Esboços da História da Igreja – CAPÍTULO I: A ERA DOS APÓSTOLOS (33-100 dC)

J.C. Robertson

 Esboços da História da Igreja, do ano 33 à Reforma

NOTA INTRODUTÓRIA

James Craigie Robertson nasceu em Aberdeen, Escócia, em 1813, e morreu em Canterbury em 9 de julho de 1882. Graduou-se do Trinity College, Cambridge; foi ordenado ministro anglicano a atuou como vigário de Beckesbourne, perto de Canterbury de 1846 até 1859, e cônego de Canterbury entre 1859 e 1882; lecionou história eclesiástica no Kings College, em Londres, de 1864 até 1874.

Robertson foi considerado um religioso moderado, sem simpatias para com o ritualismo presente do nascente anglocatolicismo inglês. escreveu diversas obras sobre história. Ele escreveu “Como devemos nos conformar com a liturgia da igreja da Inglaterra?” (Londres, 1843) (no qual defende que nem todas as notas de rodapé do Livro de Oração Comum poderiam ser literalmente cumpridas) ; História da Igreja Cristã até a Reforma (em 4 volumes., 1854-73); Esboços de História da Igreja (1855-78); Becket, arcebispo de Canterbury (1859) e lições simples sobre o crescimento do poder papal (1776).

Essa obra que o Projeto Castelo Forte disponibilizará nas próximas semanas, Esboços da História da Igreja, mesmo não tendo a mesma profundidade do trabalho maior, História da Igreja Cristã até a reforma,  é magistralmente escrita e estruturada em sua amplitude de informações, tornando-a perfeitamente acessível para os leigos interessados . Como estudioso da história cristã, Robertson seleciona informações cuidadosamente e estrategicamente para maximizar o entendimento de seus leitores, sem sobrecarregá-los com abundantes detalhes. Deve-se notar pela brevidade que essa obra deve ser vista apenas como uma breve introdução, cabendo aos leitores maiores aprofundamentos.

 

CAPÍTULO I: A ERA DOS APÓSTOLOS (33-100 dC)

 

O início da Igreja cristã é calculado a partir do grande dia em que o Espírito Santo desceu, conforme o Senhor prometeu, aos Apóstolos. Naquele tempo, judeus e homens devotos de todas as nações sob o céu reuniram-se em Jerusalém para celebrar a Festa de Pentecostes (ou Festa das Semanas), que era uma das três estações sagradas as quais Deus exigiu que Seu povo se apresentasse diante dEle no lugar que Ele escolheu (Deuteronômio, 16.16). Muitos desses homens devotos, convertidos pelo que viram e ouviram, creram no Evangelho; e, quando voltaram para seus próprios países, levaram com eles a notícia das coisas maravilhosas que aconteceram em Jerusalém. Depois disso, os Apóstolos foram “por todo o mundo”, como o seu Mestre os havia ordenado, para pregar o Evangelho a toda criatura (Marcos, 16.15). O Livro de Atos nos diz algo sobre o que eles fizeram, e podemos aprender mais sobre eles nas Epístolas. Embora esta seja apenas uma pequena parte do todo, pode nos dar uma noção do resto, se considerarmos que, enquanto Paulo estava pregando na Ásia Menor, na Grécia e em Roma, os outros Apóstolos estavam ocupados fazendo o mesmo trabalho em outros países.

 

Devemos lembrar, também, o constante ir e vir que, naqueles dias, acontecia em todo o mundo. Como os judeus de todos os lugares subiam para celebrar a Páscoa e outras festas em Jerusalém; como o grande Império Romano se estendia de nossa própria ilha da Grã-Bretanha até a Pérsia e Etiópia, e pessoas de todas as partes estavam continuamente indo para Roma e retornando. Devemos considerar como os comerciantes viajavam de país para país por causa de seu comércio; como soldados foram enviados para todos os quartéis do Império sendo movidos de um país para outro. A partir desses fatos, podemos entender o modo como o conhecimento do Evangelho se espalharia, uma vez que se enraizara nas grandes cidades de Jerusalém e Roma. Assim, aconteceu que, no final dos primeiros cem anos após o nascimento de nosso Salvador, algo da fé cristã era conhecido em todo o Império Romano e mesmo em países distantes; e se, em muitos casos, apenas um pouco se soubesse, ainda assim era um ganho e serviu de preparação para mais.

O último capítulo de Atos deixa Paulo em Roma, esperando seu julgamento por causa das acusações dos judeus. Encontramos nas Epístolas que depois obteve a liberdade e retornou para o Oriente. Há motivos para supor que ele também tenha visitado a Espanha, como afirmou que faria em sua epístola aos Romanos (capítulo 15. 28); alguns chegam a pensar que ele mesmo pregou na Grã-Bretanha, mas tal fato não parece provável. Ele finalmente foi preso novamente em Roma, onde o ímpio Imperador Nero perseguiu os cristãos com muita crueldade, e acredita-se que tanto Pedro quanto Paulo foram mortos ali no ano 68 de nosso Senhor.

Os bispos de Roma depois criaram reivindicações de grande poder e honra, porque disseram que Pedro foi o primeiro bispo da igreja e que eles eram seus sucessores. Mas embora possamos razoavelmente acreditar que o Apóstolo foi martirizado em Roma, não parece haver qualquer bom motivo para pensar que ele tenha sido bispo da cidade.

 

Todos os Apóstolos, com exceção de João, devem ter sido martirizados. Tiago o Menor, que era bispo de Jerusalém, foi morto pelos judeus em um alvoroço, no ano 62. Logo depois disso, os romanos enviaram seus exércitos à Judeia e, depois de uma guerra sangrenta, tomaram a cidade de Jerusalém e destruíram o Templo.

 

Trinta anos após o tempo de Herodes, outro cruel imperador, Domiciano, iniciou uma nova perseguição contra os cristãos (95 dC). Entre os que sofreram,encontram-se algumas pessoas de suas relações próximas, pois o Evangelho já havia feito o seu caminho entre os grandes dos povos da terra, bem como entre os pobres, que foram os primeiros a ouvi-lo. Há uma história que conta que o imperador foi informado que algumas pessoas da família de Davi estavam vivendo na Terra Santa, e foram levadas ao imperador, porque ele temia que os judeus os colocassem como príncipes e se rebelassem contra o seu governo. Eram dois netos de Judas, que era um dos parentes de nosso Senhor, segundo a carne e, portanto, pertenciam à casa de Davi e aos reis de Judá. Mas esses dois eram compatriotas, que viviam silenciosamente e satisfeitos em sua pequena fazenda, e não eram susceptíveis a liderar uma rebelião nem a reivindicar reinos terrenos. E quando foram levados diante do imperador, eles lhe mostraram as mãos, que eram ásperas e cheias de calos por trabalharem nos campos. Em resposta a suas perguntas sobre o reino de Cristo, eles disseram que não era deste mundo, mas espiritual e celestial, e que apareceria no fim do mundo, quando o Salvador viria novamente e julgaria os vivos e os mortos. Então, o imperador viu que não havia nada para temer sobre eles e os deixou ir.

 

Foi durante a perseguição de Domiciano que João foi banido para a ilha de Pátmos, onde teve as visões descritas em “Apocalipse”. Todos os outros apóstolos já haviam morrido há muito tempo e João vivia por muitos anos em Éfeso, onde liderou as igrejas do país ao redor. Retornando de Pátmos, visitou todas essas igrejas, para que pudesse reparar a dor que sofreram pela perseguição. Em uma das cidades que visitou, notou um jovem de aparência muito agradável e o chamou para frente, pedindo ao bispo do lugar para cuidar dele. O bispo fez isso e, depois de ter treinado devidamente o jovem, batizou-o e o confirmou. Mas depois disso, o bispo pensou que não precisava cuidar do jovem com tanta atenção como antes.O jovem entrou em uma companhia viciosa, seguindo de mal a pior até tornar-se chefe de uma brigada de ladrões, que manteve todo o país em terror. Quando o Apóstolo visitou a cidade novamente, perguntou sobre o jovem que ele pedira ao bispo para cuidar. O bispo, com vergonha e tristeza, respondeu que o jovem estava morto e, ao ser questionado mais afundo, explicou que queria dizer morto nos pecados e contou toda a história.

João, depois de culpar o bispo por não ter tido mais cuidado, perguntou onde encontraria os ladrões e partiu a cavalo à procura do jovem para assombro deles. O Apóstolo acabou sendo agarrado pelo grupo e levado perante o capitão. O jovem, ao vê-lo, o reconheceu, não podendo suportar o seu olhar, fugiu para se esconder. Mas o apóstolo o chamou de volta, dizendo que ainda havia esperança para ele através de Cristo, e falou de maneira tão emocionante que o ladrão concordou em voltar para a cidade. Chegando à cidade, foi mais uma vez recebido na Igreja como um penitente.Passou o resto de seus dias em arrependimento pelos seus pecados e em gratidão pela misericórdia que lhe fora mostrada.

 

João, na sua velhice, foi muito perturbado por falsos professores, que começaram a corromper o Evangelho. Essas pessoas são chamadas de “hereges”, e suas doutrinas são chamadas de “heresia”,que se origina de uma palavra grega que significa “escolher”, porque eles escolheram seguir suas próprias fantasias, em vez de receberem o Evangelho como os apóstolos e a Igreja ensinaram. Simão, o mago, que foi mencionado no oitavo capítulo de Atos, é conhecido como o primeiro herege, e mesmo no tempo dos apóstolos surgiram vários outros, como Himeneu, Fileto e Alexandre, que são mencionados por Paulo (1 Tim. 1. 19 e seguinte; 2 Tim. 2. 17 e seguinte).

Esses primeiros hereges eram principalmente do tipo que foram chamados Gnósticos – uma palavra que significa que eles fingiam ser mais conhecedores do que os cristãos comuns, e talvez Paulo possa ter se referido a eles quando advertiu Timóteo contra “ciência” (ou conhecimento) “falsamente chamada” (1 Tim. 6. 20). Suas doutrinas eram uma mistura estranha de noções judaicas e pagãs com o cristianismo; e é curioso que algumas das mais estranhas de suas opiniões tenham sido usadas de tempos em tempos por pessoas que achavam que haviam descoberto algo novo, enquanto tinham caído em erros antigos, que foram condenados pela Igreja centenas de anos antes.

 

João viveu até cerca de cem anos. No final, estava tão fraco que não podia entrar na igreja, então, era carregado e costumava dizer continuamente ao seu povo: “Filhinhos, amem-se uns aos outros”. Alguns, depois de um tempo, começaram a ficar cansados de ouvir isso e perguntaram por que ele repetia as palavras com tanta frequência e não dizia mais nada a eles. O apóstolo respondeu: “Porque é o mandamento do Senhor, e se isso for feito, basta”.

FONTE: https://www.ccel.org/ccel/robertson/history.html 

TRADUÇÃO: Douglas Moura

revisão: Cibele Cardoso

edição: Armando Marcos

A Pior Consequência de Faltar à Igreja

Tim Challie
Somos uma cultura de conveniências, de personalizações e do individualismo. Arranjamos milhões de jeitos de customizar nossas vidas para que elas se encaixem perfeitamente em todas as nossas preferências. Quando as coisas estão difíceis, tendemos a pensar logo em afastar as responsabilidades e reorientar nossas vidas longe de qualquer que sejam as causas da inconveniência. Isso pode até mesmo se estender para algo tão bom e tão central como nosso comprometimento com a igreja local.
Todos aqueles que estão envolvidos nas igrejas locais já observaram pessoas vacilarem e vagarem em seus comprometimentos. A maioria de nós já teve que chamar e argumentar uma e outra pessoa para que voltasse à comunhão e aos serviços de adoração. Quando fazemos isso, constantemente apelamos para o texto “clássico” desse assunto , Hebreus 10:24-25. Insistimos que aqueles que negligenciam participar em uma igreja local encontrarão tentação espiritual, declínio espiritual, e até mesmo morte espiritual. Mas, mesmo tudo isso sendo verdade, essa não é a enfase desta passagem. De fato, quando  usamos essa passagem de Hebreus desse jeito, não estamos mostrando a urgência divina do texto, mas sim nosso próprio individualismo profundamente enraizado.
O principal pecado em faltar a igreja nesse texto é o pecado de falhar em amar os outros. Aqui é o que Hebreus 10:24-25 diz: “E consideremos uns aos outros para nos incentivarmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, segundo o costume de alguns, mas procuremos encorajar-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês veem que se aproxima o Dia.” Essa passagem, de fato, alerta da séria consequência em faltar a igreja, mas o foco não é o que nós podemos esperar dela, através do nosso olhos individualizados ocidentais. Essa passagem não nos alerta que quando faltamos da igreja nós nos colocamos em risco. Ao invés disso, nos alerta que quando faltamos a igreja colocamos outras pessoas em risco. O primeiro pecado de faltar a igreja é o pecado de falhar em amar os outros.
Se reunir com o povo de Deus não é primariamente ser abençoado, mas sim ser uma benção. Não é primeiro sobre ganhar, mas sobre dar. Quando nos preparamos para a adoração no domingo pela manhã, nossa primeira consideração deveria ser “como posso incentivar os outros ao amor e às boas obras.” Devemos nos aproximar do domingo deliberadamente desejosos em fazer o bem para os outros, em ser uma benção para eles. Nestes tempos em que sentimos nosso zelo diminuindo, quando sentimos a tentação em faltar em um domingo ou retirar-nos completamente, devemos considerar a nossa responsabilidade dada por Deus para encorajar-nos “uns aos outros, ainda mais quando vocês veem que se aproxima o Dia.” Esse texto não é sobre nós, mas sobre eles. Esse texto não é para indivíduos cristãos mas para comunidades cristãs.
E, é claro, nosso comprometimento para a igreja local é bem mais do que o comprometimento com o serviços de domingo de manhã. É um comprometimento com outras pessoas através de toda a vida. É um comprometimento para adorar com elas uma ou duas vezes por semana, e também para o companheirismo com elas. É orar por elas através da semana. É comprometimento em um pacto no qual nos fiamos a fazer o bem para elas, para fazer delas o objeto especial da nossa atenção e encorajamento. É prometer que vamos identificar e entregar nossos dons espirituais para o benefícios delas para que possamos servir elas, fortalecer elas e abençoar elas.

Todo cristão tem um lugar dentro da igreja local. Todo cristão é necessário dentro da igreja local. Todo cristão tem responsabilidades dentro da igreja local. Todo cristão se compromete  com os membros de uma igreja local para amar eles, suportar eles, e incentivar cada um em seu zelo até o dia do retorno de Cristo.

FONTEhttps://www.challies.com/articles/the-worst-consequence-of-skipping-church/

Tradução Douglas Moura

Revisão: Armando Marcos

Você quer um Amigo? – sermão J.C.Ryle

Sermão escrito por

J.C.Ryle

No Natal de 1855

BAIXEM EM PDF

OUÇA EM MP3 (39 MB) AQUI (para fazer download clique com o botão direito do mouse e ‘salvar como’) Narração: Abel Luna

LEITOR

 

O ano está rapidamente se desenrolando. O Natal está mais uma vez chegando. Teremos as velhas reuniões de família. Teremos a anual reunião dos amigos. E como o Natal irá lhe encontrar? Você tem um amigo?

 

Um amigo é uma das maiores bênçãos na terra. Não me fale de dinheiro. Afeição é melhor que o ouro. Empatia é melhor do que propriedades. Pobre é o homem que não tem amigos. Você tem um amigo?

 

Este mundo é cheio de tristeza, porque é cheio de pecado. É um lugar escuro. É um lugar solitário. É um lugar decepcionante. O raio de sol mais brilhante neste mundo é um amigo. Amizade corta nossos problemas pela metade e multiplica por dois nossas alegrias. Você tem um amigo?

 

Um amigo verdadeiro é escasso e raro. Há muitos que irão comer, beber, e rir conosco na luz do sol da prosperidade. Há poucos que permanecerão ao nosso lado nos dias de escuridão, há poucos que nos amarão quando estivermos doentes, desamparados e pobres, há poucos, acima de tudo, que cuidarão de nossas almas. Você tem um amigo verdadeiro?

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O Dedo de Deus – sermão J.C.Ryle

Sermão pregado por

J.C.Ryle

E publicado em 1866

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“Então os magos disseram a Faraó: Este é o dedo de Deus” (Exodo 8:19).

 

Olhe as palavras que formam o título deste discurso e considere-as bem. Elas foram faladas por homens pagãos há mais de três mil anos. Saíram dos mágicos egípcios quando uma das famosas pragas veio sobre a terra do Egito. “Então os magos disseram a Faraó: Este é o dedo de Deus” (Exodo 8:19). Leitor, seria bom se todos os ingleses fossem tão sábios quanto esses egípcios!

 

Existe um mal entre nós que exige nossa séria atenção. Força-se a nossa notificação, quer queira ou não. Ele tomou a nação pela garganta e terá sua atenção. Esse mal é a Praga do Gado.

 

É uma grande calamidade. Miríades de gado já morreram. Mais milhares provavelmente morrerão. A perda de riqueza nacional e a lesão de interesses privados é algo temeroso de contemplar. É tão ruim quanto se ouro e prata fossem arrancados de nós e jogados no mar. Uma grande quantidade de propriedade está desaparecida e não pode ser restaurada.

 

É uma calamidade generalizada. Dificilmente existe um condado na Inglaterra que não a está sofrendo. Não há uma família que não sofrerá, mais cedo ou mais tarde. A carne na mesa do homem rico e o queijo na cabana, o leite e a manteiga que formam parte tão grande de nossa comida, todos serão afetados por ela. Chegará a cada lar, e chegará para todos.

 

É uma calamidade perplexa. Nenhum medicamento, ou remédio, ou meios de tratamento, parecem ter algum efeito sobre a doença. Depois de todas as descobertas da ciência, depois de tudo escrito por médicos eruditos, a habilidade do homem é completamente desconcertada. Até os nossos estadistas e governantes parecem ter perdido suas sabedorias. Com toda a sabedoria acumulada do século XIX, encontramos um inimigo que nos supera inteiramente. A maldição da impotência paira sobre a terra.

 

Agora eu quero falar da praga do gado como ministro de Cristo. Gostaria de chamar a atenção para uma ou duas coisas que – em meio às ansiedades da crise de agora em diante – parecem esquecidas. Deixe os deputados debaterem sobre a praga do gado do lado político. Os médicos e os homens da ciência propõem suas teorias de prevenção e cura. Não encontro falhas nem nestes, nem naqueles. Eu somente peço permissão para oferecer alguns pensamentos sobre todo o assunto como crente na Bíblia e como cristão.

  1. Consideremos em primeiro lugar: de onde vem a praga do gado?

 

Respondo, sem hesitação, que vem de Deus. Aquele que ordena todas as coisas no céu e na terra – por cuja sábia providência tudo é dirigido, e sem quem nada pode acontecer – é quem nos enviou este flagelo. É o dedo de Deus.

 

Não devo gastar tempo em provar esse ponto. Eu aconselho a qualquer um que peça prova de todo o conteúdo da Palavra de Deus. Peço-lhe que marque como Deus é sempre falado como o governador e gerente de todas as coisas aqui da terra, do menor ao maior. Quem enviou o dilúvio no mundo nos dias de Noé? Deus (Gen. 6:17). Quem enviou a fome nos dias de José? Deus (Genêsis 41: 25). Quem enviou a praga no Egito, e especialmente a enfermidade bovina? Deus (Exodo 7:5; 9:3). Quem enviou doença aos filisteus, quando a arca estava entre eles? Deus (1 Sam. 5:7; 6:3-7). Quem enviou a pestilência nos dias de Davi? Deus (2 Sam. 24:15). Quem enviou a fome nos dias de Eliseu? Foi Deus (2 Reis 8:1). Quem enviou o vento tormentoso e a tempestade nos dias de Jonas? Deus (Jonas 1:4).

 

Eu considero que é mero desperdício de tempo falar muito sobre esse ponto. Não consigo entender como alguém pode ser chamado de crente da Bíblia e negar a providência de Deus sobre este mundo. Por minha parte, acredito completamente que Deus não mudou. Eu acredito que Ele está governando todas as coisas na Terra tanto agora como Ele estava nos dias do Antigo Testamento. Eu acredito que as guerras, as fomes, as pestes, as pragas do gado, são todos Seus instrumentos para exercer o governo deste mundo. E, portanto, quando vejo um flagelo como a praga do gado, não tenho dúvidas sobre a mão que a envia. “Será que haverá um mal na cidade, e o Senhor não o fez?” (Amós 3:9). É o dedo de Deus.

 

Alguém pode dar uma melhor explicação para a praga do gado? Se puder, fale como um homem e diga-nos por que a praga aconteceu. Dizer que se originou nas planícies da Rússia, que não é uma doença nova, mas uma doença antiga, que causou grandes danos nos dias passados – tudo isso evita a questão. Peço que me diga: por que veio sobre nós agora? Como e de que forma o surto pode ser contabilizado neste período específico? Quais possíveis causas podem ser atribuídas para isso que não existiram há centenas de anos? Eu acredito que essas perguntas não podem ser respondidas. Eu acredito que a única causa na qual devemos finalmente chegar é o dedo de Deus.

 

Alguém considera minha afirmação como absurda e irracional? Não tenho dúvidas de que muitos o fazem. Muitos, penso eu, pensam que Deus nunca interfere nos assuntos deste mundo, e que as pestes e as pragas do gado são apenas o resultado de certas leis naturais que produzem sempre certos efeitos. Eu tenho pena do homem que pensa assim. Ele é ateu? Ele acredita que este mundo maravilhosamente desenhado se juntou por acaso e não teve um Criador? Em caso afirmativo, esta é uma pessoa muito crédula. Mas se esta pessoa acredita que Deus fez o mundo, eu pergunto, é absurdo de acreditar que Deus governa o mundo?

 

Se alguém admite que Deus moldou o universo, por que não permitir que Deus o administre? Fora com este ceticismo moderno! É ofensivo e revoltante para o bom senso. Não devem ser ouvidos os que excluem o Criador de Sua própria criação. Aquele que fez o mundo no começo com o dedo de criar sabedoria, nunca deixará de governar o mundo pelo dedo da Sua providência, até que Cristo venha novamente. Esta praga do gado é o dedo de Deus.

 

Alguém finge dizer que Deus é muito amoroso para nos enviar tal flagelo como este, e que é errado supor que qualquer coisa de mal possa vir dele? Eu tenho pena do homem que pode argumentar dessa maneira. Ele tem filhos? Ele nunca os corrige? Se é um homem sensato, não tenho dúvidas de que ele os corrige. Mas ele os odeia porque ele os castiga? Ele não mostra o amor mais alto, castigando-os quando eles fazem o que é errado? E o nosso Pai do céu não deve fazer o mesmo? Sim, de fato! Deus não nos odeia: Ele é um Deus de misericórdia e amor, e, portanto, Ele mantém Seu providencial governo da humanidade. Há amor mesmo neste flagelo que está agora em cima de nós. A praga do gado é o dedo de um Deus sábio e amoroso.

  1. Consideremos em segundo lugar: por que a praga do gado vem sobre nós?

 

Eu respondo a essa pergunta sem hesitação: ela veio sobre nós por causa dos pecados de nossa nação. Deus tem um desentendimento com a Inglaterra por causa de muitas coisas entre nós que são desagradáveis à sua vista. Ele gostaria de despertar-nos para um senso de nossas iniquidades. Esta praga do gado é uma mensagem do céu.

 

Os pecados particulares de homens e mulheres geralmente não são considerados enquanto vivem. Mas isso é porque há um dia de julgamento ainda por vir. Naquele dia, “cada um de nós deve dar conta de si mesmo a Deus” (Romanos 14:12). Para as nações, não pode haver um dia de julgamento futuro. Os pecados das nações são calculados no tempo. Pecados e corrupções especiais em uma nação exigem castigos especiais. Eu acredito que esta praga do gado é um castigo para a nação da Inglaterra por causa dos pecados específicos de nosso povo.

 

O ensino da Bíblia sobre este ponto é simples para minha mente, distinta e inconfundível. Que qualquer um que duvide do caminho do que Deus diz sobre Babilônia, Tiro, Egito, Damasco, Moabe, Edom, Amon e Nínive, leia Isaías 13:1; 15:1; 17:1; 19:1: Jeremias, 46:2; 48:1; 49:1, 7; 1.1: Naum 3:1. Deixe-o ler textos como “Os olhos do Senhor Deus estão sobre a nação pecadora, e eu a destruirei da face da terra.” (Amós 9:8.) Multiplica as nações e as faz perecer; dispersa as nações, e de novo as reconduz.” (Jó 12:23 e 34:29). Deixe-os estudar tais capítulos como Daniel capítulos 4 e 5. Certamente, se um homem acredita na Bíblia, essas passagens devem fazê-lo pensar. O Deus da Bíblia ainda é o mesmo. Ele nunca muda.

Alguém pergunta: quais são os pecados específicos da Inglaterra? Vou mencionar alguns que aparecem aos meus olhos, para os destacarem proeminentes neste país no momento. Talvez eu esteja completamente errado. Eu apenas dou meu julgamento como alguém que olha atentamente, e marca os sinais dos tempos.

  1. O primeiro pecado de nossa nação eu chamarei de cobiça. O amor excessivo pelo dinheiro e o desejo de ser rico neste mundo é o que quero dizer. Nunca, certamente, houve corrida por dinheiro tão grande quanto na atualidade. Ganhar dinheiro e morrer rico parece ser considerado a mais alta virtude e a maior sabedoria. No entanto, Deus disse: “A cobiça é a idolatria”, e “O amor ao dinheiro é a raiz de todo o mal” (Colossenses 3:5; 1 Timóteo. 6:10).
  2. O segundo pecado nacional que irei mencionar é o luxo e amor ao prazer. Nunca, com certeza, houve um momento em que as pessoas corressem com tanta habilidade por excitação, diversão e satisfação. Muitos são “amantes do prazer mais do que amantes de Deus” (2 Timóteo 3:4).

 

  1. O terceiro pecado de nossa nação que irei mencionar é negligenciar o dia do Senhor. Esse dia abençoado está se tornando rapidamente – em muitos lugares – o dia da visita e do prazer, e não o dia de Deus. No entanto a profanação do sábado foi especialmente um dos pecados que derrubou os juízos de Deus sobre os judeus: “Contudo, os israelitas se rebelaram contra mim no deserto. Não agiram segundo os meus decretos, mas profanaram os meus sábados e rejeitaram as minhas leis, mesmo sabendo que aquele que a elas obedecer por elas viverá. Por isso eu disse que derramaria a minha ira sobre eles e os destruiria no deserto.” (Ezequiel 20:13. Neemias 13:18).
  2. O quarto pecado de nossa nação é a embriaguez. A quantidade de bebida intoxicante consumida sem causa anualmente na Inglaterra é algo espantosa. O número de casas públicas, bares e cervejarias, em nossas grandes cidades, é uma prova permanente de que somos pessoas intempestivas. Há mais pessoas, todos os domingos de noite, em algumas partes de Londres, nos bares, do que nas igrejas. Somos pior a este respeito do que a França ou a Itália. No entanto, Deus disse: “Nenhum bêbado herdará o reino de Deus” (1 Coríntios 5:10).
  3. O quinto pecado nacional, que eu nomearei, é o desprezo do sétimo mandamento. Na cidade e no país, entre ricos e entre pobres, o tom de sentimento sobre a pureza entre os jovens está na mais baixa decadência. No entanto, Deus disse: “Ninguém te engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus” (Efésios 5:6).
  4. O sexto pecado nacional ao qual irei mencionar é uma tendência crescente de olhar favoravelmente sobre a Igreja Católica Romana. A própria Igreja que queimou os nossos mártires há trezentos anos, reteve a Bíblia do nosso povo, pisoteou nossas liberdades, e até hoje coloca a Virgem Maria praticamente no lugar de Cristo, é favorecida e triplicada por milhares! Uma cegueira imparcial parece vir sobre nós. A linha entre tolerância e favor parece limpa e apagada. O grande desejo de muitos é “voltar para o Egito”.
  5. O último pecado nacional que irei mencionar é a crescente infidelidade e ceticismo. Pouco a pouco, homens em lugares altos estão deixando de honrar a Deus. Ano após ano a Bíblia é mais impugnada abertamente e sua autoridade é prejudicada. Para acreditar, a Bíblia já foi uma marca de um cristão. No dia de hoje, um divino inglês se atreve a se chamar de cristão, e ainda se orgulha de que ele pensa que muito da Bíblia não é verdade. Estou completamente persuadido de que nada é tão ofensivo para Deus do que a desonra para com a Sua Palavra.

Eu acredito firmemente que estas coisas estão clamando para Deus contra a Inglaterra. Elas são uma ofensa contra o Rei dos reis, pelo qual Ele está nos punindo no mesmo dia. E a vara que Ele está usando é a praga do gado. O dedo de Deus, eu acredito, está apontando para nossos sete grandes pecados de nosso País.

 

Dizer que não somos tão ruins como algumas nações, e que os pecados que eu mencionei são muito mais abundantes em outros países do que na Inglaterra, não é argumento. Tivemos mais privilégios do que outros países e, portanto, Deus pode justamente esperar mais de nossas mãos. “E, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá.”. Lucas 12:44; “De todas as famílias da terra só a vós vos tenho conhecido; portanto eu vos punirei por todas as vossas iniqüidades.” (Amós 3:2).

 

Posso aumentar facilmente os pontos que mencionei. Eu, propositamente, vou me abster de aumenta-los. Estou ansioso para tornar este discurso o mais curto possível. Para isso, eu me contento em fornecer pouco mais do que sementes de pensamento, o que, espero, possa surgir e dar frutos em muitas mentes. Só resta oferecer algumas conclusões práticas.

 

III. O que a praga do gado convoca todos a fazer?

 

Ao responder a essa pergunta, o leitor compreenderá claramente que eu apenas escrevo como ministro cristão. Deixe os políticos fazerem as melhores leis para enfrentar a emergência atual. Permita que os médicos usem todos os meios possíveis para conter a doença e, pacientemente, tentem cada remédio. Que os agricultores não negligenciem em nada que possa estar disponível para evitar o contágio, diminuir a responsabilidade contra a infecção e destruir a praga quando isso ocorrer. Mas meu ponto de vista é o da Bíblia. À luz desse livro, levanto a minha pergunta final: o que todos devemos fazer?

 

Por um lado, vamos considerar nossos caminhos. É uma era de pressa, agitação, inquietação e vida rápida. Estradas de ferro e telégrafos mantêm todos em estado de excitação não saudável. Agora, certamente ficaria bem, quando a mão de Deus se estendesse contra nós, se todos estivéssemos sentados e pensando um pouco. Não é que a Inglaterra está vivendo muito rápido? Não seria bom se houvesse mais leitura bíblica, mais a guarda do dia de domingo, um esforço mais calmo e silencioso para servir a Deus e honrá-lo? Feliz é aquele homem, e feliz é essa nação, que começa a pensar!

 

Por outro lado, nos humilhemos diante de Deus e reconheçamos a mão dEle. Infelizmente, somos uma nação orgulhosa e egoísta! Nós somos muito propensos a pensar que nós, ingleses, somos as pessoas mais sábias e maiores, mais ricas e mais bravas do mundo. Estamos tristemente cegos por nossas muitas faltas e pecados. Certamente, quando a mão de Deus está tão claramente estendida contra nós, é hora de desistir desse espírito jactancioso. Se há algo que Deus odeia, é o orgulho. Está escrito: “Orgulho que eu odeio.” – “O orgulho vai antes da destruição“. – “Eu sou contra ti, ó mais orgulhoso”. “Esta foi a iniqüidade de Sodoma, orgulho e plenitude de pão e abundância da ociosidade. “-” Aqueles que andam com orgulho, Ele pode abater. “-” O que se exaltar será abatido, e aquele que se humilhar será exaltado “(Provérbios 8:13; 16:18; Jer .1:31; Ezequiel 16:49; Daniel 4:37; Mateus 23:12).

 

Por outro lado, façamos cada um, individualmente, esforços para romper nossos próprios pecados e para alterar nossos caminhos. É um trabalho fácil encontrar falhas no governo e culpar os outros quando estamos com problemas. O melhor caminho é olhar dentro de nós mesmos, e tentar fazer a nossa parte para melhorar as coisas. Os pecados de uma nação são constituídos pelos pecados de um grande número de indivíduos. Agora, se cada indivíduo tentar mudar sua própria vida, e fazer melhor, a nação inteira em breve irá melhorar. A cidade logo está limpa quando cada homem varre em frente à sua própria porta.

 

Por outro lado, permitamos que cada um use qualquer influência que tem para verificar o pecado nos outros. O poder que os pais, mestres, conjuges e empregadores têm a este respeito é muito bom. Se todos esses se esforçassem para verificar a quebra do sábado, o excesso de hábito, ociosidade, embriaguez e violações do sétimo mandamento, seria um ganho imenso para a condição geral da nação. Influência sobre os outros, nunca devemos esquecer, é um talento para o qual devemos dar conta um dia. Existem milhares de pais e empregadores, temo, que enterram completamente esse talento no chão. Eles permitem que aqueles que estão sob suas responsabilidades se encontrem com o pecado e, como Eli, nunca os repreendem. Está escrito: “Seus filhos se tornaram vil, e ele não os impediu” (1 Sam. 3:13).

 

Por outro lado, permitam-nos que nos estabeleçamos mais calorosamente para fazer algum bem no mundo. É um fato triste que o aumento tardio das obras de caridade na Inglaterra não tem proporção alguma com o aumento da riqueza. A indústria e o comércio do país, provavelmente, duplicaram nos últimos vinte e cinco anos. No entanto os rendimentos da maioria de nossas grandes sociedades religiosas estão quase paralisados. Se os ingleses não se lembrarem de que o ouro e a prata são apenas um empréstimo de Deus e destinados a serem usados ​​para Ele, eles não podem se surpreender se Deus os lembrar, por tais visitas como a peste do gado. A mão que dá riqueza a uma nação é a mão que pode tirar isso.

Por último, mas não menos importante, vamos decidir cada um a oferecer uma oração especial a Deus para a remoção do julgamento de agora sobre nós. O que quer que façamos, vamos orar. A Palavra de Deus nos encoraja a isso. “Em tudo, por meio da oração e da súplica, que os seus pedidos sejam conhecidos de Deus.”. “É afligido, que ore”. “Se eu enviar pestilência entre meu povo; se o meu povo, que é chamado pelo meu nome, se humilhar, orar e buscar o meu rosto, e se afastar dos seus maus caminhos, então ouvirei do céu e perdoarei os seus pecados e curarei a sua terra“. A presença do nosso Senhor Jesus Cristo no céu à direita de Deus nos convida a isso. Aquele que morreu por pecadores na cruz está sentado lá para ser o Advogado e Amigo dos pecadores. Ele pode ser tocado com o sentimento de nossas enfermidades, e conhece as provações de nossa condição terrena. Os exemplos da Escritura nos justificam. Os homens de Nínive se humilharam e clamaram poderosamente a Deus, e Deus escutou o seu clamor. “E não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que estão mais de cento e vinte mil homens que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e também muitos animais? ” Jonas 4:11. A natureza de Deus torna tolice não orar. “Ele não aflige de bom grado”. Ele é o Senhor Deus, “misericordioso e gracioso, mostrando misericórdia para milhares”. “Convocai-me”, ele diz, “no tempo da angústia, e eu te livrarei” (Lamentações 3:33; Exôdo 34:6; Salmo 1.15). Então, oremos.

 

 

 

 

ORAÇÃO

 

Todo Poderoso DEUS, que ordena todas as coisas no céu e na terra, e em cuja mão é a vida do homem e dos animais, tenha piedade de nós pecadores miseráveis, que agora somos visitados com grande doença e mortalidade entre nosso gado. Não temos nada a dizer para nós mesmos. Nós humildemente confessamos que merecemos Seu castigo, por causa de nossos muitos pecados, os pecados de nossa nação. Mas poupe-nos, bom Senhor, de acordo com as suas muitas misericórdias. Não trate conosco de acordo com nossos pecados. Retire-nos de esta pesada praga e restaure a saúde ao nosso gado. Sobretudo aviva entre nós o verdadeiro arrependimento e aumente a verdadeira religião na terra. Pedimos tudo em nome e através da mediação de Jesus Cristo, nosso Senhor, a quem, Contigo e com o Espírito Santo, seja toda honra e glória. Amém.

 


 

ORE PARA QUE O ESPÍRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA TRAZER CONHECIMENTO SALVIFÍCO DE JESUS CRISTO E PARA EDIFICAÇÃO DA IGREJA

 

FONTE: Traduzido de http://www.tracts.ukgo.com/ryle_the_finger_of_God.rtf

 

Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público

 

Tradução de: André Luiz Silveira Laurindo

Revisão de: Plábyo Geanine Nunes de Oliveira.

Capa: Armando Marcos

 

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O Cristo do Povo – sermão Spurgeon

Nº 11

Pregado na manhã de domingo, 25 de fevereiro de 1855

Por Charles Haddon Spurgeon

Em Exeter Hall, Londres

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“Exaltei a um eleito do meu povo.”

Salmo 89:19

 

Não cabe dúvida alguma que, originalmente, estas palavras se referiam a Davi. Ele foi um escolhido de seu povo. Sua linhagem era respeitável, mas não ilustre. Sua família era santa, mas não exaltada: os nomes de Isaí, Obede, Boaz e Rute não evocavam lembranças de realeza, nem motivavam pensamentos de uma antiga nobreza ou de uma gloriosa genealogia. Quanto ao próprio Davi, sua única ocupação havia sido a de um jovem pastor, carregando os cordeiros em seu colo, conduzindo mansamente as ovelhas com suas crias; um jovem simples que possuía uma alma real, reta, de valor firme, mas ainda assim plebeu – alguém do povo.

Entretanto, isto não o desqualificava para a coroa de Judá. Aos olhos de Deus, a procedência deste jovem herói não era nenhuma barreira para elevá-lo ao trono da nação santa, como tampouco o mais orgulhoso admirador de castas e linhagens se atreveria a insinuar sequer uma palavra contra o valor, sabedoria e justiça do governo deste monarca do povo. Continue lendo