Personagens da Reforma – dia 12 “Martin Bucer : O unificador Protestante”

Este artigo pertence a uma série intitulada Projeto Reforma, uma compilação de escritos sobre a celebração do Dia da Reforma Protestante publicados pelo site “Soldados de Jesuscristo” em espanhol . Tradução ao português via Projeto Castelo Forte. CONFIRA os outros dias AQUI

Por Marshall Segal

Martín Bucer poderia muito bem ser o reformador mais importante que você já ouviu. Ele agiu à sombra dos outros gigantes alemães, Lutero e Melanchthon; no entanto, ele manteve o comando do que se tornaria, pelo menos por algum tempo, a capital do mundo protestante.

Bucer nasceu perto de Estrasburgo em 11 de novembro de 1491. Aos quinze anos, ingressou no claustro dominicano, um grupo monástico de pregadores católicos romanos. Frades como Bucer fizeram votos de pobreza, castidade e obediência; entretanto, ao contrário dos monges, eles o faziam entre o povo, servindo à comunidade, não isoladamente.

O frade mais popular da Alemanha

Martin Bucer ouviu falar de Martinho Lutero pela primeira vez em abril de 1518 (Bucer tinha 26 anos; Lutero, 34). Lutero o cativou, principalmente por sua convicção de que somos justificados somente pela fé, sem nenhuma contribuição ou mérito próprio. Três anos depois, ele não apenas deixou a ordem dominicana para pregar o evangelho, mas também abandonou seus votos monásticos e decidiu se casar, tornando-se repentinamente, talvez, o frade mais popular (e radical) da Alemanha. Ele se casou com uma freira (nada menos) chamada Elizabeth.

Embora tenha sido Lutero quem apresentou Bucer à Reforma, ele não concordou com seu pai espiritual em alguns aspectos; em parte porque Bucer já havia sido profundamente influenciado por Erasmo de Rotterdam, a quem ele apreciava e admirava, apesar de suas diferenças teológicas. A tendência de Bucer por ser mais inclusivo e ecumênico providencialmente o posicionou para desempenhar um papel importante no movimento.

Reforma com moderação

Estrasburgo se tornou o centro do protestantismo em grande parte porque Bucer e outros líderes permaneceram abertos às questões mais controversas e divisivas. Por exemplo, em 1529, Bucer patrocinou um encontro histórico – embora hostil – entre Lutero e Zwínglio sobre a Ceia do Senhor, o chamado “Colóquio de Marburg”. Sendo ele próprio um simpatizante de ambas as posições, ele uniu os dois lados na esperança de chegar a algum tipo de acordo que pudesse catalisar uma união entre as duas principais correntes da Reforma.

Embora a reunião não tenha chegado a um acordo sobre a Ceia do Senhor, ilustra o papel que o ex-frade desempenhou entre Lutero e Zwínglio, entre protestantes importantes e os anabatistas mais radicais, até mesmo entre os reformadores e católicos romanos. Em vez de formar e liderar um movimento próprio distinto – os Buceranos, poderíamos chamá-los – ele aspirava unir os movimentos existentes em um vasto caldeirão cristão, sob os claros ensinamentos das Escrituras. Bucer percebeu e apreciou o grande poder da solidariedade.

Os primeiros pequenos grupos

Como os estranhos resultados do trabalho de Lutero e Erasmo, a Reforma de Bucer assumiu um elenco distinto e eclético. Inicialmente, ele simultaneamente enfatizou que a justificação é somente pela fé, e ao mesmo tempo pregou a disciplina capacitada pelo Espírito e boas obras na vida cristã. Tudo bem até ai. No entanto, anos depois, ele falou de uma espécie de “dupla justificação” que era no mínimo confusa, senão que apagava a distinção da “fé apenas”.

De uma forma ou de outra, Bucer estava preocupado com a conduta cristã. Como resultado, ele buscou persistentemente meios para que a disciplina eclesiástica fosse praticada. Primeiro, ele apelou aos magistrados de Estrasburgo, pedindo que ela fosse aplicada com mais rigor. Quando o governo se recusou, ele formou grupos voluntários de crentes dentro das igrejas locais com o propósito de praticar regularmente a mútua responsabilidade, bem como a disciplina da igreja. Assim, Bucer pode muito bem ter sido o pai (relutante) dos chamados “pequenos grupos” modernos.

Após seu exílio, João Calvino testemunhou o tipo de disciplina eclesiástica que era praticada em Estrasburgo e, quando retornou a Genebra, agiu sob os mesmos princípios. Calvino passou alguns de seus anos mais felizes aprendendo com Bucer em Estrasburgo, quando pastoreava uma congregação de refugiados franceses.

Cola alemã

A primeira esposa de Bucer morreu de peste em 1542, após vinte anos de casamento. Em seu leito de morte, ela encorajou Martín a se casar com Wibrandis Rosenblatt. Wibrandis, que mais tarde foi apelidada de “a noiva da Reforma“, já havia se casado e enterrado três líderes da Reforma: Ludwing Keller, Johannes Oecolampadius e Wolfgang Capito (também de Estrasburgo). Apenas sete anos depois, ele enterraria o quarto.

O ex-frade abriu o caminho para o casamento para monges convertidos; também abriu a porta para o divórcio, embora apenas como “um último recurso e em casos extremos, semelhante à pena de morte para o adultério” (Reforma, 660). Suas exceções tornaram-se uma ponta afiada que abriu liberdades semelhantes na Europa protestante.

Em 1549, quando o os lideres de Augsburg forçaram os protestantes em Estrasburgo a readotarem as crenças e práticas católicas, Bucer aceitou o convite de Thomas Cranmer para se refugiar por um tempo em Cambridge, Inglaterra, como Professor Real de Divindade. Ele morreu apenas dois anos depois, em 1551, antes de poder retornar a Estrasburgo.

Muitos negligenciaram o menos conhecido Martin, provavelmente porque ele não teve um momento de brilho como Lutero ou Zwínglio, nem teve a precisão característica de Melanchthon e Calvino; preferindo, em vez disso, criar uma ponte e facilitar a unidade entre os reformadores. E é exatamente assim que devemos lembrar – como a “cola” unificadora alemã da Reforma Protestante.

FONTE: https://somossoldados.org/martin-bucer-1491-1551-el-crisol-protestante/

 

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