Esboços da História da Igreja – Capítulo 5 -Os Mártires Franceses do Século II

Esboços da Historia da Igreja

J.C.Robertson

Capítulo 5 – Os Mártires Franceses do Século II (177 d.C.)

Muitos outros mártires sofreram em várias partes do império sob o reinado de Marco Aurélio. Entre os mais famosos, estão os mártires de Lyon e Vienne, no sul da França (ou Gália, como era chamada na época), onde uma companhia de missionários da Ásia Menor se instalou com um bispo chamado Pontino como seu líder.

A perseguição em Lyon e Vienne foi iniciada pela multidão dessas cidades, que insultavam os cristãos nas ruas, invadiam suas casas e cometiam outros atentados contra eles. Em seguida, um grande número de cristãos foram apreendidos e presos em masmorras horríveis, onde muitos morreram por falta de comida, ou por causa do ar ruim e prejudicial. O bispo Pontino, que tinha noventa anos de idade e há muito tempo estava doente, foi levado perante o governador, e interrogado: “Quem é o Deus dos cristãos?” Pontino viu que o governador não perguntou isso com uma boa intenção; então respondeu: “Se você for digno, você saberá”. O bispo, velho e fraco, foi arrastado pelos soldados, e a multidão que conseguia alcançá-lo dava-lhe golpes e chutes, enquanto outros que estavam mais afastados jogavam coisas nele; depois dessa crueldade, ele foi colocado na prisão, morrendo dois dias depois. Continue lendo

Esboços da História da Igreja – CAPÍTULO 4: POLICARPO DE ESMIRNA (século II)

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J.C.Robertson

CAPÍTULO IV: POLICARPO DE ESMIRNA (166 d.C.)

 

Policarpo, bispo de Esmirna, foi condenado à morte na mesma ocasião que Justino o Mártir. Era um homem muito idoso, havia quase noventa anos desde que havia sido convertido do paganismo. Conheceu o Apóstolo João, que deve ter colocado Policarpo como bispo de Esmirna. Policarpo tinha sido amigo de Inácio, que, como vimos, sofreu o martírio cinquenta anos antes. Por todas essas coisas, e devido a seu caráter sábio e santo, foi considerado um pai por todas as igrejas, e seu conselhos moderados, por vezes, acabou com as diferenças de opiniões que, sem ele, poderiam se transformar em brigas duradouras. Continue lendo

Esboços da História da Igreja – CAPÍTULO 3: JUSTINO MÁRTIR (século II)

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J.C.Robertson

CAPÍTULO III: JUSTINO MÁRTIR (século II)

Embora Trajano não tenha sido amigo do Evangelho, e tenha matado Inácio, promulgou uma lei que deve ter sido um grande alívio para os cristãos. Até então, eles podiam ser perseguidos e qualquer um poderia informar algo contra eles. Mas Trajano ordenou que não fossem procurados, embora, se fossem descobertos e recusassem desistir de sua fé, deveriam ser punidos. O próximo imperador, cujo nome era Adriano (117-138 d.C.) fez algo para melhorar a condição deles; mas ainda era uma época perigosa. Não obstante as novas leis, qualquer governador de um país que não gostasse dos cristãos, tinha o poder de persegui-los cruelmente. E as pessoas comuns entre os pagãos ainda acreditavam nas horríveis histórias de matar crianças e comer carne humana. Se houvesse uma fome ou uma praga, se o rio Tibre, que atravessa Roma, subisse acima do habitual e fizesse danos aos edifícios vizinhos, ou se os exércitos do imperador fossem derrotados na guerra, a culpa de tudo isso era colocada sobre os cristãos. Dizia-se que todas essas coisas eram julgamentos dos deuses, que estavam bravos porque os cristãos tinham permissão para viver. E nos jogos públicos, como aqueles em que Inácio foi morto, o povo gritava: “Lancem os cristãos aos leões! Fora os ímpios ateus! “Pois, como os cristãos eram obrigados a manter sua adoração secretamente, e não tinham imagens como as dos deuses pagãos, e não ofereciam sacrifícios de animais, como faziam os pagãos, pensava-se que eles não tinham Deus, já que os pagãos não poderiam pensar em um Deus que é espírito e que não deve ser adorado sob nenhuma forma corporal. Foi, portanto, um grande alívio, quando o Imperador Antonino Pio (138 a 161 DC), que era um homem amável e gentil, ordenou que governadores e magistrados não deixassem se levar por tais clamores e que os cristãos não deveriam mais ser punidos apenas por sua religião, a menos que eles tivessem sido encontrados realizando algum crime. Continue lendo

Esboços da História da Igreja – CAPÍTULO 2: INÁCIO DE ANTIOQUIA (116 dC)

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J.C.Robertson

CAPÍTULO II: INÁCIO DE ANTIOQUIA (116 dC)

Quando nosso Senhor subiu ao céu, deixou o governo de Sua Igreja aos Apóstolos. É nos dito que durante os quarenta dias entre a Sua ressurreição e a Sua ascensão, Ele deu mandamentos aos Apóstolos e falou sobre as coisas que pertencem ao reino de Deus (Atos 2:2). Assim, eles sabiam o que deveriam fazer quando seu Mestre não estivesse mais com eles. Uma das primeiras coisas que fizeram, mesmo sem esperar até que a promessa dEle de enviar o Espírito Santo fosse cumprida, foi escolher Matias no lugar que havia sido deixado vazio pela queda do traidor Judas (Atos 1. 15-26). Continue lendo

O Pai das Luzes – O PRIMEIRO sermão pregado por Spurgeon em Londres

APRESENTAÇÃO E CONTEXTO HISTÓRICO

Armando Marcos, criador de Projeto Spurgeon e Projeto Castelo Forte

 

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Em 1853, após dois anos sua conversão, o jovem Charles Haddon Spurgeon, com apenas 19 anos, já atuava como ministro na capela batista de Waterbeach, ao norte de Cambridge. Nesse tempo, mesmo sem ter ingressado no seminário, como num primeiro foi sua intenção, o ministério de Spurgeon já era aprovado por Deus pelo impacto da pregação e pelo número de conversões e trabalho piedoso entre a população local.

 

Em novembro de 1853, Spurgeon foi convidado para uma palestra em uma reunião especial pelo aniversário da União das Escolas Dominicais de Cambridge. A princípio seria apenas mais uma reunião se não fosse o fato de estar presente nesse evento um diácono batista chamado George Gould, que ficou muito impressionado com a pregação do jovem ministro. Em visita a Londres, Gould comentou sobre o jovem pregador com um amigo seu, diácono Thomas Olney.

 

Olney era o principal diácono da Capela Batista de New Park Street, uma Congregação batista localizada ao Sul de Londres, em um local com péssima localização perto do Rio Tamisa junto a uma ponte que cobrava pedágio para sua passagem, com capacidade para 1200 pessoas em um prédio que fora comprado por conta do baixo preço, e que mesmo tendo sido uma congregação de renome entre os batistas, por ser um das mais antigas em atividade na Inglaterra (foi fundada em 1650) e ter sido a congregação onde atuaram lideres batsitas importantes como Benjamim Keach (um dos que elaboraram a confissão de fé batista de 1689), John Gill , famoso teólogo calvinista, e John Rippon, um famoso compositor de hinos ingleses, nessa ocasião estava sem pastor desde junho devido a renúncia do último a ocupar o posto , William Walter. Olney e a direção da Capela já tinham desde então convidado vários pastores para pregar em vista de um novo pastor, mas até o momento nenhum tinha sido satisfatório.

 

Spurgeon então foi convidado para um “teste” por Olney, e chegou em Londres pela primeira vez em dezembro de 1853. Spurgeon em um primeiro momento ficou chocado com a cidade grande, afinal ele foi sempre do interior, e não gostou muito da cidade, das ruas cheias, fétidas e do ar poluído da Londres em plena Revolução Industrial. Mas isso mudou após sua primeira pregação no domingo, 18 de dezembro de 1853.

 

Nessa manhã Spurgeon pregou esse sermão que você lerá em seguida, baseado na epistola de Tiago. Pregou como pregava em Waterbeach para um público de 80 pessoas apenas. Porém esse sermão impactou a pequena congregação de tal forma que os que o ouviram convidaram muitos outros para ouvirem a segunda pregação da noite. Após esse dia, Spurgeon foi convidado para pregar outras vezes em janeiro de 1854, e após alguns meses foi convidado para ser pastor titular, sendo eleito em Abril pastor titular com quase 95% dos votos da congregação efetiva de pouco mais de 300 membros. A membresia da igreja cresceria imensamente, e a partir de 1855 os sermões pregados começaram a ser impressos e distribuídos a preços baixos. Em 1861 a congregação saiu de New Park para outro prédio, o Tabernáculo Metropolitano, com capacidade para 6000 pessoas. Spurgeon seria pastor dessa congregação até sua morte em 1892 e os sermões impressos initerrrupitamente até 1917.

 

Esse sermão foi traduzido das anotações que foram reunidas na “Autobiografia” que foi editada por Spurgeon num primeiro momento, e após sua morte, por sua esposa Susannah e seu secretário particular. É um sermão histórico considerando ser o primeiro que ele pregou em Londres na igreja que seria o epicentro de seu ministério que o Senhor usou para abençoar muitos em seus dias e até hoje por meio das pregações impressas. É um sermão bem curto comparado aos demais provavelmente por ser um resumo feito a partir de anotações e não por ter sido um sermão taquigrafado ao vivo, como seria os outros sermões após 1855.

 

 

 

 

O Pai das Luzes

PRIMEIRO sermão pregado por

Charles Haddon Spurgeon

Na capela Batista de New Park Street, em Londres

No Domingo de manhã do dia 18 de dezembro de 1853

 

“Toda boa dádiva e todo dom perfeito é lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação, ou sombra de mudança”. Tiago 1:17 (versão Revista e atualizada)

 

Algumas áreas da ciência e alguns temas de estudo são inesgotáveis para nós. Talvez encontremos nelas tópicos para instrução, investigação e assombros maravilhosos. Se pudéssemos descer às profundezas da terra com o geólogo e trazer à superfície esqueletos de monstros extintos há muitas eras, ou observar os sinais das grandes convulsões e estudar as antigas e novas formações das camadas da Terra, ou se pudéssemos subir no pináculo com o astrônomo e tentar medir os céus e contar as estrelas, ficaríamos perdidos em nossas novas descobertas. Continue lendo