Menos é mais: Martinho Lutero sobre a vida cristã – Artigo – Carl Trueman

Uma das coisas impressionantes da visão de Martinho Lutero sobre a vida cristã é a sua absoluta simplicidade. Ao se opor a piedade medieval, com suas múltiplas ordens sagradas, suas penitências e peregrinações, Lutero apresentou um Cristianismo para todos. E contra o pano de fundo da sua própria psicologia complicada e escrupulosa, ele descobriu a paz que vem direto da suficiente ação salvadora de Deus no Cristo crucificado. Se Agostinho libertou a igreja da piedade auto-martirizante de Pelágio, Lutero a libertou de séculos de complicações ofuscantes.

Veja sua compreensão das fontes da salvação, por exemplo: Cristo ofertado na Palavra pregada, Cristo ofertado no batismo e na Ceia do Senhor. Ouvir, lavar e comer: três das atividades humanas mais básicas e cotidianas que não exigem nenhum talento especial. Atividades que transcendem todas as categorias humanas das quais nos importamos em criar para tornar as coisas mais complicadas, seja com base na idade, classe, etnia, etc.

Uma vida cristã fundamentada nas simples ferramentas estabelecidas nas Escrituras pode muito bem rebater a estética de um mundo em detrimento do espetacular e inovador, mas, no entanto, surge de um dos aspectos mais poderosamente graciosos do ensino bíblico na salvação: Deus não faz acepção de pessoas. Lutero viu isso claramente: Deus considera a humanidade como os que estão “fora de Cristo” e sujeitos às penalidades da Lei, ou os que estão “em Cristo” e, portanto, se beneficiam de Sua pessoa e trabalho. A questão-chave para os cristãos – e, portanto, para os que estão no ministério pastoral – era simplesmente de como alguém pode se unir a Cristo.

Para Lutero, a resposta era simples: pela fé agarrando-se na promessa de Cristo oferecida em sua Palavra e sacramentos. Assim, o chamado do ministério foi moldado de forma mais profunda pelo fato de que que eram essas as ferramentas que precisam ser usadas. E a vida individual de cada cristão é moldada do mesmo jeito significativo ao darmos a devida atenção para essas duas coisas. Ao passar pelo prumo da simplicidade e objetividade neste ponto, todo o resto é revelado como uma simples confusão – uma bagunça que escurece ou distrai da coisa real.

Ler Lutero pode ser muito libertador. Muitas pessoas que lutam sob o peso de seu próprio pecado e de suas próprias tentativas de alcançar a Deus, foram libertas pelo seu discernimento de que o evangelho é a boa notícia do que Deus fez por nós, e não do que nos exige que façamos para Ele.

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Tradução: Paulo Cunha

 

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