O Grandioso Aniversário – C.H.Spurgeon

Capa O Grandioso Aniversário 2N° 1330

Sermão pregado na manhã de Domingo, 24 de Dezembro de 1876

Por Charles Haddon Spurgeon

No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres.

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“Mas o anjo lhes disse: Não temam; eis que vos dou novas de grande alegria, que será para todo o povo”. Lucas 2: 10.

Não há nenhuma razão sobre a Terra, fora do costume eclesiástico, para que o dia 25 de Dezembro deva ser considerado o aniversário do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo em detrimento de qualquer outro dia entre primeiro de Janeiro e o último dia de Dezembro; e, sem dúvida, algumas pessoas guardam o Natal como uma reverência muito mais profunda que o dia do Senhor. Ouvirão que se afirma com frequência que “a Bíblia e só a Bíblia é a religião dos protestantes”, mas não é assim. Há protestantes que incorporaram à sua religião muitas coisas mais além da Bíblia, e, entre outras coisas, aceitaram a autoridade daquilo que eles chamam: “Igreja”, e por essa porta tem entrado todo tipo de superstição. Não há nenhuma autoridade de nenhum tipo dada na palavra de Deus para a observância do Natal, e não há nenhuma razão para guardar precisamente este dia, exceto que a seção mais supersticiosa da cristandade estabeleceu como regra que o dia 25 de Dezembro tem de ser observado como o nascimento do Senhor, e a igreja estabelecida por lei neste país[1] se comprometeu a seguir essa mesma prática. Vocês não estão sob obrigação de nenhum tipo de observar esta regulação. Não devemos nenhuma lealdade aos poderes eclesiásticos que estabeleceram um decreto sobre este assunto, pois nós pertencemos a uma igreja antiquada que não se atreve a ditar leis, mas se contenta em obedecê-las. Por outro lado, esse dia não é em nada pior que qualquer outro, e, se vocês decidirem observá-lo, e observá-lo para o Senhor, não duvido que Ele aceitará sua devoção; mas se não o observarem, e não o observarem para o Senhor, por temor de fomentar a superstição e a adoração da vontade, não duvido que serão aceitos em sua inobservância como seriam em sua observância. Contudo, como os pensamentos de uma grande quantidade de cristãos se focarão no nascimento de Cristo nesta época, e como isto não pode ser mau, julguei prudente me valer da corrente que prevalece e navegar sobre esse pensamento. Nossas mentes se unirão à tendência geral e, já que muitas pessoas ao nosso redor seguem costumes alusivos, obtenhamos todo o bem que pudermos da ocasião. Não pode haver nenhuma razão para que não consideremos agora o nascimento de nosso Senhor Jesus, melhor, será útil que o façamos. Vamos fazer de maneira voluntária o que nos recusaríamos a fazer como algo obrigatório: faremos, simplesmente por razões de conveniência, o que não pensaríamos em fazer se nos fosse imposto pela autoridade ou fosse exigido pela superstição.

Os pastores estavam vigiando seus rebanhos durante a noite; provavelmente era uma noite tranquila e aprazível, na qual sentiam a usual dificuldade de manter abertas suas cansadas pálpebras enquanto o sono lhes reclamava seus direitos. De pronto, para surpresa deles, um brilho intenso iluminou os céus e transformou a meia-noite em meio-dia. A glória do Senhor, pela qual se quer significar, de acordo com o sentido da linguagem, a maior glória concebível assim como a glória divina, os rodeou e os alarmou, e em seu meio viram um espírito resplandecente, uma forma cuja similaridade nunca haviam contemplado antes, mas da qual tinham ouvido falar seus pais, e sobre a qual tinham lido nos livros dos profetas, de tal maneira que sabiam que se tratava de um anjo. Certamente não era nenhum comum mensageiro do céu, mas “o anjo do Senhor”, esse anjo de presença majestosa, cujo privilégio consiste em ser o anjo mais próximo à majestade celestial, “duplamente resplandecente em meio aos seres resplandecentes”, e em ser utilizado nas missões de maior transcendência do trono eterno. “E, eis aqui, se apresentou para eles um anjo do Senhor”.

Você se assusta por eles, a princípio, terem sentido medo? Você não se assustaria se algo parecido acontecesse com você? A tranquilidade da noite, o repentino da aparição, o extraordinário esplendor da luz, o aspecto sobrenatural do anjo, tudo tendia a assombrá-los e a infundir um estremecimento de espanto reverencial, pois não duvido que havia uma mescla tanto de reverência como de medo nesse sentimento descrito assim: “e tiveram grande temor”. Teriam prostrado seus rostos na terra sumidos no terror se não tivesse saído dessa “glória do Senhor” uma voz afetuosa que lhes disse: “Não temais”. Foram tranquilizados por esse doce consolo, e foram capacitados para escutar o anúncio que se seguiu. Logo essa voz, com entonação doce como as notas de um sino de prata, prosseguiu dizendo: “Eis que vos dou novas de grande alegria, que será para todo o povo: vos nasceu hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo, o Senhor”. Ele lhes pediu que descartassem todo pensamento de temor e que se entregassem ao contentamento. Sem dúvida o fizeram, e em toda a humanidade não houve pessoas tão felizes nessas altas horas da noite quanto aqueles pastores que tinham visto um assombroso espetáculo que jamais esqueceriam, e que agora refletiam se não deviam apressar-se para ver um espetáculo que seria mais deleitável ainda, qual seja, o Bebê do qual falou o anjo.

Que nos sobrevenha um grande gozo também enquanto consideramos que o nascimento de Cristo é causa de uma suprema alegria. Uma vez que tenhamos falado disso teremos que nos perguntar, a quem pertence esse gozo?; e em terceiro lugar, vamos considerar como expressar essa felicidade, já que a possuem. Que o Espírito Santo nos revele agora ao Senhor Jesus, e nos prepare para regozijar-nos Nele.

  1. O NASCIMENTO DE CRISTO DEVERIA SER UM MOTIVO DE SUPREMA ALEGRIA. E com toda razão. Temos o mandato do anjo de regozijarmos porque Cristo nasceu. É uma verdade tão plena de gozo que fez com que se enchesse de alegria o anjo que tinha vindo anunciá-la. Ele tinha pouco a ver com o fato em questão, porque Cristo não escolheu os anjos, mas escolheu a semente de Abraão; eu suponho que o pensamento mesmo de que o Criador esteja vinculado com a criatura, que o grandioso Invisível e Onipotente estabeleça uma aliança com o que Ele mesmo criou, provocou para que o anjo, como criatura, sentisse que todas as criaturas eram enaltecidas, e isso o alegrou. Ademais, havia uma doce benevolência de espírito no peito do anjo que o deixava feliz porque trazia tais boas novas aos filhos caídos dos homens. Mesmo que eles não sejam nossos irmãos, os anjos sentem um amoroso interesse em todos os nossos assuntos. Eles se alegram por nós quando nos arrependemos; são espíritos ministradores quando somos salvos, e nos transportam para o alto quando partimos; e estamos certos de que não são servos indispostos do seu Senhor, nem relutantes ajudantes dos Seus amados. Eles são amigos do Esposo e se regozijam em Seu regozijo; são serventes da casa da família de amor e nos atendem com uma entusiasmada diligência que evidencia a ternura de sentimento que guardam pelos filhos do Rei. Por essa razão o anjo entregou sua mensagem alegremente, como convinha ao lugar de onde proveio, ao tema que o fez descer e a seu próprio interesse no assunto. Disse: “Vos trago uma boa nova de grande alegria”, e estamos certos de que ele falou isso com um tom de deleite. Sim, tão alegres estavam os anjos por este Evangelho que quando terminou o discurso, tendo sido um anjo o que evangelizou e entregou o evangelho para o dia, prontamente um grupo de coristas apareceu e cantou um hino doce e sonoro para que houvesse um serviço completo na primeira apresentação da boa nova de grande alegria. Uma multidão das hostes celestiais havia ouvido que um mensageiro escolhido tinha sido enviado para proclamar o Rei que havia nascido, e, cheios de santo gozo e de adoração, juntaram forças para segui-lo, pois não podiam deixar que fosse só à Terra em uma missão dessa natureza. O alcançaram justo quando terminava de pronunciar a última palavra de seu discurso, e logo irromperam nesse famoso cântico coral, o único cântico entoado por anjos que jamais tinha sido ouvido por ouvidos humanos aqui embaixo: “Glória a Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade para com os homens!” Assim, digo, tiveram um serviço completo; houve um ministério de pregação do evangelho em um rico discurso proveniente de toda uma multidão cheia de gozo celestial. Era uma mensagem tão alegre que não poderiam permitir que fosse transmitida simplesmente por uma voz solitária, ainda que se tratasse da voz de um anjo; todos tinham que irromper num alegre coro de louvor, cantando ao Senhor um cântico novo.

Irmãos, se o nascimento de Jesus foi tão jubiloso para nossos primos, os anjos, que deveria ser para nós? Se induziu ao canto nossos vizinhos que tinham uma proporção comparativamente tão pequena nele, como deveria nos alegrar! Oh, se o céu fez descer à Terra, não deveriam nossos cânticos subirem ao céu? Se as portas de pérola do céu se abriram de par em par, e uma procissão de seres resplandecentes desceu correndo aos céus inferiores antecipando o tempo em que todos eles descerão com solene pompa no glorioso advento do grandioso Rei; se esvaziou os céus por um tempo para alegrar de tal maneira a Terra, não deveriam nossos pensamentos e nossos louvores e todo nosso amor verter-se até chegar à porta eterna, deixando a terra por um momento para encher o céu com os cânticos de seres mortais? Sim, verdadeiramente, que assim seja.

“Glória ao Rei que nasceu!

Entoemos todos o hino,

‘Paz na Terra por uma misericórdia indulgente;

Deus se reconciliou com os pecadores’”.

Pois, primeiro, o nascimento de Cristo foi a encarnação de Deus; era Deus quem assumia a natureza humana: um mistério, um assombroso mistério, algo que se deve crer melhor que definir-se. Contudo, foi assim que na manjedoura jazia um terno infante que era também Infinito, um fraco menino que era também o Criador do céu e da Terra. Como pôde acontecer isto não sabemos, mas cremos certamente que assim foi e regozijamos por ele, pois se Deus assume a natureza humana, então a humanidade não está abandonada nem é considerada desenganada. Quando a humanidade quebrou os laços do pacto, e colheu da única árvore que tinha sido excluída devido ao fruto proibido, Deus poderia ter dito: “Renuncio a ti, oh, Adão e descarto tua raça. Assim como descartei Lúcifer e todas as suas hostes, assim te abandono para que sigas o caminho de rebelião que escolhestes!” Mas agora não temos nenhum medo de que o Senhor chegue a fazer isso, pois Deus se desposou com a humanidade e se uniu a ela. Agora a humanidade não é descartada pelo Senhor como algo completamente maldito. Nem é uma abominação para Ele para sempre, pois Jesus, o Bem Amado, nasceu de uma virgem. Deus não teria tomado a humanidade em união consigo mesmo se não tivesse dito: “Não o desperdiceis, porque benção há nele”. Eu sei que a maldição caiu sobre os homens porque pecaram, mas evidentemente não sobre a humanidade em abstrato, pois de outro modo Cristo não teria vindo para assumir a forma de um homem e nascer de uma mulher; o Verbo feito carne significa esperança para a humanidade apesar de sua queda. A raça não há de ser proibida nem marcada com a marca da morte e do inferno, nem há de ser entregue completamente à destruição, pois, eis aqui, o Senhor se desposou com a raça e o Filho de Deus se converteu em Filho de homem. Isto basta para fazer com que tudo o que há em nosso interior cante de alegria.

Logo, também, se Deus tomou a humanidade em união consigo mesmo, então Ele ama o homem e tem boas intenções para com ele. Vede qual amor nos deu Deus para que contraia matrimonio com nossa natureza! Pois Deus não tinha se unido nunca antes com nenhuma criatura dessa maneira. Sua cativante misericórdia havia estado sempre sobre todas Suas obras, mas elas eram ainda distintas de Si mesmo que um grande abismo estava posto entre o Criador e o criado, no que diz respeito à existência e à relação. O Senhor tinha muitas nobres inteligências, principados e potestades das quais pouco sabemos; nem sequer sabemos que poderiam ser essas quatro criaturas viventes mais próximas à presença eterna; mas Deus não tinha assumido nunca a natureza de nenhuma delas, nem havia se aliado com elas por meio de uma união real com Sua pessoa. Mas, eis aqui, Ele se aliou com o homem, essa criatura um pouco menor que os anjos, essa criatura que há de usufruir da morte em razão do seu pecado; Deus entrou em união com o homem, e portanto, com toda a segurança o ama indizivelmente, e tem grandes pensamentos de bem para ele. Se o filho de um rei se casa com uma filha de um povo rebelde, então para essa raça rebelde há perspectivas de reconciliação, perdão e restauração. No grandioso coração do Ser Divino deve haver maravilhosos pensamentos de piedade e de amor condescendente, quando Ele se digna a tomar a natureza humana em união conSigo mesmo. Há gozo, gozo eterno; façamos ressoar o sonoro sino do deleite, pois a encarnação é um bom presságio para nossa raça.

Se Deus se uniu à humanidade, então Deus se compadecerá do homem, recordará que é pó e terá compaixão de suas debilidades e fraquezas. Vocês sabem, amados, quão agraciadamente é assim, pois esse mesmo Jesus que nasceu de uma mulher em Belém se compadece de nossas debilidades, tendo sido tentado em tudo conforme nossa semelhança. Se não tivesse se feito homem, nosso grandioso Sumo Sacerdote não teria possuído uma simpatia prática tão íntima. Se não tivesse também se feito osso de nossos ossos e carne de nossa carne, não teria uma perfeita identificação conosco nem sequer por poder divino. O Capitão de nossa salvação só podia ser aperfeiçoado por aflições; era necessário que como os filhos eram partícipes de carne e sangue, Ele mesmo tomasse parte do mesmo. Por isto podemos fazer tocar os sinos de prata outra vez, posto que agora o Filho de Deus simpatiza intimamente com o homem porque é feito em tudo semelhante aos seus irmãos.

Ademais, é claro que, se Deus condescende em estabelecer uma aliança tão íntima com a humanidade, tem a intenção de liberar o homem e bendizê-lo. A encarnação profetiza salvação. Oh, alma crente, seu Deus não pode ter a intenção de lhe maldizer. Olha para o Deus encarnado! O que você lê ali, senão a salvação? Deus encarnado tem que significar que Ele tem a intenção de pôr o homem sobre todas as obras de Suas mãos, e de lhe dar domínio, conforme Sua intenção original, sobre todas as ovelhas e bois e tudo o que passa pelos caminhos do mar e do ar; sim, tem que significar que há de haver um Homem sob cujos pés serão postas todas as coisas, de tal maneira que inclusive a morte mesma estará sujeita a Ele. Quando Deus se inclina sobre o homem, tem que significar que o homem tem de ser levantado até Deus. Que gozo há nisto! Oh que nossos corações estivessem ao menos aos trancos e barrancos vivos à encarnação! Oh, que ao menos soubéssemos a milésima parte do indizível deleite que está oculto neste pensamento: que o Filho de Deus nasceu como um ser humano em Belém! Assim, há uma imensa causa de gozo no nascimento de Cristo, porque foi a encarnação da Divindade.

Mas, adicionalmente, o anjo explicou o motivo do nosso gozo dizendo que quem nasceu é para nós um Salvador. “Vos nasceu hoje… um Salvador”. Irmãos e irmãs, eu sei quem mais se alegrarão hoje pensando que Cristo se encarnou para ser um Salvador. Serão aqueles que estão mais conscientes de sua condição de pecadores. Se querem extrair música dessa harpa de dez cordas: da palavra “Salvador”, deem-na a um pecador. “Salvador” é a harpa, mas “pecador” é o dedo que tem que tocar as cordas para produzir a melodia. Se você reconhece que está perdido por natureza, e perdido pela prática, e se sente o pecado como uma praga em seu coração, se o mal te cansa e te aflige, se você conheceu o peso e a vergonha da iniquidade, então será uma bem aventurança para você ouvir sobre esse Salvador que é dado por Deus. Ainda como um bebê, Jesus o Salvador é precioso para você, mas, sobretudo, o é porque agora Ele já concluiu agora toda a obra de sua salvação. Você colocará seu olhar no começo dessa obra, e a inspecionará até sua conclusão, e bendirá e engrandecerá o nome do Senhor.

Para vocês, oh para vocês, que são os piores pecadores, inclusive para vocês que estão conscientes de ser culpados, nasceu um Salvador. Ele é um Salvador por nascimento; nasceu para cumprir esse propósito. Salvar os pecadores é Seu direito de nascimento e Seu dever. Salvar os perdidos é, a partir de agora, uma instituição de domínio divino, e um ofício da natureza divina. A partir de agora, Deus delegou a ajuda a Um que é poderoso. E exaltou a Um eleito do povo, para buscar e salvar o que havia se perdido. Acaso não há gozo nisto? Onde mais há alegria se não aqui?

O anjo nos diz em seguida que este Salvador é Cristo o Senhor, e há muita alegria nisto. “Cristo” significa ungido. Agora, quando sabemos que o Senhor Jesus Cristo veio para salvar, é extremamente agradável perceber adicionalmente que o Pai não permite iniciar Sua missão sem a qualificação necessária. Ele é ungido pelo Altíssimo para cumprir com Seus ofícios que assumiu: o Espírito do Senhor repousou sobre Ele sem medida. Nosso Senhor é ungido em um triplo sentido: como profeta, sacerdote e rei. Se observou apropriadamente que esta unção, em seu triplo poder, nunca reposou em nenhum outro homem. Houveram profetas-reis, por exemplo, Davi; houve um sacerdote-rei, Melquisedeque; e houveram também profetas-sacerdotes, tais como Samuel. Assim sucedeu que dois dos ofícios estiveram unidos em um homem, mas todos os três: profeta, sacerdote e rei, nunca se juntaram em um ser três vezes ungido senão em Jesus. Temos a mais plena unção concebível em Cristo, aquele que é ungido com o óleo de alegria mais que a seus companheiros, e como o Messias, o Enviado de Deus, Ele está completamente preparado e qualificado para toda a obra de nossa salvação. Nossos corações devem se alegrar. Não temos um Salvador nominal, mas um Salvador plenamente capacitado; um que em tudo é semelhante a nós, pois é homem, mas em tudo é idôneo para brindar ajuda à fraqueza que assumiu, pois Ele é o homem ungido. Vejam que íntima mescla do divino e do humano se encontra no cântico dos anjos. Cantam com respeito a Ele como “um Salvador”, e um Salvador, para salvar da morte e do inferno, tem que ser divino necessariamente; e contudo, o título é tomado de Seus tratos com a humanidade. Logo cantam Dele como “Cristo”, e isso tem que ser humano, pois só o homem pode ser ungido, ainda que essa unção provenha de Deus. Façam soar as trombetas do jubileu por este Ser maravilhosamente ungido, e regozijem-se Naquele que é seu sacerdote que os limpa, seu profeta que os instrui, e seu rei que os liberta. Os anjos cantaram Dele como Senhor, e ainda assim, como alguém que havia nascido; então aqui o divino em domínio é unido com o humano no nascimento. Quão bem coincidiram as palavras e o sentido.

O anjo prosseguiu dando a esses pastores outro motivo de alegria, dizendo que se bem o Salvador havia nascido para ser o Senhor, também havia nascido tão humildemente que encontrariam o bebê envolto em panos, deitado em uma manjedoura. Há motivo de gozo nisto? Eu digo que sim, há, pois o terror da Divindade é o que mantém afastados da reconciliação os pecadores; mas vejam como a Divindade se escondeu graciosamente em um bebê, em um terno infante, um bebê que necessitava ser envolto em panos como qualquer outro menino recém nascido. Quem teme aproximar-se? Quem treme na presença de um bebê? Contudo, a Divindade está ali. Alma minha, quando de puro assombro não puder estar de pé sobre o mar de cristal mesclado com fogo, quando a gloria divina for como um fogo consumidor para seu espírito, e a sagrada majestade do céu for completamente chocante para você, então se aproxime deste bebê, e diga: “Sem dúvida Deus está aqui, e aqui posso reunir-me com Ele na pessoa do Seu amado Filho, em quem habita toda a plenitude da Divindade corporalmente”. Oh, que bem aventurança há na encarnação se recordamos que ali desce a onipotência de Deus até a fraqueza do homem, e a infinita majestade se inclina à fragilidade do homem.

Agora, percebam que os pastores não iam encontrar este bebê envolto em púrpura de Tiro nem envolto em tecidos escolhidos, trazidos de longe:

“Nenhuma coroa adorna Sua formosa face,

Não há pérolas, nem joias nem seda ali”.

Tampouco o descobririam nos salões de mármore dos príncipes, nem custodiado por legionários pretorianos, nem atendido por soberanos vassalos, mas o encontrariam como o bebê de uma mulher campesina, de linhagem principesca, é certo, mas de uma família cuja estirpe estava seca e esquecida em Israel. O garoto era conhecido como o filho de um carpinteiro. Se contemplasse ao humilde pai e a mãe, e ao pobre leito que tinham preparado onde antes haviam alimentado os bois, diria: “Isto é, na verdade, condescendência”. Oh, vocês que são pobres, alegrem-se, pois Jesus nasceu na pobreza, e foi aninhado em uma manjedoura. Oh, vocês, filhos da fadiga, regozijem-se, pois o Salvador nasceu de uma humilde virgem, e um carpinteiro é seu pai adotivo. Oh, vocês, pessoas que são frequentemente humilhadas e pisoteadas, o Príncipe da Democracia nasceu, um escolhido do povo é exaltado ao trono. Oh, vocês que denominam a si mesmos “a aristocracia”, contemplem o Príncipe dos reis da terra, cuja linhagem é divina, mas, apesar disso, não há nenhum lugar para Ele na hospedaria. Contemplem, oh varões, o Filho de Deus, que é osso de seus ossos, íntimo conhecedor de todas as suas aflições, que em Sua vida posterior passou fome igual a vocês, sentiu cansaço como vocês sentem, e vestiu humildes roupas como as de vocês; sim, sofreu uma maior pobreza que a de vocês, pois Ele não contava com nenhum lugar onde reclinar Sua cabeça. Alegrem-se céus e Terra, já que Deus desceu ao homem tão plena e verdadeiramente.

E isto não é tudo. O anjo pediu que se alegrassem e eu também os peço o mesmo, sobre esta base: que o nascimento deste menino traria  glória a Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade para com os homens. O nascimento de Cristo deu glória a Deus como eu jamais soube que Ele poderia recebê-la daqui por nenhum outro meio. Devemos falar sempre com tons suaves e baixos quando falamos da glória de Deus; em si mesma há de ser sempre infinita e não pode ser concebida por nós, e sem dúvida, não poderíamos nos aventurar e dizer que todas as obras das mãos de Deus não o glorificam tanto quanto o dom do Seu amado Filho, que toda a criação e toda a providência não exibem tão bem o coração da Divindade como quando Ele entrega Seu Unigênito e o envia ao mundo para que os homens vivam graças a Ele? Que sabedoria é manifestada no plano de rendição do qual Deus encarnado é o centro! Que amor é revelado ali! Que poder é o que fez descer desde a gloria até a manjedoura o Ser divino; unicamente a onipotência pôde obrar uma maravilha tão grande! Que fidelidade às antigas promessas! Que veracidade em guardar a aliança! Que graça e, sem dúvida, que justiça! Pois era na pessoa desse menino recém-nascido que a Lei deveria se cumprir, e era em Seu precioso corpo que a vingança devia encontrar a recompensa pelos danos infligidos contra a justiça divina. Todos os atributos de Deus eram um por um exibidos e velados nesse terno menino de maneira maravilhosa. Concebam ao sol inteiro concentrado em um só ponto, no entanto, revelado tão levemente como para ser tolerável para o olho mais terno; de igual maneira Deus desce ao homem para que lhe veja nascer de uma mulher. Pensem nisto. A expressa imagem de Deus em carne mortal! O herdeiro de todas as coisas aninhado numa manjedoura! Isso é maravilhoso! Glória a Deus nas alturas! Ele não se revelou nunca antes como agora se manifesta em Jesus.

É graças ao nascimento do Nosso Senhor Jesus que há uma medida de paz na terra e uma ilimitada paz vindoura. Os dentes de guerra já foram quebrados de alguma maneira, e os fiéis dão um testemunho contra este grande crime. A religião de Cristo põe em alto seu escudo sobre os oprimidos, e declara que a tirania e a crueldade são desprezíveis diante de Deus. Apesar dos abusos e escárnios que podem ser colocados sobre o verdadeiro ministro de Cristo, ele não calará enquanto houverem nacionalidades e raças pisoteadas necessitadas de sua intervenção, e os servos de Deus não cessarão em nenhum lugar de manter a paz entre os homens até o limite do seu poder, enquanto sejam fiéis ao Príncipe da Paz. Vem o dia quando este crescente testemunho prevalecerá, e as nações não aprenderão mais a fazer guerra. O Príncipe da Paz fará um pelo para lhe defender e recostará sua cabeça em seu colo. Ele, o Senhor de tudo, quebrará as flechas do arco, a espada e o escudo e a batalha, e o fará em Sua própria morada, em Sião, que é mais gloriosa e sublime que todos os montes eternos. Tão certo como Cristo nasceu em Belém, Ele fará ainda com que todos os homens sejam irmãos e estabelecerá uma monarquia universal de paz que não terá término. Portanto, se valorizamos a glória de Deus temos que cantar, pois o menino que nasceu a revela; e se valorizamos a glória de Deus temos que cantar, pois Ele veio trazê-la. Sim, e se amamos o vínculo que liga o céu glorificado com a terra pacificada, a boa vontade para com os homens que o Eterno manifesta nisto, adicionemos uma terceira nota aos nossos aleluias e bendigamos e engrandeçamos a Emanuel, Deus conosco, que realizou tudo isto pelo Seu nascimento entre nós. “Gloria a Deus nas alturas e na terra paz, boa vontade para com os homens!”

Creio que lhes mostrei que havia suficiente lugar para o gozo entre os pastores, mas vocês e eu, que vivemos nos últimos dias, quando entendemos todo o assunto da salvação, deveríamos estar ainda mais alegres que eles, ainda que tenham glorificado e louvado a Deus por todas as coisas que viram e ouviram. Vamos, irmãos meus, façamos ao menos tanto quanto o que fizeram estes sinceros pastores, e regozijemos com toda nossa alma.

  1. Em segundo lugar, consideremos A QUEM PERTENCE ESTE JÚBILO. Meu espírito estava muito abatido ontem. Pois este clima inclemente tende a deprimir bastante a mente.

“Nenhuma cotovia poderia disparar seus gorjeios                                      sob céus tão lúgubres e cinzas”.

Mas me veio um pensamento que me encheu de intensa felicidade. Direi, não porque vai lhes parecer algo, mas porque me alegrou. Me incumbe basicamente e, para pôr entre parênteses; é isto: que o gozo do nascimento de Cristo em parte pertence a quem o declara, pois os anjos, que o proclamaram estavam extremamente alegres, tão alegres como a alegria mesma. Pensei nisto e sussurrei em meu coração: “Já que vou falar de Jesus nascido na Terra pelos homens, vou me permitir também estar alegre, alegre ao menos por levar-lhes essa mensagem”. Saíram lágrimas de mim, e ali estão presentes até agora, pensando que tenho o privilégio de dizer aos meus congêneres: “Deus condescendeu em assumir a natureza de vocês para salvá-los”. Estas são palavras tão grandiosas e alegres como as que poderia haver pronunciado o varão da boca de ouro. Enquanto a Cícero e Demóstenes, esses eloquentes oradores não tinham um tema semelhante sobre o qual falar. Oh, quanta felicidade, quanta felicidade, quanta felicidade! Nasceu neste mundo um varão que é também Deus. Meu coração, como Davi, dançou diante da arca de Deus.

Este gozo não estava destinado unicamente para os transmissores da boa nova, mas para todos os que a ouviram. Leiam desta maneira: “todo povo”, se quiserem, pois assim, talvez, poderia requerê-lo a letra do original. Bem, então, significava que era uma felicidade para toda a nação dos judeus; mas, com toda a segurança, nossa versão é mais fiel ao espírito interno do texto; que Cristo tenha nascido é gozo para todo o povo sobre a face da Terra. Não há uma nação sob o céu que não tenha o direito de alegrar-se porque Deus desceu aos homens. Cantem juntos, vocês, lugares baldios de Jerusalém. Busquem a melodia, oh, vocês, habitantes do ermo e alegrem-se as muitas ilhas! Vocês, que debaixo da zona frígida sentem em sua própria medula toda a força do vento do norte de Deus, deixem que seus corações ardam em seu interior por esta feliz verdade. E vocês, cujos rostos são queimados pelo calor do tórrido sol, deixem que isto seja como um poço de água para vocês. Alegrem-se e engrandeçam a Jeová por que Seu Filho, Seu Unigênito, é também um irmão da humanidade.

“Oh, despertemos nossos corações e cantemos com alegria!

E cada um aclame ao Rei que nasceu,

Até que um cântico vivo proveniente de almas vivas

Discorra como o som de potentes águas”.

 

Mas, irmãos, nem todos se regozijam, nem sequer todos aqueles que conhecem esta gloriosa verdade, e não comove os corações nem da metade da humanidade. Então, para quem é um gozo? Eu respondo que é para todos os que creem, e, especialmente, para todos os que creem como creram os pastores com essa fé que não vacila por culpa da incredulidade. Os pastores não tiveram nunca nenhuma dúvida: a luz, os anjos, e o cântico bastaram para eles; aceitaram as alegres novas sem fazer nem uma só pergunta. Nisto os pastores foram sábios e experimentaram uma alegria por vez, sim, mais sábios que os que queriam ser sábios, cuja sabedoria só pode se manifestar em pensamentos minuciosos. Esta idade atual despreza a simplicidade de uma fé infantil, mas quão maravilhosamente Deus repreende sua presunção. Pega os sábios em sua própria astúcia. Não podia deixar de advertir na recente descoberta das famosas cidades gregas e nos sepulcros dos heróis, a vigorosa crítica que o espírito de ceticismo recebeu. Estes sábios céticos têm sido enfrentados em seu próprio terreno e são confundidos. Claro que nos disseram que o velho Homero era, ele mesmo, um mito e que o poema que leva seu nome era uma mera coleção de lendas infundadas e de meros contos. Algum antigo cantor teceu seus sonhos e os fez poesia e os impôs em nós como o canto do cego trovador: não havia realidade nele, diziam, nem tampouco em nenhuma história atual; tudo era pura lenda. Faz tempo que estes cavalheiros nos disseram que não havia nenhum rei Artur, nenhum Guilherme Tell, nem ninguém mais, na verdade. Assim como questionaram todos os escritos sagrados, assim suspeitaram de tudo o mais que creem os homens comuns. Mas, veja aqui, as cidades antigas falam, os heróis são descobertos em suas tumbas; a fé do menino é vindicada. Desenterraram o rei dos homens, e este e outros assuntos falam com vozes de trovão ao ouvido incrédulo e dizem: “Vocês, insensatos, os simples creram e foram mais sábios do que sua ‘cultura’ faz de vocês. Suas dúvidas intermináveis os conduziram à falsidade e não à verdade”.

Os pastores creram e se alegraram até onde puderam, mas se o Professor Beltrano de Tal (não importa seu nome) tivesse estado ali, naquela memorável noite certamente teria debatido com o anjo e teria negado que seria necessário um Salvador de tudo. Teria tomado algumas notas friamente para uma conferência acerca da natureza da luz, e teria começado uma digressão sobre a causa de certos fenômenos noturnos notáveis que foram vistos nos campos perto de Belém. Sobretudo, teria assegurado aos pastores a absoluta inexistência de qualquer coisa sobre humana. Acaso não demonstraram essa impossibilidade dezenas de vezes os estudiosos de nossa época com suficientes argumentos para convencer um poste de madeira? Demonstraram muito claramente, como três por dois são dezoito, que não há nenhum Deus, nem anjo, nem espírito. Teria demonstrado mais além de toda dúvida, com relação a seu próprio dogmatismo, que deve-se duvidar de tudo por mais seguro que seja, e que não deve se acreditar em nada exceto a infalibilidade dos pretendentes à ciência. Mas estes homens não encontram nenhum consolo, e tampouco são tão fracos para necessitar de um consolo, segundo dizem. Seu ensinamento não são boas novas, mas uma desventurada negação, uma geada mortífera que poda todas as nobres esperanças em flor, e em nome da razão rouba do homem sua verdadeira felicidade. Sejamos tão filosóficos quanto os pastores, pois não creram muito, mas simplesmente creram no que havia sido devidamente atestado, e acharam que isso era verdade com base em uma investigação pessoal. Na fé racida o gozo. Se nossa fé pode ver, seremos felizes agora. Esta manhã quero sentir como se visse a glória do Senhor brilhando ainda nos céus, pois estava ali, ainda que eu não a visse. Desejaria ver esse anjo, e ouvi-lo falar; mas, posto que não posso fazê-lo, eu sei que em verdade falou, ainda que eu não tenha ouvido. Tenho certeza de que esses pastores não disseram mentiras, nem que o Espírito Santo nos enganou quando ordenou que Seu servo Lucas escrevesse esta história. Esqueçamos o grande intervalo transcorrido e recordemos unicamente que isso foi certamente um fato, e sempre podemos ouvir o coro angélico, no alto daquele céu, cantando ainda: “Glória a Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade para com os homens!” De qualquer maneira,  nossos corações ensaiam o hino e nós sentimos a alegria dele, crendo simplesmente tal como fizeram os pastores.

Reparem bem que, por crer no que creram, estes pastores de mentes sinceras desejaram aproximar-se mais do maravilhoso bebê. Que fizeram senão consultar unidos e dizer: “Vamos, pois, até Belém, e vejamos isto que aconteceu”? Oh amados, se vocês querem obter o gozo de Cristo, aproximem-se Dele. Creiam qualquer coisa que ouçam sobre Ele em Seu próprio livro, mas logo digam: “Irei e o encontrarei”. Quando ouvirem a voz do Senhor desde o Sinai não se aproximem do monte em chamas, pois a lei os condena e a justiça de Deus os sobrepuja. Prostrem-se a uma humilde distância e adorem com solene temor. Mas quando ouvirem acerca de Deus em Cristo apressem-se em vir aqui. Apressem-se para vir com toda a confiança, pois hão de vir ao sangue aspergido, que fala melhor que o de Abel. Aproximem-se, aproximem-se mais ainda. “Vinde” é Sua própria palavra para aqueles que estão cansados e sobrecarregados, e é a mesmíssima palavra que lhes dirigirá no fim: “Vinde, benditos do meu Pai, herdai o reino preparado para vós desde a fundação do mundo”. Se buscam o gozo em Cristo venham e encontrem-no eu Seu peito ou a Seus pés, e ali vocês encontrarão João e Maria há muito tempo.

E logo, meus irmãos, façam o que fizeram os pastores quando se aproximaram: se regozijaram ao ver o bebê de quem se havia falado. Vocês não podem ver com o olho físico, mas têm que meditar, e ver assim com o olho mental esta magna, grandiosa e gloriosa verdade: que o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Esta é a maneira de ter gozo hoje, o gozo que desce apropriadamente do céu com o descenso do Rei do céu. Creiam, aproximem-se, e logo ponham fixamente seu olhar Nele, e sejam assim benditos.

“Escutem como ressoa todo o firmamento:

Glória ao Rei dos reis!

Paz na terra e misericórdia indulgente,

Deus e os pecadores estão reconciliados.

 

Velada na carne vem a Divindade;

Salve a Divindade encarnada!,

Quis vir aos homens como um homem,

Jesus, nosso Emanuel aqui”.

III.   Meu tempo se esgotou, do contrário desejaria mostrar-lhes, em terceiro lugar, COMO DEVERIA SER MANIFESTADO ESSE GOZO. Só vou lhes dar um par de sugestões. Conhecemos muito bem a maneira como muitos crentes no Natal guardam essa festividade. Este é um país cristão, não é verdade? Me dizem com tanta frequência que suponho que tem que ser verdade. É um país cristão! Mas seu cristianismo é de um tipo muito notável! Não se trata unicamente de que nos velhos tempos “no Natal se tomava a cerveja mais forte”, mas que em nossos dias os que guardam o Natal têm, necessariamente que embebedar-se nessa ocasião. Não estou denegrindo meus conterrâneos quando digo que a bebedeira parecia ser um dos principais componentes do seu deleite pelas festas natalícias. Se Baco tivesse nascido nessa época, penso que a Inglaterra guardaria o aniversário desta detestável divindade de maneira bastante apropriada, mas não me digam que é o nascimento do santo menino Jesus os que assim celebram. Acaso não é crucificado de novo por esta blasfêmia? Certamente Jesus diz aos malvados: “O que têm que fazer guardando meu aniversário e mencionando meu nome em conexão com sua glutonaria e ebriedade?” Que vergonha que haja alguma causa para tais palavras. É dez vezes mais vergonhoso que haja causa de sobra.

Vocês podem guardar o aniversário do Senhor ao longo de todo o ano, pois seria melhor dizer que nasceu cada dia do ano do que em algum dia em particular, pois, verdadeiramente, em um sentido espiritual, Ele nasce a cada dia do ano nos corações de alguns seres humanos, e esse é para nós um ponto de peso muito maior que a observância dos dias santos. Expressem sua felicidade, primeiro, como o fizeram os anjos, mediante um ministério público. Alguns de nós somos chamados a pregar para muitas pessoas. Proclamemos ao Salvador e ao Seu poder de resgatar ao homem nos tons mais claros e desprendidos. Outros entre vocês não podem pregar, mas podem cantar. Então cantem seus hinos e louvem a Deus com todo seu coração. Não sejam displicentes no devoto uso de suas línguas, que são a glória dos seus corpos, mas elevem seus jubilosos hinos uma vez após a outra ao Rei que nasceu. Outros entre vocês não podem nem pregar nem cantar. Bem, então, têm que fazer o que fizeram os pastores, e o que foi que fizeram? Nos foi dito duas vezes que eles deram a conhecer o que lhes havia sido dito. Tão logo como viram o bebê, deram a conhecer amplamente o que lhes havia sido dito, e ao regressar à casa glorificavam a Deus. Esta é uma das formas mais práticas de mostrar seu gozo. A santa conversação é tão aceitável como os sermões e os hinos. Houve também alguém que disse pouco mas, por isso mesmo, refletiu muito mais: “Maria guardava todas estas coisas, meditando-as em seu coração”. Tranquilo, ditoso espírito, pondera em seu coração a grandiosa verdade de que Jesus nasceu em Belém. Emanuel, Deus conosco; priorize-o se puder; olhem-no uma e outra vez, examine as diversas facetas deste brilhante sem preço e bendiga, adore e ame e assombre-se e adore de novo este incomparável milagre de amor.

Por último, anda e faça o bem aos outros. Como os magos, traga suas oferendas, e ofereça ao Rei que nasceu o melhor ouro de amor do seu coração, e o incenso do louvor e a mirra da penitência. Traga tudo o que seja o melhor do seu coração, e também algo de sua riqueza, pois este é um dia de boa nova, e não seria conveniente que você aparecesse vazio diante do Senhor. Vem e adora a Deus manifestado na carne, e seja cheio de Sua luz e doçura pelo poder do Espírito Santo. Amém.

Porção da Escritura lida antes do sermão: Lucas 2: 1-21.


 

ORE PARA QUE O ESPÍRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA EDIFICAÇÃO DE MUITOS E SALVAÇÃO DE PECADORES.

 

 

FONTE:

Traduzido de http://www.spurgeon.com.mx/sermon1330.html

Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público e com autorização do Sr. Allan Román

Sermão nº 1330— The  Metropolitan Tabernacle Pulpit

 

Tradução: Rachel Gondim

Revisão e Capa: Armando Marcos

Projeto Castelo Forte

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Projeto Spurgeon – Proclamando a CRISTO crucificado.

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[1] A Igreja da Inglaterra (Church of England)

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