Fé e Arrependimento Inseparáveis – Spurgeon

coverNº 460

Sermão pregado na manhã de Domingo, 13 de julho de 1862

Por Charles Haddon Spurgeon

No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres.

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“Arrependam-se e creiam no Evangelho!”

Marcos 1:15

 

NOSSO Senhor Jesus Cristo começa Seu ministério anunciando seus mandamentos centrais. Ele surge do deserto, recentemente ungido, como o noivo que sai de seus aposentos; Sua mensagem de amor são arrependimento e fé. Ele vem à frente totalmente preparado para Seu serviço, tendo estado no deserto, “passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado.” Ele está preparado para a missão assim como um homem forte que vai para uma corrida. Ele prega com toda a honestidade de um novo fervor, combinado com toda a sabedoria de uma longa preparação; na beleza da santidade do ventre da manhã, Ele brilha com o orvalho de Sua juventude. Ouçam, ó Céus e dê ouvidos, ó terra, pois o Messias fala na grandeza de Sua força! Ele clama os filhos do homem: “Arrependam-se e creiam no Evangelho!” Ouçamos essas palavras que, como seu Autor, são cheias da Divina Graça e da Verdade de Deus. Diante de nós, temos o resumo e os fundamentos de todo o ensino de Jesus Cristo – o Alpha e o Ômega de todo o Seu ministério; e vindo dos lábios de tal Ser, de tal momento, com tal poder peculiar, possamos dar grande atenção sincera e que Deus possa nos ajudar a obedecer a essas palavras de todo o nosso coração.

  1. Devo começar dizendo que O EVANGELHO QUE CRISTO PREGOU ERA, SIMPLESMENTE UMA ORDEM. Arrependam-se e creiam no Evangelho.” Nosso Senhor, de fato, concorda com a razão. Com frequência Seu ministério graciosamente representou o antigo texto: “Venham, vamos refletir juntos. […] Embora os seus pecados sejam rubros como púrpura, como a lã se tornarão.” Ele realmente convence os homens com o discurso e com fortes argumentos que deveriam levá-los a buscar a salvação de suas almas. Ele, de fato, convida os homens e ó, como amorosamente Ele lhes pede que sejam sábios. “Venham a Mim todos os que estão cansados e sobrecarregados e eu lhes darei descanso.” Ele realmente implora aos homens. Ele concorda em se tornar um pedinte para Suas próprias criaturas pecadoras, suplicando-lhes que venham até Ele. De fato, ele faz disso o dever de Seus ministros. “Como se Deus estivesse fazendo o Seu apelo por nosso intermédio. Por amor a Cristo lhes suplicamos: reconciliem-se com Deus.” No entanto, lembre-se de que, embora Ele seja condescendente com a razão, persuasão, o convite e a súplica, ainda assim o Seu Evangelho tem em si toda a dignidade e a força de uma ordem; e se desejamos pregá-lo como Cristo pregou, devemos proclamá-lo como uma ordem de Deus, atendida com uma Penalidade Divina, e que não deve ser negligenciada com o risco do infinito perigo da alma!

Quando o banquete era servido à mesa para a ceia de casamento, havia um convite – que tinha toda a obrigação de uma ordem – e aqueles que o rejeitavam eram completamente destruídos como desdenhadores de seu rei! Quando os construtores rejeitam Cristo, Ele se torna pedra de tropeço para “os desobedientes”. Mas como eles poderiam desobedecer se não houvesse comando algum? O Evangelho contempla convites, pedidos e súplicas – porém também coloca em uma posição superior a autoridade. “Arrependam-se e creiam” é uma ordem de Deus assim como “Não roubarás”. “Creia no Senhor Jesus Cristo” possui a Autoridade Divina assim como “Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento”. Não pense, ó homem, que o Evangelho é algo que você pode escolher ou não! Não sonhe, ó pecadores, que vocês possam desprezar a Palavra vinda dos Céus e não serem culpados! Não pensem que vocês podem negligenciá-la e que nenhuma consequência hostil haverá de vir em seguida! É justamente esta sua negligência e este desprezo que irá preencher a medida de sua iniquidade. É por esta preocupação que suplicamos “como escaparemos, se negligenciamos tão grande salvação?” Deus ordena que se arrependa! O mesmo Deus que estremeceu o Sinai e o deixou sob fumaça, o mesmo Deus que proclamou a Lei com o som de trombeta, com raios e trovões, fala conosco mais gentilmente, mas ainda assim, de modo igualmente Divino, por meio de Seu Filho unigênito, quando Ele nos diz: “Arrependam-se e creiam no Evangelho”.

Por que isto, queridos amigos? Por que Deus fez com que crer em Cristo fosse uma ordem? Há uma razão abençoada. Muitas almas jamais iriam arriscar-se a crer se não houvesse uma punição por recusar-se a fazê-lo, visto que esta é a dificuldade de muitos pecadores despertos – posso acreditar? Eu tenho o direito de acreditar? Eu posso confiar em Cristo? Então esta pergunta é posta de lado, de uma vez por todas, e não deve irritar um coração machucado novamente! Você é ordenado por Deus a fazê-lo, logo, você pode fazer isso! Toda criatura debaixo do Céu é ordenada a crer no Senhor Jesus e dobrar os joelhos ao Seu nome! Toda criatura, onde quer que o Evangelho chegue, onde quer que a Verdade de Deus seja pregada, é ordenada a imediatamente crer no Evangelho! E isto é colocado dessa forma para que nenhum pecador com a consciência contaminada pergunte a si mesmo se pode fazer isso. Certamente, você pode fazer aquilo que Deus ordena que você faça! Você pode jogar isso contra as mentiras do diabo: “Eu posso fazer isso. E eu sou ordenado a fazê-lo por Ele que tem autoridade, e corro o risco, se não fizer isso, da condenação eterna de Sua Presença”, pois “quem não crer será condenado”. Isto dá ao pecador uma permissão maravilhosa que garante que o quer que ele seja ou não seja, o que quer que ele tenha sentido ou não, ele tem um mandado que poderá usar quando for levado a se aproximar da Cruz. Não importa o quão incivilizado e sombrio você possa ser, não importa o quão endurecido e insensível seu coração possa ser, você ainda possui um mandado que o permite olhar para Jesus nas palavras: “Voltem-se para Mim e sejam salvos, todos vocês, confins da terra.” Aquele que lhe mandou crer irá justificá-lo pela fé. Ele não pode condená-lo pelo que Ele mesmo ordena que você faça.

No entanto, enquanto há essa razão abençoada para o Evangelho ser uma ordem, há também uma outra importante e terrível razão: é a de que os homens serão indesculpáveis no Dia do Julgamento – nenhum homem poderá dizer ao final: “Senhor, eu não sabia que deveria crer em Cristo; Senhor, os portões do Céu se fecharam para mim. Foi-me dito que eu não poderia vir, que não era para mim.” “Não”, diz o Senhor, com o som de trovão, “Eu não levei em conta o tempo de ignorância dos homens, mas no Evangelho eu ordenei aos homens onde quer que estivessem a se arrepender. Eu enviei Meu Filho, e então enviei Meus Apóstolos e, depois, meus Ministros e ordenei a todos eles que fosse este o peso de sua mensagem: ‘Arrependam-se e se convertam todos vocês’ e, como Pedro pregou no Pentecostes, assim eu ordenei a eles que pregassem a vocês. Eu os mandei avisar, exortar e convidar com todo o cuidado, mas também a comandar, com toda a autoridade, convencendo-os a vir e, visto que não vieram ao Meu comando, somaram pecado com pecado, somaram o suicídio de suas próprias almas a todas as suas demais iniquidades. E agora, visto que rejeitaram Meu Filho, vocês deverão ter a porção dos descrentes, pois ‘quem não crer será condenado’”.

A todas as nações da terra, proclamemos, então, este decreto vindo de Deus! Ó, Homem, o SENHOR Jeová que o fez, Ele que lhe deu o fôlego de suas narinas, Ele a quem você ofendeu, ordena-o hoje a se arrepender e crer no Evangelho. Ele dá Sua promessa: “Quem crer e for batizado será salvo” e adiciona Sua importante ameaça: “quem não crer será condenado”. Sei que alguns não gostarão disto, mas é algo que não posso evitar. Escravo do sistema eu nunca serei, pois o Senhor afrouxou as amarras de ferro do meu pescoço e agora sou um servo alegre da Verdade de Deus que faz livres os homens. Quer ofenda, quer agrade, como Deus irá me ajudar, proclamarei cada Verdade de Deus conforme aprendi nas Escrituras, e eu sei que se há algo escrito na Bíblia, é escrito com um raio de sol, que Deus em Cristo ordena aos homens que se arrependam e creiam no Evangelho. É uma das mais tristes provas da total depravação do homem o fato de que ele não obedeça a essa ordem, mas que despreze a Cristo e faça, assim, com que sua destruição seja pior do que a de Sodoma e Gomorra. Sem o trabalho de regeneração do Espírito Santo de Deus, nenhum homem jamais será obediente a essa ordem; mas, ainda assim, isto deve ser posto como testemunho contra eles se a rejeitarem. E, conforme publicamos a ordem de Deus com toda a simplicidade, podemos esperar que Ele irá Divinamente reforçá-la nas almas daqueles que Ele enviou para a vida eterna!

 

  1. Enquanto o Evangelho é um comando, é um comando duplicado explicando a si mesmo. “Arrependam-se e creiam no Evangelho”.

Eu conheço alguns excelentes Irmãos que, em seu cuidado de pregar a fé simples em Cristo, têm sentido alguma dificuldade em pregar o arrependimento; e eu conheço alguns que tentaram superar a dificuldade suavizando o sentido da palavra arrependimento, expondo-a a seu sentido em grego mais utilizado, uma palavra presente em meu texto original e que significa “mudar a mente de alguém”. Aparentemente eles interpretam o arrependimento como algo menor do que nós costumamos interpretar – uma mera mudança de mente. Agora, permita-me sugerir a esses queridos irmãos que o Espírito Santo nunca fala de arrependimento como algo simples e trivial! E a mudança de mente ou de entendimento de que fala o Evangelho é um trabalho importante e profundo e não deve, de maneira nenhuma, ser depreciado. Além disso, há uma outra palavra no original grego que também é utilizada, não tão frequentemente, eu confesso, mas que também é utilizada e que significa “um cuidado posterior”, uma palavra que tem em si mesma mais de pesar e ansiedade do que aquele que significa apenas mudar a mente de alguém. Deve haver pesar pelo pecado e ódio a ele em um arrependimento genuíno, ou então li minha Bíblia a troco de quase nada. De verdade, acho que não há necessidade de nenhuma outra definição do que a encontrada neste hino infantil:

Arrependimento é deixarmos

Os pecados que antes amávamos

E mostrarmos isso em eterno sofrer

Sem mais os cometer.

Arrepender-se, de fato, significa mudar sua mente, mas significa uma total mudança de mente e de tudo o que está na mente, portanto inclui uma iluminação, uma iluminação vinda do Espírito Santo! E creio que isto inclua descobrir a iniquidade e passar a odiá-la, sendo que, sem isso, creio ser difícil haver um genuíno arrependimento. Não devemos, penso eu, menosprezar o arrependimento. É uma graça abençoada do Espírito Santo de Deus e é totalmente necessária para a salvação!

A ordem explica a si mesma. Tomemos, primeiramente, o arrependimento. É certo que, o que quer que o arrependimento aqui mencionado possa ser, é um arrependimento perfeitamente consistente com a fé e, assim, conseguimos a explicação do que o arrependimento deve ser, pois ele está relacionado à outra ordem: “creia no Evangelho”. Então, queridos amigos, nós podemos estar seguros de que aquela descrença que leva o homem a pensar que seu pecado é grande demais para que Cristo o perdoe, não é o arrependimento de que tratamos aqui! Muitos que verdadeiramente se arrependem são tentados a pensar que são pecadores demais para que Cristo os perdoe. Isto, no entanto, não é parte de seu arrependimento, mas um pecado, e um pecado muito grande e grave, pois desmerece o mérito do sangue de Cristo; é uma negação da confiabilidade da promessa de Deus; é uma depreciação da graça divina e do favor de Deus que enviou o Evangelho. De tal pensamento você deve trabalhar para se libertar, pois vem de Satanás e não do Espírito Santo. O Espírito Santo de Deus nunca ensina a um homem que seus pecados são grandes demais para serem perdoados, pois isso significaria que o Espírito Santo estaria ensinando uma mentira! Se hoje algum de vocês tem um pensamento semelhante a esse, livre-se dele! Ele vem dos poderes das trevas e não do Espírito Santo; e se algum de vocês está preocupado, pois nunca teve tal pensamento, fique feliz em vez de ficar preocupado. Ele pode salvá-lo; esteja a sua pele negra como o carvão, Ele pode salvá-lo. E é uma falsidade perversa e um grande insulto à grandeza do Amor de Deus quando você é tentado a crer que está fora da misericórdia de Deus. Isto não é arrependimento, mas um terrível pecado contra a infinita misericórdia de Deus!

Há, ainda, outro falso arrependimento, que faz o pecador torturar-se com as consequências do seu pecado, em vez de com o próprio pecado, e isso o impede de crer. Tenho conhecido alguns pecadores tão angustiados com os medos do Inferno e pensamentos de morte e do julgamento eterno que, utilizando palavras de um terrível pregador, “eles têm sido sacudidos sobre a boca do Inferno pelo colarinho” e estão quase sentindo os tormentos do Inferno antes de irem para lá. Queridos amigos, isto não é arrependimento! Muitos homens sentiram isto e, ainda assim, estão perdidos. Olhe para muitos homens que estão morrendo, atormentados pelo remorso, que sentiram toda a angústia e a condenação e, ainda assim, desceram para a sepultura sem Cristo nem esperança. Essas coisas podem vir com o arrependimento, mas não são algo essencial para ele. Aquilo que chamamos de “obras da Lei”, em que o pecador é aterrorizado com pensamentos terríveis de que a misericórdia de Deus acabou para sempre, pode ser permitido por Deus para um propósito especial, mas não é arrependimento. Na verdade, pode inclusive ser demoníaco ao invés de divino, pois, como John Bunyan nos diz, Diabolino muitas vezes bate os grandes tambores do Inferno nos ouvidos dos homens da cidade de AlmaHumana para impedir que eles ouçam a doce trombeta do Evangelho que proclama o perdão para eles. Eu lhe digo, Pecador, que qualquer arrependimento que o impeça de crer em Jesus é um arrependimento do qual você precisa se arrepender! Qualquer arrependimento que o faça crer que Cristo não o salvará vai além da Verdade de Deus e contra a Verdade de Deus e, quanto antes você se livrar dele, melhor. Que Deus o livre disso, pois o arrependimento que irá salvá-lo é bem consistente com a fé em Cristo!

Há, também, um falso arrependimento que leva os homens ao endurecimento do coração e ao desespero. Nós temos conhecido alguns que ardem como que com um ferro quente de tanto arrependimento abrasador. Eles dizem: “Eu fiz muito o mal. Não há esperança para mim. Não ouvirei mais a Palavra.” Se eles a ouvem, isso não significa nada para eles, pois seus corações estão duros como magnetita. Se ao menos uma vez eles pudessem pensar que Deus os perdoaria, seus corações correriam em rios de arrependimento. Mas não – eles sentem um tipo de lamento de que eles erraram – mas ainda assim continuam da mesma maneira. Eles acham que não há esperança e também que podem continuar a viver da forma que lhes é apropriado, tendo os prazeres do pecado já que não podem, como pensam, obter os prazeres da Graça Divina. Agora, isso não é arrependimento! É um fogo que endurece, mas não o fogo do Senhor que derrete. Pode ser um martelo, mas um martelo utilizado para juntar os pedaços da sua alma – e não para quebrar seu coração. Se, queridos amigos, vocês nunca sentiram tais terrores, não os desejem; agradeçam a Deus se foram trazidos a Jesus, mas não desejem terrores desnecessários! Jesus o salva, não pelo que você sente, mas por aquela obra concluída, aquele sangue e aquela justiça em seu nome que Deus aceitou. Lembre-se que nenhum arrependimento é útil se não é perfeitamente consistente com a fé em Cristo. Um velho santo, em seu leito de morte, usou esta notável expressão: “Oh, Senhor, afunde-me até o Inferno em arrependimento, mas” – e aqui está sua beleza – “erga-me até o Céu em fé”. Assim, o arrependimento que nos afunda até o Inferno é inútil a não ser que haja, também, a fé que o eleve até o Céu!

E então, os dois são totalmente consistentes um com o outro. Um homem pode odiar e desprezar a si mesmo e, ainda assim, ser capaz de saber que Cristo pode salvá-lo e que, de fato, o salvou! Na verdade, é assim que os verdadeiros Cristãos vivem; eles se arrependem amargamente pelo pecado como se fossem ser condenados por conta dele, mas se alegram tanto em Cristo como se o pecado não fosse absolutamente nada. Ah, como é uma benção saber onde estas duas linhas se encontram: as listras do arrependimento e as roupas da fé! O arrependimento que expulsa o pecado como um mau inquilino e a fé que admite que Cristo seja o único dono do coração; o arrependimento que expurga a alma de obras mortas e a fé que enche a alma de obras vivas; o arrependimento que destrói e a fé que constrói. O arrependimento que espalha pedras e a fé que as coloca juntas; o arrependimento que ordena um tempo para lamentar e a fé que dá um tempo para dançar – essas duas coisas juntas fazem o trabalho da Graça Divina dentro de nós, por meio da qual as almas dos homens são salvas. Que seja, então, posto como uma grande Verdade de Deus, que o arrependimento que devemos pregar é aquele relacionado à fé, e então devemos pregar arrependimento ligado à fé sem nenhuma dificuldade.

Tendo-lhes mostrado o que o arrependimento não é, vamos então falar sobre o que é arrependimento de verdade. O arrependimento que é ordenado aqui é resultado da fé; ele nasce no mesmo momento em que nasce a fé – eles são gêmeos, e dizer qual é o mais velho vai além do meu conhecimento. É um grande mistério: a fé vem antes do arrependimento em alguns casos, e arrependimento precede a fé de acordo com alguns pontos de vista – o fato é que eles entram na alma juntos. Um arrependimento que me faz lamentar e odiar minha vida passada por causa do amor de Cristo que me perdoou, este é o arrependimento correto. Quando eu posso dizer: “Meu pecado foi lavado pelo sangue de Jesus” e, então, arrepender-me, pois o meu pecado fez com que Cristo devesse morrer – este olhar inocente que se aproxima de Suas feridas de sangue e que sente que seu coração deve chorar pois feriu Jesus – aquele  coração partido que faz doer, pois Cristo foi preso na Cruz por ele: este é o arrependimento que nos leva à salvação!

Novamente, o arrependimento que nos faz evitar o pecado presente por causa do amor de Deus que morreu por nós, este também é o arrependimento que salva. Se eu evito o pecado hoje porque tenho medo de ser destruído se o cometer, eu não tenho o arrependimento dos filhos de Deus; mas quando eu o evito e busco viver uma vida que leva a viver uma vida santa, porque Cristo me amou e se entregou por mim, e porque eu não sou dono da minha vida, e que ela foi comprada por um preço, esse é o trabalho do Espírito de Deus!

Então, essa mudança de mente, aquele cuidado que me leva a resolver que, no futuro, viverei como Jesus, e não viverei nos desejos da carne porque Ele me redimiu, não com coisas corruptíveis como prata e ouro, mas com Seu próprio sangue precioso – este é o arrependimento que irá me salvar e que Ele pede que eu tenha. Ah, nações da terra, Ele não pede o arrependimento do Monte Sinai, enquanto vocês tremem e temem, porque Seu relâmpago está em volta; Ele pede que vocês chorem e lamentem por causa Dele – olhar para aquele que você trespassou e lamentar por Ele como um homem lamenta pelo seu único filho! Ele ordena que você lembre que prendeu o Salvador no madeiro e pede que esse argumento possa fazer você odiar os pecados assassinos que amarraram o Senhor ali para dar ao Senhor da Glória uma infame e maldita morte. Esse é o único arrependimento que devemos pregar; não Lei e terrores; não o desespero; nem levar os homens ao suicídio – esse é o terror do mundo que produz morte; mas a dor divina é a dor para salvação através de Jesus Cristo, nosso Senhor!

Isso me leva à segunda parte da ordem, que diz “Creiam no Evangelho”. Fé significa confiança em Cristo. E agora eu devo ressaltar que alguns pregam sobre essa confiança em Jesus tão plenamente e bem, que eu só posso admirar sua fidelidade e bendizer a Deus por eles. No entanto, há uma dificuldade e um perigo: pode ser que pregando a simples confiança em Cristo como sendo o caminho para a salvação, eles possam se esquecer de lembrar o pecador de que nenhuma fé pode ser genuína se não for perfeitamente consistente com o arrependimento pelos pecados anteriores. Então, coloquemos assim: nenhum arrependimento é verdadeiro a não ser aquele que se associa com a fé; e nenhuma fé é verdadeira a não ser a fé que é relacionada com um arrependimento sincero e de coração no que se refere aos antigos pecados. Sendo assim, amigos, aquelas pessoas que têm uma fé que lhes permite não considerar muito graves seus pecados do passado apresentam a fé dos demônios, e não a fé dos eleitos de Deus! Aqueles que dizem: “Ah, quanto ao passado, não há nada. Jesus Cristo lavou tudo” e podem falar dos crimes de sua juventude ou das iniquidades de seus bons tempos, como se fossem banalidades, e sequer derramam uma lágrima, nunca pensaram que suas almas estavam prontas para queimar porque eram grandes infratores – tais homens que fazem pouco do passado e até mesmo para lutar suas batalhas repetidamente quando suas paixões estão frias demais para novas rebeliões. Eu digo que aqueles que fazem pouco do pecado e que nunca sofreram por conta dele, talvez possam saber que sua fé não é genuína. Tais homens têm uma fé que lhes permite viver sem cuidado algum, que dizem: “Bem, eu sou salvo por uma fé simples”, e então se sentam à mesa do bar com o bêbado ou então ficam no bar com o beberrão, ou ainda permanecem na companhia de mundanos, ou curtem prazeres carnais – tais homens são mentirosos! Eles não têm a fé que salvará suas almas. Eles têm uma hipocrisia enganadora. Eles não têm a fé que os levará ao Paraíso!

Ainda, há alguns que possuem uma fé que os induz a nenhum ódio pelo pecado. Eles não veem o pecado dos outros com algum tipo de vergonha. É bem verdade que eles não fazem o que os outros fazem, mas eles conseguem rir do que os outros cometem. Eles têm prazer com os vícios dos outros: riem de seus gestos profanos e sorriem com seus discursos promíscuos. Eles não fogem do pecado como quem corre de uma serpente, nem o odeiam como que se ele fosse o assassino de seu melhor Amigo. Não, eles flertam com ele! Eles inventam desculpas para ele; eles cometem em particular aquilo que condenam em público. Eles chamam grandes afrontas de pequenos erros. No trabalho, eles ignoram o afastamento da integridade e o consideram como apenas questões do negócio. O fato é que eles têm uma fé que se senta de mãos dadas com o pecado e comem e bebem na mesa da iniquidade! Ah, se algum de vocês possui uma fé como essa, eu peço a Deus para que acabe com ela de uma vez. Ela não lhe faz bem algum. Quanto antes você se livrar dela, melhor, pois quando essa fundação na areia for destruída, talvez você passe a construir sob a Rocha.

Meus queridos amigos, eu devo ser bem leal com suas almas e usar o bisturi no coração de cada um. Qual é o seu arrependimento? Você tem um arrependimento que o leva a olhar para Cristo e confiar nele e nele apenas? Você tem a fé que leva ao verdadeiro arrependimento? Odeia qualquer pensamento no pecado de modo que aquele ídolo mais querido que você conheceu, qualquer que seja ele, você deseja arrancar de seu trono a fim de que você possa adorar apenas Cristo? Fique certo disso, pois nada além disso será de qualquer utilidade para você no final! Uma fé e um arrependimento de qualquer outro tipo talvez possa agradá-lo por ora, assim como crianças se agradam com fantasias, mas quando você estiver em um leito de morte e vir a realidade das coisas, você será levado a dizer que elas são uma falsidade e um abrigo de mentiras! Você descobrirá que foi coberto e manchado por mentiras; que você dizia “Paz, paz!” a você mesmo quando não havia paz alguma! Novamente eu digo, usando as palavras de Cristo, “arrependam-se e creiam no Evangelho!” Confie que Cristo irá salvá-lo e lamente por precisar ser salvo e ponha-se de luto, pois essa sua necessidade fez com que o Salvador fosse posto em vergonha pública, a sofrimentos assustadores e a uma morte terrível.

III. Devemos passar para o terceiro ponto. Essas ordens de Cristo são de um caráter totalmente sensato.

É algo insensato dizer a alguém que deve se arrepender? Há alguém que o ofendeu; você está pronto para perdoá-lo – você acha que é exigente ou autoritário pedir que ele peça perdão? Se você simplesmente pedir que ele, como a menor coisa que ele possa fazer, reconheça que fez algo errado? “Não”, você diz, “Eu penso que estaria mostrando minha bondade por aceitar o pedido, e não qualquer dureza por exigir um pedido de desculpas.” Assim, Deus, aquele contra quem nos rebelamos, que é nosso Senhor Soberano e Rei, vê essa atitude como sendo inconsistente com a dignidade de Sua realeza, a de receber um transgressor que não expressa nenhum remorso; e eu pergunto novamente: essa é uma ordem exigente demais, dura e insensata? Será que Deus, dessa forma, age como Salomão, que tornou os impostos pesados para seu povo? Seria melhor que ele não pedisse a você aquilo que seu coração, se estivesse no estado correto, adoraria entregar, sentindo-se apenas muito grato pelo Senhor, em Sua Graça, ter dito: “Aquele que confessar seus pecados encontrará misericórdia”? Por que, queridos amigos, vocês esperam ser salvos enquanto ainda estão em seus pecados? Você pode amar suas iniquidades e, ainda assim, ir para o Céu? O quê? Você pensa que pode ter veneno em suas veias e ainda ser saudável? O que, Homem? Abrigar o ladrão e ainda assim ser isentado de desonestidade? Estar manchado e ainda assim ser considerado imaculado? Nutrir a doença e ainda assim ser saudável? Ridículo! Absurdo! O arrependimento é fundado na necessidade. A exigência por uma mudança de coração é fundamental, não é nada além de um serviço sensato. Ah se os homens fossem sensatos e se arrependessem! É por eles não serem sensatos que o Espírito Santo precisa ensinar às suas mentes a pensar da forma correta antes que eles se arrependam e creiam no Evangelho.

E, mais uma vez, crer: isso é algo insensato de lhe pedir? Uma criatura crer em seu Criador não é nada além de um dever. Completamente separado da promessa de salvação, Deus tem o direito de ordenar que a criatura que Ele fez creia no que Ele diz a ela. E o que é isto em que Ele pede que você creia? Algo horrível, contraditório, irracional? Talvez possa estar além da razão, mas não é algo contrário a ela. Ele lhe pede que creia que por meio do sangue de Jesus, Ele pode ser justo e, ainda assim, o Justificador dos incrédulos. Ele lhe pede que creia em Jesus para sua salvação. Você espera que Ele o salve sem você confiar nele? Você realmente tem a coragem de pensar que Ele o levará ao Céu sendo que você continua declarando que Ele não pode fazer isso? Você pensa ser consistente com a dignidade de um Salvador salvá-lo enquanto você diz: “Eu não creio que Você é um Salvador e eu não irei acreditar em Você”? Seria consistente com Sua dignidade salvá-lo e permitir que você continuasse um pecador descrente, duvidando de Sua Graça, não confiando em Seu Amor, difamando Seu Caráter, duvidando da eficácia de Seu sangue e de Seu pleito? Por que, homem, se é a coisa mais razoável do mundo que Ele ordene que você deva crer em Cristo! E isto Ele pede de você hoje: “Arrependa-se e creia no Evangelho”.

Ah, amigos, como é triste o estado da alma de quem não faz isso! Nós podemos pregar a você, mas você nunca irá se arrepender e crer no Evangelho. Ele pode fixar os mandamentos de Deus como que com um machado à raiz da árvore, mas você ainda se recusará a dar a Deus o que lhe é devido; você continuará em seus pecados; você não virá até Ele para que possa ter vida; e é aqui que o Espírito de Deus deve entrar para trabalhar na alma dos eleitos a fim de os deixar prontos para o dia de Seu Poder. Mas, pelo nome de Cristo, eu aviso que, se após ouvir essa ordem, você – como eu imagino que você faça – sem o Seu Espírito, continue a se recusar a obedecer a um Evangelho tão aceitável, você descobrirá no final que haverá mais tolerância para Sodoma e Gomorra do que para você, pois se aquilo que foi pregado em Londres houvesse sido pregado em Sodoma e Gomorra, eles teriam se arrependido há muito tempo em panos de saco e em cinzas! Pobre de vocês, habitantes de Londres! Pobres de vocês, súditos do Império Britânico! Pois se as Verdades de Deus que foram pregadas em suas ruas tivessem sido pregadas em Tiro e Sidom, eles teriam permanecido até os dias de hoje!

  1. Para continuar, tenho ainda um quarto ponto para tratar: essa é uma ordem que exige obediência imediata. Não sei por que pregamos como bem queremos e pensamos que não podemos levar os outros a pensar que existe algum grande alarme, que existe alguma razão para pensarem em suas almas agora. Na noite passada, houve uma parada militar em Wimbledom Common, e não morando muito longe dali, podia-se ouvir bem o barulho dos rifles e o estrondo do canhão. Alguém me lembrou: “Supondo-se que houvesse mesmo uma guerra ali, não sentaríamos tão confortavelmente ouvindo esses barulhos com a janela aberta”. Não, e então quando as pessoas vêm à Capela e ouvem uma pregação acerca de fé e arrependimento, perguntamos: “O que vocês acham disso?” dizem “Ah, muito bom!” Mas imaginem se esse “muito bom” fosse real? Imaginem que elas acreditassem que isso fosse verdade: elas se sentariam tão confortavelmente em seus bancos? Elas estariam tão tranquilas? Ah, não, mas vocês não acham que seja real. Vocês não acreditam que Deus, de fato, pede-lhes que se arrependam e creiam hoje. Mas, Senhores, isso é real, e é a sua procrastinação, sua autoconfiança que são a fraude e a bolha que logo será estourada. A ordem de Deus é uma importante realidade e se vocês pudessem ouvi-la como deveriam, vocês fugiriam de suas vidas e correriam para a esperança que é posta diante de vocês no Evangelho – e vocês fariam isto hoje.

Eu lhes digo: esta é a ordem de Cristo hoje. Hoje é o tempo de Deus. “Se hoje vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o coração, como na rebelião”.  “Hoje”, o Evangelho sempre proclama, pois se permitisse o pecado por um só dia que fosse, não seria um Evangelho santo! Se o Evangelho dissesse aos homens que se arrependessem amanhã, daria uma permissão para que eles continuassem em pecado hoje, ele facilitaria os desejos dos homens! Mas o Evangelho faz uma limpeza do pecado e exige que os homens abaixem agora as armas de sua rebelião. Abaixem-nas, Homens! Cada uma delas. Vamos, homens, abaixem-nas e abaixem-nas AGORA. Vocês não devem manter nenhuma delas! Abaixem-nas de uma vez! Enquanto vocês continuarem em descrença, continuarão em pecado e estarão aumentando o seu pecado; e lhes dar a permissão para que continuassem a ser descrentes por uma hora seria facilitar seus desejos; logo, o Evangelho exige fé de vocês e exige agora, pois é tempo de Deus e tempo em que a santidade deve ser exigida do pecador.

Além disso, Pecador, é a sua hora. Esta é a única hora que você pode chamar de sua. Amanhã? Existe tal coisa? Em que calendário o amanhã está escrito a não ser no almanaque dos tolos? Ó amanhã, como você tem destruído multidões! “Amanhã”, dizem os homens, mas, como a roda traseira de uma carruagem, eles estão sempre próximos da roda dianteira, sempre perto de seu dever; eles permanecem andando, mas nunca chegam nem um pouquinho mais perto, pois, não importa como viagem, o amanhã está sempre um pouquinho além deles – mas sempre além e, assim, nunca chegam até Cristo! É assim que eles falam, como um poeta antigo disse:

Eu farei amanhã, farei, por certo eu farei!

O amanhã vem, o amanhã vai, e você ainda não o fez.

Assim, então, é adiado de um dia para o outro

O arrependimento.

Até que chegue o dia da morte e,

Logo após, o julgamento.

 

Oh, almas dos homens, sempre esperando serem abençoadas e obedientes, mas nunca sendo obedientes. Quando aprenderão a ser espertas? Este é seu único tempo; é tempo de Deus e este é o melhor tempo. Nunca será tão fácil arrepender-se como agora. Isto é impossível agora, a menos que o Espírito de Deus esteja com vocês; será igualmente impossível amanhã; mas se agora vocês acreditarem e se arrependerem, o Espírito de Deus está no Evangelho que prego; e conforme eu clamo a vocês em nome de Deus, “Arrependam-se e creiam”, Aquele que mandou que eu ordenasse a vocês a fazê-lo, dá poder juntamente com a ordem! Assim como Cristo falou com as ondas e lhes disse: “Aquietem-se” e elas se aquietaram, e ao vento: “Acalme-se”, e ele se aquietou – dessa forma, quando falamos com seu coração duro, ele irá ceder por causa da Graça Divina que acompanha a Palavra; e você irá se arrepender e crer no Evangelho.  Que assim seja e que a mensagem desta manhã possa reunir os eleitos e torná-los dispostos no dia do poder do Senhor!

Para finalizar, essa ordem, assim como tem um poder imediato, tem também uma força contínua. “Arrependam-se e creiam no Evangelho” é um conselho para o recém-convertido e também um conselho para o Cristão grisalho, pois essa será a nossa vida até o fim – “Arrependam-se e creiam no Evangelho”. Santo Anselmo, que era um santo – e isso é mais do que muitos daqueles que são chamados de santos – uma vez gritou: “Ah, pecador que eu tenho sido, passarei minha vida toda me arrependendo de toda a minha vida!” E Rowland Hill, a quem penso que poderia chamar de Santo Rowland, quando estava perto da morte, disse ter um arrependimento, e este era que havia um amigo querido dele que havia vivido com ele por 60 anos que teria que deixá-lo nos portões dos Céus. “Aquele querido amigo”, ele disse, “é o arrependimento. O arrependimento tem estado comigo por toda a minha vida e penso que deva derramar uma lágrima”, disse o bom homem, “conforme eu passar pelos portões, por saber que não poderei mais me arrepender.”

O arrependimento é uma missão que deve ser feita todos os dias e todas as horas para o homem que crê em Cristo. E conforme andamos pela fé pelos portões até a Cidade Celestial, devemos estar de mãos dadas com o arrependimento por todo o caminho. Porque, queridos amigos, o Cristão, após ter sido salvo, arrepende-se mais do que jamais se arrependeu, pois agora ele não se arrepende apenas das ações públicas, mas até mesmo de pensamentos. Ele irá repreender e censurar a si mesmo à noite por ter tolerado um pensamento impuro; por ter considerado a vaidade, embora talvez o coração não tenha ido além do olhar de cobiça; pelo fato de um pensamento mal ter passado rapidamente por sua cabeça – por tudo isso ele irá se envergonhar diante de Deus; e não fosse ele ainda crer no Evangelho, um mero pensamento iníquo seria uma praga e um tormento para ele, de forma que não teria paz nem descanso! Quando a tentação vem, o bom homem faz uso do arrependimento, porque tendo odiado o pecado e fugido dele há tempos, ele deixou de ser o que era. Um dos primeiros patriarcas, diz-se, havia, antes de sua conversão, vivido com uma mulher má, e pouco tempo depois, ela aproximou-se dele como de costume. Sabendo o quão facilmente ele poderia cair em pecado, ele fugiu com toda a sua força e ela foi correndo chorando atrás dele: “Por que você está fugindo? Sou eu.” Ele respondeu: “Fujo porque não sou eu mesmo. Sou um novo homem!”

É apenas este “Eu não sou eu mesmo” que mantém o Cristão longe do pecado; aquele ódio pelo antigo “eu”, aquele arrependimento do antigo pecado que o faz fugir do mau, abominá-lo, e não considerá-lo, com medo de que seja levado ao pecado por causa de seus olhos. Queridos amigos, quanto mais o Cristão conhece do amor de Deus, mais ele odiará a si mesmo por pensar que tem pecado contra tal amor! Toda Doutrina do Evangelho irá fazer um Cristão se arrepender. A Eleição, por exemplo. “Como pude pecar”, ele dirá, “eu, que era o preferido de Deus, escolhido por Ele antes da fundação do mundo?” A Perseverança Final o fará se arrepender. “Como posso pecar”, ele diz, “sendo tão amado e protegido? Como eu posso ser tão malvado a ponto de pecar contra uma graça eterna?” Tome a Doutrina que quiser como exemplo, o Cristão a transformará em fonte de angústia sagrada, e haverá momentos em que sua fé em Cristo estará tão forte que seu arrependimento quebrará seus limites e chorará com George Herbert:

“Oh, quem me dará lágrimas?

Venham, ó todas as fontes,

Nuvens e chuvas venham morar nos meus olhos,

O meu pesar precisa de todas as coisas aquosas

Que a Natureza produz. Que cada veia minha

Sugue um rio para abastecer meus olhos.

Meus chorosos e cansados olhos,

Secos demais para mim,

A menos que eles criem novos canais, novas provisões,

Para apoiá-los, e que concordem com meu estado.”

E tudo isso porque ele assassinou Cristo; porque seu pecado pregou o Salvador no madeiro; portanto, chora e lamenta até o fim de sua vida. O pecado, o arrependimento e a crença – três coisas que permanecerão conosco até que morramos! O pecado acabará no rio Jordão; o arrependimento morrerá triunfante sobre o corpo morto do pecado; e a fé, embora talvez possa atravessar o rio, deixará de ser tão necessária como tem sido aqui, pois então veremos da mesma forma como somos vistos e conheceremos assim como somos conhecidos!

Eu os deixo tendo mais uma vez solenemente declarado a vontade de meu Mestre a vocês nesta manhã: “Arrependam-se e creiam no Evangelho”. Há alguns de vocês que vêm de outros países, e muitos de vocês são de cidades do interior da Inglaterra; vocês vieram aqui, talvez, para ouvir o pregador do qual muitas coisas estranhas têm sido ditas. Muito bem, e que mais coisas estranhas sejam ditas, se eles não desejarem nada além de trazer homens para a Palavra de Deus de forma que sejam abençoados! Agora, isto eu devo dizer-lhes nesta manhã: Naquele Dia em que uma congregação dez mil vezes maior do que está se reunir, e o Juiz assentar-se no Grande Trono Branco, não haverá nenhum homem, nenhuma mulher e nenhuma criança que está aqui hoje e que poderá inventar uma desculpa e dizer: “Eu não ouvi o Evangelho, não sabia o que deveria fazer para ser salvo!” Vocês têm ouvido: “Arrependam-se e creiam no Evangelho”. Isto é, confiem em Cristo. Creiam que Ele pode e deseja salvá-lo. Mas há algo melhor. Naquele Grande Dia, eu digo, haverá alguns de vocês presentes – ah, que sejamos todos nós – que poderão dizer “Graças a Deus que, por Sua graça, eu entreguei as armas da minha orgulhosa rebelião por meio do arrependimento! Graças a Deus que, por Sua graça, olhei para Cristo e o tomei como meu único e suficiente Salvador, de modo que aqui estou, um monumento da Divina Graça, um pecador salvo pelo sangue, para louvá-lo enquanto durar a eternidade!” Deus garante que poderemos nos encontrar no final com alegria e não tristeza! Eu serei uma rápida testemunha contra vocês para condená-los caso vocês não creiam neste Evangelho; mas se vocês se arrependerem e crerem, então, adoraremos esta Divina Graça que transformou nossos corações e nos deu o arrependimento que nos levou a confiar em Cristo, e a fé que é o presente eficaz do Espírito Santo.

O que mais devo lhes dizer? Por quê? Por que rejeitam isto? Se eu lhes falei sobre fábulas, ficções, sonhos, então virem as costas e rejeitem meu discurso! Se lhes falei em meu próprio nome, para que se importar um pouquinho comigo? Porém, se eu lhes preguei aquilo que Cristo pregou, “arrependam-se e creiam no Evangelho”, eu os cobro pelo Deus Vivo, pelo Redentor do mundo, pela Cruz do Calvário, e pelo Sangue que manchou a túnica no Calvário – obedeçam a essa mensagem Divina e terão a vida eterna! Mas neguem-na e sobre suas cabeças esteja seu sangue para todo o sempre!

ORE PARA QUE O ESPÍRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA EDIFICAÇÃO DE MUITOS E SALVAÇÃO DE PECADORES.

 

 

FONTE:

Traduzido de http://www.spurgeongems.org/vols7-9/chs460.pdf

Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público

Sermão nº 460—Volume 8 do The Tabernacle Metropolitan Pulpit,

 

Tradução: Beatriz Nosé

Revisão: Cibele Cardozo

 

Projeto Castelo Forte

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Projeto Spurgeon – Proclamando a CRISTO crucificado.

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2 ideias sobre “Fé e Arrependimento Inseparáveis – Spurgeon

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