Personagens da Reforma – dia 10 “Thomas Becon – O Protestante da vida diária”

Este artigo pertence a uma série intitulada Projeto Reforma, uma compilação de escritos sobre a celebração do Dia da Reforma Protestante publicados pelo site “Soldados de Jesuscristo” em espanhol . Tradução ao português via Projeto Castelo Forte . CONFIRA os outros dias AQUI

Por Brian Hanson

Embora tenha passado quase totalmente despercebido durante a história da igreja, Thomas Becon foi um propagandista político, vendedor de sucesso e piedoso clérigo na Inglaterra do século dezesseis durante a Reforma. Becon viveu em quatro reinados dos monarcas Tudor, serviu sob a supervisão de Thomas Cranmer, o arcebispo reformado de Canterbury, e escreveu aproximadamente cinquenta tratados com várias edições posteriores que permaneceram sendo impressas por setenta anos após sua morte.

Seus escritos sobre piedade são relevantes e úteis para todos os cristãos, especialmente aqueles que tendem a separar suas vidas em aspectos “sagrados” e “seculares”. Becon não reconheceu essas divisões e exortou os cristãos de sua época a seguirem a piedade em suas rotinas diárias.

O pastor no oculto

Nascido em Thetford, Norfolk, por volta de 1512, Becon foi educado no St. John’s College, Cambridge, onde ficou profundamente comovido e possivelmente se converteu sob os ensinamentos de influência luterana de um de seus professores, o reformador Hugh Latimer. Após graduar-se como teólogo, Becon assumiu dois cargos eclesiásticos no sul da Inglaterra, mas após a ratificação dos Seis Artigos em 1539, o Rei Henrique VIII culpou os evangélicos por desobediência e “heresia”. Consequentemente, Becon foi preso em 1541 por sua “doutrina perversa e falsa”.

Após sua libertação, Becon se manteve discreto nos bosques de Kent, sendo hospedado por vários homens evangélicos que tinham relações na corte real. Durante este tempo, Becon redigiu vários tratados sob o pseudônimo de “Theodore Basil” para evitar ser capturado pelas autoridades locais. Sob  escrutínio e vigilância dos magistrados locais de Henrique VIII, Becon fugiu para o interior da Inglaterra, onde se escondeu por quatro anos nas montanhas sem publicar nada.

O exílio e o retorno para casa

Quando Eduardo VI – filho de Henrique VIII, um amigo e defensor da Reforma Inglesa – subiu ao trono aos nove anos de idade em 1547, Becon saiu do exílio e voltou para Londres, onde foi nomeado capelão da corte real. Na mesma época, ele se tornou pastor principal da  St. Stephen Walbrook, prestigiosa paróquia de Londres,

Porém, com a morte de Eduardo VI e ascensão ao trono de sua meia irmã católica Maria I em 1553, muitos evangélicos, incluindo Becon, foram presos, embora ele tenha sido libertado posteriormente, mas para não correr riscos, fugiu imediatamente para Estrasburgo, no continente, onde se juntou a uma comunidade de outros exilados evangélicos ingleses. De lá mudou-se para Frankfurt, onde apoiou o desenvolvimento de uma nova liturgia para a congregação inglesa composta por exilados. Quando Becon voltou do continente depois que Elizabeth I assumiu o poder, ele passou por uma série de nomeações eclesiasticas, principalmente em Londres, até sua morte em 1567.

Piedade Cotidiana

Um dos principais focos dos livretos de Bacon era como os cristãos deveriam alcançar a piedade e como incorporá-la em suas vidas diárias. Primeiro, a palavra de Deus, argumentou Becon, era suficiente para todos os cristãos e ela era o catalisador da piedade. Becon imaginou uma comunidade inglesa onde “as pessoas podem aprender até mesmo desde o berço”. … Para conhecer a Deus, para compreender a Sua palavra e para trilhar Seus caminhos sagrados ”(New pollecye of warre).

Em segundo lugar, Becon instruiu os cristãos a verem suas vidas como um estágio contínuo de adoração onde a piedade era exibida sempre, mesmo no mundano de uma manhã de segunda-feira. Para Becon, a adoração não se limitava às reuniões dominicais ou a certas disciplinas espirituais, como ler a Bíblia ou orar. Em vez disso, a adoração era uma atividade incessante que percorre seu caminho através da liturgia da vida diária: comer, trabalhar, passar o tempo livre e ir para a cama.

Não há trabalho “secular”

Becon publicou dois manuais de oração que continham frases-modelo para atividades específicas da vida diária. Um desses manuais apresentava sentenças-modelo para aqueles em ocupações específicas, como magistrados, clérigos, comerciantes, advogados, marinheiros, soldados, mães e filhos. Becon argumentou que uma ocupação não era mais essencial do que outra. Ele argumentou que o trabalho do sapateiro e do alfaiate era tão crucial ao reino de Deus quanto o do advogado e do magistrado, porque Deus era quem os chamava às suas vocações.

Embora muitos cristãos sutilmente rejeitem certas ocupações como insignificantes e vejam o trabalho não ministerial como “secular”, a avaliação de Becon de todo trabalho como uma atividade de Deus e para Deus é um corretivo motivador. Devemos aceitar nosso chamado e ver o propósito último de nosso trabalho e vocação: a piedade através do emprego abençoa uma sociedade para que todos “o conheçam, a fonte de todos os bens, e glorifiquem Seu santo nome” (Flour of godly praiers).

FONTE: https://somossoldados.org/thomas-becon-c-1512-1567-el-protestante-del-lunes-por-la-manana/

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