Um Sermão para o Dia de Natal (C.H.Spurgeon)

Capa Um sermão para o dia de Nataln° 109

Sermão pregado na manhã do Domingo, 21 de Dezembro de 1856.

por Charles Haddon Spurgeon

No Music Hall, Royal Surrey Gardens, Londres.

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“Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti.” Marcos 5: 19

O caso do homem de quem se fala aqui é verdadeiramente extraordinário: ocupa um lugar entre os feitos memoráveis da vida de Cristo, talvez tão proeminente como qualquer outra coisa que tenha sido registrada por quaisquer dos evangelistas. Este pobre desventurado, possuído por uma legião de espíritos imundos, tinha sido levado a uma condição pior que a loucura. Tinha sua morada nos sepulcros, onde permanecia dia e noite, sendo o terror de todos os que ali passavam. As autoridades tentavam freá-lo, tinham colocado grilhões e correntes, mas nos paroxismos de sua loucura ele havia destroçado as correntes e esmiuçado os grilhões. Haviam tentado reabilitá-lo, mas ninguém podia dominá-lo. Era pior que as bestas selvagens, pois elas podiam ser domadas; mas sua natureza feroz não se submetia. Era uma calamidade para consigo mesmo, pois corria sobre os montes dia e noite, falando e gritando pavorosamente, ferindo-se com pedras afiadas e torturando seu pobre corpo da maneira mais terrível.

Jesus Cristo passou por ali. Ele disse à legião: “Sai deste homem.” O homem foi curado no mesmo instante. Ajoelhou-se aos pés de Jesus. Voltou a ser um ser racional, um homem inteligente, sim, e ainda mais, um homem convertido ao Senhor. Por gratidão a seu libertador, lhe disse: “Senhor, eu te seguirei por onde quer que vá; serei teu constante companheiro e teu servo; permite que eu o seja.” “Não,” respondeu Cristo, “aprecio teu motivo: é uma atitude de gratidão para comigo. Mas se queres mostrar tua gratidão, ‘vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti’.

Agora, isto nos ensina uma importante lição, ou seja, que a verdadeira religião não rompe os laços da relação familiar. A verdadeira religião raramente invade essa sagrada e, quase diria, divina instituição chamada lar; não separa os homens de suas famílias, alienando-os de sua carne e seu sangue. A superstição fez isso. Uma terrível superstição, que se chama a si mesma de cristianismo, separou os homens de seus semelhantes. Mas a verdadeira religião nunca pediu isso. Se me fosse possível fazê-lo, buscaria o ermitão em sua solitária caverna, iria até ele e lhe diria: “amigo, se és o que professas ser, um verdadeiro servo do Deus vivo, e não um hipócrita como adivinho que és; se és um verdadeiro crente em Cristo e queres mostrar o que Ele fez por ti, derrama esse cântaro, come o último pedaço do teu pão, abandona esta funesta caverna, lava teu rosto, desata teu cinto de fio de cânhamo; e se queres mostrar tua gratidão, vá para tua casa, com os teus, e conta-lhes quão grandes coisas o Senhor fez por ti. Por acaso podes tu edificar as folhas secas do bosque? Podem as bestas adorar a esse Deus ao qual tua gratidão deve esforçar-se para honrar? Por acaso esperas converter estas rochas, e convencer os ecos a cantarem? Não, volta; mora com teus amigos recupera tua relação com os homens e una-te outra vez a teus companheiros, pois esta é a maneira aprovada por Cristo de mostrar gratidão.”

E eu iria a cada monastério e a cada convento de monges e lhes diria: “saiam, irmãos, saiam! Se são o que dizem ser, servos de Deus, vão para suas casas, para os seus. Esqueçam-se desta absurda disciplina; não é o mandamento de Cristo; estão fazendo as coisas de maneira diferente do que Ele quer; vão para casa, para os seus!” E às irmãs da misericórdia lhes diríamos: “sejam irmãs de misericórdia para suas próprias irmãs; vão para casa, para os seus; cuidem de seus velhos pais; convertam suas próprias casas em conventos; não fiquem aqui alimentando seu orgulho e desobedecendo ao mandato de Cristo, que diz: “vão para casa, para os seus.”’ “Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti.” O amor a uma vida solitária e ascética, que é considerada por alguns como una virtude divina, não é nem mais nem menos que uma doença da mente. Na época em que quase não havia caridade, e, por conseguinte poucas mãos que construíssem asilos de loucos, a superstição compensava essa falta de asilos permitindo a homens e mulheres insensatos que se entregassem a seus caprichos em solitárias guaridas ou em descuidada preguiça. Young disse com toda a verdade: “Os primeiros sintomas seguros de uma mente saudável são o descanso do coração e o prazer encontrado em casa.

Evitem meus amigos, sobre todas as coisas, esses conceitos românticos e absurdos da virtude, que são da descendência da superstição e os inimigos da justiça. Mantenham sempre o afeto natural, e amem aqueles que estão ligados a vocês por vínculos naturais.

A verdadeira religião não pode ser inconsistente com a natureza. Não pode requerer nunca que me abstenha de chorar quando morre meu amigo. “Jesus chorou.” Não pode negar-me o privilégio de um sorriso, quando a Providência me olha de maneira favorável, pois uma vez: “Naquela mesma hora Jesus se alegrou no Espírito, e disse: Eu te louvo, ó Pai.” Não compete ao homem dizer ao seu pai e à sua mãe, “já não sou mais seu filho.” Isso não é o cristianismo, é algo pior do que fariam as bestas, que nos levaria a um rompimento completo com nossos semelhantes, que nos levaria a caminhar no meio deles como se não tivéssemos nenhum parentesco com eles. A todos os que opinam que uma vida solitária deve ser uma vida de piedade, eu lhes diria: “é o maior engano.” A todos os que pensam que os que rompem os vínculos de relacionamento devem ser boas pessoas, nós dizemos: “os que mantêm esses vínculos são os melhores.” O cristianismo faz do marido um marido melhor, e da esposa uma melhor esposa do que eram antes. Não me libera dos meus deveres como filho; faz-me um filho melhor, e a meus pais os faz melhores pais. Em vez de enfraquecer meu amor, me dá uma razão renovada para fortalecer meu afeto; e a quem antes amava como meu pai, agora o amo como meu irmão e colaborador em Cristo Jesus; e a quem reverenciava como minha mãe, agora a amo como minha irmã no pacto da graça, minha irmã para sempre no estado vindouro. Oh, ninguém deve supor que o cristianismo interfere nos lares; antes, tem o objetivo de fortalecê-los, e fazê-los baluartes que nem a mesma morte pode separar, pois os liga em um vínculo de vida com o Senhor seu Deus, e reúne os vários indivíduos do outro lado do rio[1].

Agora, lhes direi por que escolhi este texto. Pensei: há uma grande quantidade de jovens que sempre vem para ouvir-me pregar; sempre se amontoam nos corredores da minha capela, e muitos deles foram convertidos a Deus. Agora se aproxima outra vez o dia de Natal, e eles irão para casa para ver os seus parentes. Ao chegarem em casa vão querer cantar uma canção de Natal na noite; quero sugerir-lhes uma, em especial àqueles que foram convertidos recentemente. Darei-lhes um tema para seu discurso na noite de Natal; poderá não ser tão divertido como “O Naufrágio do Maria de Ouro,” [2], mas será igualmente interessante para o povo cristão. O tema será este: “Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o Senhor fez com suas almas, e como teve misericórdia de vocês.”

Em minha opinião, desejaria que houvesse vinte Natais no ano. Mui raras vezes os jovens podem reunir-se com os seus: Raramente podem estar unidos como felizes famílias: E ainda que eu não guarde nenhum respeito pela observância religiosa desse dia, o amo como uma instituição familiar, como um dos dias mais brilhantes da Inglaterra, o grande Dia de repouso do ano, quando o arado descansa no sulco, quando o estrépito dos negócios guarda silêncio, quando o mecânico e o obreiro saem para refrescar-se sobre a verde grama da terra alegre. Se alguns de vocês são chefes, perdoem-me a divagação, mas mui respeitosamente lhes peço que paguem a seus empregados os mesmos salários no dia de Natal como se eles trabalhassem. Estou certo que alegrarão suas casas se assim o fizerem. É injusto que a única opção que tenham seja o festejar ou jejuar, a menos que lhes deem o dinheiro necessário para que festejem e se alegrem nesse dia de alegria.

Mas agora vamos a nosso tema. Vamos para casa para ver os nossos, e esta é a história que alguns de nós temos que contar. “Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti.” Primeiro, temos aqui o que devem dizer; logo, em segundo lugar, por que devem dizê-lo; e depois, em terceiro lugar, como devem dizê-lo.

  1. Primeiro, então, TEMOS AQUI O QUE DEVEM DIZER. Deve ser uma história baseada na própria experiência. “Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti.” Não devem ir para seus lares e começar a pregar sem procrastinação. Não lhes é ordenado que façam isso. Não devem começar a selecionar temas doutrinários para expor, esforçando-se por convencer as pessoas sobre seus pontos de vista e sentimentos peculiares. Não devem ir para casa com diversas doutrinas aprendidas recentemente, para tratar de ensiná-las. Ao menos, não lhes é ordenado que façam isso; podem fazê-lo, se desejam, e ninguém se oporá; mas devem ir para casa e dizer não o que creram, mas o que sentiram: o que vocês verdadeiramente sabem que lhes pertence; não as grandes coisas sobre que leram, mas sim as grandes coisas que o Senhor fez por vocês; não somente os que viram acontecer na grande congregação, e como grandes pecadores se voltaram para Deus, mas sim o que o Senhor fez por vocês. E observem isto: nunca há uma história mais interessante que aquela que um homem relata sobre si mesmo.

‘A Balada do Velho Marinheiro’[3], gera muito do seu interesse porque o homem que a contou era, ele mesmo, um marinheiro. Esse homem, cujo dedo era ossudo como o dedo da morte, se sentou e começou a relatar a lúgubre história do barco em alto mar no meio de uma grande calmaria, quando coisas viscosas arrastavam suas patas no brilhante mar. O convidado do casamento estava muito quieto, escutando atentamente, pois o velho era em si mesmo uma história. Sempre se gera um grande interesse por uma narrativa pessoal. Virgilio, o poeta, sabia isto e por isso, sabiamente, faz com que Enéas relate sua própria história, e faz com que a comece dizendo, “no que eu mesmo tive grande participação.” Então, se querem interessar a seus amigos, conte a eles o que vocês mesmos sentiram. Conte a eles como vocês foram uma vez abandonados pecadores perdidos, como o Senhor os encontrou como dobraram seus joelhos, e derramaram sua alma diante de Deus, e como no final vocês saltaram de alegria, pois estavam certos de ouvi-lo dizer interiormente: “Eu, eu sou o que apagou suas rebeliões por amor de mim mesmo.” Contem a seus amigos uma história baseada em sua própria experiência pessoal.

Notem, na sequência, que deve ser uma história de graça imerecida. Não diz: “conta aos teus quão grandes coisas fizeste por ti mesmo,”, mas sim “Quão grandes coisas o Senhor há feito contigo.” O homem que sempre está convencido do livre arbítrio e do poder da criatura, e nega as doutrinas da graça, invariavelmente mistura muito do que ele mesmo fez quando relata sua experiência; mas o crente na graça soberana, que sustenta as grandiosas verdades cardiais do Evangelho, ignora isto, e declara: “contarei o que o Senhor fez comigo”. É verdade que devo contar-lhes primeiro como fui inicialmente conduzido a orar; mas contarei assim:

 

“A graça ensinou minh’alma a orar,

A graça fez meus olhos se inundarem.”

É verdade que devo contar-lhes em quantas aflições e provas Deus esteve comigo; mas eu contar-lhes-ei assim:

“A graça me guardou até este dia,

E não me abandonará.”

 

Não conta nada sobre suas próprias ações ou decisões, ou orações e buscas, mas sim que tudo é atribuído ao amor e à graça do grandioso Deus que olha com amor para os pecadores, e os converte em Seus filhos e herdeiros da vida eterna. Vá para casa, jovem, e conte a história do pobre pecador; vá para casa, jovenzinha, e abre seu diário, e conta a seus amigos histórias de graça. Conta-lhes as poderosas obras que a mão de Deus tem feito em você por Seu amor imerecido, soberano e gratuito. Conta uma história de graça imerecida junto à lareira familiar.

Em continuação, o relato deste pobre homem foi uma história agradecida. Eu sei que foi uma história agradecida, porque o homem disse: “lhes contarei quão grandes coisas o Senhor fez por mim;” e (sem querer envolver nenhum jogo de palavras com segundas intenções), faço a observação de que um homem que é grato está sempre cheio da grandeza da misericórdia que Deus lhe mostrou; sempre pensa que o que Deus fez por ele é imensamente bom e supremamente grandioso. Talvez, quando estejas contando a história, algum de seus amigos perguntará: “e, que tenho com isso?” E tua resposta será: “talvez não seja algo grande para ti, mas o é para mim. Tu dizes que arrepender-se é pouca coisa, mas para mim me parece todo o contrário; é algo grandioso e precioso ser conduzido a reconhecer-me como pecador, e a confessá-lo. Tu dizes que é pouca coisa ter encontrado um Salvador?” Olhe nos olhos deles e diga-lhes: “Se vocês também O tivessem encontrado, não o consideraria pouca coisa. Consideram pouca coisa que carga das minhas costas tenha sido removida; mas se vocês tivessem sofrido com essa carga, e sentido seu peso como eu senti durante longos anos, não consideraria pouca coisa ser emancipados e liberados por olhar a cruz.” Conte-lhes que é uma história grandiosa, e se ele não podem ver sua grandeza, derrama lágrimas amargas, e conta-lhes a história com grande sinceridade, e eu espero que sejam conduzidos a crer que ao menos tu estás grato, ainda que eles não estejam. Que Deus lhes conceda que possam contar uma história grata.

E finalmente, sobre este ponto: sua história deve ser uma história contada por um pobre pecador convencido que não mereceu o que recebeu. “Como teve misericórdia de ti.” Não foi um simples ato de bondade, mas sim um ato de misericórdia imerecida para alguém que se encontrava aflito. Oh, já escutei homens que contam a história de sua conversão e de sua vida espiritual de tal forma que meu coração se aborrece tanto com eles quanto com a sua história, pois contaram seus pecados como se verdadeiramente se jactassem da grandeza de seus crimes, e mencionaram o amor de Deus sem uma lágrima de gratidão, sem a simples ação de graças de um coração realmente humilde, mas sim, como que se exaltando quando exaltavam a Deus. Oh, quando contemos a história de nossa própria conversão, quisera que o fizéssemos com profunda tristeza, ao recordar o que costumávamos ser, e com grande alegria e gratidão, ao recordar quão pouco merecemos estas coisas.

Em uma ocasião eu estava pregando sobre a conversão e a salvação, e senti dentro de mim, como frequentemente sentem os pregadores, que não era senão um trabalho estéril contar esta história, e era para mim um relato sem brilhos; mas subitamente passou por minha mente o pensamento: “vamos, tu mesmo és um pobre pecador perdido; conta, conta como recebeste a graça; começa a contar sobre a graça de Deus segundo a sentiste.” Bem, então meus olhos se converteram em fontes de lágrimas; aqueles ouvintes que estavam cabeceando-se começaram a iluminar-se, e escutaram, porque estavam ouvindo algo que o pregador sentia verdadeiramente, e que eles reconheciam como verdadeiro para ele, ainda que não fosse para eles.

Contem sua história, meus leitores, como pecadores perdidos. Não vá para tua casa, para o teu lar, com um ar altivo, como que dizendo: “aqui está um santo chegando em casa para contar uma história aos pobres pecadores;”, mas vá para tua casa como o pobre pecador que és; e quando entrares, como tua mãe recorda o que costumavas ser, não necessita dizer-lhe que mudaste: ela o notará, ainda que estejas com ela somente um dia. Talvez te pergunte: “John, que mudança é essa em ti?” E se é uma mãe piedosa começará a contar-lhe a história, e eu sei (e ainda que sejas um homem não te envergonhes que eu te diga), que rodeará seu pescoço com seus braços, e te dará um beijo como nunca antes, pois és um filho que nasceu duas vezes, seu filho do qual não se separará jamais, ainda que a mesma morte os divida por um breve instante. “Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti.”

  1. Mas agora, em segundo lugar, POR QUE DEVEMOS CONTAR ESTA HISTORIA? Pois ouço a muitos membros de minha congregação que dizem: “senhor, eu poderia contar esta história a qualquer pessoa menos a meus próprios familiares; poderia vir à sua sacristia para contar-lhe algo do que provei e experimentei da Palavra de Deus; mas não poderia contá-lo a meu pai, nem à minha mãe, nem a meus irmãos, nem a minhas irmãs.” Bem, então tratarei de argumentar com vocês, para induzi-los a que o façam, para que possa enviá-los para casa neste dia de Natal, e que sejam missionários em suas respectivas localidades, e verdadeiros pregadores, ainda que não o sejam de nome. Queridos amigos, por favor, contem esta história quando chegarem em casa.

Em primeiro lugar, façam por seu Senhor. Oh, eu sei que vocês o amam; estou certo que o amam se tem a prova que Ele os amou. Não poderão pensar no Getsemani e em Seu suor sangrento, no Tribunal e nas costas laceradas de Cristo, flagelada pelo chicote: não poderão pensar no Calvário e em Suas mãos e pés traspassados, sem amá-lo; e utilizo um argumento muito poderoso quando lhes digo que regressem às suas casas e contem isso, por seu amado Senhor que os amou tanto. O que, por acaso pensam que podemos receber tanto e não contá-lo? Quando fazemos algo por nossos filhos, não se espera muito tempo para contar a todo o mundo: “fulano de tal me deu um presente, e me fez tal e tal favor.” E deveriam os filhos de Deus serem omissos em declarar como foram salvos quando seus pés se apressavam para o inferno, e como a misericórdia redentora os arrebatou como tições do fogo? Jovem, amas a Jesus! Pergunto-te, então, te recusarás a contar a história de Seu amor por ti? Teus lábios ficarão fechados enquanto sua honra está comprometida? Por acaso não contarás, por onde fores que Deus te amou e morreu por ti? Se nos informa que este pobre homem “se foi, e começou a publicar em Decápolis quão grandes coisas Jesus havia feito por ele, e todos se maravilhavam.” Tu deves fazer o mesmo. Se Cristo fez muito por ti, não podes evitá-lo: deves contá-lo.

Meu estimado amigo, o senhor Oncken, um ministro na Alemanha, nos contou na noite de segunda passada, que tão logo ele se converteu, o primeiro impulso de sua alma recém-nascida foi o de fazer o bem a outros. E, onde deveria realizá-lo? Pensou que deveria ir à Alemanha. Era sua terra natal, e o mandamento era “Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes…” Não havia então um só batista em toda Alemanha, nem ninguém com quem tivesse afinidade, pois os luteranos se haviam desviado da fé de Lutero, e se haviam apartado da verdade de Deus. Mas foi ali e pregou, e agora conta com setenta ou oitenta igrejas estabelecidas no continente europeu. Quem o conduziu a isso? Ninguém nem nada senão o amor a seu Senhor, que fez tanto por ele, o motivou a ir e contar a seus semelhantes à maravilhosa história da bondade divina.

Mas, continuando, eu pergunto: seus amigos são piedosos? Então vão para casa e conte-lhes, para alegrar seus corações. Recebi noite passada uma breve epístola escrita por uma mão trêmula, por alguém que ultrapassou a idade natural do homem, que vive no condado de Essex. Seu filho, pela soberania de Deus, foi convertido ao escutar a Palavra pregada, e o bom homem não pôde evitar escrever ao ministro, agradecendo-lhe e abençoando mais que nada a seu Deus, porque seu filho havia sido regenerado. “Senhor,” começa a carta, “um velho rebelde escreve para agradecer-lhe, e por, sobretudo dar graças a Deus, porque seu amado filho se converteu.” Prossegue dizendo: “continue seu trabalho, e que o Senhor o abençoe!”

E houve outro caso que escutei há algum tempo, no qual uma jovem foi para a casa de seus pais, e quando sua mãe a viu lhe disse: “se o ministro tivesse me presenteado toda Londres, não haveria considerado tão valioso como valorizo isto: pensar que és uma pessoa renovada, e que estás vivendo no temor de Deus.” Oh, se queres fazer com que o coração de tua mãe salte de alegria, e se queres alegrar a teu pai, se queres fazer feliz a tua irmã que te enviou tantas cartas que alguma vez leste junto a um poste de luz, com teu cachimbo na boca, vai para casa e conta à tua mãe que seus desejos todos se cumpriram, que suas orações foram ouvidas, que não zombarás mais de suas aulas na escola dominical, nem se rirás dela porque ama ao Senhor, e que irás com ela à casa de Deus, pois amas a Deus, e disseste: “teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus, e tenho a esperança que teu céu será o meu céu para sempre.” Oh, que alegria seria se alguém daqui que houvesse se extraviado, pudesse regressar desta maneira para casa!

Há pouco tempo, tive o privilégio de pregar para uma nobre instituição que recebe mulheres que levaram vidas negligentes, e antes de pregar o sermão, pedi a Deus que o abençoasse, e no sermão impresso notarão que no final há um relato de duas pessoas que foram abençoadas e restauradas por esse sermão. Agora, deixem-me contar-lhes uma história do que uma vez sucedeu ao senhor Vanderkist, um missionário da cidade, que trabalha arduamente toda a noite para fazer o bem nessa grande obra. Tinha havido uma briga de bêbados na rua; ele se interpôs entre os dois homens para separá-los, e disse algo a uma mulher ali presente, referente à quão horrível é que os homens sejam bêbados. Ela caminhou junto a ele por uns momentos, e começou a contar-lhe uma história de dor e pecado; de como havia sido atraída longe do lar de seus pais em Somersetshire, e havia terminado aqui para o eterno mal de sua alma. Ele a levou para casa, e lhe ensinou o temor e o amor de Cristo; e o que fez primeiro quando regressou aos caminhos da piedade, e descobriu que Cristo é o Salvador dos pecadores? Disse: “agora devo ir para minha casa, para os meus.” Ele escreveu aos seus; eles foram recebê-la na estação de Bristol, e vocês dificilmente poderiam conceber quão felizes foi essa reunião. O pai e a mãe tinham perdido sua filha; nunca mais tinham sabido dela; e ali estava, enviada por meio de uma instituição (o Dormitório Feminino de Londres) e restaurada ao seio familiar.

Ah, se houvesse alguém assim aqui! Não sei; em meio à tão grande multidão, é possível que haja alguém assim. Mulher, te afastaste de tua família? Os abandonaste há algum tempo? “Vai para tua casa, para os teus,” eu te imploro, antes que teu pai se aproxime cambaleante para sua tumba, e antes que os grisalhos cabelos de tua mãe descansem sobre o travesseiro branco como a neve de seu féretro. Regressa, te suplico! Diga-lhes que é uma penitente; diga-lhes que Deus se encontrou contigo; que o jovem ministro disse: “Vai para a tua casa, para os teus.” E se é assim, não me envergonharei de ter dito estas coisas, ainda que vocês pensem que não deveria te mencionado elas; pois se eu pudesse ganhar ainda que fosse uma só alma desta maneira, louvaria a Deus por toda a eternidade. “Vai para tu casa, para os teus. Vai para tua casa e conta-lhes quão grandes coisas o Senhor fez por ti.”

Acaso podem imaginar a cena quando o pobre endemoninhado mencionado no meu texto regressou para casa? Ele tinha sido um louco ao ponto de ser necessário prender com cordas; e quando chegou e bateu na porta, imaginem ver seus amigos comentando uns com os outros, em meio ao terror, “oh, ali vem ele outra vez,” e a mãe subindo as escadas a toda velocidade e trancando todas as portas, porque seu filho que estava perdidamente louco havia regressado; e os pequenos gritando porque sabiam o que esse louco tinha feito antes: como se feria com pedras, porque estava possuído pelos demônios. E poderiam imaginar a alegria, quando o homem disse: “mãe, Jesus Cristo me curou; deixe-me entrar; agora já não sou um lunático!” E quando o pai abriu a porta, lhes disse: “pai, já não sou o que fui; todos os espíritos malignos se foram; já não viverei mais nos sepulcros. Quero contar-lhes como esse homem glorioso que operou minha libertação fez o milagre: como disse aos demônios: ‘Sai dele‘ e eles se precipitaram no mar por um despenhadeiro, e regressei para casa são e salvo.” Oh, se alguém assim, possuído do pecado, estivesse aqui hoje, e fosse para casa, para os seus, para contar-lhes de sua libertação, me parece que a cena seria muito semelhante a narrativa bíblica.

Uma vez mais, queridos amigos. Parece-me que alguém poderia dizer: “ah, senhor, quisera poder ir para casa e que os meus fossem piedosos! Mas quando vou para casa vou ao pior dos lugares; pois os meus estão no meio daqueles que nunca conheceram a Deus, e por isso nunca oraram por mim, e nunca me ensinaram nada concernente ao céu.” Bem, jovem amigo, vá para tua casa, para os teus. Ainda que sejam tão maus, são os teus. Algumas vezes me reúno com jovens que querem ser membros da igreja. Quando lhes pergunto sobre seu pai, me respondem: “oh, senhor, me afastei de meu pai.” Então eu lhes digo: “jovem, deves ir e ver a teu pai antes que eu trate algo contigo; se sentes antipatia por teu pai e por tua mãe, eu não te receberei na igreja; ainda que sejam muito maus, são teus pais.” Vá para casa, com eles, e conte-lhes, não para alegrá-los, pois mui provavelmente estão irritados contigo; mas conte-lhes para a salvação de suas almas. Eu espero que, quando estejas contando a história do que Deus fez por ti, vocês sejam conduzidos pelo Espírito a ansiar a mesma misericórdia para eles. Mas vou te dar um conselho. Não contes esta história a teus amigos ímpios quando estejam todos reunidos, pois rirão de ti. Toma um por um, quando possas reunir-te com cada um deles separadamente, e começa a contar-lhes a história, e te ouvirão seriamente.

Havia uma vez uma dama muito piedosa que tinha uma casa de hóspedes para jovens. Todos os jovens eram alegres e frívolos, e ela queria comentar-lhes algo concernente à religião. Introduziu o tema, e foi imediatamente motivo de risos. Ela pensou: “cometi um erro.” Na manhã seguinte, depois do desjejum, quando já todos se iam, disse a um deles: “jovenzinho, quero falar contigo por uns momentos,” e levando-o à parte, à outra sala, falou com ele. Na manhã seguinte falou com outro, e na seguinte, com outro, e agradou a Deus abençoar sua simples mensagem, dada de maneira individual: mas, sem dúvida, se houvesse falado com todos reunidos, teriam se apoiado entre si para burlar-se dela. Admoeste um homem quando esteja só. Um versículo pode impactá-lo enquanto que um sermão o deixa frio. Vocês podem ser o instrumento de levar a Cristo o homem que frequentemente escutou a Palavra e somente debochou dela, mas que não pode resistir a uma suave admoestação.

Em um dos estados dos Estados Unidos, havia um infiel que desprezava grandemente a Deus, odiava guardar o domingo e todas as instituições religiosas. Os ministros não sabiam o que fazer por ele. Reuniam-se e oravam por ele. Mas um deles, um tal diácono Beltrano de Tal decidiu passar um longo tempo em oração pelo homem; depois disso montou seu cavalo, e se dirigiu à forja dele, pois era um ferreiro. Deixou seu cavalo fora, e lhe disse: “vizinho, estou sumamente preocupado pela salvação de sua alma; quero-te dizer que oro dia e noite pela salvação de tua alma.” O deixou, e regressou à sua casa. O infiel entrou em sua casa depois de um minuto ou dois, e lhe disse a um de seus amigos fieis: “aqui temos um novo argumento; temos o diácono Beltrano de Tal, que veio até aqui, e não veio a disputar, e não me disse mais que estas palavras: ‘eu digo que estou sumamente preocupado por tua alma; não posso suportar que te percas.’” “Oh, a esse tipo,” disse, “não posso responder-lhe;” e as lágrimas começaram a rolar por sua face. Foi com sua esposa e lhe disse: “não posso entender isto; eu mesmo nunca me preocupei por minha alma, mas esse diácono, que não tem nenhum vínculo comigo, e de quem sempre ri, cavalgou oito quilômetros esta manhã, somente para dizer-me que está sumamente preocupado por minha salvação.” Depois de um pouco de tempo, pensou que já era tempo de que se preocupara também sobre sua salvação. Entrou, fechou a porta, começou a orar, e no dia seguinte foi à casa do diácono, e lhe disse que ele também já estava preocupado por sua salvação, e lhe pediu que lhe dissesse o que deveria fazer para ser salvo. Oh, que o eterno Deus use alguns dos aqui presentes da mesma maneira, para que sejam induzidos a:

“Dizer a outros ao seu redor

Quão amável Salvador encontraste;

Mostrar seu sangue redentor,

E dizer: Eis aqui o Caminho para Deus!”

 

III. Não vou detê-los mais tempo; mas há um terceiro ponto, sobre o qual devemos ser mui breves. Como DEVE CONTAR-SE ESTA HISTÓRIA?

Primeiro, conte-a sinceramente. Não digam mais do que sabem; não contem a experiência de John Bunyan, quando devem contar a sua própria. Não digam à sua mãe que sentiram algo que somente Rutherford sentiu. Somente contem a verdade. Contem sua experiência sinceramente; pois talvez uma só mosca no frasco de unguento o estragará, e uma expressão que não seja verdadeira pode arruinar tudo. Contem a história sinceramente.

A continuação, conte muito humildemente. Já o disse antes. Não se intrometam com aqueles que são mais velhos e sabem mais; mas sim, contem sua história humildemente; não como um pregador, não ex-cathedra, mas sim como um amigo e um filho.

Logo, conte-a seriamente. Que vejam que vocês estão falando a sério. Não falem de religião com loquacidade; não farão nenhum bem se o fizerem assim. Não façam jogos de palavras sobre os textos; não citem a Escritura de maneira jocosa: se o fizerem, poderão falar até emudecer, e não farão nenhum bem se derem a menor oportunidade para que riam, já que vocês mesmos riem das coisas santas. Conte-a seriamente.

E, também, conte-a mui devotamente. Não trates de contar a história a nenhum homem enquanto não a tenhas contado a Deus primeiro. Quando estejas em casa no dia de Natal, não permitas que ninguém veja teu rosto até que Deus o haja visto. Levanta de manhã, lute com Deus; e se teus amigos não são convertidos, luta com Deus por eles; e logo descobrirás que é um trabalho fácil lutar com eles por Deus. Trata, se podes, de reunir-te com eles individualmente, um por um, e conte-lhes a história. Não tenhas medo; pensa somente no bem que possivelmente possas fazer. Recorda que quem salva uma alma da morte cobre uma multidão de pecados, e terá estrelas em sua coroa para sempre e sempre. Busca submeter-te ao Deus-Salvador, para que em sua família sejas o meio de conduzir a teus seres amados a buscar e encontrar ao Senhor Jesus Cristo, e então um dia, quando se encontrem no Paraíso, seja um gozo e uma bênção que estejas ali, e que os teus estejam ali também, para aquele Deus que te fez o instrumento de salvação. Que tua confiança no Espírito Santo seja total e honesta. Não confies em ti; não temas confiar nEle. Ele pode te proporcionar palavras. Ele pode aplicar essas palavras aos seus corações, e capacitar-te para “dar graça aos ouvintes.”

Quero concluir com uma breve mas penso eu agradável mudança de perspectiva do texto, para sugerir outro significado. Logo, queridos amigos, para alguns de nós, o Senhor dirá: “Vai para tua casa, para os teus.” Vocês sabem onde está esse lar. Está acima das estrelas.

“Onde nossos melhores amigos,

Nossa parentela mora,

Onde Deus nosso Salvador reina.”

Aquele homem de cabelos grisalhos enterrou todos seus amigos; ele disse; “eu irei a eles, mas eles não voltarão a mim.” Logo seu Senhor lhe dirá; “ficaste o suficiente aqui neste vale de lágrimas; vai para tua casa, para os teus!” Oh, hora feliz! Oh, momento bendito, quando essa seja a palavra: “Vai para tua casa, para os teus!” E quando formos para casa, para os nossos, no Paraíso, o que faremos? Bem, em primeiro lugar nos dirigiremos a esse bendito assento onde se assenta Jesus, tiraremos a coroa e a jogaremos as Seus pés, e o coroaremos Senhor de tudo. E quando tenhamos feito isso, qual será nossa seguinte atividade? Pois, contaremos aos seres benditos do céu o que o Senhor fez por nós, e como teve compaixão de nós.

E, por acaso tal história será contada no céu? Será esse o cântico de Natal dos anjos? Sim, será; foi publicado ali anteriormente (não se envergonhem de dizê-lo novamente), pois Jesus o contou antes: “E ao chegar em casa, reúne seus amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque encontrei minha ovelha que se havia perdido.” E tu, pobre ovelha, quando sejas encontrada, não contarás como te buscou teu Pastor, e como te encontrou? Acaso não te sentarás nas férteis pradarias do céu, e contarás a história de tua própria redenção? Não falarás com teus irmãos e com tuas irmãs para contar-lhes, como Deus te amou e como te trouxe aqui? Talvez digas: “será uma história mui breve.” Ah, o seria se a escrevesses agora. Um livrinho poderia conter toda tua biografia; mas lá em cima quando tua memória seja engrandecida, quando tua paixão seja purificada e teu entendimento seja esclarecido, descobrirás que o que não era senão um rascunho na terra será um gigantesco tomo no céu. Contarás uma longa história ali sobre a graça que sustenta, que restringe e que constrange, e penso que farás uma pausa para deixar que outro conte sua história, e logo outro, e depois outro, e por fim, depois que hajas estado no céu mil anos, irromperá em exclamações: “oh santos, tenho algo mais para dizer.” Outra vez contarão suas histórias, e outra vez os interromperás com: “oh, amados, pensei em outro caso da misericórdia salvadora de Deus.” E assim prosseguirás, dando-lhes temas para hinos, encontrando o material para a trama de sonetos celestiais.

“Vai para tua casa,” dirá Ele logo, “vai para tua casa, para os teus, e conta-lhes quão grandes coisas o Senhor fez por ti, e como teve misericórdia de ti.” Espera um momento; espera o tempo que Ele quer, e logo serás reunido na terra do mais além, no lar dos benditos, onde a felicidade sem fim será tua porção. Que Deus nos conceda uma bênção, por Seu nome!

ORE PARA QUE O ESPÍRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA EDIFICAÇÃO DE MUITOS E SALVAÇÃO DE PECADORES.

 

 

FONTE:

Traduzido de http://www.spurgeon.com.mx/sermon190.html

Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público e com autorização do Sr. Allan Román

Sermão nº 190— The  New Park Street Pulpit

 

Tradução: Rosangela Cruz

Revisão: Fábio José Silva Rodolpho

Capa: Armando Marcos

Projeto Castelo Forte

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[1] “No outro lado da Rio” é uma inferência sobre a eternidade, baseada na passagem de Israel pelo rio Jordão para conquista da terra prometida, e muito usada na literatura puritana como a morte do crente, como no livro “o Peregrino”, de John Bunyan (Nota do Revisor)

[2] The Wreck of the Golden Mary. Um conto escrito por Charles Dickens no qual um barco choca com um iceberg, com funestas consequências. A história ocorre no tempo de Natal (Nota do tradutor)

[3] The Rhyme of the Ancient Mariner. Um longo poema escrito por Samuel Taylor Coleridge

2 ideias sobre “Um Sermão para o Dia de Natal (C.H.Spurgeon)

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