Quem  Precisa do Evangelho? (Sermão – C.H.Spurgeon)

nº1345

Pregado no Domingo, 25 de março de 1877
por Charles Haddon Spurgeon

No Tabernáculo Metropolitano, Newgton, Inglaterra

 

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“Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento.” Marcos 2:17


“Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.” Romanos 5:6


“Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” Romanos 5:8


“palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.” I Timoteo 1:15

 

 

Na noite de quinta-feira passada, com considerável dificuldade, vim aqui para pregar o evangelho de Jesus Cristo e usei em minha pregação alguns dos mais claros textos que se possa imaginar, repletos dos mais simples elementos do Evangelho. Em poucos minutos o sermão produziu uma colheita. A congregação era escassa devido ao mal tempo, e vocês não esperavam que seu pastor pudesse pregar. Porém, apesar de todas as circunstâncias, três pessoas passaram à frente sem que ninguém requisitasse isso delas para dar testemunho de que haviam encontrado a paz com Deus. Se o número de pessoas era maior, eu não sei. Contudo essas três buscaram aos irmãos e confessaram de maneira sincera e de todo coração o feito bendito de que, pela primeira vez em suas vidas, tinham entendido o plano de salvação. Então me pareceu que se um tema tão descomplicado como o Evangelho foi de tão repentino proveito, eu deveria sujeitar-me de novo à temas deste tipo.

 

Se um agricultor descobre que algum determinado tipo de semente tem resultado tão eficaz que produz uma colheita tal como nunca antes ele obteve, certamente ele usará de novo essa semente e semeará mais dela. Esses processos eficazes de produção agrícola devem se manter e ser usados em maior escala. Por isso, nesta manhã, irei pregar o simples A B C do Evangelho; os primeiros rudimentos da arte da salvação, e dou graças a Deus por que isto não será novo para mim. Que Deus o Espírito Santo, em respostas as orações de vocês, nos conceda no dia de hoje uma recompensa na mesma proporção da quinta feira passada, e se é assim, nosso coração ficará muito feliz.

 

De um abundante número de textos, eu selecionei os quatro mencionados acima para proclamar a verdade de que a missão de Nosso Senhor estava relacionada com os pecadores. Para que veio Cristo ao mundo? Para quem veio? Estas são perguntas muito importantes e as Escrituras tem as claras respostas. Quando os filhos de Israel encontraram pela primeira vez o Maná fora do acampamento, disseram um aos outros: “Maná? O que é isto?”, porque não sabiam o que aquilo era. Lá estava aquela pequena e redonda substância, tão diminuta como a geada. Não há duvida de que olharam o Maná , pegaram nele, o tocaram com suas mãos, cheiraram ele, e como se alegraram quando Moises disse-lhes: ” É o pão que Jeová dá para vocês comerem”. Não passou muito tempo antes que pudessem provar essa boa nova, pois cada homem recolheu uma medida completa, e levou para sua casa, e a preparou a seu gosto. Continue lendo

Esboços da História da Igreja – Capítulo 7 – Orígenes (185-254 d.C.)

Esboços da Historia da Igreja

J.C.Robertson

Capítulo VII: Orígenes (185-254 d.C.)

 

A mesma perseguição que Perpétua e seus companheiros sofreram em Cartago também atingiu a cidade de Alexandria no Egito, onde um homem erudito chamado Leônidas foi um dos mártires (202 d.C.). Leônidas tinha um filho chamado Orígenes, a quem tinha criado com muito cuidado e ensinou todos os dias a guardar a Palavra no coração. Orígenes estava muito ansioso para aprender, e era tão bom e tão inteligente, que seu pai tinha medo de demonstrar o quanto o amava e quão orgulhoso se sentia do filho, para que o menino não se tornasse confiante e convencido demais. Então, quando Orígenes fazia perguntas do tipo que somente alguns meninos pensariam perguntar, seu pai costumava castigá-lo, mas quando dormia, Leônidas ficava ao lado da sua cama e o beijava, agradecendo a Deus por lhe ter dado uma criança assim. Continue lendo

Esboços da História da Igreja – Capítulo 6 – Tertuliano e Perpétua (181-206 d.C)

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J.C.Robertson

Capítulo VI – Tertuliano e Perpétua (181-206 d.C)

 

O Imperador Marco Aurélio morreu no ano 181, e a Igreja foi pouco perturbada pela perseguição durante os próximos vinte anos.

Por volta desse tempo, um falso mestre chamado Montano fez muito barulho no mundo. Ele nasceu na Frígia, e parece ter ficado louco. Ele costumava cair em ataques e, enquanto estava neles, proferia palavras irracionais que foram tomadas como profecias, ou mensagens do céu, e algumas mulheres que o seguiam fingiram ser profetisas. Essas pessoas ensinavam um modo de vida muito rígido e muitas pessoas que desejavam levar vidas santas foram enganadas e seguiram seus ensinamentos. Um deles foi Tertuliano, de Cartago, na África, um homem muito inteligente e culto, que havia sido convertido do paganismo e escrito alguns livros em defesa do Evangelho, mas tinha um temperamento orgulhoso e impaciente, e não considerou corretamente como nosso próprio Senhor havia dito que sempre haveria uma mistura de maldade com o bem em Sua Igreja na Terra (Mateus 13.38,48). E quando Montano fingiu criar uma nova igreja, na qual não deveria haver senão pessoas boas e santas, Tertuliano caiu no laço e deixou a verdadeira Igreja para se juntar aos Montanistas (como os seguidores de Montano eram chamados). Desde então, escreveu muito amargamente contra a Igreja. Porém, continuou a defender o Evangelho em seus livros contra judeus e pagãos, e todos os tipos de falsos professores, exceto Montano. Quando Tertuliano morreu, suas boas ações foram lembradas mais do que a sua queda, de modo que, com todas as suas faltas, seu nome sempre foi respeitado. Continue lendo

Esboços da História da Igreja – Capítulo 5 -Os Mártires Franceses do Século II

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J.C.Robertson

Capítulo 5 – Os Mártires Franceses do Século II (177 d.C.)

Muitos outros mártires sofreram em várias partes do império sob o reinado de Marco Aurélio. Entre os mais famosos, estão os mártires de Lyon e Vienne, no sul da França (ou Gália, como era chamada na época), onde uma companhia de missionários da Ásia Menor se instalou com um bispo chamado Pontino como seu líder.

A perseguição em Lyon e Vienne foi iniciada pela multidão dessas cidades, que insultavam os cristãos nas ruas, invadiam suas casas e cometiam outros atentados contra eles. Em seguida, um grande número de cristãos foram apreendidos e presos em masmorras horríveis, onde muitos morreram por falta de comida, ou por causa do ar ruim e prejudicial. O bispo Pontino, que tinha noventa anos de idade e há muito tempo estava doente, foi levado perante o governador, e interrogado: “Quem é o Deus dos cristãos?” Pontino viu que o governador não perguntou isso com uma boa intenção; então respondeu: “Se você for digno, você saberá”. O bispo, velho e fraco, foi arrastado pelos soldados, e a multidão que conseguia alcançá-lo dava-lhe golpes e chutes, enquanto outros que estavam mais afastados jogavam coisas nele; depois dessa crueldade, ele foi colocado na prisão, morrendo dois dias depois. Continue lendo

Esboços da História da Igreja – CAPÍTULO 4: POLICARPO DE ESMIRNA (século II)

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J.C.Robertson

CAPÍTULO IV: POLICARPO DE ESMIRNA (166 d.C.)

 

Policarpo, bispo de Esmirna, foi condenado à morte na mesma ocasião que Justino o Mártir. Era um homem muito idoso, havia quase noventa anos desde que havia sido convertido do paganismo. Conheceu o Apóstolo João, que deve ter colocado Policarpo como bispo de Esmirna. Policarpo tinha sido amigo de Inácio, que, como vimos, sofreu o martírio cinquenta anos antes. Por todas essas coisas, e devido a seu caráter sábio e santo, foi considerado um pai por todas as igrejas, e seu conselhos moderados, por vezes, acabou com as diferenças de opiniões que, sem ele, poderiam se transformar em brigas duradouras. Continue lendo