Esboços da História da Igreja – Capítulo 5 -Os Mártires Franceses do Século II

Esboços da Historia da Igreja

J.C.Robertson

Capítulo 5 – Os Mártires Franceses do Século II (177 d.C.)

Muitos outros mártires sofreram em várias partes do império sob o reinado de Marco Aurélio. Entre os mais famosos, estão os mártires de Lyon e Vienne, no sul da França (ou Gália, como era chamada na época), onde uma companhia de missionários da Ásia Menor se instalou com um bispo chamado Pontino como seu líder.

A perseguição em Lyon e Vienne foi iniciada pela multidão dessas cidades, que insultavam os cristãos nas ruas, invadiam suas casas e cometiam outros atentados contra eles. Em seguida, um grande número de cristãos foram apreendidos e presos em masmorras horríveis, onde muitos morreram por falta de comida, ou por causa do ar ruim e prejudicial. O bispo Pontino, que tinha noventa anos de idade e há muito tempo estava doente, foi levado perante o governador, e interrogado: “Quem é o Deus dos cristãos?” Pontino viu que o governador não perguntou isso com uma boa intenção; então respondeu: “Se você for digno, você saberá”. O bispo, velho e fraco, foi arrastado pelos soldados, e a multidão que conseguia alcançá-lo dava-lhe golpes e chutes, enquanto outros que estavam mais afastados jogavam coisas nele; depois dessa crueldade, ele foi colocado na prisão, morrendo dois dias depois.

Os outros prisioneiros foram torturados, por seis dias, de várias maneiras horríveis. Seus membros eram esticados na tortura; foram cruelmente flagelados; alguns tinham placas quentes de ferro aplicadas sobre eles, outros foram obrigados a sentar em uma cadeira de ferro quente. A firmeza com que suportaram essas terríveis provas deu coragem a alguns de seus conterrâneos, que inicialmente concordaram em sacrificá-los, de modo que muitos se declararam cristãos e se uniram aos outros no sofrimento. Como todas as torturas não tiveram efeito, os prisioneiros foram finalmente mortos. Alguns foram jogados para animais selvagens; mas os que eram cidadãos de Roma foram decapitados: porque não era lícito dar um cidadão romano a animais selvagens, tal como sabemos pelo apóstolo Paulo.

Entre os mártires, havia um menino da Ásia, com apenas quinze anos, que era levado todos os dias para ver as torturas dos outros com a esperança de que ele pudesse ter medo e negar seu Salvador; mas ele não foi abalado pelas cenas terríveis, e por sua firmeza ele foi cruelmente morto no último dia. As maiores crueldades de todas, no entanto, foram suportadas por uma jovem chamada Blandina. Ela era escrava de uma senhora cristã; e, embora os cristãos tratassem seus escravos com bondade muito ao contrário do sentimento habitual de mestres pagãos em relação a eles, esta senhora pensou que um escravo não conseguiria suportar torturas tão corajosamente como uma pessoa livre; e ela tinha mais medo porque Blandina não era forte fisicamente. Mas a fé da pobre escrava não pôde ser superada. Dia após dia, ela corajosamente suportou toda crueldade que os perseguidores pudessem pensar; e tudo o que eles poderiam obter dela era: “Eu sou uma cristã, e nada de errado é feito entre nós!”

Os pagãos não se contentaram com matar os mártires com torturas ou permitir que eles morressem na prisão. Eles lançavam seus corpos mortos para os cães e faziam com que esse procedimento fosse observado dia e noite, para que os outros cristãos não lhes dessem enterro. Depois disso, queimavam os ossos e jogavam as cinzas no rio Ródano, como forma de zombar da noção de ressurreição. Pois, como aconteceu com Paulo em Atenas (Atos 17.32), e em outros lugares, não havia parte do Evangelho que os pagãos em geral achavam mais difícil de acreditar como a doutrina de que o que é semeado na corrupção deve a seguir ser levantado em incorrupção, que o que é semeado um corpo natural será um dia levantado um corpo espiritual (1 Coríntios 15.42-44).

 

FONTE: https://www.ccel.org/ccel/robertson/history.html 

TRADUÇÃO: Douglas Moura

revisão: Cibele Cardoso

edição: Armando Marcos

PS:  MAIS Informações sobre esses mártires você pode ler em https://www.ecured.cu/M%C3%A1rtires_de_Lyon_y_Viena

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