Uma Exortação aos Pecadores (Spurgeon)

Exortação aos pecadores-castelo-forteN° 219

Sermão pregado na noite de Domingo, 14 de Setembro, 1856.

Por Charles Haddon Spurgeon

Em Exeter Hall, Strand, Londres.

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“Este recebe pecadores” (Lucas 15.2)

Quando essas palavras foram ditas, o grupo que havia se reunido junto ao Salvador era muito singular, pois o evangelista nos informa que: “aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir”. Os publicanos formavam a pior categoria da sociedade, e eram os opressores públicos, menosprezados e odiados pelos judeus mais insignificantes. E precisamente eles, juntamente com os mais perversos, a escória das ruas e o desperdício da sociedade de Jerusalém, rodeavam a este poderoso pregador, Jesus Cristo, para escutar Suas palavras. Afastados um pouco da multidão, encontravam-se uns cidadãos um tanto respeitáveis, que naqueles dias eram chamados fariseus e escribas: homens sumamente estimados como autoridades, dirigentes e mestres nas sinagogas. Eles viam com desprezo o Pregador, e o vigiavam com olhares invejosos para O surpreender em algum erro. Se não podiam encontrar Nele algum erro, facilmente podiam encontrar em Sua congregação; Sua relação com eles escandalizava aquele falso conceito de decência, e quando observavam que Ele era afável com os indivíduos mais depravados, que falava palavras amorosas às pessoas mais caídas da humanidade, falavam Dele como querendo desonrá-lo, embora resultasse em algo extremamente honroso: “Este homem recebe pecadores”.

 

Eu creio que nosso Salvador não poderia ter desejado receber uma descrição mais verdadeira ou mais inteiramente consistente com Sua sagrada missão. É o retrato exato de Seu caráter; uma mão mestra parece havê-Lo pintado com cores vivas. É o homem que “recebe os pecadores”. Muitas verdades foram expressas em tom de zombaria, e outras foram ditas com intenção de denegri-Lo. Os homens comentaram, às vezes zombando: “Aí vai um santo”; mas ocorre que é verdade. Disseram: “Aí vai um de Seus escolhidos, um de Seus eleitos”, dizendo como se fosse uma calúnia. Mas a doutrina que caluniam consola a pessoa que a recebeu; foi a sua glória e sua honra. Agora os escribas e os fariseus desejavam caluniar Cristo; mas ao fazê-lo, foram além de suas intenções e Lhe outorgaram um título de renome: “Este recebe pecadores e come com eles”.

Nesta noite, vou dividir minhas observações em três partes. Primeiro, a doutrina de que Cristo recebe pecadores, que é uma doutrina das Sagradas Escrituras. Em segundo lugar, o ânimo que é infundido ao pecador; e em terceiro lugar, a exortação que naturalmente brota dela, dirigida ao pecador.

 

  1. Primeiro, então, A DOUTRINA. A doutrina não é que Cristo recebe a todo mundo, senão que Ele “recebe pecadores”. Na linguagem comum, nessa expressão entendemos que todos estão incluídos. É comum, hoje em dia, que cada um minta a despeito de suas convicções, dizendo-se pecador quando na realidade está convencido de que é uma pessoa muito respeitável, um homem de bem, e não concebe que tenha feito nada indevido em sua vida. É um tipo de confissão ortodoxa a que fazem os homens, quando afirmam que são pecadores; embora possam muito bem usar qualquer fórmula em vez outra, ou repetir palavras em um outro idioma; pois não sentem uma contrição profunda e sincera. Não têm uma verdadeira convicção de serem pecadores. Estes escribas e fariseus, de fato, praticamente afirmavam que eles não eram pecadores; eles apontavam os pecadores e prostitutas, os indignos, e diziam: “esses são pecadores, nós não”. “Muito bem”, disse Cristo, “eu aprovo a distinção que vocês fizeram. Em sua própria opinião, vocês não são pecadores; bem, estarão isentos, no momento, de serem chamados pecadores. Eu aprovo sua distinção. Mas quero informá-los que Eu vim para salvar precisamente a essas pessoas que, tanto para elas quanto para vocês, são pecadores”.

Estou convencido que a doutrina do texto é esta: que Cristo não recebe os que possuem justiça própria, nem os bons, os sinceros, nem os que sonham que não precisam de um Salvador; senão que recebe os de espírito quebrantado, os de coração contrito, àqueles que estão prestes a confessar que quebraram as leis de Deus, e que mereceram Seu desprezo. Cristo veio para salvar a estes últimos, e unicamente a estes; e eu reafirmo o tema da noite do domingo passado: que Cristo morreu por eles, e por ninguém mais; que Ele derramou Seu sangue pelos que estão dispostos a confessar seus pecados, e que na verdade buscam misericórdia através das veias abertas de Seu corpo ferido, e que por ninguém mais quis Se oferecer na cruz.

Agora, observemos, amados, que há uma distinção muito sábia da parte de Deus, quando Lhe agrada eleger e chamar os pecadores ao arrependimento, e não os demais. Por esta razão, ninguém a não ser os pecadores vão a Ele. Nunca se viu o milagre de que alguém que possua justiça própria venha a Cristo buscando misericórdia; ninguém jamais veio a Cristo, exceto aqueles que necessitam de um Salvador. É lógico que quando os homens não se consideram necessitados de um Salvador, nunca se achegam a Seu trono; e certamente é suficientemente satisfatório em todos os sentidos que Cristo diga que Ele recebe pecadores, visto que os pecadores são as únicas pessoas que virão a Ele buscando misericórdia, e portanto seria inútil Ele dizer que recebe qualquer um, senão que recebe aqueles que com certeza virão.

E observem, também, que ninguém exceto esses podem vir; ninguém pode vir a Cristo enquanto não se reconheça verdadeiramente como pecador. O homem com justiça própria não pode vir a Cristo; pois, o que está implícito quando se vem a Cristo? Arrependimento, confiança em Sua misericórdia e a negação de toda confiança em si mesmo. Agora, um homem com justiça própria não pode se arrepender e ao mesmo tempo ser justo com justiça própria. Ele entende que não tem pecado; por que, então, haveria de se arrepender? Diga-lhe que venha a Cristo com humilde penitência e ele exclamaria: “Ah, você está insultando minha dignidade. Por que deveria me aproximar de Deus? Em que tenho pecado? Meu joelho não se dobrará para buscar perdão, posto que não O tenho ofendido; estes lábios não buscariam perdão quando não creio que tenho transgredido contra Deus; não vou pedir misericórdia”.

O homem com justiça própria não pode vir a Deus; pois sua vinda para Deus implica que ele cessou de ter justiça própria. O homem com justiça própria nem mesmo pode por sua confiança em Cristo: Por que haveria de fazê-lo? Confiarei em um Cristo que não necessito? Se tenho justiça própria, não preciso, em minha própria opinião, de um Cristo que me salve. Como, então, poderia vir com uma confissão como esta:

‘Nada trago em minhas mãos’,

Quando tenho minhas mãos cheias? Como poderia dizer: ‘Lava-me’, quando me considero limpo? Como poderia dizer: ‘Cura-me’, quando penso que nunca estive enfermo? Como poderia clamar: ‘Dá-me liberdade, dá-me liberdade’, quando estou convencido que nunca fui um servo, e ‘jamais fui escravo de ninguém?’. É unicamente o homem que conhece sua escravidão em razão de sua servidão ao pecado, e o homem que se reconhece como enfermo, à beira da morte, em razão de seu sentimento de culpa, unicamente o homem que sente que não pode salvar-se a si mesmo o que pode confiar no Salvador.

O homem com justiça própria nem mesmo pode negar a si mesmo e apegar-se a Cristo, porque o negar a si mesmo assumiria de imediato o caráter daqueles que Cristo disse que receberia. Ponha-se, portanto, no lugar de pecador e jogue para bem longe sua justiça própria. Vamos, senhores, vir a Cristo implica tirarmos as roupas imundas de nossa justiça própria e colocarmos a vestimenta de Cristo. Como poderia fazer isso se me visto com minhas próprias vestes? E se para vir a Cristo devo abandonar meu próprio refúgio e toda minha esperança, como poderia fazê-lo, se considero que minha esperança é boa, e que meu refúgio é seguro? Como poderia fazê-lo se suponho que já estou vestido adequadamente para participar do banquete das bodas do Cordeiro?

Não, amados, é o pecador, e unicamente o pecador, quem pode vir a Cristo; o homem com justiça própria não pode fazê-lo; está fora de seu alcance: e se pudesse, não o faria. Sua mesma justiça própria põe grilhões nos seus pés, de tal forma que ele não pode vir; paralisa seu braço, de tal forma que ele não pode agarrar-se em Cristo; e cega seus olhos de tal forma que não pode ver o Salvador.

Além disso, há outra razão: se estas pessoas que não são pecadoras quisessem vir a Cristo, Cristo não receberia deles a glória. Quando o médico abre suas portas aos que estão doentes, e eu entro gozando de perfeita saúde, ele não ganharia nenhuma honra comigo, porque não poderia exercer sua capacidade em mim. O homem generoso poderia distribuir toda sua riqueza entre os pobres; mas se alguém que possui em abundância se aproximar dele, então não receberia nenhum reconhecimento desta pessoa por alimentar os pobres, ou por vestir os nus. Se Jesus Cristo proclama que Ele dá Sua graça a todos os que a buscam, certamente é suficiente, visto que ninguém quer ou pode vir para ela, exceto aqueles que são impulsionados por suas necessidades peremptórias.

Oh! Suficiente, é suficiente para Sua honra. Um grande pecador traz grande glória a Cristo quando é salvo. Se um homem que não é pecador pudesse alcançar o céu, glorificará a si mesmo, mas não glorificará a Cristo. Se o homem sem mancha mergulha na fonte, não pode engrandecer o poder purificador dela, pois não possui manchas para serem lavadas. Aquele que não tem nenhuma culpa, nunca poderá engrandecer a palavra “perdão”. Então é o pecador, e unicamente o pecador, aquele que pode glorificar a Cristo; e por isso “Este recebe pecadores”, mas não se diz que recebe alguém mais. “Não veio chamar justos, senão pecadores ao arrependimento”. Esta é a doutrina do texto.

Porém, permita-nos ressaltar esta palavra: “Este recebe pecadores”. Agora, mediante isto entendemos que Ele recebe os pecadores para dar-lhes todos os benefícios que Ele comprou. Se há uma fonte, Ele recebe os pecadores para lavá-los nela; se há remédio para a alma, Ele recebe os pecadores para curar suas enfermidades; se há uma casa para os enfermos, um hospital, um leprosário para os moribundos, Ele os recebe nesses refúgios de misericórdia. Tudo o que Ele tem de amor, tudo o que Ele tem de misericórdia, tudo o que Ele tem de expiação, tudo o que Ele tem de santificação, tudo o que Ele tem de justiça compartilha quando recebe o pecador. Sim, e não contente com levá-lo à Sua casa, recebe-o em Seu coração. Toma o pecador, negro e imundo, e o havendo lavado, “eis aqui”, diz a ele, “tu és o meu amado; meu desejo é para ti”. E para consumar tudo, ao fim, Ele recebe os santos no céu. Santos, eu disse, porém me refiro àqueles que foram pecadores, pois ninguém pode ser santo verdadeiramente, senão aquele que uma vez foi pecador, foi lavado no sangue de Cristo, e branqueado por meio do sacrifício do Cordeiro.

Observem, então, amados, que receber pecadores quer dizer a completa salvação; e esta palavra em meu texto: “Cristo os pecadores recebe”, engloba todo o pacto. Ele os recebe nos gozos do paraíso, nas bem-aventuranças dos beatificados, nos cânticos dos glorificados, em uma eternidade de felicidade para sempre. “Este recebe pecadores”; e eu dou especial ênfase a este ponto: Ele não recebe ninguém mais. Ele não salvará ninguém mais, exceto aqueles que se reconhecem como pecadores. Plena e gratuita salvação é proclamada a todos os pecadores do universo; mas não tenho salvação para anunciar para aqueles que não se veem como pecadores. A eles devo pregar a lei, dizendo-lhes que sua justiça está formada por trapos imundos, que sua bondade se desvanecerá como uma teia, e serão despedaçados como um ovo de avestruz é esmiuçado pelo casco do cavalo. “Este recebe pecadores”, e não recebe ninguém mais.

  1. Agora, então, o ÂNIMO. Se este homem recebe pecadores enfermos pelo pecado, que doces palavras são essas para você! Certamente, então, Ele não o rejeitará. Venha, permita-me encorajá-lo para que venha ao meu Senhor, para que receba Sua grandiosa expiação, e para que seja vestido com toda Sua justiça. Atentem-se: estou me dirigindo a pecadores reais, flagrantes, bona fide (que de boa fé dizem  ser pecadores); e não a quem dizem sê-lo por cortesia; não aos que dizem que são pecadores para apaziguar, como supõem, aos religiosos do dia. Eu me dirijo aos que se sentem em condições de perdidos, arruinados, desesperados. Todos esses estão agora franca e gratuitamente convidados a virem a Jesus Cristo, e serem salvos por Ele. Venham, pobres pecadores. Venham.

Venham porque Ele disse que os receberá; eu conheço seus medos; todos os sentimos uma vez, quando estávamos vindo a Cristo. Eu sei que diz em seu coração: “Ele me rejeitará. Se eu apresentar minha oração, Ele não me ouvirá; se clamar a Ele, os céus porventura serão como bronze; tenho sido tão grande pecador, que nunca me levará à Sua casa para que more com Ele”. Pobre pecador! Não diga isso; Ele publicou Seu decreto. É suficiente entre homens (se consideramos honestos a nossos semelhantes) obter uma promessa. Pecador! Não é isto suficiente entre você e o Filho de Deus? Ele disse: “Ao que vier a mim, não o lançarei fora”. Não se atreverá a se aventurar com base nessa promessa? Não se adentrará no mar numa barca tão sólida como esta: “o SENHOR disse ”? Essa promessa tem sido vez ou outra o único consolo dos santos; baseados nessa promessa têm vivido e apoiado nela morreram: “o SENHOR disse”. Quê! Você pensa por acaso que Cristo mentiria? Diria a você que o receberia quando na verdade não havia pensado em fazê-lo? Diria: “Meus animais gordos foram mortos e tudo está preparado; venha às bodas”, para fechar a porta na sua cara? Não, se Ele disse que não lançará fora ninguém que venha a Ele, você pode estar seguro de que não poderá fazê-lo, não o lançará fora. Venha, então, prove Seu amor sobre esta base: Ele disse.

Venha, e não tema, pois você deve lembrar que se sente o pecado, esse sentimento é um dom de Deus; portanto, você pode vir com segurança a Alguém que tem feito tanto para o atrair. Um desconhecido chama à porta, me pede esmola, e me diz logo de início muito claramente que nunca havia me visto antes, que não tem argumentos para motivar minha generosidade, mas que se apoia inteiramente em qualquer sentimento benevolente que eu possa abrigar em meu peito. Mas se eu tivesse feito qualquer coisa por ele antes, ele poderia dizer, supondo que eu fosse rico: “senhor, você fez tanto por mim, que penso que não me abandonará afinal; eu creio que não me deixará morrer de fome, depois de tanto amor”.

Pobre pecador! Se você sente a necessidade de um Salvador, Cristo fez com que a sentisse; se você tem um desejo de seguir a Cristo, Cristo lhe deu esse desejo; se você tem algum anelo por Deus, Deus lhe deu esse anelo; se pode suspirar por Cristo, Cristo o fez suspirar; se pode chorar por Cristo, Ele o fez chorar. Ah, se você puder desejá-Lo com o forte desejo de alguém que teme que jamais O poderá encontrar e, contudo, espera poder fazê-lo, se não puder fazer outra coisa que não seja esperar Nele, Ele lhe deu essa esperança. E oh! Acaso você não virá a Ele? Você tem algumas das graças do Rei consigo; venha e considere o que Ele tem feito, pois não há petição que possa falhar diante de Deus, quando se considera isso. Diga-Lhe que Suas misericórdias passadas o exortam a prová-las de novo no futuro. Ajoelhe-se, pecador, ajoelhe-se; diga-Lhe isto: “Senhor, dou-te graças porque me reconheço um pecador; Tu me tens ensinado isso; bendigo-te porque não escondo meu pecado, porque o conheço, porque o sinto; sempre está diante de mim. Senhor, acaso me farias ver meu pecado e não me deixarias ver o meu Salvador? Como! Abririas a ferida e me meterias a lanceta[1] e contudo não me curaria? Como, Senhor! Disseste: ‘Eu faço morrer’ e acaso ao mesmo tempo não disseste: ‘Eu faço viver’? Tu me fazes morrer, e não me fazes viver?” Considere isso, pobre pecador, e confirmará que é verdade que “Ele recebe pecadores”.

Isso não é suficiente para você? Então, aqui há outro motivo: estou seguro que “Ele recebe pecadores”, porque tem recebido a muitos mais antes de você. Olhe, ali está a porta da Misericórdia; observe quantos passaram por ela; quase pode-se ouvir agora os golpes à porta, como ecos do passado. Podem se lembrar quantos viajantes cansados por causa da viagem foram chamados ali para obter descanso, e quantas almas famintas pediram por pão ali. Ande, toque à porta da Misericórdia, e faça ao Porteiro esta pergunta: “Houve alguma vez alguém que solicitou entrar, mas que foi rejeitado?” Posso lhe garantir a resposta: “Não, ninguém”.

“Nenhum pecador, que tenha vindo

 Buscar misericórdia no nome de Jesus,

Foi enviado de volta com as mãos vazias”

E será você o primeiro? Você acha que Deus perderá o Seu bom nome, rejeitando-o? A porta da misericórdia tem estado aberta dia e noite, todo o tempo desde que o homem pecou; você crê que ela será fechada na sua cara pela primeira vez? Não, homem, vá e comprove; e se você descobrir que é assim, volte e diga: “Você não leu a Bíblia como você deveria fazê-lo”; ou também pode dizer que encontrou ali uma promessa que não foi cumprida; pois Ele disse: “O que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.

Não creio que tenha existido alguém neste mundo que jamais possa dizer diante de Deus que sinceramente buscou misericórdia Dele, mas que não a encontrou. Além do mais, acredito que tal ser nunca existirá, senão que qualquer que venha a Cristo encontrará misericórdia com suma certeza. De que maior motivação você precisa? Quer uma salvação para aqueles que não querem vir para serem salvos? Quer que o sangue seja aspergido sobre aqueles que não querem vir a Cristo? Poderá assim querê-lo, então; mas eu não posso anunciá-lo. Não o encontro na Palavra de Deus, e portanto não me atrevo a fazê-lo.

E agora, pecador, tenho outro argumento para lhe exortar a crer que Cristo receberá a todos os pecadores que vêm a Ele. O argumento é que Ele chama aos que são Dele. Agora se Cristo nos chama e nos ordena a vir, podemos estar seguros que não nos rejeitará quando viermos. Uma vez, um cego estava sentado pelo caminho, pedindo esmola. Ouviu (pois não podia), ouviu as pisadas de muitos pés que passavam a seu lado. Perguntou a que se devia tudo isto: eles responderam que Jesus de Nazaré passava por ali. A grande voz clamou: “Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!” O ouvido da misericórdia aparentemente estava surdo, e o Salvador prosseguia Seu caminho sem ouvir a oração. O pobre homem ficou quieto então, mas depois clamou com mais força, embora não tenha se movido. Contudo, quando o Salvador disse: “Vem aqui”, ah! Então não se demorou nem um instante. Eles lhe disseram: “Levanta-te, ele te chama”; e fazendo-o, abriu passagem pela multidão e ofereceu a oração: “Mestre, recupere-me a visão”. Bem, então, você que se sente perdido e arruinado, levante-se e fale: Ele o chama. Pecador convicto, Cristo diz: “Venha”; e para que esteja seguro de que Ele disse-lhe isso, citemos outra vez as Escrituras: “Não vim chamar os justos, mas pecadores ao arrependimento”. Você é chamado, homem; então venha.

Se sua majestade a rainha Vitória passasse por aqui, dificilmente você tentaria falar com ela; porém se seu nome fosse chamado, e além disso, pelos seus próprios lábios, você não iria a sua carruagem? E o que ela teria a dizer-lhe, não a escutaria? Agora o Rei do céu diz: “Venha”. Sim, os mesmos lábios que um dia dirão: “Venham, benditos”, dizem esta noite: “Venham, pobres pecadores angustiados, venham a mim, e eu os salvarei”. Não há uma alma angustiada neste salão, se sua angústia é obra do Espírito Santo de Deus, que não encontre salvação nas feridas de Cristo. Creia, então, pecador, creia em Jesus, que Ele pode salvá-lo perpetuamente.

E agora, somente mais um ponto para recomendá-los este ânimo. Certamente, pobres almas, eu sei que quando vocês estão debaixo de um sentimento de pecado, é muito difícil crer. Dizemos algumas vezes, “unicamente creia”; mas crer é justo a coisa mais difícil do mundo, quando o peso do pecado permanece sobre seus ombros. Dizemos: “pecador, unicamente creia em Cristo”. Ah, vocês não sabem quão grande é esse “unicamente”. É uma obra tão grande, que ninguém pode fazê-la sem ajuda de Deus; pois a fé é um dom de Deus, e Ele a dá unicamente a Seus filhos. Mas se há algo que pode chamar-se um exercício da fé, é esta a última coisa que vou mencionar.

Pecador, recorde-se que Cristo quer recebê-lo, pois veio desde o céu para buscá-lo e encontrá-lo no meio de seus extravios, e para salvá-lo e para resgatá-lo de suas misérias; Ele tem dado provas de Seu sincero interesse em seu bem-estar, derramando o próprio sangue de Seu coração, para redimir sua alma da morte e do inferno. Se Ele tivesse desejado a companhia dos santos, poderia ter ficado no céu, pois havia muitos ali. Abraão, Isaque e Jacó estavam com Ele ali na glória; mas Ele queria os pecadores. Ele sentia sede pelos pecadores que perecem. Ele queria convertê-los em troféus de Sua graça. Ele queria almas negras, para lavá-las até que ficassem brancas. Ele queria almas mortas, para fazê-las viver. Sua benevolência queria objetos para exercê-la; e portanto:

 

“Descendo desde os refulgentes assentos de acima,

 com deleitosa pressa saiu,

e entrou na tumba em carne mortal,

e habitou entre os mortos”.

 

Oh, pecador, olhe ali e veja a cruz! Observe aquele homem nela!

“Veja: de Sua cabeça, Suas mãos, Seus pés,

A dor e o amor se juntam e descem.

Alguma vez se juntaram tal amor e tal dor?

Alguma vez as espinhas formaram coroa tão rica?”

 

Vê aqueles olhos? Consegue ver a lânguida piedade por Sua alma saltando deles? Você pode fixar em Seu lado? Está aberto para que possa esconder seus pecados ali. Vê essas gotas de sangue púrpura? Cada gota é derramada por você. Escuta aquele grito de morte: “Eloi, Eloi, lama sabactani?” Esse grito, em toda sua solenidade de profundos tons, é por você. Sim, por você, se é um pecador; se hoje diz a Deus: “Senhor, eu sei que o tenho ofendido; tem misericórdia de mim, por Jesus”; se agora, ensinado pelo Espírito, é conduzido a se abominar em pó e cinzas, porque tem pecado, verdadeiramente, diante de Deus: digo-lhe ante Seus olhos, como Seu servo, que será salvo; pois Jesus não morreria por você para deixá-lo perecer.

  1. Agora o último ponto é uma EXORTAÇÃO. Se é certo que Cristo veio unicamente para salvar pecadores, meus amados leitores, trabalhem, esforcem-se, agonizem, para alcançar em suas almas um sentido de sua condição de pecadores. Umas das coisas mais perturbadoras do mundo é sentir-se pecador; mas essa não é uma razão para que eu não os exorte para que a busquem, pois embora seja perturbadora, é unicamente o desconforto do amargo remédio que conseguirá eficazmente a cura. Não busquem alcançar ideias elevadas sobre vocês. Busquem confirmar uma baixa opinião própria; não tratem de se adornarem com enfeites; que não seja seu objetivo vestir-se com ouro e prata; não busquem se fazer de bons; busquem despirem-se; busquem humilharem-se. Não se elevem às alturas, mas mergulhem-se nas profundidades. Não subam, porém, desçam. Peçam a Deus que lhes permita ver que vocês não são absolutamente nada. Peçam-Lhe que os conduzam a ponto de não terem nada a dizer senão isto:

 

“Eu sou o principal dos pecadores”

 

E se Deus escutar sua oração, muito provavelmente Satanás lhe dirá que você não pode ser salvo porque é um pecador. Mas como disse Martinho Lutero: “Uma vez, quando eu estava despedaçado pela dor e pelo pecado, Satanás disse: ‘Lutero, você não pode ser salvo, pois você é pecador. ‘Não’, replicou Lutero, ‘vou cortar-lhe a cabeça com a sua própria espada. Você disse que sou um pecador; agradeço-lhe que me tenha dito isso. Você é um Satanás santo’ (isso em tom de zombaria, sem dúvida), quando afirma que sou um pecador. Bem, Satanás, Cristo morreu pelos pecadores e, portanto, Ele morreu por mim. ‘Ah’, acrescentou, ‘se você pode me demonstrar isso, Satanás, eu lhe darei graças por isso; e longe de gemer, começarei a cantar, pois tudo o que necessitamos é saber e sentir que somos pecadores’”.

Sintamos isso, saibamos disso, e poderemos recebê-lo como indubitável revelação, que temos um direito de vir a Cristo, e de crer Nele, e de recebê-Lo como toda nossa salvação, e todo nosso desejo. Sem dúvida a consciência virá e lhes porá um freio; mas não tratem de fechar a boca à Consciência, senão que digam-lhe que estão muito agradecidos por tudo o que disse: ‘Oh, você tem sido um tipo sem esperança; você pecou quando era jovem, pecou inclusive até hoje. Quantos sermões foram desperdiçados em você, quantos domingos você quebrou; quantas advertências você menosprezou; oh, você é um pecador sem esperança’. Respondam à Consciência que vocês lhe agradecem, pois quanto mais possam provar que são pecadores, não por feitos exteriores, mas pelo íntimo de seu coração, mais saberão que são realmente culpados e maior razão terão para vir a Cristo dizendo: “Senhor, creio que morreste pelos culpados; eu creio que Tua intenção é salvar os indignos. Eu me lanço sobre Ti; Senhor, salva-me!” Isso não parece bom para muitos de vocês, não é? Não é o tipo de doutrina que agrade muito a homens. Não; vocês gostariam de ser pessoas boas e ajudar um pouco a Cristo. Agrada a vocês esta teoria que alguns ministros estão sempre proclamando: “Deus tem feito tanto por você; faça o resto e então será salvo”. Essa é uma doutrina muito popular; você faz uma parte e Deus faz a outra. Mas essa não é a verdade de Deus, é apenas um sonho delirante. Deus disse: “Eu farei tudo; venha e prostre-se a Meus pés; renuncie às suas obras; deixe-me tomar toda a minha responsabilidade; depois o farei viver para Minha glória. Unicamente para que possa ser santo, Eu desejo que confesse que é ímpio; para que possa ser santificado, deve confessar que, todavia, é perverso”.

Oh, façam isso, leitores. Caiam diante do Senhor; prostrem-se. Não fiquem de pé, cheios de orgulho, mas prostrem-se diante do Senhor em humildade; digam-Lhe que estão arruinados sem Sua graça soberana; digam-Lhe que não possuem nada, que não são nada, que nunca serão algo senão nada, mas que vocês sabem que Cristo não necessita nada de vocês, pois os aceitará como são. Não busquem vir a Cristo com algo, além de seu pecado; não busquem vir a Cristo com suas orações como uma recomendação; não venham a Ele inclusive com profissões de sua fé; venham a Ele com seu pecado, e Ele lhes dará fé. Se vocês permanecem longe de Cristo e pensam que terão fé longe Dele, cometem um grave erro. É Cristo quem nos salva; devemos vir a Cristo para tudo o que precisamos.

“Tu, oh Cristo, és tudo o que necessito;

Tudo em tudo em Ti encontro:

Levantas o caído, animas o débil,

Curas o enfermo e guias o cego.”

Jesus fará isso e mais ainda; mas você deverá vir como cego, deve vir como enfermo, deve vir como perdido, pois do contrário não pode nem deve vir.

Venha, então, a Jesus, eu suplico, independentemente de tudo o que até este momento o tenha impedido de vir. Suas dúvidas o manterão longe, porém diga: “Aparte-se de mim, incredulidade; Cristo disse que Ele morreu pelos pecadores: e eu sei que sou pecador”.

“Minha fé viverá por essa promessa,

E nessa promessa morrerá.”

 

E há algo que quero dizer antes de chegar a uma conclusão. Não permaneçam longe de Cristo, quando se reconhecerem pecadores, por pensarem que não entendem cada um dos pontos da teologia. Frequentemente recebo jovens convertidos, que me dizem: “eu não entendo esta ou aquela doutrina.” Bem, dá-me muito prazer, na medida em que posso, explicá-las. Porém, algumas vezes recebo, não jovens convertidos, mas jovens convictos, aqueles que estão sob convicção de pecado; e quando estou tratando de levá-los a isto, quer dizer, que não são outra coisa senão pecadores que podem crer em Cristo, eles começam com este intrincado ponto, e imaginam que não podem ser salvos até que sejam teólogos formados. Agora, se vocês esperam entender toda a teologia antes de colocar sua fé em Cristo, só posso lhes dizer que nunca o conseguirão; pois independentemente de quanto tempo vivam, haverá sempre algumas profundezas que vocês não poderão explorar. Há certos fatos inquestionáveis que devem compreender; mas sempre haverá dificuldades que não serão capazes de ver. O santo mais brilhante da terra não o entende inteiramente; mas vocês querem fazê-lo antes de vir a Cristo. Um homem me pergunta como veio ao mundo o pecado, e não virá a Cristo enquanto não descobrir isso. Bem, ele estará perdido além de toda esperança de recuperação, se ele esperar até chegar a sabê-lo, pois ninguém jamais saberá. Não tenho razão para crer que isso seja nem sequer revelado aos que se encontram no céu. Outro quer saber como é que os homens recebem uma ordem de vir (e contudo, nos ensina a Escritura que ninguém pode vir), e ele necessita que isso seja esclarecido; justo como se o pobre homem que tinha seu braço seco, quando Cristo lhe disse: “Estenda seu braço,” tivesse respondido: “Senhor, tenho um problema mental; quero saber como podes me dizer que estenda meu braço quando ele está seco.” Suponham que quando Cristo disse a Lázaro: “Venha para fora!”, Lázaro tivesse respondido: “tenho uma dificuldade mental; como pode um morto vir para fora?”

Vamos, você deve saber isto, homem vão! Quando Cristo disse “Estende seu braço,” Ele lhe dá poder com a ordem, para que estenda seu braço, e a dificuldade é resolvida na prática, embora eu creia que nunca será resolvida na teoria. Se os homens querem que a teologia lhes seja apresentada como um mapa, semelhante a um mapa da Inglaterra; se desejassem ter cada pequena aldeia e cada cerca do Evangelho do Reino delineados em um mapa, não o encontraram em nenhum lugar, exceto na Bíblia; e encontrarão todos os elementos tão bem delineados que os anos de Matusalém não seriam suficientes para descobrir cada pequeno detalhe nela. Devemos vir a Cristo e aprender, e não aprender e então vir a Cristo.

“Ah! Mas”, dirá alguém, “essa não é a base das minhas dúvidas; eu não fico muito perplexo acerca dos pontos teológicos; tenho uma ansiedade pior que essa: sinto que sou demasiadamente mau para ser salvo.” Bem, então eu creio que você está equivocado; essa é toda a resposta que posso lhe dar; pois eu crerei em Cristo antes de crer em você. Você me diz que é demasiadamente mau para ser salvo; Cristo disse: “Ao que a mim vem, não o lançarei fora”. Agora, quem estará correto? Cristo disse que Ele receberá ao pior de todos e você me diz que não o fará. E então? “Seja Deus verdadeiro, e todo homem mentiroso.” Porém, há uma palavra de consolo que desejaria que vocês recebessem; eu desejo que Deus os conduza a vir e provar ao Senhor Jesus Cristo, e vejam se Ele os lançará fora. Que me importa ser frequentemente censurado por fazer minhas exortações ao pior dos pecadores? É dito que foco meu ministério aos bêbados, às prostitutas, aos blasfemos, e aos pecadores da pior categoria. Que me importa que o dedo de escárnio seja apontado a mim, ou que seja considerado como um tonto diante das pessoas; pensam que serei dissuadido por sua ironia? Pensam que ficarei envergonhado diante de sua dolorosa ridicularização? Oh, não: como Davi, quando dançou diante da arca do Senhor, e Mical, a filha de Saul, zombou dele e o menosprezou como a um sem-vergonha, eu unicamente replicarei, que se isto é vil, proponho-me ser mais vil ainda.

Enquanto eu ver as pisadas de meu Senhor diante de mim, e enquanto ver ainda mais sinais cheios de graça que confirmem meus labores; enquanto ver que Seu nome é engrandecido, Sua glória é incrementada, e as almas que perecem são salvas, (e graças sejam dadas a Deus pelo que temos visto a cada dia), enquanto este Evangelho me der segurança, enquanto o Espírito de Deus me mover, e enquanto os sinais evidentes multiplicarem os selos de meu ministério, quem sou eu para me deter por causa do homem, ou resistir ao Espírito Santo por qualquer carne que tenha fôlego? Oh, então, você que é o pior dos pecadores, você, é o mais vil dos vis, você que é a escória da cidade, o descarte da terra, o lixo da criação, a quem ninguém procura, você que tem o caráter destruído, e cuja alma está imunda no mais íntimo, tão negra que nenhum lavador da terra pode branqueá-la, tão envilecido que nenhum moralista creria que é recuperável! Venha você, venha a Cristo.

Venha seguindo Seu próprio convite. Venha, e será recebido com toda certeza com calorosas boas-vindas. Meu Senhor disse que Ele recebe pecadores. Seus inimigos afirmaram sobre Ele: “Este recebe pecadores“. De fato e em verdade sabemos, com certeza, que Ele certamente recebe os pecadores, testemunhado pelos próprios inimigos.

Venha agora, e dê-Lhe maior crédito à Sua palavra, ao Seu convite, à Sua promessa. Acaso objeta que foi unicamente nos poucos dias em que Ele esteve na terra que Ele recebia pecadores? Não, não é assim; está confirmado por toda a experiência subsequente. Os apóstolos de Jesus fizeram eco a ela depois que Ele ascendeu ao céu, em termos tão claros, como Ele mesmo expressou quando se encontrava ainda aqui. Acaso não crerão nisto: “Palavra fiel e digna de ser recebida por todos: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal“? Vocês, desprezadores, vão e riam disto; vão, e zombem do Evangelho pregado, se quiserem; porém, um dia nos encontraremos, face a face, ante nosso Criador, e isso poderá ser muito duro para aqueles que desprezaram a Cristo, e riram de Suas palavras cheias de graça.

Há alguém infiel aqui que diga que lhe será suficientemente bem se morrer uma morte de aniquilação, sem a existência de um mundo futuro? Bem, meu amigo, suponha que todos os homens morram como cachorros, e que eu estarei tão bem como o estará você, embora talvez um pouco melhor enquanto há felicidade e paz neste mundo. Porém, se (e observe que não uso o condicional porque duvide), fosse certo que há um mundo vindouro, não gostaria de estar em seu lugar nesse mundo vindouro. Suponhamos que há um trono de juízo; que há um inferno (o digo hipoteticamente, não porque tenha alguma dúvida a respeito, mas porque você me disse que duvida, embora eu não creia que realmente você duvida), se houvesse um lugar assim, que faria então? Vamos, inclusive agora treme se cai una folha à noite; está horrorizado se a cólera ronda nas ruas; está alarmado se está um pouco doente; você corre ao médico, e qualquer um pode enganá-lo com seus remédios, porque você teme a morte. Que fará nas cheias do Jordão, quando a morte se agarrar em você? Se uma pequena dor o espanta agora, que fará quando seu corpo sacudir, e seus joelhos se baterem entre si diante de seu Criador? Que fará, leitor, quando Seus olhos ardentes penetrarem no centro de sua alma? Que fará, quando, no meio de dez mil tronos, Ele disser: “Afaste-os, afaste-os“? Não posso lhe dizer o que fará; porém, dir-lhe-ei uma coisa que não se atreverá a fazer; não se atreverá a dizer que eu não tratei de pregar-lhe o Evangelho tão simplesmente como sempre, ao principal dos pecadores.

Ouçam de novo: “Aquele que crê será salvo.” Crer é confiar em Cristo; lançar-se nesses benditos braços que podem sustentar o pecador mais pesado que jamais encontrou fôlego; deixá-Lo fazer tudo por vocês, até que lhes tenha dado vida, e lhes tenha permitido ocupar-se do que Ele previamente planejou para vocês, “sua própria salvação,”; e inclusive isto deve ser feito com “temor e tremor.” Deus Todo Poderoso conceda, que alguma pobre alma possa ser abençoada hoje! Você que está à costa, não espero lhe fazer bem algum. Se eu tiver um dispositivo para lançar cordas mar adentro, é somente um barco encalhado, ou o marinheiro náufrago aquele se regozijará ao ver a corda. Vocês que se consideram salvo, não têm necessidade de que eu lhes pregue; vocês são tão perigosamente bons em sua própria opinião, que é inoportuno que eu tente fazê-los melhores; são todos tão terrivelmente justos, que podem seguir muito bem seu caminho, sem nenhuma advertência de minha parte. Devem desculpar-me, portanto, se não tenho outra coisa a dizer, exceto esta: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas!”, e permitam-me dirigir-me à outra classe de pessoas, aos mais vis dos vis. Não me importa se tenho o apelido de ‘o pregador dos mais desprezíveis e vis’; não me envergonharia de ser denegrido como Rowland Hill, como o predicador das classes mais desprezíveis; pois eles precisam do Evangelho tanto como qualquer outra criatura abaixo do céu; e se ninguém lhes prega, com a ajuda de Deus, esforçar-me-ei por pregar-lhes o Evangelho com palavras que possam entender. E se à gente educada não lhe agrada a pregação nesse estilo, têm a opção de não fazer caso. Se quiserem ouvir pregadores de estirpe intelectual, acima da capacidade de pecadores comuns, vão e os ouçam; eu devo contentar-me com seguir a meu Senhor, quem “se despojou a si mesmo,” para ir atrás de pecadores insólitos, de uma maneira insólita. Prefiro ir contra o decoro do púlpito, e atropelar a decência do púlpito, que deixar de quebrantar corações endurecidos. Considero que esse tipo de pregação é a correta, que de uma maneira ou outra, alcança o coração, e não me importa como o faça. Confesso que se não pudesse pregar de uma maneira, o faria de outra; se ninguém vem me ouvir quando uso um terno preto, talvez sejam atraídos se usar um terno vermelho. De alguma maneira ou outra, fá-los-ia ouvir o Evangelho se pudesse; e me esforçarei por pregar de tal maneira que o entendimento mais limitado seja capaz de entender este fato: “Este recebe pecadores“. Que Deus os abençoe a todos, por Cristo Senhor nosso!

ORE PARA QUE O ESPÍRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA EDIFICAÇÃO DE MUITOS E SALVAÇÃO DE PECADORES.

 

 

FONTE:

Traduzido de http://www.spurgeon.com.mx/sermon219.html

Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público

Sermão nº 219—Volume 4 do The New Park Street Pulpit,

 

Tradução: Gabriel Valadares

Revisão: Cibele Cardozo

Capa: Wellington Marçal

 

Projeto Castelo Forte

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[1] Lanceta: Instrumento cirúrgico de dois gumes que serve para fazer cortes pouco profundos

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