O Paracleto (sermão de C.H.Spurgeon)

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Sermão pregado na manhã de Domingo, 6 de outubro de 1872

Por C.H.Spurgeon

No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres

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“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco.” – João14:16

 

 

O dom indescritível do Filho de Deus foi seguido pelo dom do Espírito Santo, igualmente inestimável. Não nos é necessário confessar que temos o Espírito Santo em muito menos estima do que deveríamos? Estou certo de que não engrandecemos tanto o Salvador, e que Ele nem sempre é alvo de nossas meditações; mas ao mesmo tempo, damos um lugar muito desproporcional ao Espírito Santo, se comparado ao Redentor. Temo até mesmo que tenhamos ofendido o Espírito por negligenciá-lo.

 

Quero convidar seus pensamentos devotos à obra especial do Espírito Santo. Tal convite é necessário. O fato de tão raramente ocuparmos nossos pensamentos com esse assunto, não faz dele ultrapassado. Não temos nos ocupado excessivamente em honrar o Espírito de Deus, pois essa é uma falta ocasionalmente ou nunca cometida. Temos nos encontrado com pessoas iletradas, que têm glorificado o amor de Jesus além do amor do Pai, e há outros tão entretidos com os decretos do Pai, que colocam a obra do Filho em segundo plano; mas pouquíssimos entre os crentes são aqueles que lidam com a doutrina do Espírito Santo além das medidas apropriadas. O erro, quase invariavelmente, tem sido cometido na direção oposta. O nome pessoal da Terceira Pessoa da Bendita Trindade é o “Espírito”, ou o “Espírito Santo,” cujas palavras descrevem Sua natureza como sendo pura, espiritual, imaterial, e seu caráter como sendo em Si mesmo, e em Suas obras, preeminentemente Santo. Comumente também falamos dele como “Santo Fantasma[1],” mas agora isso é errado: a palavra “fantasma” tinha o mesmo significado de “espírito” antigamente, quando esta tradução da Bíblia foi feita, mas agora o sentido popular não é o de “espírito”. A superstição degradou a palavra de seu sentido elevado, e talvez seja bom que a palavra seja abandonada, que nos limitemos àquela mais precisa, “Espírito Santo”. O termo, “Espírito Santo,” é Seu título pessoal, e nesse verso temos Seu título oficial – na nossa versão Ele é chamado de o “Consolador”, mas a palavra usada no original, na qual meditaremos nessa manhã, tem um significado muito mais amplo.

 

A palavra é Parakletos – acabamos de usá-la em nosso hino, traduzida como “Paracleto”:

 

“Alegra nossos corações desanimados,

Paracleto celeste!

Dê-nos repouso e humilde esperança

Aos pés de nosso Redentor.”

 

É verdade que o nome “Consolador” é uma tradução justa de alguns pontos de vista, mas ela traduz uma parte da palavra ao invés do todo; é um clarão que de fato brilha no texto, mas apenas uma das sete cores do prisma, ao invés da luz combinada da maravilhosa e instrutiva palavra Paracleto. Entenda, então, que consideraremos, nessa manhã, o título oficial do Espírito Santo. Que estejamos cheios de amor reverente enquanto estudamos Sua graciosa obra e Seu nome oficial.

 

  1. Primeiro, tentarei explicar como o Espírito de Deus é o Paracleto.

 

A palavra Paracleto é tão completa, que é extremamente difícil transmitir todo o seu significado a vocês; é como aquelas palavras em hebraico que contêm muito em um pequeno espaço; é tão firme e até primitivamente sublime em sua simplicidade, e ainda assim compreende grandes coisas. Literalmente, significa “chamado para”, ou “chamado junto a”, outro ajudador. Verbalmente, embora não em sentido, é sinônima da palavra em Latim advocatus, uma pessoa chamada para falar por nós ao pleitear nossa causa. Embora usemos a palavra, “advogado”, “consolador” carrega um pouco desse sentido, mas não o todo. Paracleto é mais amplo que “advogado” e mais amplo que “consolador.” Penso que o significado da palavra, “Paracleto” pode ser dividido em “chamado para” e “chamando para”. Em um sentido, chamado para, ou seja, para vir em nosso auxílio, para nos ajudar em nossas enfermidades, para sugerir, para advogar, para guiar, e assim por diante. Em outro, quem consequentemente, e para o nosso benefício, nos chama – pois alguns reconhecem a ideia de admoestador, e certamente, o bendito Paracleto é nosso Professor, Recordador, Incentivador e Consolador. Sua obra consiste grandemente em nos fortalecer pela admoestação, pela instrução, pelo encorajamento e por aquelas obras, as quais cabem a um Mestre ou Consolador. Paracleto é uma palavra extensa demais em seu significado para ser trocada por qualquer outra palavra em qualquer língua; é muito abrangente, e não devemos esperar interpretá-la como uma paráfrase no sermão dessa manhã.

 

Vejamos todas as passagens em João 14:15-16 que se referem a esse título e estudemo-las com cuidado. Primeiro, do nosso texto aprendemos que o Espírito Santo, como o Paracleto deve ser para nós tudo o que Jesus foi para seus discípulos. Leia o Texto: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador.” Isso claramente ensina que o Senhor Jesus é o primeiro Paracleto, e que o Espírito Santo é um segundo Paracleto que ocupa a mesma posição que Jesus ocupava. Não seria fácil descrever tudo o que Jesus foi para Seus discípulos quando habitou entre eles. Se dissermos que ele foi seu “Guia, Conselheiro e Amigo”, nada teremos feito senão começar a catalogar Sua bondade. Que líder valente tem um exército quando sua presença inspira bravura, quando sua sabedoria e tato os conduzem a certa vitória, e quando sua influência os fortalece no dia da batalha – tudo isso, e mais, Jesus Cristo foi para Seus discípulos! O que o pastor é para a ovelha, sendo a ovelha tola, e somente o pastor, sábio; a ovelha sendo indefesa, e o pastor, forte para protegê-la; a ovelha desprovida de poder para prover para si mesma qualquer coisa, e o pastor, capaz de dar-lhe tudo que ela necessita – tudo isso Jesus Cristo foi para Seu povo! Vejam Sócrates em meio a seus pupilos, e observem que o grande filósofo é o principal professor de sua escola; mas ainda assim, alguns dos seguidores de Sócrates puderam melhorar alguns de seus ensinamentos. Mas veja Jesus, e observe imediatamente que todos os seus discípulos nada mais são que criancinhas se comparadas ao seu Mestre, e que a escola acabaria de uma vez por todas se o grande Mestre se fosse! Ele não é apenas o fundador, mas também o fim de nosso sistema; Jesus é para nós não apenas o Doutor, mas a Doutrina – “Ele é o Caminho a Verdade e a Vida”. O discípulo de Cristo sabe que Jesus é indizivelmente precioso; ele sabe que Cristo é tudo! Jesus é bom em todas as coisas para o Seu povo, e não há nada que eles precisem fazer, sentir, ou saber, que é bom ou excelente à parte de Jesus Cristo. O que teria sido aquela pequena companhia de discípulos se tivessem ido pelas ruas de Jerusalém sem seu Senhor? Imagine que Ele estivesse ausente, e não houvesse outro Paracleto para preencher Seu lugar, e você não mais veria professores equipados para revolucionar o mundo, mas um grupo de pescadores sem instrução e sem influência – um grupo que em pouco tempo se derreteria sob a influência da incredulidade e covardia! Cristo era tudo para seu povo enquanto esteve aqui.

 

Tudo o que Jesus foi, o Espírito de Deus agora é para a Igreja. Ele é o “outro Paracleto que estará conosco para sempre”. Se nesses dias há algum poder de Deus na Igreja, é porque o Espírito Santo está no meio dela! Se ela é capaz de operar qualquer milagre espiritual, é através do Seu poder; se há alguma luz em sua doutrina; se há alguma vida em seu ministério, se há alguma glória rendida a Deus; se há algum bem entre os filhos dos homens, é inteiramente porque o Espírito Santo ainda está com ela! Todo o peso da influência da Igreja como um todo, e de cada cristão em particular, vem da presença contínua do Santo Paracleto! E, irmãos e irmãs, fazemos bem em tratar o Espírito Santo como trataríamos Cristo se ele estivesse entre nós. Os discípulos de nosso Senhor contavam-lhe seus problemas; devemos confiar os nossos ao Consolador. Sempre que eles se sentiam afligidos pelo adversário, eles buscavam amparo no Poder do Líder; assim também devemos clamar pela ajuda do Espírito Santo. Quando eles precisavam ser guiados, eles procuravam a direção dada por Jesus; também devemos procurar e permanecer sob a orientação do Espírito. Quando sabiam o que fazer, e se viam fracos para o cumprimento, eles esperavam até que fossem fortalecidos por seu Mestre, e assim devemos depender do Espírito de toda a Graça. Trate o Espírito Santo com o amor e respeito que são devidos ao Salvador, e o Espírito de Deus lidará com você como o Filho de Deus fez com Seus discípulos!

 

Amados, devemos prosseguir em nossa análise das passagens da Escritura que dizem respeito ao Paracleto e lembrar que existem apenas cinco delas. Sabemos que o Espírito conforta o povo de Deus pelo simples fato de Sua Presença interior. “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco”. “Porque,” diz o versículo 17, “Ele habita convosco e estará em vós”. Amados, tenho dito que o simples fato da Presença do Espírito Santo é conforto para os santos, e não é? Jesus não nos deixou órfãos, ah! Vocês seus amigos escolhidos! Ele se foi, mas Ele deixou um Substituto igualmente Divino, o Espírito Santo! E se neste momento você não sente Seu Poder; se você ainda está clamando sob o peso de sua própria morte natural, então, não é um consolo para você saber que há um Espírito Santo, e que o Espírito Santo habita em você agora mesmo? Você não precisa orar para trazer o Espírito Santo dos céus. Ele já veio do Céu e nunca voltou para lá outra vez! Ele habita em Sua Igreja perpetuamente, e não é para ser trazido das alturas. Ele deve ser legitimamente chamado para operar em nós, e Ele está sempre aqui! “Oh!” Você diz, “então devo ter esperança, pois se o Espírito de Deus está em mim, sei que Ele expelirá meu pecado; se eu estivesse só e tivesse que lutar minhas batalhas espirituais sozinho, eu poderia desanimar; mas se é verdade que o próprio Deus Eterno, na majestade de sua onipotência, habita em meu peito, então, meu coração, seja consolado, seja encorajado, o Senhor que está em mim é mais poderoso que todos aqueles que são contra você!” Satanás pode rugir, a concupiscência da carne pode se rebelar, e as tentações deste mundo podem atacar, mas se o Espírito Santo realmente reside dentro do coração do crente, então, a perfeição um dia será alcançada, e o último inimigo será derrubado! É-nos consolo saber que o Espírito Santo habita em nós e Ele merece Seu nome de Consolador pelo simples fato de Sua presença interior.

 

Mas prosseguimos agora e notamos que de acordo com versículo 26, o Espírito de Deus exerce Seu ofício como Paracleto, e nos consola pelo seu ENSINO – “mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar tudo o que vos tenho dito”. Fazer-nos entender o que Jesus ensinou é parte da obra do Espírito; se Ele apenas nos fizesse lembrar as Palavras de Jesus, isso seria de pouco proveito; até mesmo quando uma criança aprende o catecismo, e não o entende, então não há muito proveito para ela lembrar as perguntas e as repostas. Mas se você ensinar-lhe o significado, e depois fazê-la lembrar as palavras, então você lhe conferiu um inestimável dom. Podemos aprender, tanto quanto nos permite as Escrituras, as Palavras de Jesus por nós mesmos; mas para entender esses ensinamentos, somente pelo dom do Espírito de Deus e ninguém mais! Depois de Ele ter tomado a chave e nos deixado adentrar no significado das Palavras do Senhor – depois de nos fazer conhecer experimentalmente e interiormente a força e o poder da Verdade de Deus revelada por Cristo – então nos será valioso termos trazidas à nossa mente as Palavras de Jesus, e elas virão a nós cheias de poder e doçura.

 

Amados, percebam que apesar de a palavra “Consolador” não carregar consigo todo o significado de Paracleto, ainda assim toda obra Dele assiste em nossa consolação, e o Espírito Santo, como nosso Professor, ensina-nos verdades que nos confortam. Que conforto há no mundo como o conforto das Palavras de Jesus quando elas são verdadeiramente entendidas? Não é o próprio Cristo “A consolação de Israel”? Portanto, tudo o que é Dele é cheio de consolação para Israel! Se o Espírito de Deus nos fizer entender as doutrinas de Cristo, como, por exemplo, Seus ensinamentos acerca do perdão de pecados pela fé, e o Amor de Deus pelo contrito, e Seus ensinamentos sobre Sua própria Pessoa e a necessidade de um Substituto, e da provisão de um Substituto; se essas coisas realmente forem ensinadas às nossas almas, o Paracleto será, de fato, um Consolador para nós! Posso ensiná-los, com a ajuda de Deus, toda a Palavra de Deus, mas há Um que os ensina para proveito efetivo e salvífico; que Ele exerça Seu ofício sobre cada um de vocês!

 

Além do mais, notamos que dessa maneira, através do Espírito Santo, obtemos paz. Observe o versículo que se segue: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”. Aquele que é ensinado por Deus naturalmente desfruta da paz, pois se sou ensinado que meus pecados foram lançados em Jesus, e que o castigo que me traz a paz estava sobre Ele, como não terei paz? E se sou ensinado sobre as Promessas de Deus, e se Ele me faz saber que elas são o “sim e o amém em Cristo Jesus”, como posso ser impedido de desfrutar a paz? Não posso cantar:

 

“O evangelho sustenta o meu espírito!

Um Deus fiel e imutável

É o fundamento de minha esperança,

Em juramentos, e promessas, e sangue”?

 

Que o Espírito de Deus revele Deus a você como o Deus Eterno que o amou desde antes da fundação do mundo; o Deus imutável que nunca o deixa; o que você pode fazer senão se alegrar com tão grande euforia? Que o Espírito de Deus lhe revele as mãos e os pés furados de Jesus; que ele o faça capaz de colocar seus dedos nas marcas dos cravos, e tocar as feridas de Seus pés, e lançar seu coração no coração Dele – pois assim, se você não tivesse paz, você seria um milagre melancólico de desânimo perverso! Mas você deve descansar se tiver Jesus Cristo, sim, um descanso tal que Jesus o chama de “Minha paz”, a mesma paz que está no coração de Cristo, a serenidade imperturbável do Salvador que conquista e que terminou de uma vez por todas a obra que Deus lhe deu para cumprir! Que rico conforto é este que o Paracleto no traz!

 

Mas ainda não terminamos de falar sobre os significados, pois como já dissemos, a palavra Paracleto significa advogado. Você se lembra da primeira epístola de João em que ele usa essa expressão? “Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo”. No grego, a passagem diz: “Se, todavia, alguém pecar, temos um Paracleto junto ao Pai” – é a mesma palavra Consolador. Paracleto significa “Advogado” ali, e assim também o deve ser aqui! O Espírito de Deus exercita seu Ofício de Advogado por nós, mas ele não é um Advogado ou intercessor no Céu – nosso Senhor Jesus Cristo ocupa esse Ofício! O Espírito Santo não intercede pelos Santos, mas Ele intercede nos santos segundo a vontade de Deus. Deus Filho faz intercessão pelos santos; Deus Espírito faz intercessão nos santos. Deixe-me mostrar-lhes como se dá isso, retornando aos capítulos que estamos estudando.

 

No capítulo 15, vemos que o Salvador descreve os Seus santos no mundo como odiados e perseguidos por Sua causa, e Ele lhes ordena a esperar por isso. Mas Ele os consola nos versículos 26 e 27 – “Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim; e vós também testemunhareis, porque estais comigo desde o princípio”. Esse é o significado da passagem – enquanto Jesus esteve aqui, se alguém tivesse alguma coisa para dizer contra Ele ou Seus discípulos, o Mestre vinha para o fronte, e Ele logo confundia seus inimigos de maneira que eles confessavam, “nunca nenhum homem falou como este Homem”. Nos dias de hoje, nosso Mestre e Cabeça partiu – como devemos responder aos ataques do mundo? Temos outro Paracleto para vir a frente e falar por nós, e se tivéssemos confiança n’Ele, amados, Ele teria falado por nós muito mais alto do que algumas vez Ele tem falado!

 

E sempre que aprendermos a deixar nossas questões em Suas mãos, Ele fará duas coisas por nós – primeiro, Ele mesmo falará por nós, e em seguida, Ele nos fará capazes de testemunhar. Neste exato momento, muitas questões doutrinárias são discutidas, muitas objeções à Verdade de Deus são criadas, e muitos lançariam o machado à raiz do Cristianismo e a cortariam como árvore apodrecida! Qual é a nossa resposta? Eu direi. Quase todos os livros que têm sido escritos para responder às questões filosóficas modernas são uma perda de tempo e de papel; a única maneira pela qual a Igreja pode se manter e responder a seus detratores é pelo poder real de Deus! A igreja tem feito algo pelo mundo? Ela pode produzir algum resultado? Pelos seus frutos provar-se-á ser ela uma Árvore da Vida para as nações! O Espírito de Deus, se confiássemos n’Ele, e abríssemos mão de toda a idolatria do conhecimento humano, habilidade, genialidade, eloquência, retórica, e não sei mais o quê, logo responderia a nossos adversários! Ele os calaria e os converteria assim como o fez com Saulo de Tarso ao transformá-lo de perseguidor a apóstolo; Ele calaria a outros os confundindo, fazendo-os ver seus próprios filhos trazidos ao conhecimento da Verdade de Deus! Se não há nenhum poder espiritual miraculoso na Igreja de Deus nos dias de hoje, essa igreja é uma impostora! Nesse momento, a única vindicação de nossa existência é a presença e obra do Paracleto entre nós; está Ele ainda trabalhando e testemunhando de Cristo? Temo que não em algumas igrejas, mas aqui sim; veja suas obras neste lugar; há quase 20 anos nosso ministério começou nesta cidade sob muita oposição e criticismo hostil; o pregador foi condenado por todos como vulgar e inculto! Jesus Cristo foi anunciado por nós em linguagem mais simples do que os homens estavam acostumados a ouvir, e cada um de nossos sermões estava cheio do velho Evangelho. Muitos outros púlpitos eram cheios de sabedoria humana, mas nós éramos puritanos. Ensaios retóricos eram mercantilizados pela maioria dos pregadores, mas nós demos ao povo o Evangelho – nós trouxemos conosco as antigas Doutrinas Reformadas, a verdade Calvinista, o ensinamento Agostiniano, e o dogma Paulino! Não estávamos envergonhados de sermos o “eco de um evangelismo ultrapassado”, como alguns pedantes nos chamavam; pregamos Cristo e Cristo crucificado, e em 20 anos faltou-nos congregação? Quando este vasto hall deixou de estar aglomerado? Faltou-nos conversão? Passou-se nos algum domingo sem eles? Não tem sido a história dessa igreja, desde sua pequenez na Park Street até agora, uma marca de triunfo sendo os corações e as almas dos homens nossos espólios de guerra, na qual o estandarte tem sido Cristo crucificado? E é assim em todo lugar! Apenas deixe que os homens venham ao Evangelho e pregue-o ardentemente, não com graciosidades de palavras e bugigangas de palavreado polido, mas com o coração ardente constranja-os, como o Espírito de Deus os ensina a falar; assim, grandes sinais e maravilhas serão vistos! Teremos sinais – caso contrário, não poderemos responder ao mundo; deixe que eles zombem; deixe que eles caluniem; deixe que eles amaldiçoem; deixe que eles mintam – Deus lhes responderá! Nosso dever é continuar pregando Cristo no poder do Espírito de Deus, e continuar glorificando o Salvador. Assim como Jesus sempre vinha contra o adversário de repente, e os discípulos não precisavam de nenhum outro Defensor, assim nós temos outro Paracleto, que em resposta às orações vindicará sua própria Causa, e gloriosamente vingará seus próprios Eleitos.

 

E então, irmãos e irmãs, foi-nos prometido que esse mesmo Espírito nos fará testemunhas, também. Deverá ser-nos dado na mesma hora em que falarmos. Os cristãos que eram levados perante os tribunais, frequentemente, deixavam seus inimigos desconcertados, não pela excelência de palavras de sabedoria humana, mas pela sua santidade, simplicidade e zelo. Cristo, através de Seu Santo Espírito, foi manifesto no meio dos santos primitivos, e eles foram vitoriosos através desse outro Paracleto que estava com eles! Além do mais, irmãos e irmãs, o Espírito Santo advoga não apenas no que diz respeito aos ímpios, mas também conosco mesmo. O Espírito de Deus é um advogado para conosco, ou dentro de nós; Ele nos guia para o conforto e advoga nossa causa perante o trono de julgamento da nossa consciência; essa é uma obra estranha à carne e sangue. Amados, se o Espírito Santo é um Advogado dentro de você, transmitindo paz dentro de você por Jesus Cristo, digo-lhe que Ele pleiteará com você. Primeiro, ele o convencerá do pecado; Ele lhe mostrará que você está totalmente perdido, arruinado e destruído – pois até que sua justiça própria seja varrida para longe de você, não haverá sólida consolação. Ele o convencerá do maior pecado que foi ter sido um descrente em Cristo, e Ele o levará aos pés da Cruz tanto como aos pés do Sinai, para fazê-lo se sentir pecador contra o amor de Deus bem como contra Sua Lei – um rebelde contra as cinco feridas de Jesus bem como contra os Dez Mandamentos de Deus! E quando ele tiver feito isso, Ele o convencerá da justiça, (João 16:10), ou seja, Ele lhe mostrará que a Justiça de Cristo o torna perfeitamente aceitável a Deus; Ele lhe mostrará, de fato, que Jesus “se nos tornou, da parte de Deus, Justiça”. Então, o Espírito o consolará novamente ao trazê-lo para sensação de julgamento; Ele lhe mostrará que você e seus pecados foram ambos julgados e condenados no Calvário; Ele lhe mostrará que o mal que agora tenta tomar o senhorio sobre você estava ali e foi julgado e condenado à morte, de maneira que você agora está lutando contra um adversário condenado que apenas perdura por mais um pouco, e então, será completamente derrotado, e que foi crucificado com Cristo.

 

Quando o Espírito de Deus tiver lhe trazido essas três coisas, que Advogado terá sido para você! Ele dirá: “Coração, podes agora desanimar? Por que desanimará? Seu pecado foi lançado sobre Jesus! O que você teme? Oh! Coração, você lamenta sua falta de justiça? Você tem toda a justiça em Jesus! Por que vacilar? Você teme o julgamento vindouro? Você já foi julgado e condenado em Cristo – portanto, o pecado que está em você morrerá, e sua vida interior será eterna”. Quão maravilhoso é quando o Espírito prova essas coisas à nossa consciência. A memória dirá: “você fez isso e aquilo, e será condenado”. Mas o Espírito de Deus responde: “isso já foi reconhecido; Eu já condenei esse pecado, ele foi expiado e levado embora”. Então o medo aparecerá e dirá: “o Senhor visitará esse homem por causa do seu pecado”. O Espírito de Deus pleiteará outra vez, e perguntará: “quem lançará acusação contra o Eleito de Deus? É Deus injusto para esquecer a obra e o trabalho de Seu querido Filho?” Então, o bendito poder do Santo Consolador dentro de nossa alma lutará e intercederá em nós, e nós obteremos consolação!

 

Outra vez, o Espírito Santo é um Paracleto de acordo com o capítulo 16, versículo 13, Ele nos guiará em toda Verdade, e isso é mais do que se queria dizer com “Ele nos ensinará” toda a Verdade. Existem muitas cavernas, cheias de estalactites cintilantes em algumas partes do mundo. É muito bom quando você está viajando para saber onde se encontra cada uma dessas cavernas – isso lhe ensina a verdade. Mas melhor ainda é quando o guia vai à frente com sua tocha e o conduz pelas passagens sinuosas para dentro das câmaras subterrâneas, e levanta sua chama enquanto dez mil cristais, como estrelas, competindo com as cores do arco-íris, brilha sobre você! Assim o Espírito de Deus o convencerá de que esse e aquele são o ensinamento da Verdade de Deus, e que há muito a conhecer. Mas quando Ele o levar para dentro de maneira que você possa experimentar esse conhecimento, e prová-lo, e senti-lo, – oh! Então, você será introduzido na caverna mais secreta onde há joias, onde “os diamantes iluminam a mina secreta!” Bendita coisa é quando o Espírito de Deus nos guia para dentro de todas as Verdades de Deus! Muitos cristãos nunca chegam dentro da Verdade de Deus; eles se assentam do lado de fora, mas não entram; é como uma grande avelã para eles, eles lustram a casca e admiram, mas se pudessem furar a casca e provar do interior da avelã, quão grandemente seriam consolados! John Bunyan costumava dizer que ele nunca conheceu a Verdade de Deus até que ela foi queimada nele como com um ferro quente. Simpatizo-me com essa expressão; existem algumas verdades na Bíblia, das quais ninguém nunca poderá me fazer duvidar, pois elas estão entrelaçadas com minha vitalidade; e outras são tão proveitosas para o íntimo da minha alma que eu não poderia desistir delas; elas são a própria vida e a alegria do meu ser!

 

Há uma velha história de um bispo que ganhava £10.000 por ano e que teve uma discussão com um jovem acerca da validade do Episcopado, e no fim ele replicou ao antagonista: “Será que esse jovem não sabe que ele não pode argumentar contra £10.000 por ano?” O interesse próprio do bispo sustentou seus argumentos! O mesmo é verdade para mim, mas em grau infinitamente mais alto, e em sentido muito mais espiritual. Se as Doutrinas que prego para vocês não são verdade, sou um homem perdido; minha vida se torna um desapontamento agonizante, e minha morte uma calamidade horrível. Eu sei que o Evangelho é verdadeiro porque eu testei e provei de seu poder; conheço seu interior tanto como seu exterior; não apenas acredito no credo, mas sua Verdade é real e prática para mim; portanto digo: “Pensa o tolo que ele pode argumentar contra a paz do meu coração; minha alegria no Senhor; minha esperança nos Céu?” Não pode! O crente que experimentou isso é invulnerável da cabeça aos pés contra qualquer coisa ou tudo que possa ser arremessado contra ele com ceticismo! Estamos tão certos das Verdades do Evangelho quanto estamos de nossa própria existência! O velho filósofo ouviu um homem afirmar que não existimos, e sua única resposta foi levantar e ir embora. Então, quando ouvimos argumentos contra nossa santa fé, tudo que temos que fazer é viver no Poder do Espírito e calar os contradizentes. Que o Espírito Santo o leve para dentro de toda a Verdade; que Ele o conduza para o secreto do Senhor, e que lá você encontre o banquete de coisas gordas, cheio de fragrância, e os vinhos mais refinados!

 

Mais uma vez, no capítulo 16, versículo 14, é-nos dito que o Paracleto glorifica a Cristo ao “receber as coisas de Cristo, e nos anunciá-las.” Poderia a Infinita Sabedoria selecionar o mais doce tema para o coração desolado do que “as coisas de Cristo?” Ah! Amados, quando você fala das coisas de Cristo para o coração partido, você tocou as notas certas! Você pode me falar das coisas de Moisés e de Davi, de Salomão e de Daniel, mas o que são elas comparadas às coisas de Cristo? Traga-me as coisas de Cristo; elas são bálsamo de Gileade; essas são as pastas de figos que curam as feridas; esses são os verdadeiros remédios que curam as almas doentes! Portanto, o Espírito Santo, em Sua Infinita Sabedoria, ergue Jesus bem à nossa frente, e faz com que Ele seja grande em nossa estima, glorifica-O em nossos corações, e então nossas almas se enchem de pura consolação! Como poderia ser de outra forma?

 

Desculpe por meu assunto ser tão extenso nesta manhã, passaremos então para o segundo tópico, que espero seja menor.

 

  1. II. Segundo, devemos observar QUAL A NATUREZA DO CONSOLO DO ESPIRÍTO SANTO.

 

É evidente pelas passagens que lemos nesta manhã, que o Espírito de Deus nunca dissocia Consolo do Seu Caráter. João 14:15 – “Se me amais, guardareis os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador”. O Espírito de Deus nunca consola um homem em seu pecado; cristãos desobedientes não devem esperar por consolação; o Espírito Santo os santifica e então os consola. Procurem e vejam, vocês que balançam a cabeça como arbustos! Vejam o que é que lhes causa aflição, então obedeçam, e vocês serão consolados!

 

O Espírito de Deus não tem o intuito de simplesmente dar consolo em si e por si só, mas Ele produz paz no coração como resultado de outros processos divinamente úteis. Ele não nos consola como uma mãe carinhosa que agrada sua criança desobediente rendendo-se a seus desejos tolos; essa mãe não ensina nada a seu filho, nem limpa seu corpo ou purifica o seu coração a fim de confortá-lo – talvez ela até mesmo negligencie isso para agradar os pequeninos! Mas o Espírito Santo nunca age tão imprudentemente. Ele abençoa com pureza e então com a paz. Quando um homem está sentindo dor, ele fica muito desejoso que o cirurgião administre alguma droga que pare a sensação desagradável imediatamente, ainda assim o cirurgião se recusa a fazer qualquer coisa desse tipo, mas se empenha em remover a causa da mal, que é mais profundo que a dor. O doutor não está certo? Assim o Espírito de Deus nos consola, ao tirar toda nossa ignorância, e ao dar-nos conhecimento ao remover equívocos, e ao dar-nos claro entendimento, e ao tirar toda instabilidade e convencer-nos do pecado, da justiça e do juízo. Não espere receber conforto simplesmente percorrendo por doces passagens, ou ouvindo pregadores agradáveis que nada dão a você senão copos de doutrinas doces! Espere encontrar consolo através da santidade, da reprovação e da humildade, que é a obra do Divino Paracleto!

 

Note em seguida, que o consolo do Espírito Santo não é um consolo fundamentado em dissimulação. Alguns têm obtido consolo ao esquecer convenientemente as perturbadoras Verdades de Deus. O Espírito Santo coloca perante nós toda a Verdade de Deus; Ele traz toda a Verdade à nossa lembrança, e não esconde nada de nós; portanto, o consolo que obtemos d’Ele é digno de se ter; não é um consolo de homens tolos, mas consolo de homens sábios; paz, não para morcegos cegos, mas para olhos brilhantes como os das águias; paz que o tempo e a experiência nunca invalidarão, mas confirmarão, fazendo-a crescer com nosso crescimento, e fortalecer com nosso fortalecimento. Tal é o consolo que o Espírito Santo dá.

 

E lembre-se, e alegre-se nisto: é um consolo que está sempre ligado a Jesus. Se você conseguir chegar perto de Jesus em sua contemplação, você se sentirá como se aproximando desses consolos que o Espírito pretende que você desfrute. Oh, amados, não corra para a consolação como se fossem apenas profecias do futuro, ou doces reflexões do passado! Profundo é o poço da consolação endurecida na Cruz, do qual o Espírito retira baldes cheios para Seu povo sedento. Tenha medo do consolo que não se baseia na Verdade de Deus; odeie o conforto que não vem de Cristo! Água do poço de Belém é o que você precisa.

 

Esse é um consolo que está sempre disponível. O consolo do Espírito Santo não depende da saúde, da força, do bem-estar, da posição e de amizades. O Espírito Santo nos consola através da Verdade, e a Verdade não pode mudar. Ele nos conforta através de Jesus, e Ele é o “Sim, e amém.” Portanto, nosso consolo é vivo mesmo quando estamos morrendo, da mesma forma como quando estamos com plena saúde, e nossa consolação pode até ser mais abundante quando a carteira está vazia, e quando o jarro de azeite está se acabando, do que quando todos nos cercam e gritam abundantes elogios para nós! Esse é o consolo, amados, em todas as eras tem sido o esteio dos crentes. Foi o consolo do Espírito que fez com que os mártires permanecessem em frente a seus acusadores, e encarassem a morte sem medo; foi o conforto do Espírito que levou os Valdenses a não considerar suas vidas valiosas para si mesmos; que fez com que Lutero fosse tão bravo perante a morte, e Latimer tão feliz mesmo sobre as chamas! Muitos homens morreram em êxtase sob o Poder dessa consolação, e muitas mulheres definharam-se lentamente, alegrando-se nisso, porque quando coração e corpo falharam, essa consolação foi a força de sua alma! Se você puder conhecer o Espírito Santo como seu Paracleto, você não precisará de nenhuma outra consolação!

 

III. E, finalmente, algumas observações sobre o assunto.

 

Primeiro, ao crente: queridos irmãos e irmãs, honrem o Espírito de Deus como você honraria Jesus Cristo se Ele estivesse presente! Se Jesus estivesse habitando em sua casa, você não iria ignorá-lo; você não iria para o trabalho como se Ele não estivesse ali! Não ignore a Presença do Espírito Santo em sua alma! Eu suplico, não vivam como se nem tivessem ouvido que há um Espírito Santo. A Ele, prestem constante adoração; reverenciem o augusto Convidado que se agradou em fazer de seu corpo sua santa habitação; ame-O, obedeça-Lhe, adore-O! Cuide de nunca imputar as vãs imaginações de suas fantasias a Ele. Tenho visto o Espírito de Deus sendo vergonhosamente desonrado por pessoas (espero que sejam insanas) que têm dito que tiveram isso e aquilo revelado a elas. Nos últimos anos, não se passou uma semana sequer sobre a minha cabeça na qual não tenha sido importunado com revelações de hipócritas ou maníacos! Semilunáticos amam vir com mensagens do Senhor para mim, e pode ser que eles sejam poupados de problemas se eu lhes disser de uma vez por todas que não receberei nenhuma de suas mensagens estúpidas! Quando meu Senhor e Mestre tiver alguma mensagem para mim, Ele sabe onde estou, e Ele a enviará diretamente para mim – não por loucos impulsivos! Nem sonhe que eventos são revelados para você do Céu, ou você se tornará como aqueles idiotas que ousam a imputar suas tolices ruidosas ao Espírito Santo; se você sentir sua língua coçar para falar coisas sem sentido, credite isso ao demônio, não ao Espírito de Deus! Qualquer coisa que deva ser revelada pelo Espírito a qualquer um de nós, já está na Palavra de Deus; Ele não adiciona nada à Bíblia, e nunca o fará! Deixe as pessoas que têm revelações disso e daquilo, e daquilo outro, irem para suas camas e acordarem em seus delírios. Espero que elas sigam o conselho e não mais insultem o Espírito Santo ao atribuir seus desvarios a Ele!

 

Ao mesmo tempo, uma vez que o Espírito Santo está com vocês, amados, com todo seu entendimento, peçam a Ele que lhes ensine; em todo sofrimento, peçam que Ele lhes sustente; em todo o ensino, peçam que Ele lhes dê as palavras certas; em todo o testemunho, peçam que Ele lhes dê sabedoria constante; e em todo serviço, dependam d’Ele e da ajuda d’Ele. Crendo, contem com Espírito Santo. Frequentemente, não O consideramos em nossos cálculos, como deveríamos; contamos com tantos missionários, com o dinheiro, com muitas escolas e com nossas próprias forças, mas o Espírito Santo é a nossa grande necessidade, não erudição e cultura! Sempre conte com o Poder do Espírito; se você vai ensinar na escola bíblica, mas não se sente capaz de ensinar, peça que Ele o ajude, e você nem faz ideia de quão bem ensinará! Se você foi chamado para pregar, mas sente que não consegue, pois você é enfadonho, e suas palavras são monótonas e insípidas, conte com o Espírito Santo, e se Ele o aquecer, então, você descobrirá que até mesmo o menor dos materiais que você coletou ateará fogo nas pessoas! Devemos contar com o Espírito – Ele é nossa força principal; e se eu dissesse que Ele é nossa única força, e que o ofendemos grandemente quando não contamos com Ele? Ame o Espírito; adore o Espírito; confie no Espírito; obedeça ao Espírito; e como igreja, clame fortemente pelo Espírito; suplique para que Ele permita que Seu Poder seja conhecido e sentido entre vocês! O Senhor queima os corações com essa chama sagrada, e assim como Ele fez com que o Pentecostes permanecesse por muitos outros dias, também pode fazer com que o fim deste ano permaneça em nossa história por muitos outros anos. Venha, Espírito Santo! Estás conosco, mas venha com Poder, e permita que sintamos seu Poder santo!

 

Aos não convertidos, essas poucas palavras: caros amigos, se vocês algum dia serão salvos, o Espírito Santo é essencial para vocês. A não ser que vocês nasçam de novo, do alto, vocês nunca verão o Reino de Deus, menos ainda entrarão nele. Sem o Espírito Santo vocês estão mortos! Vocês nunca terão vida a menos que Ele vos vivifique, e nem mesmo o próprio Salvador na Cruz nunca será um Salvador para vocês até que o Espírito Santo venha e lhes dê olhos com os quais vocês possam olhar para Ele, e um coração com o qual vocês possam recebê-lo! Lembrem-se disso. Portanto, eu lhes peço que tomem cuidado de honrá-Lo e nunca dizerem nenhuma palavra contra Ele, senão vocês serão acusados daquele pecado que nunca será perdoado, nem nesse mundo, nem no mundo por vir. E deixe-me perguntar-lhes: Ele nunca lhes convenceu do pecado de não crer em Jesus? Ele já o convenceu que não há nenhuma outra Justiça senão em Cristo? Ele já o convenceu de que Deus julgará você e toda a humanidade de acordo com nosso Evangelho por Jesus Cristo? Se sim, uma vez que Ele já fez tanto por você, suplique a Ele que agora o leve que Ele receba as coisas de Cristo e as anuncie para você; ainda há esperança para você! Toda a Salvação do pecador está em Jesus, e quando o Espírito de Deus traz Jesus ao coração, Ele traz a Salvação!

 

Oh! Pobre coração, você nunca sairá do castelo da dúvida, nunca deixará de estar cativo, até que o Espírito traga as coisas de Jesus para você! E eu oro para que Ele o faça, e o faça de uma vez por todas. Submeta-se agora, a tudo aquilo que Ele lhe ensinar; acredite na Verdade de Deus, como Ele a revela; acima de tudo, escute e seja obediente ao grande mandamento: “Creia no Senhor Jesus Cristo, e tu serás salvo.” “Inclinai os ouvidos e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, que consiste nas fiéis misericórdias prometidas a Davi.” “Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar.” Que o Espírito de Deus o guie no caminho da humilde confissão de pecados, de arrependimento pelos pecados, e da fé em Jesus, e então, nos encontraremos no Céu para bendizer o Paracleto Eterno, com o Pai e o Filho para sempre!

 

 

ORE PARA QUE O ESPÍRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA EDIFICAÇÃO DE MUITOS E SALVAÇÃO DE PECADORES.

 

 

FONTE:

Traduzido de http://www.spurgeongems.org/vols16-18/chs1074.pdf

 

Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público.

Sermão nº 1074  de Metropolitan Tabernacle Pulpit.

 

Tradução: Rafael Abreu

Revisão: Cibele Cardozo

Prova: Armando Marcos

Capa: Salvio Bhering

 

Projeto Castelo Forte

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[1]Algumas versões antigas da Bíblia inglesa denominam o Espirito Santo como “Holy Ghost”

Uma ideia sobre “O Paracleto (sermão de C.H.Spurgeon)

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