida para que se tornasse um passatempo para nossas mentes, mas para governar nossas vidas diárias. Muito, muito mais importante que o “método”, é nossa motivação quando nos achegamos à Palavra. Não para que nos ensoberbeçamos acerca de nós mesmos, mas para que o orgulho seja dominado e sejamos levados a suplicar diante do escabelo da misericórdia; isto é o que deveríamos buscar. Que valor tem o conhecimento dos originais em Hebraico e Grego – ou um conhecimento apurado acerca da história, geografia e cronologia da Bíblia – se o coração permanece frio e duro diante de seu Autor?

Portanto, duvidamos muito que essa palavra, “estudo”, é apropriada para ser aplicada a nossa leitura das páginas inspiradas. O que pensaríamos de uma criança, longe de casa, que dissesse que ela estava indo “estudar” as cartas que recebeu de seus pais? A Bíblia consiste em uma série de cartas dada pelo Pai Celeste a seus amados filhos. Então, vamos tratá-las assim e agir de acordo com isto.

Assim como escrevemos recentemente a dois amigos nos Estados Unidos, “eu me pergunto se vocês ficariam surpresos se eu dissesse que, duvido seriamente que Deus tem pedido ou exigido de vocês que ‘estudem’ sua Palavra – o que vocês tem que fazer é ‘alimentarem-se’ dela. Quantos nutrientes seus corpos iriam obter do estudo das propriedades químicas dos nutrientes das frutas e cereais – ou pela busca da compreensão dos diversos tipos de solos nos quais foram cultivados, ou os diferentes tipos que se derivaram – ou o significado de seus nomes em latim? Absolutamente nenhum! E estou convencido de que grande parte do moderno ‘estudo da Bíblia’, é incapaz de prover alguma espiritualidade. Verdadeiramente, o estudo, como mencionado acima, alimentaria o orgulho – adquiriria um conhecimento que muitos de seus amigos não possuem; mas isto ajudaria na digestão?

Não seria mais prático dar mais atenção ao fato de assegurar uma dieta nutricionalmente  balanceada? Não seria muito mais proveitoso se você desse mais atenção à mastigação de seu alimento? Assim, queridos amigos, é com seu alimento espiritual“. “Desejem sinceramente o leite da Palavra, para que assim cresçais” – v. 1 Pe 2:2. Este é o único alimento realmente nutritivo para nossa alma!

Não se prenda unicamente aos seus livros favoritos da Escritura, de forma que venha a negligenciar outros igualmente necessários, mas varie sua leitura e então você obterá uma dieta balanceada. Memorize um verso ou dois ao dia e medite neles sempre que tiver tempo, mesmo quando estiver a caminho do seu serviço ou nele, e então você mastigará seu alimento. Coloque os preceitos em prática, atente às orientações das Escrituras, e então você absorverá aquilo do que se alimentou.

Atenção: É necessário que deixemos bem claro que este breve artigo não é voltado para pregadores e professores.

ORE PARA QUE O ESPIRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA TRAZER UM CONHECIMENTO SALFÍVICO DE JESUS CRISTO E PARA EDIFICAÇÃO DA IGREJA

FONTE: http://gracegems.org/Pink2/bible_study.htm

Tradução: Geison Pimentel

Revisão: Thiago McHertt

Membresia e Identidade – John MacArthur

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Nossa sociedade está sofrendo uma crise de identidade. Coletiva e individualmente, as pessoas hoje não possuem um forte sentido de quem são, do que querem, ou como conseguir isso. Vão à deriva pela vida, seguindo os caprichos e as modas do mundo, no lugar de aceitar a responsabilidade e buscar a maturidade.

Os cristãos não precisam lutar com esse tipo de identidade. Nós fomos redimidos e afirmados por Cristo, introduzidos em Sua família e somos transformados a Sua semelhança. Até certo ponto, deve ser difícil dizer onde Ele se termina e você começa, por assim dizer. Como Paulo diz em Gálatas 2:20: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim”.

Essa verdade gloriosa descreve o estado espiritual de cada crente. Já não estamos isolados e sozinhos: o Senhor nos comprou por preço (1 Coríntios 6:20) e nos introduziu em Sua família (Romanos 11:17). Levamos Seu nome, e nossas vidas transformadas é um testemunho de Seu amor e Seu poder. O sacrifício de Cristo em nosso favor estabelece nossa nova identidade para a eternidade, nós como Sua igreja, Seu corpo e Sua noiva.

Porem, se individualmente somos identificados com Cristo, então, por que tantos cristãos se negam a identificar-se com a igreja, um conjunto de outros igualmente identificados com o Salvador? Por que se negam à membresia da igreja e evitam a comunhão com uma congregação local? Se o Senhor nos fez uma só família na eternidade, por que tantos crentes passam muito tempo aqui na terra evitando uns aos outros?

Paulo advertiu severamente a Timóteo a não se envergonhar de dar testemunho do Senhor (2º Timóteo 1:8). Em seu caso, Timóteo tinha verdadeiros motivos para ter medo de proclamar publicamente sua fé e sua identidade com a igreja; enfrentou a constante ameaça de perseguição física, prisão e até a morte.

A maioria dos crentes de hoje nem sempre enfrentarão esse tipo de pressão. No entanto, a resistência a identificar-se com a Igreja nasce do temor do homem. Em nossa cultura perpetuamente superficial e cada vez mais ateia, não existe nada bom da igreja. Assim que, em vez de serem selados com o estigma da religião, alguns crentes tratam de viver discretamente sua fé por meio de uma filiação frouxa com uma – e às vezes mais de uma – congregação. Outros se limitam a evitar por completo a igreja, envergonhados de que alguém poderia saber que elas pertencem a tal coisa.

A ideia de ceder a esse tipo de pressão pobre seria risível se muitos cristãos não o fizessem todos os dias. Porem, em vez de orgulhosamente unir-se publicamente com outros crentes, eles buscam uma popularidade volúvel.   Talvez você esteve tentando às vezes fazer o mesmo.

O que se faz frente essa tentação revela muito sobre o verdadeiro estado de seu coração. A melhor indicação de suas prioridades é como e onde gasta seu tempo e energia, trate de um movimento político, um conselho escolar, um comitê de bairro ou um clube de fãs.

E de todas as organizações as que se poderia pertencer, a igreja é deveras a mais importante. Seu compromisso e identificação com sua congregação local diz muito sobre quem você é e o que é mais importante para você. De fato, sua participação em sua igreja é muito mais que uma vez ou duas por semana, mas é uma reunião de pessoas que já não são mais cidadãos desse mundo, uma comunidade de homens e mulheres que foram transformados em novas criaturas e unidos na fé. A igreja é uma antecipação da glória que nos espera na eternidade.

Assim que, se você diz que ama ao Senhor, mas se nega a identificar-se com Seu povo, levante perguntas compreensíveis sobre a veracidade de seu amor. Ao mesmo tempo, se sua reputação com o mundo não convertido significa o suficiente para se manter afastado da Igreja, em primeiro lugar você tem provocado sérias preocupações sobre se você se arrependeu e creu verdadeiramente.

Outra coisa a se ter em conta quase se trata da reputação: é verdade que você poderia sofrer em alguns círculos se publicamente se identifica com sua igreja local, inclusive poderia ser humilhante para você. Porem, isso não é nada comparado com as humilhações que Cristo voluntariamente e com sacrifício sofreu por nós. E se o Senhor está disposto a associar-se com pessoas débeis e pecadoras como nós, não podemos manter Ele ou Sua igreja à distância. Se Ele não se envergonha de nos chamar Seus, não podemos ter vergonha de chamá-lo nosso.

TRADUZIDO DE: http://evangelio.wordpress.com/2013/01/23/la-membresa-es-identidad/

http://www.gty.org/resources/Blog/B130123

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