Aceitando o “não” como a vontade de Deus – R.C.Sproul

Por R.C.Sproul

 

Fico surpreso que, à luz do claro registro bíblico, alguém tenha a audácia de sugerir que é errado que os aflitos no corpo ou na alma façam suas orações por libertação em termos de “Se for a tua vontade …”. Dizem-nos que quando a aflição chega, Deus sempre deseja a cura, que Ele não tem nada a ver com o sofrimento, e que tudo o que devemos fazer é reivindicar a resposta que buscamos pela fé. Somos exortados a reivindicar o sim de Deus antes que Ele fale.

Afaste-se de tais distorções da fé bíblica! Elas são concebidas na mente do Diabo, que nos seduz a trocar a fé por magia. Nenhuma quantidade de palavreado piedoso pode transformar essa falsidade em sã doutrina. Devemos aceitar o fato de que Deus às vezes diz não. Às vezes, Ele nos chama a sofrer e morrer, mesmo que desejemos reivindicar o contrário.

Nunca um homem orou com mais fervor do que Cristo orou no Getsêmani. Quem acusará Jesus de não orar com fé? Ele colocou Seu pedido diante do Pai com suor e sangue: “Afasta este cálice de mim.” Essa oração era direta e sem ambiguidade – Jesus estava clamando por alívio. Ele pediu que o cálice terrivelmente amargo fosse removido. Cada grama de Sua humanidade se encolheu diante do cálice. Ele implorou ao Pai que o dispensasse de seu dever.

Mas Deus disse que não. O caminho do sofrimento era o plano do Pai. Foi a vontade do Pai. A cruz não foi ideia de Satanás. A paixão de Cristo não foi o resultado da contingência humana. Não foi o artifício acidental de Caifás, Herodes ou Pilatos. O cálice da ira foi preparado, entregue e administrado por Deus Todo-Poderoso.

Jesus qualificou Sua oração: “Se for a Sua vontade …”. Jesus não “determinou e reivindicou”. Ele conhecia o Pai suficientemente bem para entender que talvez não fosse Sua vontade remover o cálice. Portanto, a história não termina com as palavras: “E o Pai se arrependeu do mal que havia planejado, removeu o cálice e Jesus viveu feliz para sempre.” Essas palavras são blasfêmia. O evangelho não é um conto de fadas. O Pai não negociava o cálice. Jesus foi chamado para beber dele até a última gota. E ele aceitou. “Contudo, não se faça a minha vontade, mas a sua” ( Lucas 22:42 ).

Este “não obstante” foi a oração suprema da fé. A oração da fé não é uma exigência que colocamos em Deus. Não é uma presunção de uma solicitação concedida. A autêntica oração da fé é aquela que se molda como a oração de Jesus. É sempre pronunciada em um espírito de subordinação. Em todas as nossas orações, devemos deixar Deus ser Deus. Ninguém diz ao Pai o que fazer, nem mesmo o Filho. As orações devem sempre ser feitas com humildade e submissão à vontade do Pai.

A oração da fé é uma oração de confiança. A própria essência da fé é a confiança. Confiamos que Deus sabe o que é melhor para nós. O espírito de confiança inclui a disposição de fazer o que o Pai quer que façamos. Cristo incorporou esse tipo de confiança no Getsêmani. Embora o texto não seja explícito, é claro que Jesus deixou o jardim com a resposta do Pai ao Seu apelo. Não houve maldição ou amargura. Sua carne e sua bebida eram fazer a vontade do Pai. Uma vez que o Pai disse que não, isso foi aceito.E  Jesus se preparou para a cruz.

Este trecho foi retirado de Surprised by Suffering de RC Sproul

Fonte: https://www.ligonier.org/blog/accepting-no-gods-will/

Calvino não usaria uma gravata – Qual roupa certa para ir à igreja?

Por Kyle Borg

 

Na semana passada, na escola dominical, recebemos uma pergunta interessante: como era um culto corporativo no Novo Testamento? Ao discutirmos essa questão, houve diferenças notáveis ​​do que muitos provavelmente estão acostumados hoje em dia. Por exemplo, a imagem bíblica que obtemos é que provavelmente era muito mais simples. Ao se encontrarem em casas ou salões, os primeiros crentes se dedicaram ao ensino dos apóstolos, ao partir do pão e às orações. Eles cantavam os Salmos e não há nenhuma indicação de que eles utilizavam uma banda de louvor, muito menos instrumentos musicais. Além disso, suas reuniões podiam ter durado um pouco mais do que a nossa, e eles se sentavam onde podiam encontrar um assento – mesmo em uma janela! Mas, o que eles vestiram ?

Muitos de nós estamos familiarizados com a frase bem conhecida: “roupa dominical”, referindo-se aos tipos de roupas que alguém deve usar na igreja. Também ouvimos as  cansativas e desgastadas comparações: “Se você fosse conhecer o Presidente, não usaria as roupas mais bonitas do seu armário?” Até alguém me disse que, se espero, como pastor, influenciar pessoas, preciso aprender a usar gravata. Suponho que a influência de um homem é a alienação de outro homem (ahem … bem-vindo à América rural).

Quer gostemos ou não do “código de vestimenta” de uma igreja, essa é uma questão significativa. Há quem se sinta sobrecarregado pelas expectativas impostas. Isso já causou tensões e até divisões em algumas congregações. Reforçou estereótipos em pessoas da igreja como pesadas e abafadas. É uma desculpa para quem se sente desconfortável ou deseja evitar um culto. Também é frequentemente mencionado explicitamente nos sites da igreja, ajudando os visitantes ao que é ou não apropriado. Simplificando, infelizmente, é um problema que causou muitas ofensas desnecessárias.

Para ser claro, existe, para expressar dessa maneira, uma certa ‘teologia do armário”. Estes primeiros artigos de vestuário (roupas de pele dadas pelo próprio Deus) destinavam-se a cobrir os efeitos vergonhosos do pecado (Gênesis 3:10, 21). Biblicamente, o vestuário externo de alguém às vezes expressava uma condição do coração. Por exemplo, Jacó usava pano de saco enquanto lamentava por José (Gênesis 37:34), e o que quer que fosse,  Paulo dava e entender que a cobertura da cabeça na igreja de Corinto era um “símbolo de autoridade” (1 Coríntios 11:10). Além disso, as roupas às vezes designavam um indivíduo em seu lugar ou propósito. Você pode pensar no sumo sacerdote que, de acordo com a lei cerimonial do Antigo Testamento, usava o éfode e o turbante na cabeça como “vestes sagradas” (Êxodo 28: 4). Os fariseus – embriagados com a auto-glorificação – foram repreendidos por usarem vestes longas como demonstração de sua piedade (Marcos 12:38). João Batista foi vestido com peles de camelo como um sinal, pelo menos em parte, de seu ofício profético (Mateus 3: 4, ver também 2 Reis 1: 8 e Zacarias 13: 4). Até o manto de Jesus estava sem costura, o que apontava para o seu papel sacerdotal (João 19:23). Além disso, as roupas são uma marca proeminente de beleza e até glória. O noivo se deleita com a beleza dos pés calçados com sandálias de sua noiva (Cântico de Salomão 7: 1), e a sabedoria personificada se veste de linho fino e púrpura (Provérbios 31:22). A glória de Jesus e o que um dia será a glória dos santos na luz são apresentadas no brilho de suas roupas (ver Apocalipse 1:13 e 19: 8).

A Bíblia também indica que as pessoas têm responsabilidade moral nas coisas que vestem. Parte do sistema do Antigo Testamento exigia que os israelitas não usassem roupas “feita de dois tipos de material” (Levítico 19:19) – um dever que não é mais necessário. Por causa da distinção natural entre os sexos, é uma abominação ao Senhor que os homens usem roupas femininas e as mulheres usem roupas de homens (ver Deuteronômio 22: 5). A mulher rebelde de Provérbios é descrita, não de maneira exemplar, como alguém que está “vestida de prostituta” (Provérbios 7:10). As roupas estão associadas à ansiedade desnecessária da vida (ver Mateus 6:25 e Lucas 12:23), e devem fazer parte do contentamento do cristão (ver 1 Timóteo 6: 7).

Paulo instruiu que “as mulheres devem enfeitar-se com roupas respeitáveis, com modéstia e autocontrole, e não com cabelos trançados , pérolas douradas ou roupas caras” (1 Timóteo 2: 9-10). Pedro também escreveu: “Não se preocupem com a beleza exterior obtida com penteados extravagantes, joias caras e roupas bonitas. Em vez disso, vistam-se com a beleza que vem de dentro e que não desaparece, a beleza de um espírito amável e sereno, tão precioso para Deus.”(1 Pedro 3: 3-4). Eu acho que Calvino oferece algumas dicas pastorais aqui. Ele chama o vestuário de “assunto indiferente”. Como tal, ele observa que “é difícil atribuir um limite fixo, até onde devemos ir”. E conclui: “Isso pelo menos será resolvido além de toda controvérsia, de que todas as roupas que não estejam de acordo com modéstia e sobriedade devem ser reprovadas. ” Em outro lugar, ele observa: “Seria um rigor imoderado proibir totalmente a arrumação e a elegância nas roupas […] Pedro não pretendia condenar todo tipo de ornamento, mas o mal da vaidade.” Ele continua escrevendo: “Duas coisas devem ser consideradas em roupas, utilidade e decência; e que decência exige moderação e modéstia. ” E quem negará que uma gravata seja uma das peças de vestuário mais inúteis? Eu disse que Calvino não usaria gravata!

O objetivo disso é simplesmente concluir: quando você coleta as evidências bíblicas, não há, na minha opinião, uma sugestão do que chamamos de “roupa de igreja”. É claro que alguém poderia abandonar as racionalizações bíblicas para aplicar esse código de vestuário e apelar à cultura. Nem sempre é errado para a igreja apropriar costumes e cortesias da sociedade. Culturalmente falando, em alguns lugares da sociedade existe uma correlação entre vestuário e circunstância. Você vê isso, por exemplo, nas Forças Armadas e em suas roupas de serviço. Existem algumas profissões que exigem roupas formais; em academias e instituições, arenas políticas e até cerimônias ou serviços fazem o mesmo.

Há uma teologia e até uma moral nas roupas que vestimos. Mas não há indicação bíblica de que os domingos exijam que tiremos o pó do terno, abotoemos nosso colarinho, colocamos uma gravata e calçamos os sapatos. O código de vestuário da igreja é ordenado pelas mesmas coisas que ordenam todas as nossas roupas – utilidade e decência. Então, neste domingo, vá à igreja de chinelos ou botas de cowboy, com um terno ou camiseta, saia ou calça, e pelo evangelho da graça venha a Deus como ele deseja, com mãos limpas e um coração puro (Salmo 24: 4) Agora com licença, preciso pegar minha gravata para domingo.

FONTE: https://gentlereformation.com/2019/12/19/john-calvin-wouldnt-wear-a-necktie/

A Guerra Espiritual do Cristão – J.C.Ryle

A Guerra Espiritual do Cristão

Sermão[1] pregado por

J.C.Ryle

1º Bispo na Diocese da Igreja da Inglaterra em Liverpool

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É um fato curioso que não há assunto sobre quais pessoas sentem tão profundo interesse como “lutas”. Moços e moças, velhos e crianças pequenas, altos e baixos, ricos e pobres, cultos e incultos, todos sentem um profundo interesse em guerras, batalhas e combates.

 

Isso é um fato simples, seja lá qual for a maneira que podemos tentar explicar. Devemos chamar de um chato aquele camarada inglês que não se preocupa em nada sobre a história de Waterloo[2], Inkermann[3], Balaclava[4], Lucknow[5]. Devemos pensar em como é frio e estúpido aquele coração por não ter se abalado e emocionado pelos acontecimentos em Sedan, Estraburgo, Metz, e Paris[6].

 

Mas, leitor, existe outra guerra de muito maior importância do que qualquer guerra que já foi travada por homens. É uma guerra que não diz respeito a duas ou três nações apenas, mas a cada homem e mulher cristã nascidos no mundo. A guerra de que falo é a guerra espiritual. É a luta que todo aquele que será salvo deve lutar por sua alma.

 

Esta guerra, estou ciente, é uma coisa que muitos não sabem nada. Converse com eles sobre isso, e eles estarão prontos para chamar-lhe de louco, um entusiasta ou um tolo. E ela é ainda tão real e verdadeira como qualquer guerra que o mundo já viu. A mesma tem seus conflitos homem a homem e as suas feridas. Tem suas vigílias e fadigas. Tem os seus cercos e assaltos. Tem as suas vitórias e as suas derrotas. Acima de tudo, tem consequências que são horríveis, tremendas e muito peculiares. Em guerras terrestres as consequências para as nações são frequentemente temporárias e remediáveis​​. Na guerra espiritual é muito diferente. Desta guerra, as consequências, quando a luta estiver acabada, são imutáveis e eternas.

 

Leitor, é desta guerra que Paulo falou a Timóteo quando escreveu aquelas palavras ardentes: “Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna”. É desta guerra que eu quero falar hoje com você. Nós nos encontramos em um período crítico da história do mundo. As mentes dos homens estão cheias de “guerras e rumores de guerras“. Os corações dos homens estão cheios de medo, enquanto eles olham para as coisas que parecem vir sobre a Terra. Por todos os lados o horizonte parece negro e sombrio. Quem pode dizer quando a tempestade vai começar? Dê-me sua atenção por alguns momentos, enquanto eu tento convencer-lhe das palavras solenes que o Espírito Santo ensinou Paulo a escrever: “Milita a boa milícia da fé”.

 

  1. A primeira coisa que tenho a dizer é a seguinte: O verdadeiro Cristianismo é uma luta.

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Meu filho também prestará culto – Dora Oliveira

Por Dora Oliveira

Na ultima quinta feira, quando voltávamos do estudo na igreja, eu e uma amiga discutíamos a cerca de como queremos criar nossos filhos. Isso já é motivo de conversa há algum tempo, sempre dividimos uma com a outra a respeito de uma vida futura, e claro, nossas crianças estão inclusas.

Temos muitos bons exemplos em nossa igreja de pais que atendem a necessidade de fazer os filhos compreenderem o real significado do culto. E isso foi o motivo da discussão naquele dia.

Como cristãos, entendemos que cabe aos pais a tarefa de ensinar e educar seus filhos para que eles andem nos caminhos do senhor. Isso inclui a ideia que eles tem do culto, a reverência durante esse momento e o diálogo que mantemos a respeito da pregação que foi ministrada no dia em questão.

E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração;
E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. (Deuteronômio 6:7)

Primeiramente, entenda que a criança é parte do corpo de Cristo. A Bíblia ordena que cerimônias próprias do povo de Deus sejam feitas diante das crianças, e sejam aproveitadas como instrumento de ensino.

Portanto guardai isto por estatuto para vós, e para vossos filhos para sempre.

E acontecerá que, quando entrardes na terra que o Senhor vos dará, como tem dito, guardareis este culto.

E acontecerá que, quando vossos filhos vos disserem: Que culto é este?

Então direis: Este é o sacrifício da páscoa ao Senhor, que passou as casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu aos egípcios, e livrou as nossas casas. Então o povo inclinou-se, e adorou. (Êx 12.24–27)

Então, de inicio, já entendemos a ordenança de leva-las ao culto, mesmo ainda não tendo discernimento para compreensão total de algumas verdades. Explique ao seu filho o significado daquele momento, incentive-o a levar sua bíblia e ensine em casa sobre os livros contidos nela. Fale da importância de manter-se sentado e a atenção que ele deve as palavras do pastor. Assim, a criança já vai preparada para o culto. Ensine-o desde criança que vamos a igreja prestar, e não assistir, um culto.

Ao ser perguntado certa vez se as crianças deveriam permanecer no culto, John Piper falou: “O sentimento de solenidade e reverência é algo que as crianças devem exercitar na presença de Deus. Elas devem perceber que este é um momento sagrado e um lugar também sagrado.” E isso, deve-se ser ensinado já nos primeiros anos de vida.

Após o culto, converse com o seu filho a respeito de tudo que aconteceu lá. fale sobre os cânticos, sobre a pregação ministrada pelo pastor, releia com ele o texto daquela noite. Orem juntos por sua igreja local, pelos irmãos em Cristo e seu pastor.

Imagino que não seja uma tarefa fácil, crianças são ativas, curiosas, por muitas vezes vão olhar para nós com aqueles olhinhos de quem não entende nada e pedir para dar uma saidinha ou até mesmo o auxilio dos joguinhos no celular para passar o tempo. É nesse momento que você precisa ser firme. Entenda que o objetivo da criação do seu filhos será para glorificar o nome do Senhor, ensina-lo a cultuar e ter reverencia nesse momento é de suma importância para que ele cresça em Seus caminhos.

Que não sejamos omissos, preguiçosos ou impacientes na educação dos nossos pequenos, mas que oremos pedindo graça para que possamos educar cristãos reverentes ao cultuar nosso Senhor e agradecer-lhe por fazermos parte do corpo de Cristo e podermos cultuá-lo, independente da nossa idade.

‘’Ensina a criança no Caminho em que deve andar, e mesmo quando for idoso não se desviará dele! (Provérbios 22:6)

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FONTE: https://link.medium.com/m8dtDlhvZY?fbclid=IwAR1LqrUPWcI0zLDT9N6iJZQZmj3RSIyCR2DFJZozCi9JAAzj_h0Gnf3i5hU

DORA OLIVEIRA é cristã, membro da

Igreja Presbiteriana do Alto Branco,

em Campinha Grande, Paraiba.

Como a membresia da Igreja é mal entendida, mal aplicada e abusada – Juan Sanchez

 Juan Sanchez

Lamentavelmente, muitos cristãos professos hoje em dia vêem pouca necessidade de uma religião “organizada”. Com efeito, regularmente temos que usar argumentos em nossas classes de novos membros para explicar por que a membresia na igreja é tanto bíblica como pessoalmente benéfica.

Porém, os pastores comprometidos com a importância da membresia da igreja necessitam ser cautelosos. Em nosso zelo por tratar os pontos de vista deficientes da igreja, podemos ser tentados a um zelo injusto, um zelo de estabelecer processos e práticas de membresia que vão além do que a Escritura requer. Sem nos importar o quão bem intencionados sejamos, quando requeremos dos membros da igreja elementos que a Bíblia não requer, não demorará muito tempo até que essas mesmas práticas nos conduzam pelo mesmo caminho da igreja de Éfeso em Apocalipse 2:1-7. Perderam seu primeiro amor. E quem quer ser membro dessa igreja?

Então, para evitar tal falta de amor legalista, consideremos quatro formas em que a membresia da igreja pode ser mal entendida, mal aplicada e, inclusive, um abuso.

Quatro Práticas Abusivas de Membresia

1ª Tornar difícil se unir a uma igreja

Como pastores, estamos encarregados de pastorear o rebanho de Jesus (1 Pe 5:1-4). Parte desse trabalho é proteger as ovelhas dos lobos ferozes que ameaçam atraí-las (Atos 20:28-30). É importante implementar processos de membresia que nos ajudem a discernir a diferença entre ovelhas e lobos.

Também, as Escrituras requerem que os crentes se reúnam “em nome de Cristo”, o que implica que uma igreja sabe o que um candidato a membro crê e o candidato sabe o que a igreja crê. Deve haver alguma forma para se ter essa conversa, como uma classe de membresia e uma entrevista. Mas se não tivermos cuidado, nosso zelo por proteger a igreja pode se converter em um processo de membresia muito pesado. Podemos esperar que os candidatos a membresia assistam a um número excessivo de aulas ou requerer um longo período de provas antes da membresia. Podemos exigir que aceitem uma confissão de fé bastante detalhada ou um pacto eclesiástico de alcance excessivo. Podemos pedir que deem uma explicação mais profunda do evangelho ou de sua profissão de fé do que as Escrituras requerem.

Para estar seguros, cada igreja, com o guia de seus presbíteros, deve estabelecer processos bíblicos e prudentes de membresia para que possam guardar o rebanho e dar as boas vindas aos novos crentes na igreja. Mas não façamos que o unir-se a uma igreja seja uma tarefa fadigante e muito difícil.

2ª Exigir dos membros muito mais do que as Escrituras exigem

Em uma cultura de pouco ou nenhum compromisso, devemos recordar regularmente aos membros da igreja as expectativas que temos uns com os outros. Uma maneira útil de fazer isto é por meio da utilização de um pacto da igreja. Um pacto da igreja, recitado durante as reuniões de membresia e em outros momentos apropriados, pode servir como um recordatório das expectativas de membresia bíblica. Infelizmente, nossa cultura de pouco compromisso pode nos tentar a impor expectativas não bíblicas.

Por exemplo, algumas igrejas requerem erroneamente uma grande frequência. Apenas considere o quão cheia pode ser a agenda de uma igreja: reuniões dominicais, reuniões semanais, reuniões de comitê, reuniões ministeriais, grupos pequenos e estou certo de que a lista pode aumentar.

Durante o seminário, eu era um estudante de tempo integral que trabalhava em três trabalhos (e mal conseguia fazer isso). Simplesmente era impossível assistir a todos os eventos ou atividades da igreja. Em vez disso, minha esposa e eu demos prioridade as reuniões da manhã e da noite do Dia do Senhor.

Pastores, tenham cuidado de não requerer que seus membros participem em um ministério que a Bíblia nunca requereu. Enquanto o discipulado deve ser uma parte importante da vida de cada cristão, a Bíblia não requer que cada membro seja parte de um pequeno grupo. O discipulado pode acontecer em diversos contextos, e devido ao fato de os membros de nossas igrejas estarem em diferentes estações e etapas da vida, não é prudente fazer que algo, como os pequenos grupos, sejam obrigatórios. Mais uma vez, cada igreja, com o guia de seus presbíteros, deve estabelecer as melhores maneiras para cuidar de seus membros e fomentar o crescimento em semelhança com Cristo. Mas tenhamos cuidado de não esperar mais de nossos membros do que Jesus espera.

3ª Cultivar uma cultura de temor na disciplina da igreja

Pastorear é difícil. Muito difícil! É muito parecido a ser pai. Criar seus filhos, os instruir na disciplina e instrução do Senhor, e orar para que abracem a Cristo e o sigam todos os dias de suas vidas. Em algum momento, entretanto, nossos filhos têm que tomar suas próprias decisões e abraçar a fé como propriedade. Da mesma maneira, ao pastorear uma igreja, “criamos” os filhos de Deus, os instruímos na disciplina e instrução do Senhor, e oramos para que, ao haver abraçado a Cristo, o sigam todos os dias de suas vidas.

Lamentavelmente, nem todos os cristão professantes perseveram, o que significa que nem todos os membros da igreja seguem a Cristo em contínuo arrependimento. Nesses casos, devemos entrar na operação de resgate que chamamos disciplina da igreja (Mateus 18:15-20). Se não tivermos cuidado, porém, podemos estar tentados a usar o púlpito para “intimidar” os membros, e guardar a disciplina da igreja em nosso bolso traseiro como uma carta na manga.

Embora o medo possa ser um poderoso motivador temporal, é um péssimo transformador de corações a longo prazo. Lembre-se: se estabelecemos normas legalistas que a Bíblia não requer, então quando os membros da igreja não seguirem nossas normas extrabíblicas, se rebelarão. Como Jesus nos lembra, somos os servos do rebanho de Deus, não seus senhores (Mateus 20.25-28). Por isso, no lugar de ameaçar as ovelhas, devemos guiá-las com amor, animá-las e alimentá-las.

4ª Tornar muito difícil deixar a igreja

Queremos despedir os membros da igreja de tal maneira que estejam debaixo do cuidado de outra igreja local e outro grupo de pastores amorosos. Mesmo assim, se não tivermos cuidado, nossa intenção de cuidar bem dos membros que saem da igreja pode fazer que se sintam como se fossem propriedade ou prisioneiros, não irmãos e irmãs. E assim, do mesmo modo que devemos ter processos bíblicos e prudentes para escolher os membros, também devemos ter o mesmo para os membros que se despedem.

Quando os membros vão para outra igreja – a menos que estejam indo para escapar da disciplina da igreja – devemos ajudá-los, na medida do possível, a encontrar outra igreja evangélica que possam se unir. Alguns membros podem não pedir nossa ajuda; outros podem não necessitar de nossa ajuda; mas todos devem ser pastoreados no processo de deixar nossa igreja para se unirem a outra. Lembre-se: são ovelhas de Deus, não as nossas.

Ame as suas ovelhas

Estou certo de existem outras maneiras em que podemos abusar da membresia da igreja. Estas são apenas quatro. Para lutar contra a tentação de abusar da membresia da igreja, devemos recordar que o Cristo que foi assunto ao céu tem estruturado sua igreja (Ef 4.11) para que os homens fiéis que podem ensinar a outros cuidem de suas ovelhas (2 Tm 2:2), os levando aos pastos verdes de Sua Palavra e os protegendo das ameaças dos lobos selvagens (Atos 20:28-31). Não somos senhores, somos servos. Não somos donos, somos mordomos. Não somos condutores de gado, somos pastores. E estamos guiando as ovelhas até o pastor principal. Que o Senhor nos conceda a graça de amar as ovelhas como Ele as ama.

FONTE: https://evangelio.blog/2019/07/03/como-la-membresa-de-la-iglesia-es-mal-entendida-mal-aplicada-y-abusada/

TRADUÇÃO : Emanuel Queiroz

Catolicismo Romano – Uma Análise Crítica – Dr. Martin Lloyd-Jones

 

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PREFÁCIO EXPLICATIVO DA OBRA

Na data de publicação deste sermão, outubro de 2017, comemoramos 500 anos de Reforma Protestante. A data claramente é um símbolo do movimento, que de fato ganhou volume e corpo após o celebre acontecimento. Desde então, milhares de homens, mulheres e crianças foram libertas das trevas em que estavam afogadas para a Luz da Palavra. Grande parte do negrume por qual estavam envoltos, a ignorância bíblica, foi produto e culpa direta do catolicismo romano.

Daqueles tempos para cá, e principalmente em nosso presente século, muitos crentes, igrejas e congregações inteiras, deixando para traz doutrinas bíblicas e desejosos de mais uma vez abraçar as heresias de Roma, negam os próprios baluartes e baixam a guarda da Verdade do Evangelho. Os tais diluem as Boas-Novas de Jesus Cristo, como que redescobertas à época da Reforma, em troca de aplausos de homens e consolos superficiais.

Martin Lloyd-Jones não era assim. O grande pregador galês da segunda
metade do século XX, em plena era do movimento ecumênico e dos apelos sedutores de Roma para uma “abertura” ao mundo, não se deixou enganar. Neste sermão, pregado em 1963, ele se declarou clara e abertamente contra as doutrinas romanas, já intensamente combatidas por seus antepassados reformadores e puritanos.

O Dr. Lloyd-Jones neste texto é claro e direto. Tudo que afirma tem base nas Escrituras e nas próprias doutrinas católicas, que permanecem as mesmas desde sempre (contrário ao que muitos evangélicos, até hoje, parecem acreditar). Roma pode ter mudado exteriormente, mas continua doutrinariamente condenando o protestantismo como heresia perniciosa, ainda que o atual Papa Francisco aparentemente não “se lembre” disso.

As notas de rodapé não existem no texto original, mas decidi elaborá-las com duas intenções primordiais: contextualizar o texto à época em que foi produzido para o leitor atual e demonstrar onde, como e por que o ensino católico romano ensina os argumentos refutados por Lloyd-Jones. Utilizei como fontes primárias o endereço do próprio Vaticano, sempre que possível; não sendo, domínios digitais renomados do catolicismo romano. Os principais materiais utilizados como fonte foram o Catecismo da Igreja Católica e as resoluções dos Concílio de Trento, Concílio Vaticano I e Concilio Vaticano II, com suas constituições e cartas dogmáticas. Concentrei-me neles por serem os de maior autoridade dentro do magistério universal da igreja romana; além do mais, sendo estes mais claros, ganham maior peso.

Algumas notas são longas por conta do conteúdo, pois preferi citar o máximo de conteúdo possível, a fim de evitar más interpretações dos dogmas católicos romanos por culpa de frases soltas ou fora de contexto.

É necessário reforçar que apontei as fontes com cuidado desejoso de ser fiel ao que as doutrinas católicas declaram, e para não poder ser acusado de falso testemunho ou interpretações errôneas. Alguns apontamentos, porém, que não tratam especificamente de uma doutrina são textos escritos por reformadores e pastores. Inseri-os objetivando estabelecer alguns pontos (principalmente no que diz respeito ao tema da idolatria).
Que nesses tempos frouxos em que vivemos mais pessoas se levantem corajosamente como o Dr. D. Martin Lloyd-Jones, para que a Verdade do Evangelho de Jesus Cristo seja pregada em ousadia, pureza, fidelidade e dependência do Espírito Santo, em todos os lugares da terra, para Sua glória. Que Deus dê olhos para enxergar e ouvidos para ouvir. Que ninguém se escandalize com as palavras do Dr., mas, lendo-as, seja levado ao arrependimento e fé somente em Jesus Cristo, por Graça.

Armando Marcos
Criador e editor chefe de Projeto Castelo Forte
Outubro de 2017, 500° ano da Reforma Protestante

Projeto Spurgeon 10 anos

Essa semana faz 10 anos que criei o Projeto Spurgeon – Proclamando a Cristo crucificado. Na época era apenas um blog para postar algumas traduções caseiras, hoje é um dos maiores sites da internet em portugues sobre a vida e obra de Charles Haddon Spurgeon. Creio que por ele o Senhor abençoou muitos, e o Senhor abençoou (em 2012 principalmente) e ainda abençoa minha vida. Certamente nesses 10 anos o interesse sobre o Spurgeon cresceu absurdamente (Só ver o quanto existe de outros sites, livros e devocionais dele hoje em comparação) e acredito que nosso Projeto teve um papel nesse aumento de interesse que só o Senhor pode mensurar. Hoje em dia trabalhamos nas redes mais com o Projeto Castelo Forte http://projetocasteloforte.com.br/ , pois centralizamos o trabalho lá, mas não poderia perder a oportunidade de louvar ao Senhor pelos 10 anos de onde tudo começou 🙂 Armando Marcos – editor e criador de Projeto Spurgeon e Projeto Castelo Forte

“Não tenho religião, tenho Cristo”. Você tem certeza disso??

Por ‎Armando Marcos 

O que é a religião? É Deus colocando-Se em comunicação com o homem, o Criador com a criatura, o infinito com o finito – Spurgeon 

Hoje em dia, o termo “religião” é muito mau visto e utilizado, tanto entre incrédulos e de certa forma bastante inusual até, entre crentes. Muitos , quanto contestados, apressadamente dizem “não ter religião, e sim Cristo”, colocando claramente que “Religião= má” e “Cristo=bom”. Em um primeiro momento isso pode ser visto como algo correto e até esperado, afinal não somos pessoas antiguadas e muito menos pessoas farisaicas. Porém, Irei enumerar algumas considerações sobre o uso do termo, e considerar que sim devemos aceitar que nós como crentes em Cristo temos uma certa religião, como ele deve ser por sua própria natureza a única verdadeira, e pretendo destrinchar aspectos de como ela é e deve se manifestar em nossas vidas nesse pequeno artigo.

  1. Jesus é a unica religião verdadeira no sentido pleno

Os antigos reformadores e, posteriormente, os protestantes evangélicos em geral, costumavam distinguir em seus escritos e tratados claramente entre a “religião verdadeira” e a “religião falsa”: é comum ler, por exemplo, as obras de Calvino, Wesley, Whitefield, Bunyan e Spurgeon, pessoas de séculos diferentes, e notar que eles usavam constantemente essa distinção. No século XVI e XVII, o papismo romano era sempre atacado como a religião falsa que usurpava o nome de cristianismo, e as outras religiões (normalmente os antitrinitarianos, turcos e sarracenos, nome dado aos mulçumanos) como aquelas que legitimamente estavam trilhando o caminho da falsa religião aberta. Porem, ainda assim, a ideia de “religião” não era rejeitada em si mesma, principalmente e mesmo depois do século XVIII com o florescimento do Iluminismo e do Ateísmo moderno.

Depois do inicio do século XX, o termo “religião” foi visto e aplicado  de forma quase sempre negativa e associado a coisas rigidas e sem vida. Mas se avaliarmos corretamente o seu significado, veremos que verdadeiramente o cristianismo é uma religião e sim Cristo pregou certa religião.

O termo “Religião”, segundo o Wikipedia, significa do latim: religare, religação com o divino. Porem, que sempre teve a ideia de forma de espiritualidade, à parte do “secular”: na própria página do Wikipédia diz :

é um conjunto de sistemas culturais e de crenças, além de visões de mundo, que estabelece os símbolos que relacionam a humanidade com a espiritualidade e os valores morais.

No caso do cristianismo, admitimos que ele se constitui de um sistema e visão de mundo simbólicos e reais de distinção próprios, mas ele é isso apenas na superfície, talvez como expressão do seu âmago mais profundo! Quanto a questão de que eles expressam o relacionamento da humanidade com a divindade, segundo o termos, a religião verdadeira é JUSTAMENTE o contrário! As religião falsas, da perspectiva cristã, essas sim, são as que tentam colocar o homem depravado e morto pelo pecado num falso caminho de sozinho ou com uma força própria falsa, no caminho direto dessa “re-conexão”. Porém, só em Jesus que é quem “religa” o homem caído a Deus, só pelo caminho de Cristo, que é o próprio Cristo, por meio da fé em Seu sacrificio, que seguimos a essência da palavra religião! (João 14:6).

Voltando ao sentido histórico, a religião verdadeira é aquela única em que Cristo é o caminho, e a única que segue os preceitos de Cristo acima dos humanos: e nesse sentido, é o contrário da práxis de outras expressões religiosas que colocam o homem como centro ultimo da religação com o divino.

‎II. Tiago define a verdadeira religião

Em Tiago 1:26-27 diz Se alguém entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, antes engana o seu coração, a religião desse é vã. A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.”

Isso tem tudo haver com a prática coerente com a religião verdadeira: demostra uma mudança de coração, o coração regenerado por Cristo pelo poder do Espírito (João3) o amor ao próximo e se afastar do que o mundo nos oferece que nos contamina (1 João 2) . Claro que não somos ainda perfeito como seremos depois, na Glória em Cristo, mas isso não exclui a teologia correta da prática da religião verdadeira, que só pode vir de um coração regenerado e alocado agora sim na “religião verdadeira” de Cristo. Por isso mesmo, mostrando em atos e em ações, como o próprio Cristo verdadeiramente ensinou e exemplificou. Em suma, a declaração de Tiago não contradiz as explanações de Paulo, Pedro e Cristo mesmo, por exemplo. Porem, não é desculpa para o desleixo.

3º A religiosidade é formalista: é mesmo?

Hoje em dia, o termo religiosidade tomou a forma de algo ruim e formal: os maiores exemplos nesse sentido são os fariseus e saduceus, e depois, com os séculos, aqueles praticantes de ritos que não condizem com a realidade bíblica e com a coerência entre fé e obras (professa uma coisa e pratica outra.)

Sim, nesse sentido, sempre houve a há religiosidade, mas essa é uma falsa religiosidade: a verdadeira religiosidade tem a ver com fé real, o comprometimento na verdade e a prática de boas obras que glorifiquem a Deus em amor: não pode-se sobrepor uma sobre a outra : não podemos valorizar demais a ortodoxia que não se preocupa com a vida prática, e nem desprezar a teologia e fé baseada na revelação de Deus, a Bíblia, por sobre essa.

  1. O argumento “da falsa religião” é usado de forma descontrolada

Muitos, assim que contestados sobre alguma prática nova ou novidade religiosa e interpretativa, logo recorrem ao argumento da religiosidade como argumento de defesa e de ataque: porem, como já dito antes, ele não pode ser usado a torto e a direito, pois é contra o uso e definição do cristianismo, bem como contrária até mesmo a história clássica protestante.

  1. Uma reposta a uma possível contra-apelação

Alguém pode argumentar com o fato de Paulo ter dito “Sabendo de mim desde o princípio (se o quiserem testificar), que, conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu “(Atos 26:5)

Em relação a isso, pode-se afirmar exatamente que a primeira forma de religião de Paulo, a farisaica, no sentido do termo em si, era uma falsa religião, pois de acordo com vários princípios, se baseava:

  1. a) Em falso zelo (Romanos 10:2)
  2. b) No judaísmo caduco depois Cristo (pois em Cristo a as promessas são cumpridas e os sacrifícios expiatórios sem mais necessidade, pelo cumprimento em Cristo)
  3. c) No apreço por obras como garantia e direito da salvação (Efésio 2:9)
  4. d) Pela falta de amor e falta do conhecimento de Cristo e de sua salvação (no sentido espiritual e escriturístico, pois ele certamente soube da crucificação de Cristo)

Espero ter mostrado um pouco que o uso do termo religião pelos protestantes deve ser mais bem avaliado. Antes de usar a ideia de que “não tenho religião, tenho Cristo”, como um clichê vazio, devemos perceber que todos aqueles que tem fé em Cristo verdadeiramente sim possuem uma religião, uma religião que , sendo inerente ao sentimento humano dado por Deus (Romanos 1) agora é direcionado verdadeiramente pela verdadeira religião. Isso é um incentivo ao evangelismo, pois nos tira do comodismo de achar que “todas as religiões levam a Deus”. Não, não levam, Paulo em Atenas viu a religiosidade falsa e mesmo admitindo que os gregos adoravam ou tinham algum tipo de percepção turva do Deus para eles desconhecido (Atos 17), ela era insuficiente para salvação, e Paulo pregou o evangelho contra essa falsa religião. Numa era secular pós moderna onde muitos querem ser individualistas ou modernos demais e a religião ou é vista como coisa velha ou sofre tentativa de adaptação, devemos ter a ousadia de assumir nossa verdadeira religião que não deve estar baseada na areia (Mateus 7).

Armando Marcos é editor do Projeto Castelo Forte  e membro da Igreja Presbiterana da Barra Funda, em São Paulo.