Juan Rojas

            De acordo com os diferentes lugares e culturas onde se plantaram as primeiras igrejas, cada uma delas no Novo Testamento teve suas peculiaridades. A igreja de Corinto, por exemplo, não era igual a igreja de Éfeso, nem a de Roma. De certo que cada uma variava em detalhes de importância secundária, como o tempo de duração da reunião, o tamanho do local onde se reuniam, a quantidade de colaboradores (diáconos) etc. As Epístolas também nos deixam claro que cada congregação necessitava de uma ênfase de ensino em diferentes épocas de sua vida. Mas o que não deixa margem para dúvidas é que o Novo Testamento dita o modelo de uma igreja verdadeira.

A IGREJA NA HISTÓRIA

 

            A igreja nunca foi um mero lugar de reunião, mas sim pessoas que se reuniam para estudar, compartilhas e adorar a Deus. Estas congregações primeiramente se reuniam em casas (ver, por exemplo, At 5:42 e 20:20). Os cristãos sofreram tremenda perseguição por parte dos judeus e dos romanos. O cristianismo era estritamente proibido e considerado como perigoso dentro do império romano. Os cristãos eram considerados ateus por não crerem no panteão dos deuses gregos. Ameaçavam o Imperador ao negar-lhe prestação de culto e devoção. Por essas e outras razões, a igreja se reuniu escondida por séculos, assim como nas casas.

            Logo, com o surgimento do Imperador Constantino, no século IV, as circunstancias mudaram para os cristãos. A castigada e perseguida religião cristã ascendeu de seus esconderijos para se converter na religião oficial do império. Com isso, tudo mudou. Já não mais se necessitava das casas para as reuniões, agora os cristãos tinham grandes templos e luxuosos edifícios. O imperador e sua imponente economia estavam por trás do desenvolvimento e expansão do cristianismo.

            Hoje em dia, em meu ponto de vista, vejo uma tendência a rotular como se deve ser a igreja cristã. Pode ser uma extrema “culturalização” de nossa parte, como também pode ser uma eclesiologia fundamentada, não na Bíblia, mas em uma tradição. Temos modelado, assim como nos foi posto, um modelo de como deve ser uma igreja. Mas eu pergunto: Segundo quem? A cultura? O mundo? O modelo ocidental? Oriental? Ou o modelo Bíblico?

TRÊS PILARES

            Como resposta a isso, foram minimizadas as demarcações primárias que o Novo Testamento coloca para uma igreja verdadeira. Certamente se pode adicionar outras coisas que mencionarei, mas essas são comuns de uma igreja neo-testamentária. São pilares nos quais se deve construir e sustentar qualquer congregação bíblica.

            Seja numa casa, em um palácio, debaixo de uma palmeira, com ou sem ar-condicionado, todas contavam com a presença de ao menos três características vitais: Se ministrava os dois sacramentos; se pregava a Palavra de Deus de uma maneira sã e completa; e eram lideradas por bispos (homens), e provida por diáconos e diaconisas (Atos 4:1; I Tm 3; Tt 1).

  1. A MINISTRAÇÃO DOS SACRAMENTOS

Diferente da igreja de Roma, que pratica sete sacramentos, a igreja do Novo Testamento foi fiel ao praticar unicamente dois sacramentos, ou ordenanças: o batismo e a ceia do Senhor. Certamente ambos tinham um significado importante dentro das celebrações e adorações. A ceia do Senhor era tomada com a finalidade de recordar e celebrar o que Cristo fez por nós, e o novo pacto por Seu sangue, mediante a fé (I Co. 11:23). A frequência e os utensílios variaram através do tempo, porém seu significado sempre foram um sinal de suma importância no cristianismo bíblico.

            A igreja era composta majoritariamente por pessoas crentes em Jesus e batizadas em seu nome. O batismo foi um sinal fundamental da igreja cristã através da história. Certamente seu simbolismo e valor foram distorcidos pela igreja romana, mas a Bíblia é clara: o batismo é um símbolo da realidade espiritual da morte da antiga vida, e do nascimento de uma nova vida em Cristo Jesus (Rm. 6:4).

            Ambos sacramentos são representações e celebrações de realidade espiritual. Nenhum dos dois tem poder quanto a salvação. No Novo Testamento jamais foram praticados com o fim de, por assim dizer, ganhar pontos com Deus. A salvação de nossa alma é por fé em Jesus Cristo, e não por alguma obra (Ef. 2:8-9).

  1. A SÃ E COMPLETA PREGAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

            A pregação da Palavra do Senhor sempre foi central na Igreja. Vemos Jesus proclamando sem cessar a palavra divina, passando por Paulo, dando seus discursos e escrevendo suas cartas repletas de teologia, doutrina e história.

            O ensino e a exposição da Palavra de Deus eram centrais na mente dos pais da Igreja, assim como dos reformadores e puritanos. De certo, toda cerimônia do culto girava ao redor da Palavra. Eles criam fielmente que era ela o poder de Deus para salvar o mundo perdido.

            No Novo Testamento observamos que a teologia de Paulo e dos apóstolos é uma teologia teocêntrica: centrada em Deus. Seus escritos e pregações buscaram sempre exaltar ao Senhor, lhe dar glória, adora-Lo e faze-Lo conhecido. Nunca foi antropocêntrica, ou seja, centrada em homens. A razão principal de seus sermões não orbitava ao redor do homem, mas sim ao redor da glória de Deus.

            A igreja do Novo Testamento tinha uma meta em comum: adorar seu Salvador e fazê-lo conhecido. O auge do antropocentrismo deu caminho a uma pregação temática na qual, diferente da pregação expositiva, quase nunca se é fiel ao significado e aplicação real do texto. A esposa do Cordeiro deve sempre buscar como alimento principal a Palavra de Deus.

  1. A LIDERANÇA DOS ANCIÃOS E DOS DIÁCONOS

            Vejo a igreja do Novo Testamento liderada primeiramente por doze apóstolos homens, e em cada igreja plantada, Paulo comissionando bispos ou anciãos para tomar a liderança. No Novo testamento se utiliza vários termos gregos para fazer referência ao mesmo ofício dos anciãos, bispos e pastores. Sua tarefa era supervisar, dirigir, e cuidar do rebanho. Paulo em I Tm 3 e Tt 1 dá instruções das qualificações necessárias para esses supervisores, nas quais Paulo claramente se refere a homens. Não existe no Novo Testamento nenhuma recomendação para que a mulher ocupasse essa posição de liderança na igreja.

            A igreja então sempre foi liderada e pastoreada por homens chamados por Deus para exercer tal tarefa. É um cargo muito importante e de grande responsabilidade. Sejam nomeados por anciãos ou pela própria igreja, estes foram (e ainda são) os instrumentos que Deus escolheu para liderar sua igreja.

            Por outro lado, vemos em Romanos 16:1 Febe, diaconisa da igreja do Senhor. A palavra diakonos tem o significado de servidor. Tanto homens como mulheres serviram a igreja do Senhor. Este é um cargo diferente de ancião ou pastor, no qual não há um requerimento de liderança nem de autoridade sobre o rebanho, mas igualmente um chamado de suma importância e honra na igreja.

            Qualquer igreja estabelecida, ou qualquer que tenha em mente de ser plantada, deveria considerar seriamente em ter pelo menos essas três qualidades bem claras e estabelecidas. Uma mera reunião de pessoas cristãs não é uma igreja. As pessoas se voltar a igreja do Senhor quando cumprem com o que o Senhor lhes ordena. É necessário que tomemos com muita seriedade os três pilares aqui citados em nossa eclesiologia, e que não prestemos tanta atenção nos elementos secundários.

            Bem disse Calvino: “Onde quer que encontremos uma igreja que se pregue e se escute a Palavra de Deus, e que se administre os sacramentos de acordo com a instituição de Cristo, ali, sem dúvidas, há uma igreja do Senhor”.

FONTE: https://www.coalicionporelevangelio.org/articulo/los-3-pilares-de-una-verdadera-iglesia/

Traduzido por: Lourdes Corsi, em 26-10-17

Uma ideia sobre “Os Três Pilares de Uma Igreja Verdadeira

  1. Cláudio

    Saudações!
    Em Romanos 16.1, a palavra diácono para Febe deve ser entendida como servindo, e não como cargo. O autor interpretou errado o texto.
    A melhor tradução é “Recomendo-vos, pois, Febe, nossa irmã, a qual serve na igreja que está em Cencréia” Rm 16.1

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