Esboços da História da Igreja – Capítulo 7 – Orígenes (185-254 d.C.)

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J.C.Robertson

Capítulo VII: Orígenes (185-254 d.C.)

 

A mesma perseguição que Perpétua e seus companheiros sofreram em Cartago também atingiu a cidade de Alexandria no Egito, onde um homem erudito chamado Leônidas foi um dos mártires (202 d.C.). Leônidas tinha um filho chamado Orígenes, a quem tinha criado com muito cuidado e ensinou todos os dias a guardar a Palavra no coração. Orígenes estava muito ansioso para aprender, e era tão bom e tão inteligente, que seu pai tinha medo de demonstrar o quanto o amava e quão orgulhoso se sentia do filho, para que o menino não se tornasse confiante e convencido demais. Então, quando Orígenes fazia perguntas do tipo que somente alguns meninos pensariam perguntar, seu pai costumava castigá-lo, mas quando dormia, Leônidas ficava ao lado da sua cama e o beijava, agradecendo a Deus por lhe ter dado uma criança assim. Continue lendo

Esboços da História da Igreja – Capítulo 6 – Tertuliano e Perpétua (181-206 d.C)

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Capítulo VI – Tertuliano e Perpétua (181-206 d.C)

 

O Imperador Marco Aurélio morreu no ano 181, e a Igreja foi pouco perturbada pela perseguição durante os próximos vinte anos.

Por volta desse tempo, um falso mestre chamado Montano fez muito barulho no mundo. Ele nasceu na Frígia, e parece ter ficado louco. Ele costumava cair em ataques e, enquanto estava neles, proferia palavras irracionais que foram tomadas como profecias, ou mensagens do céu, e algumas mulheres que o seguiam fingiram ser profetisas. Essas pessoas ensinavam um modo de vida muito rígido e muitas pessoas que desejavam levar vidas santas foram enganadas e seguiram seus ensinamentos. Um deles foi Tertuliano, de Cartago, na África, um homem muito inteligente e culto, que havia sido convertido do paganismo e escrito alguns livros em defesa do Evangelho, mas tinha um temperamento orgulhoso e impaciente, e não considerou corretamente como nosso próprio Senhor havia dito que sempre haveria uma mistura de maldade com o bem em Sua Igreja na Terra (Mateus 13.38,48). E quando Montano fingiu criar uma nova igreja, na qual não deveria haver senão pessoas boas e santas, Tertuliano caiu no laço e deixou a verdadeira Igreja para se juntar aos Montanistas (como os seguidores de Montano eram chamados). Desde então, escreveu muito amargamente contra a Igreja. Porém, continuou a defender o Evangelho em seus livros contra judeus e pagãos, e todos os tipos de falsos professores, exceto Montano. Quando Tertuliano morreu, suas boas ações foram lembradas mais do que a sua queda, de modo que, com todas as suas faltas, seu nome sempre foi respeitado. Continue lendo

Esboços da História da Igreja – Capítulo 5 -Os Mártires Franceses do Século II

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Capítulo 5 – Os Mártires Franceses do Século II (177 d.C.)

Muitos outros mártires sofreram em várias partes do império sob o reinado de Marco Aurélio. Entre os mais famosos, estão os mártires de Lyon e Vienne, no sul da França (ou Gália, como era chamada na época), onde uma companhia de missionários da Ásia Menor se instalou com um bispo chamado Pontino como seu líder.

A perseguição em Lyon e Vienne foi iniciada pela multidão dessas cidades, que insultavam os cristãos nas ruas, invadiam suas casas e cometiam outros atentados contra eles. Em seguida, um grande número de cristãos foram apreendidos e presos em masmorras horríveis, onde muitos morreram por falta de comida, ou por causa do ar ruim e prejudicial. O bispo Pontino, que tinha noventa anos de idade e há muito tempo estava doente, foi levado perante o governador, e interrogado: “Quem é o Deus dos cristãos?” Pontino viu que o governador não perguntou isso com uma boa intenção; então respondeu: “Se você for digno, você saberá”. O bispo, velho e fraco, foi arrastado pelos soldados, e a multidão que conseguia alcançá-lo dava-lhe golpes e chutes, enquanto outros que estavam mais afastados jogavam coisas nele; depois dessa crueldade, ele foi colocado na prisão, morrendo dois dias depois. Continue lendo

Esboços da História da Igreja – CAPÍTULO 4: POLICARPO DE ESMIRNA (século II)

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CAPÍTULO IV: POLICARPO DE ESMIRNA (166 d.C.)

 

Policarpo, bispo de Esmirna, foi condenado à morte na mesma ocasião que Justino o Mártir. Era um homem muito idoso, havia quase noventa anos desde que havia sido convertido do paganismo. Conheceu o Apóstolo João, que deve ter colocado Policarpo como bispo de Esmirna. Policarpo tinha sido amigo de Inácio, que, como vimos, sofreu o martírio cinquenta anos antes. Por todas essas coisas, e devido a seu caráter sábio e santo, foi considerado um pai por todas as igrejas, e seu conselhos moderados, por vezes, acabou com as diferenças de opiniões que, sem ele, poderiam se transformar em brigas duradouras. Continue lendo

Esboços da História da Igreja – CAPÍTULO 3: JUSTINO MÁRTIR (século II)

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CAPÍTULO III: JUSTINO MÁRTIR (século II)

Embora Trajano não tenha sido amigo do Evangelho, e tenha matado Inácio, promulgou uma lei que deve ter sido um grande alívio para os cristãos. Até então, eles podiam ser perseguidos e qualquer um poderia informar algo contra eles. Mas Trajano ordenou que não fossem procurados, embora, se fossem descobertos e recusassem desistir de sua fé, deveriam ser punidos. O próximo imperador, cujo nome era Adriano (117-138 d.C.) fez algo para melhorar a condição deles; mas ainda era uma época perigosa. Não obstante as novas leis, qualquer governador de um país que não gostasse dos cristãos, tinha o poder de persegui-los cruelmente. E as pessoas comuns entre os pagãos ainda acreditavam nas horríveis histórias de matar crianças e comer carne humana. Se houvesse uma fome ou uma praga, se o rio Tibre, que atravessa Roma, subisse acima do habitual e fizesse danos aos edifícios vizinhos, ou se os exércitos do imperador fossem derrotados na guerra, a culpa de tudo isso era colocada sobre os cristãos. Dizia-se que todas essas coisas eram julgamentos dos deuses, que estavam bravos porque os cristãos tinham permissão para viver. E nos jogos públicos, como aqueles em que Inácio foi morto, o povo gritava: “Lancem os cristãos aos leões! Fora os ímpios ateus! “Pois, como os cristãos eram obrigados a manter sua adoração secretamente, e não tinham imagens como as dos deuses pagãos, e não ofereciam sacrifícios de animais, como faziam os pagãos, pensava-se que eles não tinham Deus, já que os pagãos não poderiam pensar em um Deus que é espírito e que não deve ser adorado sob nenhuma forma corporal. Foi, portanto, um grande alívio, quando o Imperador Antonino Pio (138 a 161 DC), que era um homem amável e gentil, ordenou que governadores e magistrados não deixassem se levar por tais clamores e que os cristãos não deveriam mais ser punidos apenas por sua religião, a menos que eles tivessem sido encontrados realizando algum crime. Continue lendo