A Tinturaria Celestial – Como ter a consciência mais alva do que a neve (Paco Orozco)

10151564_10202320176264191_570365466_nSermão pregado no domingo, 10 de fevereiro de 2013

pelo pastor Paco Orozco

Na Igreja Bíblica Monte Horebe, em Hermosillo, Estado de Sonora, México.

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Lava-me mais e mais de meu pecado, limpa-me da minha iniquidade.” Salmo 51:2 (tradução da Reina-Valera[1])

Como Igreja estamos memorizando essa passagem que acabamos de ler, os primeiros doze versículos do Salmo 51, um versículo por mês, e neste mês nos cabe memorizar o segundo versículo, onde Davi roga “Lava-me mais e mais de meu pecado, limpa-me da minha iniquidade.” Salmo 51:2 Continue lendo

Qual é sua Motivação Missionária? (Bispo Josep Rossello)

1947741_499503446825788_1580333952_nSermão pregado no Domingo, 16 de Junho de 2013

por Josep Rossello

Bispo Diocesano da Igreja Anglicana Reformada do Brasil,

Na Igreja Anglicana do Vale do Paraíba

Em São José dos Campos, São Paulo, Brasil

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Qual de vós, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no campo e não vai atrás da que se perdeu, até encontrá-la? E quando a encontra, coloca-a sobre os ombros, cheio de alegria; e, chegando em casa, reúne os amigos e vizinhos e lhes diz: Alegrai-vos comigo, pois encontrei a minha ovelha perdida. Digo-vos que no céu haverá mais alegria por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam de arrependimento. Lucas 15:4-7 Continue lendo

Resumo dos Dez Mandamentos – John Gill

1615061_491258617650271_605840977_nPor John Gill

Pastor da igreja batista em Carter Lane, St. Olave’s, Londres

E predecessor de Charles Haddon Spurgeon

Quando essa congregação batista mudou-se para New Park Street em 1830

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“Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.” Mateus 22:36-40

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Os Negócios Seculares Não Justificam a Negligência com a Religião – George Whitefield

Capa WhitefieldNº 20.

Sermão pregado pelo

Rev. George Whitefield

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Deixe que os mortos sepultem os seus mortos” – Mateus 8:22.

Paulo, pregando em Atenas, diz-lhes que conforme ele passava ali e via sua devoção, ele percebeu que eles eram, em todas as coisas, muito supersticiosos. Mas se este apóstolo ressuscitasse hoje e pudesse vir a anunciar as boas novas da salvação em alguma de nossas populosas cidades, ele não veria razão pela qual acusar os habitantes disso; mas, antes, conforme ele passasse e observasse o curso de suas vidas, ele os acusaria dizendo:

Percebo que em todas as coisas vós sois muito secularizados; sois muito ávidos em se inclinarem na busca dos seus negócios legítimos; muito ávidos de modo a negligenciarem totalmente, ou ao menos muito despreocupados em dar atenção, à única coisa necessária.

Não pode, então, haver maior caridade para com o mundo cristão, do que soar um alarme aos seus ouvidos e adverti-los do indizível perigo de agarrar-se continuamente às coisas dessa vida, sem estar igualmente, ou melhor, sem estar mil vezes mais preocupados pelo bem-estar em um estado futuro.

E há ainda mais ocasião para tal alarme, pois o mundanismo está ocupando os corações dos homens tão fácil e habilmente. Pois a partir de uma ilusória pretensão de servir a Deus ao trabalhar pela comida que perece, eles são insensivelmente acalentados em uma sonolência espiritual tal, que se tornam escassos em perceber sua negligência em garantir aquela comida que dura para a vida eterna.

As palavras do texto, se não à primeira vista, ainda assim quando examinadas e explicadas, serão aplicáveis a esse caso, visto que contém uma admirável advertência em não buscar os negócios desse mundo à custa da felicidade do mundo vindouro.

Essas são as palavras do próprio Jesus Cristo; a ocasião em que foram proferidas foi essa: enquanto Ele conversava com os que estavam reunidos ao Seu redor, Ele fez a um deles uma convocação imediata para que O seguisse: mas este, ou temeroso em ir após um mestre tão perseguido, ou preferindo amar ao presente mundo, diz: “Permite-me primeiro ir para casa e enterrar o meu pai”, ou, como muitos o explicam, “Deixa-me primeiro ir e resolver alguns negócios importantes que tenho aqui na terra”. Mas Jesus lhe disse: “Deixe os mortos sepultarem os seus mortos”; deixe os negócios mundanos para os homens mundanos, deixe seus negócios seculares de lado, ao invés de deixar de me seguir.

Se essa pessoa fez como lhe foi ordenado, eu não sei; mas isto eu sei, que o que Cristo disse aqui a essa pessoa, Ele tem frequentemente sussurrado com a suave e tranquila voz do seu Espírito Santo, e diz a muitos aqui presentes, que acordam cedo e repousam tarde, e comem o pão do cuidado: “Venham livrar-se de suas afeições pelas coisas dessa vida; tomem a vossa cruz e sigam-Me”. Mas eles, querendo justificar-se, respondem: “Senhor, deixa-nos primeiro enterrar os nossos pais, ou resolver nossos negócios seculares”. Eu digo a todos estes: “Deixe os mortos sepultarem os seus mortos”, deixem seus negócios mundanos de lado, ao invés de deixar de segui-Lo.

A partir das palavras explicadas desta maneira, naturalmente surge esta afirmação, de que nenhum negócio, por mais importante que seja, pode justificar a negligência para com a verdadeira religião.

Essa é a verdade que eu irei primeiramente mostrar, e então fazer uma aplicação disso.

I. Primeiramente então, eu pretendo provar que nenhum negócio temporal, por mais importante que seja, pode justificar a negligência para com a verdadeira religião.

Pela palavra “religião”, eu não me refiro a nenhum conjunto de virtudes morais, nenhum aperfeiçoamento parcial de nós mesmos, ou cumprimento formal de qualquer um de nossos deveres exteriores; mas uma aplicação da inteira e pessoal justiça de Cristo, feita pela fé em nossos corações; uma mudança completa e real de nossa natureza, moldada em nós pela invisível, mas poderosa, operação do Espírito Santo, preservada e nutrida em nossas almas pelo constante uso de todos os meios da graça, evidenciada por uma boa conduta, e produzindo os frutos do Espírito.

Essa é a verdadeira e imaculada religião, e para o aperfeiçoamento dessa boa obra em nossos corações, o eterno Filho de Deus veio ao mundo e derramou seu precioso sangue; para esse fim nós fomos criados e enviados ao mundo, e somente por causa disso é que nós podemos nos tornar filhos de Deus. Se porventura de fato julgássemos pela prática comum do mundo, pensaríamos que fomos enviados a ele sem nenhum propósito, a não ser o de cuidar e labutar pelas incertas riquezas dessa vida; mas se consultarmos as palavras da vida, elas nos informarão de que nascemos para fins mais nobres, até mesmo para sermos nascidos de novo do alto, para sermos restaurados à divina semelhança por Jesus Cristo, nosso segundo Adão, e assim sermos feitos dignos de herdar o reino dos céus. Consequentemente, existe uma obrigação posta sobre todos nós, mesmos àqueles mais ocupados, de assegurar-se desse fim; sendo uma verdade inegável, que todas as criaturas devem responder ao fim pelo qual foram criadas.

Alguns, de fato, confinam a religião ao clero, e pensam que ela pertence apenas àqueles que servem; mas que erro fatal é esse, visto que todas as pessoas são indiferentemente chamadas por Deus para o mesmo estado de santidade interior. Assim como todos nós somos corrompidos em nossa natureza, assim todos também devemos ser renovados e santificados. E embora deva ser reconhecido que o clero está sob obrigações duplicadas de ser exemplo aos crentes, na fé, no zelo, na caridade e em tudo o mais que for louvável e de boa fama, uma vez que estão mais imediatamente dedicados ao serviço de Deus; ainda, assim como todos fomos batizados com um só batismo na morte de Cristo, estamos todos sob a necessidade de executar nossa aliança batismal, e aperfeiçoar a santidade no temor a Deus; pois as Sagradas Escrituras nos indicam senão um caminho de admissão no reino de Cristo, através da porta estreita de uma sólida conversão. E aquele que não entra no curral das ovelhas, seja clérigo ou leigo, por essa porta, descobrirá, para sua eterna ruína, que não pode pular a cerca.

Além disso, que grande ignorância da natureza da verdadeira religião, assim como de nossa própria felicidade, essa distinção revela? Pois o que nosso Salvador, querendo que sejamos religiosos, requer de nós? Não quer senão subjugar nossas paixões corruptas, erradicar nossos maus hábitos, para então enraizar as graças celestiais do santíssimo Espírito de Deus em seu lugar; e, em uma palavra, nos encher de toda a plenitude Deus.

E os homens serão tão inimigos de si mesmos a ponto de afirmar que isso pertence apenas aos que ministram as coisas santas? Isso não diz respeito igualmente ao mais ocupado homem vivo? É o objetivo da religião fazer o homem feliz, e não é um privilégio de cada um ser tão feliz quanto pode? As pessoas em seus negócios acham as corrupções de sua natureza, e a desordem de suas paixões tão agradáveis, que não se importam se nunca as controlam ou eliminam? Ou elas irão consentir que apenas os ministros sejam participantes da herança dos santos na luz? Se não, desde que desejam o mesmo fim, não farão uso dos mesmos meios? Pensam eles que Deus irá criar uma nova coisa sobre a terra, e, contrariamente à pureza da Sua natureza, e da imutabilidade de Seu conselho, irá admiti-los nos céus em seu estado natural, por estarem sobrecarregados com muitas coisas mundanas?

Examinem cuidadosamente a Escritura, e vejam se elas dão algum espaço para tal esperança infundada.

Mas, além disso, alguém poderia supor que existe algo do mais alto interesse e da maior importância em nossos assuntos temporais, de modo que estes desviaram muitos de purificar seus corações pela fé que está em Cristo Jesus.

Um avarento cobiçoso, que negligência a religião por estar continuamente concentrado em procurar grandes coisas para si mesmo e para os de sua casa, gloria-se de que age da maneira mais sábia; e ao mesmo tempo censurará e condenará um jovem pródigo, que não tem tempo para ser devoto, por estar tão envolvido em desperdiçar sua fortuna em uma vida desordenada e em procurar prostitutas. Porém em pouco tempo os homens serão convencidos que os que perderam a sua alma buscando pelas riquezas são tão indesculpáveis quanto os que a perderam buscando os prazeres sensuais. Pois embora o negócio possa assumir um ar de importância, quando comparados a outros divertimentos triviais, ainda assim quando colocado na balança com a perda de nossas preciosas e imortais almas, é igualmente frívolo, de acordo com o que disse nosso Salvador: “O que aproveitará o homem, se ganhar ao mundo inteiro e perder a sua própria alma“; ou, “o que dará o homem em troca de sua alma?”. E então, necessitamos de mais alguma prova? Ouvimos a decisão da boca do próprio Cristo. Mas por ser tão difícil convencer alguns dessa importante verdade, aqueles cujos corações estão cegos pelo engano das riquezas, é que precisamos gritar-lhes na língua do profeta: “Ó terra, terra, ouve a palavra do Senhor”,

Eu colocarei diante de vós uma passagem a mais da Escritura, a qual eu desejo que seja escrita nas tábuas dos nossos corações. No capítulo catorze do evangelho de Lucas, a partir do verso dezoito, nosso bendito Senhor propõe esta parábola:

Um certo homem fez uma grande ceia, e convidou a muitos. E à hora da ceia mandou o seu servo dizer aos convidados [...] E todos à uma começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei um campo, e importa ir vê-lo; rogo-te que me hajas por escusado. E outro disse: Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-los; rogo-te que me hajas por escusado. [...] E, voltando aquele servo, anunciou estas coisas ao seu senhor.

E o que se segue? O mestre aceitou às suas desculpas? Não, o texto nos conta que o bom homem se irou, e disse “que nenhum dos que foram convidados deveriam provar de sua ceia”. E o que essa parábola ensina, senão que as mais legítimas vocações não justificam nossa negligência; mais do que isso, que elas deixam de ser legítimas quando de alguma forma interferem nos grandes interesses da religião?

A ceia de casamento da qual aqui se fala, significa o evangelho; o mestre da casa é Cristo; os servos enviados, são os seus ministros, cujo dever é, de tempos em tempos, chamar o povo para sua festa de casamento, ou, em outras palavras, para serem religiosos. Então descobrimos que aqueles que foram convidados estavam muito bem e honestamente empregados. Não há ofensa em comprar ou ver um pedaço de terra, ou em ir e provar uma junta de bois; mas aqui está a sua culpa, em que eles fizeram tais coisas quando foram convidados a vir à festa de casamento.

Sem dúvida, pessoas podem muito honestamente estarem ocupadas em seguir às suas respectivas vocações; mas ainda assim, se elas estão engajadas tão profundamente nelas, de modo a impedir o seu trabalho para com sua própria salvação, com temor e tremor elas devem esperar a mesma sentença que seus predecessores na parábola, de que nenhum deles provará da ceia de Cristo: pois nosso chamado particular, dessa ou daquela profissão, não deve jamais interferir no nosso chamado geral e precioso como cristãos. Não que o cristianismo nos chame inteiramente para fora do mundo, pois as Sagradas Escrituras não certificam tal doutrina.

É muito notável que no livro da vida encontramos alguns de quase todas as ocupações, os quais, contudo, serviram a Deus em suas respectivas gerações, e lançaram tantas luzes no mundo. Assim ouvimos falar de um bom centurião nos evangelhos, e um devoto Cornélio no livro de Atos; um piedoso advogado; e alguns que andaram com Deus, mesmo da casa de Nero, nas epístolas; e nosso divino mestre, em sua resposta a Marta, não lhe condena por seus cuidados, mas por estar obstruída ou perplexa acerca de muitas coisas.

Não, vós podeis, aliás, vós deveis trabalhar vossa obediência a Deus, mesmo para com a comida que perece.

II. Agora eu aplicarei, em segundo lugar, o que foi dito.

 

Eu vos suplico, pelas misericórdias de Deus em Cristo Jesus, que não permitam que vossa inquietação pela comida que perece seja à custa daquela que dura para a vida eterna; pois, repito as palavras do nosso bendito Salvador: “O que aproveitará um homem, se ele ganhar ao mundo inteiro e perder a sua própria alma“; ou, o que dará um homem em troca de sua alma?”

Se fôssemos viver para sempre no mundo, então a sabedoria mundana seria nossa mais alta sabedoria; mas visto que não temos aqui nenhuma cidade contínua, e fomos enviados a este mundo para ter nossas naturezas transformadas e para nos ajustar Àquele que há de vir; o que significa então, negligenciar essa importante obra por um pequeno ganho mundano, senão, como o profano Esaú, vender a nossa primogenitura por um prato de lentilhas?

Ah! Como os cristãos são diferentes do cristianismo! Eles são mandados a “procurar primeiro ao reino de Deus e à sua justiça” e todas as outras reais necessidades lhes serão acrescentadas; mas eles são temerosos – ó, homens de pequena fé – de que se o fizerem, todas as outras necessidades lhes sejam tomadas; eles são estritamente proibidos de se preocuparem com o dia de amanhã, e ainda assim eles não repousam noite ou dia, mas continuamente amontoam riquezas para muitos anos, embora não saibam quem as apanhará. Isso é agir como pessoas que são estrangeiros e peregrinos na face da terra? É isso guardar o seu voto batismal? Não é, antes, apostatar diretamente do voto, e desistir do serviço a Jesus Cristo para se alistar sob a bandeira de Mamom?

Mas qual será a esperança de tais mundanos quando Deus lhes tirar as suas almas? O que aconteceria se o Todo-Poderoso lhes dissesse, como disse ao rico tolo no evangelho, “esta noite tua alma te será requerida”? Então, que proveito eles teriam de todas essas coisas que eles estão tão ocupados para conseguir?

Se a vida eterna, aquele dom gratuito de Deus em Cristo Jesus, pudesse ser comprada com dinheiro; ou se os homens carregassem seus rebanhos além do túmulo para comprar óleo para suas lâmpadas, isto é, graça para os seus corações, quando fossem chamados para encontrar com o noivo, haveria então alguma razão pela qual Deus pudesse ser tolerante para com eles. Mas uma vez que seu dinheiro perece com eles, uma vez que isso é certo que nada trouxeram ao mundo, e nada podem carregar dele; ou, supondo que pudessem, uma vez que não há óleo a ser comprado, nenhuma graça a ser comprada já que a lâmpada de suas vidas naturais se foi; não seria muito mais prudente gastar o pouco tempo que lhes é dado aqui, comprando óleo que pode se ter, e não temendo ter um pouco menos daquilo que logo será de outro homem, e perder eternamente as verdadeiras riquezas?

O que pensais? Deve-se supor que aquele mundano cobiçoso mencionado anteriormente, quando entrou no mundo dos espíritos, lamentou não poder estar aqui nessa terra até que derrubasse os seus celeiros e construísse maiores?

Ou não pensais que todas as coisas aqui em baixo lhe pareceram igualmente pequenas, e que ele se arrependeu apenas de que não tivesse empregado mais tempo em derrubar cada alto pensamento que se exaltou contra o Todo-Poderoso, e ter edificado sua alma no conhecimento e temor do Senhor?

E assim será com todos os homens infelizes, que como ele estão se inquietando em uma busca vã de riquezas seculares, e ao mesmo tempo não são ricos para com Deus.

Eles podem, por um tempo, parecer excelentemente bem ocupados em estarem cuidadosos acerca das preocupações importantes dessa vida; mas uma vez que seus olhos foram abertos pela morte, e suas almas lançadas na eternidade, eles verão então a pequenez de todos os cuidados mundanos, e se espantarão de terem sido tão tolos para com as coisas da outra vida, enquanto eram, talvez, aplaudidos por sua grande sabedoria e profunda sagacidade nos assuntos desse mundo.

Ah, como se lamentarão por agirem como o mordomo injusto, tão sábios em suas preocupações temporais, em chamar seus devedores tão cuidadosamente, e perguntar quanto cada um devia, e ainda assim nunca se lembrar de acertar as contas consigo mesmo, ou inquirir quanto eles deviam ao seu grande Senhor e mestre?

E então o que mais direi? O deus deste mundo, e os desordenados desejos por outras coisas, devem ter sufocado totalmente a consciência daquele homem que não vê a força desses claros raciocínios.

Permitam-me apenas adicionar uma palavra ou duas para o rico e para as pessoas que estão livres dos negócios dessa vida.

Aqui eu devo parar um momento, pois estou ciente de que mesmo sendo isso uma coisa desagradável, e como alguns podem imaginar, algo pretensioso, pelo fato de um mero aprendiz em religião estar incumbido de instruir homens de altos posições, e que possivelmente desdenhariam e me jogariam aos cães de seus rebanhos.

Entretanto, visto que Paulo, que conhecia o que melhor convinha para um jovem pregador, comandou Timóteo, jovem como era, a exortar e cobrar os ricos com toda autoridade; eu espero que nenhum dos que aqui o são sejam ofendidos, se com humildade eu suplico a lhes lembrar, ainda que um dia já o tenham sabido, que se as pessoas nos serviços mais ocupados estão indispensavelmente obrigadas a “trabalharem sua salvação com temor e tremor”, muito mais devem fazer, os que estão livres da fadiga e do fardo de um estilo de vida mais simples, e consequentemente, tem maiores oportunidades de tempo livre para se prepararem para o estado futuro.

Mas esse é realmente o caso? Ou não encontramos, em uma experiência inevitável, que muitíssimos daqueles a quem Deus exaltou acima de seus irmãos, que estão “vestidos em púrpura e linho fino, e passam suntuosamente todo dia”, por um triste abuso da grande doação que Deus lhes fez, pensam que suas posições lhes colocam acima da religião, e então permitem que os pobres, que vivem do suor de seus rostos, compareçam mais constantemente aos meios da graça do que eles mesmos?

Mas ai de tais ricos! Pois eles receberam a sua consolação.

Bom seria se eles nunca tivessem nascido; pois se os negociantes negligentes e irreligiosos não podem ser salvos, onde aparecerão os luxuriosos e ímpios cavalheiros?

Permitam-me, portanto, a fim de concluir, exortar todas as pessoas: grandes e pequenas, ricos e pobres, um com o outro, a fazer a renovação da sua natureza caída, a única ocupação de suas vidas; e não permitir que nenhum benefício mundano, nenhum prazer mundano, impeça-lhes desses pensamentos. Que esse grito, “vede que o noivo chega”, esteja sempre soando em nossos ouvidos; e vivamos como criaturas que estão a todo momento passíveis de ser apressadas até o julgamento pela morte. Lembremo-nos que essa vida é um estado de infinita importância, um ponto entre duas eternidades, e que depois de terminados esses poucos dias, não haverá mais sacrifício pelo pecado. Perguntemo-nos frequentemente: como desejaremos ter vivido quando deixarmos o mundo?

E então estaremos sempre em tal estado, de modo a nunca temermos morrer. Se vivermos, viveremos para o Senhor; ou se morrermos, morreremos para o Senhor; de modo que vivendo ou morrendo, possamos ser do Senhor.

A fim de que, pedimos a Deus, o protetor de todos os que nele colocam a fé, sem o qual nada é forte e nada é santo, aumente e multiplique sobre nós a Sua misericórdia, que sendo Ele nosso governante e guia, possamos então passar pelas coisas temporais, para que no fim, não percamos as coisas eternas; por Cristo Jesus, nosso Senhor.


 

FONTE

Traduzido de

http://web.archive.org/web/20070824063155/http://www.anglicanlibrary.org/whitefield/sermons/20.htm

Tradução: Gyordano Montenegro Brasilino

Revisão: Thiago McHert – FirelandMissions.com

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Eleição – João Calvino

CalvinoSermão pregado

pelo Reformador

João Calvino

Pastor em Genebra

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2 Timóteo 1:9-10 “Que nos salvou e nos chamou com santo chamado; não segundo as nossas obras, mas conforme seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos, e manifestada, agora, pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus, o qual não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho”

 

Mostramos esta manhã, de acordo com o texto de Paulo, que se quisermos conhecer a livre misericórdia de nosso Deus em nos salvar, temos de ir até o Seu conselho eterno, pelo qual Ele nos escolheu antes da fundação do mundo. Disso vemos que Ele não considerou nossas pessoas, nem a nossa dignidade, nem qualquer mérito que poderíamos possivelmente possuir. Antes de nascermos, fomos arrolados em Seu registro. Ele já havia nos adotado por Seus filhos. Portanto, vamos conceder tudo a Sua misericórdia, sabendo que não podemos nos orgulhar de nós mesmos, a não ser que venhamos furtar Dele a honra que lhe pertence.

Os homens têm se esforçado em inventar sofismas para obscurecer a graça de Deus. Porque eles dizem que, apesar de Deus escolher os homens antes do inicio do mundo, ainda assim foi de acordo com sua presciência que um seria diferente do outro. As Escrituras demonstram claramente que Deus não esperou ver se os homens eram dignos ou não, quando Ele os escolheu, mas os sofistas pensam que podem obscurecer a graça de Deus, dizendo que embora Ele não tenha considerado os méritos passados, Ele tinha um olho naqueles que estavam por vir. Pois dizem eles que embora Jacó e seu irmão Esaú não tivessem feito nem o bem nem o mal, e Deus tenha escolhido um e recusado a outro, ainda assim Ele previu – como todas as coisas são presentes para Ele – que Esaú seria um homem vicioso, e que Jacó seria como se mostrou posteriormente.

Mas essas são especulações tolas, porque elas simplesmente fazem de Paulo um mentiroso; os quais dizem que Deus não recompensa nossas obras quando Ele nos escolhe, porque Ele fez isso antes do inicio do mundo. Porém, embora a autoridade de Paulo fosse abolida, ainda assim a questão é muito clara e evidente, não só nas Sagradas Escrituras, mas também na razão, de modo que aqueles que fazem um escape desse tipo, se mostram homens vazios de toda a habilidade. Porque se buscarmos em nós mesmos à fundo, o que podemos encontrar de bom? Não foi toda a humanidade amaldiçoada? O que trazemos do ventre de nossa mãe, a não ser pecado?

Portanto, não diferimos nem um pouco uns dos outros, mas apraz a Deus tomar para Si aqueles que Ele quer. E por esse motivo, Paulo usa estas palavras em outro lugar, quando diz que os homens não têm do que se regozijar, pois nenhum homem se encontra melhor do que seus companheiros, a não ser porque Deus o distingue. Então, se confessarmos que Deus nos escolheu antes do inicio do mundo, segue-se necessariamente que Deus nos preparou para receber a Sua graça. Porque Ele concedeu sobre nós a bondade, que não estava em nós anteriormente. Porque Ele nos escolheu para sermos herdeiros do reino dos céus, mas também nos justifica e nos governa pelo Seu Espírito Santo. O cristão deve ser muito bem resolvido nesta doutrina, estando além de qualquer dúvida.

Há alguns homens nestes dias, que ficariam felizes se a verdade de Deus fosse destruída. Tais homens lutam contra o Espírito Santo, como bestas loucas, e se esforçam por suprimir as Sagradas Escrituras. Há mais honestidade nos papistas, do que nesses homens. Porque a doutrina dos papistas é muito melhor, mais santa, e concorda mais com as Escrituras Sagradas, do que a doutrina desses homens vis e perversos, os quais abatem a santa eleição de Deus; esses cães que latem para ela, e porcos que a dilaceram.

No entanto, sustentemos firmemente o que aqui nos é ensinado: Deus tendo nos escolhido antes do mundo ter seu inicio, devemos atribuir a causa da nossa salvação à Sua livre bondade. Devemos confessar que Ele não nos toma para sermos Seus filhos, por qualquer mérito de nós mesmos, pois não tínhamos nada para nos recomendar à seu favor. Portanto, devemos colocar a causa e a fonte da nossa salvação somente Nele e fundamentar a nós mesmos sobre isso, caso contrário, tudo que construirmos, virá a ser nada.

Devemos reparar aqui o que Paulo conecta, a saber, a graça de Jesus Cristo, com o conselho eterno de Deus Pai, e então ele nos traz nosso chamado, para que nós possamos ter a certeza da bondade de Deus e da Sua vontade, que teria permanecida oculta de nós, a menos que tivéssemos um testemunho disso. Paulo diz em primeiro lugar, que a graça que repousa sobre o propósito de Deus, e que é compreendida nele, é dada em nosso Senhor Jesus Cristo. Como se dissesse: “Vendo que nós merecemos ser rejeitados e odiados como inimigos mortais de Deus, era preciso que fossemos enxertados, por assim dizer, em Jesus Cristo, para que Deus pudesse nos conceder e nos reconhecer como sendo Seus filhos. Caso contrário, Deus não poderia olhar para nós, a não ser para nos odiar, porque não há nada senão miséria em nós; estamos cheios de pecado, e estufados, por assim dizer, com todos os tipos de iniquidade”.

Deus, que é a própria justiça, não pode consentir conosco, enquanto considera nossa natureza pecaminosa. Portanto, quando Ele quis nos adotar antes do inicio do mundo, foi requisitado que Jesus Cristo fosse colocado entre nós e Ele, para que fossemos escolhidos em Sua pessoa, pois Ele é o Filho mui amado: quando Deus nos uniu a Ele, fez como Lhe aprouve. Vamos aprender a ir diretamente a Jesus Cristo se nós quisermos não duvidar da eleição de Deus: porque Ele é o verdadeiro espelho onde devemos contemplar nossa adoção.

Se Jesus Cristo é tirado de nós, então Deus é um juiz de pecadores, de modo que não podemos esperar por qualquer bondade ou favor em Suas mãos, mas, ao invés, esperar a vingança, porque sem Jesus Cristo, Sua majestade será sempre terrível e temível para nós. Se ouvirmos menção ao seu propósito duradouro, não podemos deixar de ter medo, como se já estivesse armado para nos mergulhar na miséria. Mas quando sabemos que toda graça reside em Jesus Cristo, então podemos estar certos de que Deus nos amou, embora fossemos indignos.

Em segundo lugar, devemos notar que Paulo não fala simplesmente da eleição de Deus, porque isso não nos deixaria acima de qualquer dúvida, mas, ao invés, permaneceríamos na perplexidade e na angústia. Mas ele acrescenta o chamado, pelo qual Deus tornou aberto Seu conselho, que antes era desconhecido para nós, e o qual não podíamos alcançar. Como saberemos então que Deus nos escolheu, para que possamos nos alegrar Nele, e nos gloriar da bondade que Ele concedeu a nós? Aqueles que falam contra a eleição de Deus, deixam o evangelho sozinho. Eles levam tudo o que Deus estendeu a nós, para nos levar até Ele; Todos os meios que Ele designou para nós, e que soube que era adequado e apropriado para nosso uso. Não devemos ir por esse caminho, porque de acordo com a regra de Paulo, devemos conectar o chamado de Deus com a eleição eterna.

Diz-se que Ele nos chamou, e então temos essa segunda palavra “chamado”. Por isso, Deus nos chama: e como? Certamente, quando Lhe apraz nos certificar de nossa eleição, a qual não poderíamos alcançar de outra maneira. Porque, como diz o profeta Isaías e também o apóstolo Paulo, quem pode entrar no conselho de Deus? Mas quando apraz a Deus comunicar a Si mesmo a nós familiarmente, então recebemos o que sobrepuja o conhecimento de todos os homens, porque temos uma boa e fiel testemunha, que é o Espírito Santo, que nos eleva acima do mundo, e nos leva até aos maravilhosos segredos de Deus.

Não devemos falar precipitadamente da eleição de Deus, e dizer que somos predestinados, a não ser se completamente seguros da nossa salvação. Não devemos falar levianamente disso: se Deus nos tomou para sermos Seus filhos ou não. Como então? Olhando para o que está estabelecido no Evangelho. Ali Deus nos mostra que Ele é nosso Pai, e que Ele nos trará à herança da vida, tendo nos marcado com o selo do Espírito Santo em nossos corações, que é um testemunho indubitável da nossa salvação, se o recebemos por fé.

O evangelho é pregado a um grande número, que não obstante, são réprobos. Sim, e Deus tem revelado e demonstrado que Ele os amaldiçoou, porque eles não têm parte nem porção em Seu reino, pois eles resistem ao Evangelho, e rejeitaram a graça que lhes é oferecida. Mas, quando recebemos a doutrina de Deus, com obediência e fé, descansamos em Suas promessas e aceitamos a oferta que Ele nos faz, para nos tomar por Seus filhos, isso, eu digo, é a certeza da nossa eleição. Mas devemos salientar aqui, que quando temos conhecimento da nossa salvação, quando Deus nos chamou e nos iluminou na fé do Seu evangelho, isso não deve tornar nula a predestinação eterna que veio anteriormente.

Há um grande número nestes dias que dirão: “Quem Deus escolheu, a não ser os fiéis?” Eu concordo com isso, mas eles tiram uma maligna consequência disso e dizem que a fé é a causa, sim, a primeira causa de nossa salvação. Se eles a chamassem de causa intermediária, isso seria, certamente, verdadeiro, pois a Escritura diz: “Pela graça sois salvos mediante a fé” (Ef 2:8). Mas devemos ir mais alto, pois se eles atribuem a fé ao livre-arbítrio dos homens, eles blasfemam contra Deus perversamente, e cometem um sacrilégio. Devemos ir ao que a Escritura nos demonstra, a saber, que quando Deus nos dá a fé, devemos saber   que não somos capazes de receber o evangelho, a não ser que ele nos molde pelo Espírito Santo.

Não é suficiente para nós ouvirmos a voz do homem, a menos que Deus trabalhe dentro de nós, e fale em nós de uma forma secreta pelo Espírito Santo, e a partir daí vem a fé. Mas qual é a causa disso? Por que a fé é dada a um e não a outro? Lucas nos mostra, dizendo: “Creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna.” (Atos 13: 48). Havia um grande número de ouvintes, e ainda assim apenas alguns deles receberam a promessa da salvação. E quem eram esses? Aqueles que foram designados para a salvação. Paulo fala, mais uma vez, muito amplamente sobre esse assunto em sua epístola aos Efésios, de forma que não pode ser possivel que os inimigos da predestinação de Deus não vejam uma coisa tão clara e evidente, a não ser que o diabo tenha arrancado seus olhos e eles tenham se tornado vazios de toda razão.

Paulo diz que Deus nos chamou, e nos fez participantes de Seus tesouros e riquezas infinitas, que nos foram dadas por nosso Senhor Jesus Cristo, de acordo com Sua vontade de nos escolher antes da fundação do mundo. Quando dizemos que nós somos chamados à salvação, porque Deus nos deu a fé, não é por não existir uma causa maior e quem quer que não vá até à eleição eterna de Deus, toma um pouco do que é Dele, e reduz Sua honra. Isto é encontrado em quase toda parte nas Escrituras Sagradas.

Para que possamos fazer uma breve conclusão sobre este assunto, vamos ver de que maneira devemos nos manter. Quando perguntamos sobre a nossa salvação, não devemos começar por “somos escolhidos?” Não. Nunca podemos subir tão alto. Seríamos confundidos milhares de vezes, e teríamos nossos olhos ofuscados, antes de conseguirmos chegar ao conselho de Deus. O faremos então? Ouçamos o que é dito no evangelho. Quando Deus tem sido tão gracioso, ao nos fazer receber a promessa oferecida, sabemos que isso é como se Ele tivesse aberto todo Seu coração para nós, e registrado nossa eleição em nossas consciências!

Devemos estar certificados de que Deus nos tomou por Seus filhos, e que o reino dos céus é nosso; porque somos chamados em Jesus Cristo. Como podemos saber isso? Como nós mesmos devemos proceder em relação à doutrina que Deus colocou diante de nós? Devemos magnificar a graça de Deus, e saber que não podemos trazer nada para nos recomendar o Seu favor. Devemos nos tornar em nada aos nossos próprios olhos, porque nós não podemos reivindicar qualquer exaltação. Porém sabemos que Deus nos chamou para o evangelho, tendo nos escolhido antes da fundação do mundo. Esta eleição de Deus é, por assim dizer, uma carta fechada, naquilo que a consiste e em sua própria natureza, mas podemos lê-la, porque Deus dá um testemunho dela, quando Ele nos chama a Si mesmo por meio do evangelho e pela fé.

Pois assim como a original ou primeira cópia não tiram nada da carta ou do escrito que é lido, da mesma maneira devemos estar além de qualquer dúvida de nossa salvação. Quando Deus nos certifica pelo Evangelho que Ele nos toma por Seus filhos, este testemunho traz paz consigo, sendo assinado pelo sangue de nosso Senhor Jesus Cristo e selado pelo Espírito Santo. Quando temos este testemunho, não temos o suficiente para satisfazer nossas mentes? Portanto, a eleição de Deus está tão distante de ser contra isso, que antes confirma o testemunho que temos no evangelho. Não devemos duvidar, que Deus tem registrado os nossos nomes antes que o mundo fosse feito, entre Seus filhos escolhidos, mas o conhecimento do porquê disso Ele reservou para Si.

Devemos sempre ir a nosso Senhor Jesus Cristo, quando falarmos de nossa eleição, porque sem Ele – como já demonstrado – não podemos chegar a Deus. Quando falamos do seu decreto, também podemos ser surpreendidos como homens dignos de morte. Mas se Jesus Cristo for o nosso guia, podemos com alegria depender Dele, sabendo que Ele tem mérito suficiente em Si para fazer de todos nós membros amados de Deus Pai. Mérito que é suficiente por nós para que sejamos enxertados em Seu corpo, e feitos um com Ele. Assim devemos meditar sobre esta doutrina, se quisermos aproveitá-la corretamente, como é colocada por Paulo, quando diz que a graça da salvação nos foi dada antes que da fundação do mundo. Devemos ir além da ordem da natureza, se quisermos saber como somos salvos, porque causa, e de onde vem a nossa salvação.

Deus não quis nos deixar em dúvida, nem ocultar Seu conselho, de forma que não pudéssemos saber como a nossa salvação foi assegurada; mas nos chamou a Si pelo Seu evangelho, e tem selado o testemunho da Sua bondade e amor paternal em nossos corações. Assim, com tal certeza, vamos glorificar a Deus, que nos chamou de Sua livre misericórdia. Descansemos sobre nosso Senhor Jesus Cristo, sabendo que Ele não nos enganou quando Ele fez com que fosse pregado que Ele deu a Si mesmo por nós e testemunhou isso pelo Espírito Santo. Pois a fé é um sinal indubitável de que Deus nos toma por Seus filhos, e assim somos levados a eleição eterna, conforme a qual Ele nos escolheu anteriormente.

Ele não diz que Deus nos escolheu porque temos ouvido o evangelho, mas por outro lado, Ele atribui a fé que nos é dada como a mais alta causa, a saber, porque Deus tem preordenado que Ele iria nos salvar, vendo que estávamos perdidos e rejeitados em Adão. Há alguns tolos que, para cegar os olhos dos simples e outros tais como eles mesmos, dizem que a graça da salvação nos foi dada porque Deus determinou que seu filho redimisse a humanidade e, portanto, isso é comum a todos.

Mas Paulo fala aqui de outro tipo e os homens não podem por argumentos tão infantis desfigurar a doutrina do evangelho, pois é dito claramente que Deus nos salvou. Isso se refere a todos sem exceção? Não. Ele só fala dos fiéis. Novamente: Paulo inclui todo o mundo? Alguns foram chamados pela pregação, e ainda se fizeram indignos da salvação que lhes foi oferecida, e por isso foram reprovados. Outros foram deixados por Deus em sua incredulidade, os quais nunca ouviram a pregação do evangelho.

Portanto Paulo se dirige clara e precisamente àqueles a quem Deus tinha escolhido e reservado para Si. A bondade de Deus nunca será vista na sua verdadeira luz, nem será honrada como merece, a não ser que nós saibamos que Ele não queria que permanecêssemos na destruição geral da humanidade, onde Ele deixou aqueles que eram como nós. Não somos diferentes desses, porque nós não somos melhores do que eles. Mas assim Deus se agradou em fazer. Portanto, todas as bocas devem ser fechadas. Os homens não devem presumir de tomar nada por si mesmos, exceto exaltar a Deus, confessando-se devedores a Ele por toda a Sua salvação.

Devemos fazer agora algumas observações sobre as palavras utilizadas por Paulo neste lugar. É verdade que a Eleição de Deus nunca poderia ser aproveitável para nós, a não ser que saibamos por meio do evangelho, que por esse motivo Deus se agradou em revelar o que tinha mantido em segredo antes de todos os séculos. Mas, para declarar seu significado mais claramente, acrescenta que esta graça nos é revelada agora. E como? “Pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus”. Quando ele diz que esta graça nos é revelada pelo aparecimento de Jesus Cristo, mostra que devemos ser muito ingratos, se não pudermos nos satisfazer e descansar na graça do Filho de Deus. O que podemos esperar mais? Se pudéssemos subir além das nuvens, e buscar os segredos de Deus, qual seria o resultado disso? Não seria saber que somos Seus filhos e herdeiros?

Agora sabemos essas coisas, pois elas estão claramente definidas em Jesus Cristo. Porque é dito que todo aquele que Nele crê goza do privilégio de ser filho de Deus. Portanto, não devemos desviar dessas coisas nem um jota, se quisermos ter certeza de nossa eleição. Paulo já nos tem mostrado que Deus nunca nos amou, nem nos escolheu, a não ser na pessoa do Seu Filho amado. Quando Jesus Cristo apareceu, Ele revelou vida para nós, caso contrário, jamais teríamos sido participantes dela. Ele nos fez conhecer o conselho eterno de Deus. Mas é presunção para os homens tentar saber mais do que Deus quer que eles saibam. Se andamos sóbria e reverentemente em obediência a Deus, ouvindo e recebendo o que Ele diz nas Sagradas Escrituras, o caminho será feito claro diante de nós. Paulo diz que quando o Filho de Deus apareceu no mundo, Ele abriu nossos olhos, para que pudéssemos saber que Ele foi gracioso para conosco, antes que o mundo fosse feito. Fomos recebidos como Seus filhos, e considerados como justos, de forma que não precisamos duvidar que o reino dos céus esteja preparado para nós. Não que tenhamos isso por nossos méritos, pois ele pertence a Jesus Cristo, que nos faz participantes Consigo.

Quando Paulo fala do aparecimento de Jesus Cristo ele diz, “Ele trouxe à luz a vida e a imortalidade através do evangelho”. Não é somente dito que Jesus Cristo é nosso Salvador, mas que Ele é enviado para ser um mediador, para nos reconciliar pelo sacrifício da Sua morte. Ele é enviado a nós como um cordeiro sem defeito, para nos purificar e fazer satisfação por todas as nossas transgressões. Ele é a nossa garantia, para nos livrar da condenação e da morte. Ele é a nossa justiça. Ele é o nosso advogado, que intercede com Deus para que Ele ouça nossas orações.

Temos de conceder que todas essas qualidades pertencem a Jesus Cristo, se quisermos saber corretamente como Ele apareceu. Devemos olhar para a substância contida no evangelho. Devemos saber que Jesus Cristo apareceu como nosso Salvador, e que Ele sofreu para nossa salvação, e que fomos reconciliados com Deus Pai através Dele. Porque temos sido limpos de todas as nossas manchas, e libertos da morte eterna. Se não soubermos que Ele é nosso advogado, que nos ouve quando oramos a Deus a fim de que nossas orações possam ser respondidas, o que será de nós? Que confiança podemos ter de invocar o nome de Deus, que é a fonte da nossa salvação? Mas diz Paulo que Jesus Cristo cumpriu todas as coisas que eram necessárias para a redenção da humanidade.

Se o evangelho fosse lançado fora, de que vantagem seria para nós que o Filho de Deus tenha sofrido a morte e ressuscitado ao terceiro dia para nossa justificação? Nada disso nos beneficiaria. Sendo assim, o Evangelho nos coloca na posse dos benefícios que Jesus Cristo comprou para nós. E, portanto, apesar Dele estar ausente de nós no corpo, e não se relacionar conosco aqui na terra, não é que Ele tenha se afastado, como se não pudéssemos encontrá-Lo, pois o Sol que brilha não ilumina mais o mundo do que Jesus Cristo mostra-se abertamente para aqueles que têm os olhos da fé sobre ele, quando o evangelho é pregado. Por isso diz Paulo que Jesus Cristo trouxe a vida à luz, sim, a vida eterna.

Ele diz: “O Filho de Deus destruiu a morte.” E como Ele a destruiu? Se Ele não tivesse oferecido um sacrifício eterno para apaziguar a ira de Deus, se não tivesse entrado até o abismo para dali nos tirar, se não tivesse tomado a nossa maldição sobre Si, se não tivesse tirado o fardo com o qual éramos esmagados, como estaríamos? Será que a morte teria sido destruída? Não. O pecado reinaria sobre nós, e a morte da mesma forma. E, de fato, se nós examinássemos a nós mesmos, veríamos que somos escravos de Satanás, que é o príncipe da morte. Assim estaríamos presos nesta escravidão miserável, se Deus não destruísse o diabo, o pecado e a morte. E isso é feito: mas como? Ele tirou nossos pecados pelo sangue de nosso Senhor Jesus Cristo.

Portanto, embora sejamos pobres pecadores, e em perigo do juízo de Deus, ainda assim o pecado não pode nos ferir. A picada venenosa é tão cegada que não pode nos ferir, porque Jesus Cristo ganhou a vitória sobre ela. Ele não sofreu o derramamento do Seu sangue em vão, mas foi uma purificação onde fomos lavados por meio do Espírito Santo, tal como é demonstrado por Pedro. E assim vemos claramente que, quando Paulo fala do Evangelho, onde Jesus Cristo apareceu, e aparece diariamente para nós, ele não esquece Sua paixão e morte, nem as coisas que dizem respeito à salvação da humanidade.

Podemos ter a certeza de que na pessoa do nosso Senhor Jesus Cristo temos tudo o que possamos desejar: temos confiança total e perfeita na bondade de Deus, e no amor do qual Ele nos dá testemunho. Mas vemos que nossos pecados nos separam de Deus, e causam uma guerra em nossos membros e ainda assim temos uma expiação por nosso Senhor Jesus Cristo. E por quê? Porque Ele derramou Seu sangue para lavar os nossos pecados. Ele ofereceu um sacrifício pelo qual Deus se reconciliou conosco. Em resumo, Ele tirou a maldição, para que possamos ser abençoados por Deus. Além disso, Ele conquistou a morte e triunfou sobre ela, para que pudesse nos livrar da sua tirania, que de outra forma nos esmagaria completamente.

Assim, vemos que todas as coisas que pertencem a nossa salvação são realizadas em nosso Senhor Jesus Cristo. E para que possamos entrar em plena posse de todos esses benefícios sabemos que Ele aparece para nós diariamente por Seu evangelho. Embora habite em Sua glória celeste, se abrirmos os olhos da nossa fé, nós o contemplaremos. Devemos aprender a não separar o que o Espírito Santo tem unido. Vamos observar o que Paulo queria dizer, por uma comparação, que amplifica a graça que Deus mostrou ao mundo após a vinda de nosso Senhor Jesus, como se dissesse “os antigos pais não tiveram essa vantagem: ter Jesus Cristo aparecendo para eles, como apareceu para nós”.

É verdade que eles tinham a mesma fé, que a herança dos Céus é deles bem como nossa, que Deus revelou Sua graça para eles assim como para nós, mas não na mesma medida, pois viam Jesus Cristo ao longe, sobre as figuras da Lei, como Paulo diz aos Coríntios. O véu do templo ainda se estendia e os judeus não podiam chegar perto do santuário, isto é, o santuário material. Agora, porém, o véu do templo tendo sido removido, nos aproximamos da majestade do nosso Deus. Chegamos-nos mais familiarmente a Ele, em quem habita toda a perfeição e glória. Em suma: temos o corpo, enquanto eles tinham apenas a sombra (Colossenses 2:17).

Os antigos pais se submeteram totalmente a suportar a aflição de Jesus Cristo, como é dito no capítulo 11 de Hebreus. Porque não é dito que Moisés suportou a vergonha de Abraão, mas de Jesus Cristo. Assim, os antigos pais, apesar de viverem sob a Lei, ofereciam eles mesmos a Deus em sacrifícios, para suportar mais pacientemente as aflições de Cristo. E agora, Jesus Cristo tendo ressuscitado dos mortos, trouxe à luz a vida. Se somos tão delicados que não podemos suportar as aflições do evangelho, não somos dignos de sermos apagados do livro de Deus, e sermos rejeitados? Portanto, devemos ser constantes na fé, e prontos para sofrer, o que quer que Deus queira, pelo nome de Jesus Cristo, porque a vida é colocada diante de nós, e nós temos um conhecimento mais familiar do que os antigos pais jamais tiveram.

Sabemos o quanto os antigos pais eram atormentados pelos tiranos e inimigos da verdade, e como eles sofreram constantemente. A condição da igreja não é mais grave nestes dias do que foi outrora. Porque agora Jesus Cristo trouxe a vida e a imortalidade à luz através do Evangelho. Todas as vezes que a graça de Deus é pregada a nós, é como se o reino dos céus se abrisse para nós, como se Deus estendesse Sua mão, e nos certificasse que a vida está próxima, e que Ele nos faz participantes da sua herança celestial. Mas quando olhamos para essa vida, que foi comprada para nós pelo nosso Senhor Jesus Cristo, não devemos hesitar em abandonar tudo o que temos neste mundo, para ir ao tesouro acima, que está nos céus.

Portanto, não sejamos voluntariamente cegos, vendo que Jesus Cristo coloca diariamente diante de nós a vida e a imortalidade, das quais falamos aqui. Quando Paulo fala da vida, e acrescenta a imortalidade, é como se dissesse “Já entramos no reino do céu pela fé. Embora sejamos como estranhos aqui em baixo, a vida e a graça da qual fomos feitos participantes por meio de nosso Senhor Jesus Cristo trarão seus frutos no tempo conveniente, a saber, quando Ele for enviado por Deus Pai para nos mostrar o efeito das coisas que são diariamente pregadas, as quais foram cumpridas em Sua pessoa quando Ele estava vestido com a humanidade.”

__________________________________

 

ORE PARA QUE O ESPIRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA EDIFICAÇÃO DE MUITOS E SALVAÇÃO DE PECADORES.

 

Fonte

http://www.reformedsermonarchives.com/cal8.htm

Tradutor: Emerson Campos Pinheiro

Expiação Universal na Perspectiva Reformada

Acesse http://mortoporamor.blogspot.com/

Revisão: Armando Marcos Pinto

Capa: Victor Silva

 

A Necessidade do Novo Nascimento – Martinho Lutero

A Necessidade do Novo NascimentoSermão pregado pelo Reformador

Martinho Lutero

Para o Domingo da Santíssima Trindade de 11 de junho de 1536

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Havia um homem dos fariseus que se chamava Nicodemos, um principal entre os judeus. Este veio a Jesus de noite e lhe disse: “Rabi, sabemos que és mestre vindo de Deus, porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes se Deus não estiver com ele. Respondeu-lhe Jesus: “Em verdade, em verdade te digo se o homem não nascer de novo, não poderá ver o reino de Deus”. Nicodemos lhe disse: “Como pode um homem nascer de novo sendo velho? Pode por acaso entrar uma segunda vez no ventre de sua mãe e nascer?”Respondeu-lhe Jesus: “Em verdade, em verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não poderá entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; o que é nascido do Espírito é Espírito. Não te maravilhes do que eu te disse: é necessário nascer de novo. O vento sopra onde quer e se ouve o seu som; mas ninguém sabe de onde vem e nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito”. Perguntou-lhe Nicodemos: “ Como pode acontecer isso?” Respondeu-lhe Jesus: “Tu és mestre de Israel  e não sabe disso? Em verdade, em verdade te digo que aquilo sabemos falamos, e aquilo que temos visto testificamos, mas vós não recebeis o nosso testemunho. Se eu vos tenho dito coisas terrenas e não acreditastes, como acreditareis se eu vos falar das celestiais? Ninguém subiu ao céu, senão aquele que de lá desceu, o Filho do Homem, que está no céu. E assim como Moisés levantou a serpente do deserto, é necessário que o filho do homem seja levantado para que todo aquele que Nele crer, não se perda, mas tenha vida eterna. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito para que todo aquele que Nele crer não se perda, mas tenha vida eterna”.

 

João 3:1-16

COMO ALCANÇAR A SALVAÇÃO, a pergunta principal da humanidade

Hoje ainda não lhes foi explicado o Evangelho. Escreve o evangelista São João que certo fariseu de nome Nicodemos veio ao Senhor de noite e teve com ele uma conversa, e Cristo, de sua parte, lhe pregou um sermão para aquele homem piedoso que realmente ele não sabia que fazer com ele: quanto mais o ouvia, menos o entendia.

Sobre essa historia se prega todo ano. Mas como hoje o momento novamente é propício, falaremos mais uma vez sobre ela. Desde que o mundo existe, os sábios que existem nele se perguntam: “De que modo se pode alcançar a justiça e a bem-aventurança?” Essa questão se discute desde quando há homens na terra, e continuará sendo discutida até que o mundo chegue a seu fim. Ainda nos nossos dias atuais pode-se ver com quanto ardor debatemos esse assunto. Todos crêem estar em condições de emitir um juízo, porém, com seu juízo, revelam sua ignorância. Esta mesma questão, como nos informa o Evangelho para o dia de hoje, Cristo a tratou com um homem que, falando nos términos da lei judaica, era uma pessoa corretíssima e muito instruída.

Aquele homem quer discutir sobre aquilo que devemos fazer e como devemos viver para sermos salvos, e espera que Cristo lhe dê uma resposta. “Porque tu” ele diz, “és mestre vindo de Deus, pois os sinais que tu fazes vão além da capacidade de qualquer ser humano. Nós os fariseus ensinamos, no campo do espiritual, a lei de Moisés. Opinas tu que há algo melhor que possa nos recomendar?” Surge assim na discussão entre ambos a pergunta sobre as obras, ou seja, a vida perfeita – a pergunta que inquieta aos homens de todas as gerações.

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Confiram o Livro Impresso “As 8 Coisas que Cristo Realizará”, de D.L.Moody com FRETE GRÁTIS

8_coisas-500x500Confiram o lançamento do livro impresso do sermão “As 8 Coisas que Cristo Realizará“, de D.L.Moody, tradução de Projeto Castelo Forte

PREÇO: R$ 13,90 + FRETE GRÁTIS COM O CUPOM PROMOCIONAL “FRETEZERO” INSERIDO NA HORA DO CALCULO

CONFIRA AQUI

Nesse sermão especialmente selecionado pelo Projeto e impresso pela editora Estação da Fé, Moody enfatiza várias coisas que Cristo realizará por seu Povo e os pecadores: Ele salvará, Ele purificará, Ele dará consolo, entre outros fatos. Não perca esse sermão clássico do século 19 nos dias de hoje

 

Desculpas Vãs – sermão Bispo Josep Rossello

 Desculpas Vãs - RosselloSermão pregado no Domingo, 09 de Junho de 2013

por Josep Rossello

Bispo Diocesano da Igreja Anglicana Reformada do Brasil,

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No 3º Domingo depois da Trindade.

 

E, voltando aquele servo, anunciou estas coisas ao seu senhor. Então o pai de família, indignado, disse ao seu servo: Sai depressa pelas ruas e bairros da cidade, e traze aqui os pobres, e aleijados, e mancos e cegos. E disse o servo: Senhor, feito está como mandaste; e ainda há lugar. Lucas 14:21-22

 

Acredito que todos nós gostamos de um churrasco. Quem não gosta dessa carne gordurosa e suculenta? Ou da linguiça apimentada, ou aquele pão com alho bem gostoso. De fato, quem não gosta de uma boa festa?

Jesus gostava de uma boa festa. Sem Ele, as bodas de Caná não teriam sido de tal grande sucesso que todo o mundo hoje já ouviu falar dela. Também, dedicou uma grande parte de suas parábolas para falar sobre festas e jantares. Possivelmente, Jesus gosta de uma boa festa, como todos os demais. Nesse sermão, iremos tratar de como aprender com essas festas em que Jesus tanto aproveita como usa delas para o ensino de sua igreja

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As Oito Coisas que Cristo Realizará (Sermão inédito de D.L.Moody)

As oito coisasUm sermão pregado no século 19

Por D.L.Moody

Na Inglaterra

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Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. Mateus 11:28-30

Desejo chamar vossa atenção para as oito coisas que Cristo realizará.

A primeira coisa é achada em Mateus 11: 28-30. Nunca vi uma pessoa que não quisesse descansar. Não existe homem ou mulher na face da terra que não precise de descanso. Lemos do rico que derrubou seus celeiros e edificou maiores e que disse à sua alma: “Alma, descanse, tens muito armazenado”. Os comerciantes se esforçam dia e noite para amontoarem dinheiro, a fim de serem capazes de descansar. Os homens deixam suas famílias e amigos e dão a volta ao mundo para ganhar dinheiro, com a esperança de descansar. Os marinheiros enfrentam as ondas e ficam longe de casa durante meses para conseguir dinheiro a fim de que ele os leve ao descanso. De fato, se o descanso estivesse no mercado para ser comprado, haveria centenas de pessoas em Londres que o comprariam, até mesmo por preços muito altos, mas ainda que o dinheiro não o possa comprar, ao crer na palavra de Deus podemos obtê-lo sem dinheiro e sem preço.

Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” Agora, quando dizemos que faremos algo, nem sempre o fazemos. Talvez não temos a intenção de cumprir com nossa palavra quando dizemos que faremos alguma coisa, ou, se pensamos em fazê-la, às vezes falhamos por carecer de recursos ou da capacidade de cumprir a promessa. Mas lembre-se: Deus nunca quebra uma promessa. Nunca se equivoca, nunca falha em cumprir Sua palavra. E as palavras que leio são dignas de toda confiança, porque não são palavras do homem, mas sim do Filho de Deus: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei

Isso nos diz onde há um único lugar onde podemos achar descanso. Não existe outro lugar que um homem possa ter a possibilidade de achar descanso para sua alma. Lembre-se de que não é através de algum credo, não é através de alguma igreja ou através de alguma doutrina determinada, mas sim através de Cristo. “Vinde a mim”. É andando com Cristo pessoalmente, que então conseguimos a paz e o descanso da alma.

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O Evangelismo Trinitariano – Walter McAlister

01

O que é evangelismo? Todo cristão tem uma ideia sobre o que seja o ato de evangelizar e sabe que essa é uma ação que devemos praticar. Agora, vamos refletir sobre a que de fato estamos nos referindo quando falamos sobre isso. Evangelizar é o ato de trazer alguém para a Igreja? É a afirmação pública de que somos cristãos? É a entrega de um panfleto na praia? O que é, afinal?

É fundamental que saibamos que evangelismo é essencialmente a explicação clara das boas-novas de Cristo: sua origem, sua obra e a esperança que podemos ter ao seguir Jesus nesta vida, com vistas à vida após a morte. Evangelismo não se resume a afirmar promessas de bem-estar, alegria temporal ou um sentimento de alívio pelo perdão dos pecados. Certamente, o perdão faz parte da mensagem. Mas não é o livramento do sentimento de culpa que a obra de Cristo nos proporciona. É muito mais do que isso. Tampouco evangelismo é um convite de adesão denominacional ou de incorporação a um movimento alavancado por alegria.

De onde vem a necessidade do evangelismo? Por que devemos admitir o proselitismo numa época tão antenada e movida pelo pluralismo moderno e o desconstrutivismo pós-moderno? Que absolutos podem nos mover a violar o espaço uns dos outros com uma mensagem que claramente fere a cartilha cívica e social dos nossos tempos? Afinal, dizem, todos os caminhos levariam a Deus. “Tudo é relativo”, segundo… bem, “todo mundo”.

Não, nem tudo é relativo.

Tudo o que existe — os céus, a terra, a humanidade — tem sua origem em Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. Começamos pela afirmação da triunidade de Deus, porque é nessa identidade trina que achamos a essência das boas-novas. Ao contrário do que muitos disseram no passado, Deus não criou o homem porque estava solitário. Ele não criou o universo porque teve de fazê-lo. Deus é completo em si. Sua existência é absolutamente e infinitamente plena. Não há sombra em Deus. Não há lacunas em Deus. Não há um espaço que exista fora de Deus. Pois, se Ele é infinito e eterno, não há um lugar onde ele não esteja, nem tampouco um tempo no qual ele não habite. Fora do tempo, o próprio tempo é criação dele, segundo Agostinho explicou em Cidade de Deus. A esfera temporal faz parte de dimensões que nos definem. Mas não definem Deus. É impossível fazê-lo. Todavia, não quero me perder em devaneios especulativos. Vamos nos limitar ao que temos por revelação clara, nas Escrituras. Pois Deus foi condescendente ao fazer com que pudéssemos conhecê-lo, mesmo que em parte (1 Co 13.12).

Se Deus não teve de nos criar, a pergunta que exige ser feita é “então por que criou?” Por que Deus pronunciou o fiat, “Haja luz”? A resposta não pode ser achada num versículo-chave. É por meio do pleno conselho de Deus, ou seja, pelo testemunho pleno da Bíblia toda, que vemos que o Senhor agiu pela graça. Foi a graça de Deus, a sua prerrogativa divina, que o levou a criar céus e terra. Foi a sua decisão, antes do início do início, formar o homem a sua imagem e semelhança. Foi o seu ato trino, fruto da sua natureza única e, ao mesmo tempo, existente em três pessoas. Pois foi o próprio Cristo quem falou, na sua oração sacerdotal de João 17: “Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (v.3).

Deus mandou seu Filho. Mas o Filho “veio”, ele “se fez” carne (Jo 1.11). O Pai deu seu Filho para morrer em nosso lugar. Mas o Filho disse “eu dou a minha vida” (Jo 10.17).  O Espírito, igualmente, participa de tudo o que Pai e Filho fizeram. Assim como Deus criou o mundo, tudo foi feito por meio do Filho. Mas o Espírito pairava sobre as profundezas. Ninguém vem ao Pai senão por intermédio do Filho (Jo 14.6). Mas, quando o Filho ora, afirma que ele cuidou dos que lhe foram dados pelo Pai. Ao mesmo tempo, quem convence o pecador é o Espírito, que fala tudo o que recebe do Filho (Jo 16.8-13).

Um dos textos que revelam a Trindade em ação é o batismo de Jesus no rio Jordão (Mt 3.13-17). Para Agostinho, esse texto apresenta um problema. Pois sugere que haja três deuses. Todavia, ele resolve o impasse com uma explicação perfeita. Embora haja três modos de agir, há um só ato sendo praticado. Em outras palavras, enquanto o Filho desceu às águas, o Pai o reconhece e o Espírito desce sobre Ele. Não há como separar os três. Literalmente, em cada ação de um dos membros da Santíssima Trindade, os outros dois se fazem presentes e agem, de forma diferente, mas numa unidade de propósito.

Há quem ache que evangelismo tem de enfatizar o Pai somente. Fala-se muito de um Deus, em termos tão genéricos que recorremos à poesia para tentar explicar quem ele é, o que faria ou não. Para outros, a mensagem é o Filho somente. Afinal, “foi ele quem nos livrou da ira do Pai inacessível”, segundo eles. Já os pentecostais querem enfatizar o Espírito. Seu evangelismo é uma chamada para milagres, sinais e prodígios.

Mas para que pessoas venham a entender o que é a vida eterna, a vida espiritual e a esperança que a mensagem cristã nos proporciona, temos de abraçar a mensagem evangelística trina: o Pai criou (Gn 1.1), por meio do Filho criou (Hb 1.2), no poder do Espírito criou (Gn 1.2) — um só Deus criou. O Pai amou (Jo 3.16), por amor o Filho veio (Mt 23.37 e Jo 1.10,11) e esse amor é derramado nos nossos corações pelo Espírito (Rm 5.5). O Pai ofereceu o seu Filho como propiciação dos nossos pecados (1 Jo 410). Mas o Filho também se ofereceu como propiciação pelos nossos pecados (Hb 2.17). O Filho disse “destrua este templo e eu mesmo irei reerguê-lo em três dias” (Jo 2.19). Mas o que o Filho fez, fez no poder do Espírito Santo (Rm 8.11). O Pai nos chama, o Filho nos chama, o Espírito nos convence. Oramos para o Pai, em o nome do Filho, no poder do Espírito.

Fomos chamados para participar de uma comunhão sagrada. Essa comunhão compreende a nossa justificação pelo sangue. Mas redunda numa vida de santificação no Espírito, pela lavagem da Palavra (Jo 16.13; 17.17). Isso porque o nosso Pai no céu é santo (1 Pe 1.16).

Voltando à pergunta inicial: o que é evangelismo? Por que evangelizamos? Por causa da graça de Deus que opera em nós. Precisamos de mais membros? Não. Precisamos de um clube cristão maior? Não. Mas há muitos que ainda não o conhecem. De graça recebemos. De graça devemos dar também (1 Pe 5.5; Mt 10.8). Fomos amados pela graça, devemos amar de graça, também (1 Jo 4.10). Pois todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus (1 Jo 4.7,8). Ele nos instruiu a ir e falar Dele (Mc 16.15-18). Mas precisamos nos envolver com Ele: Pai, Filho e Espírito Santo. Por isso Jesus disse: “Vocês são testemunhas destas coisas. Eu lhe envio a promessa de meu Pai; mas fiquem na cidade até serem revestidos do poder do alto” (Lc 24.48-49). Sim, até para falar Dele precisamos Dele mesmo (Jo 15.1-5). Assim como a nossa mensagem é trinitariana, nossa missão também é. E, assim como a nossa missão é, o nosso método tem de ser. Não será na força da razão ou na excelência da nossa apologia que o Evangelho alcançará quem precisa ser salvo. Será no poder do Espírito, que revela o Filho e traz glória ao Pai.

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Walter McAlister é bispo primaz da Aliança das Igrejas Cristãs Nova Vida; http://www.icnv.com.br/icnv/pt/Default.aspx