A plenitude em Cristo, NÃO no casamento – Davi Dunham

por Davi Dunham

 

Grande parte do mundo moderno desenvolveu uma verdadeira resistência , e até mesmo um desagrado, ao matrimônio. O matrimônio comprometido, perpétuo e monogâmico é ridicularizado, desprezado e criticado amplamente. Talvez em resposta a essa reação cultural, os cristãos tendem a exagerar e até mesmo idolatrar o casamento. Temos convertido algo bom em algo grande demais. Isso é particularmente evidente na crença popular de que um cônjuge nos  “completa”. Seu cônjuge, no entanto, não o completa, Jesus sim o completa.

 

Qual é a definição de se estar completo? A linguagem, aplicada aos cônjuges, oferece a ideia de que não somos pessoas inteiras e integrais até que encontremos nossa “outra metade”. Isso sugere que somos insuficientemente humanos porque somos solteiros. É certo, claro, que a Bíblia fala de “os dois que serão uma só carne (Gênesis 2:24 e Marcos 10:8), porem isso não implica obrigatoriamente que antes essas pessoas eram duas metades. Considere, como contraponto, a pessoa de Jesus. Jesus nunca foi casado e, no entanto, era a pessoa mais plenamente humana que jamais existiu. Ela era muito mais “completo” como homem do que qualquer outro homem. Não lhe faltava nada, e não existia pecado ou imperfeição Nele. Jesus é o ser humano modelo, e Sua plenitude não tem nada ligado com o matrimônio necessariamente.

 

A Bíblia nos dá um conceito diferente de “completo”. Paulo, escrevendo para Timóteo, afirma que a Palavra de Deus é capaz de fazer “o homem de Deus…. perfeito” (2 Timóteo 3:16-17). É na nossa crescente conformidade com o caráter de Cristo, tal como delineado e pontificado pela Palavra, que chegamos a ser completos. Aparte de Cristo, estamos fragmentados e fraturados. Estamos incompletos por causa do pecado. É através de Cristo que nos movemos em direção à plenitude. A plenitude se encontra na relação com Deus pela qual fomos criados. Estar completo está no realinhamento de nós mesmo e nossas vidas com a missão, visão e intenção de Deus nosso Criador. O matrimônio era, em si, destinado a ser um reflexo dessa realidade (Efésio 5:32). O casamento não é o cumprimento da plenitude, mas sim um indicador da verdadeira plenitude.

 

Existem vários perigos de perdemos essa distinção. Se fazemos do casamento o indicador de nossa plenitude, faremos danos à verdade, aos solteiros e ao matrimônio mesmo. Vale a pena explorar brevemente esses pontos.

 

I. Fazer do casamento o indicador de plenitude fará dano a verdade: Se estar completo está verdadeiramente na relação com Deus, então ensinar qualquer coisa menos será uma distorção da verdade. Apontamos às pessoas que esperem no matrimônio em vez de esperar em Cristo. Assim fazemos do matrimônio um salvador maior que Jesus. Estar completo é sobre as relações espirituais, não sobre as relacionais matrimoniais. O casamento é maravilhoso e pode ser uma imensa benção e graça santificadora. PORÉM, o matrimônio não é a salvação.

 

II . Fazer do casamento o indicador de estar completo fará dano aos solteiros.  Se dizemos que uma pessoa não está completa até que encontre sua outra “metade”, então não cuidaremos bem dos homens e mulheres solteiros entre nós. Pessoas solteiras podem ser maduras, piedosas, sadias e que contribuem grandemente com nossa igreja e nossa comunhão, e não precisam estar casadas para ter importância. Elas não precisam fazer que o matrimônio seja a meta principal de suas vidas. Nós lhes faremos um pobre favor ao sugerir que o façam. Para alguns, o matrimônio pode nem mesmo acontecer. Penso especialmente em meus amigos que lutam com a atração por pessoas do mesmo sexo. Atar a integridade ao matrimônio as deixará em isolamento e decepção. Paulo nunca casou-se e desejou que outros fossem como ele (1 Corintios 7:7); e Jesus designou o lugar e o papel dos solteiros no Reino (Mateus 19:12). Não precisamos preocupar-nos em casar cada cristão solteiro. Precisamos animá-los a seguir a Jesus.

 

III. Finalmente, fazer do matrimônio o indicador de plenitude fará dano ao matrimônio mesmo. Se meu cônjuge não pode verdadeiramente completar-me, e eu tento fazer dele minha salvação, então o sobrecarregarei. Eu me acharei confiando em meu marido ou esposa para que e ele ou ela façam coisas que não podem fazer. Estarei decepcionado que meu cônjuge não me faça sentir mais completo, mais pleno, mais feliz. Começarei a ressentir de meu esposo ou esposa e a ressentir do meu matrimônio. Começarei a entreter a ideia de que casei com a pessoa errada. O matrimônio não pode suportar o peso de fazer com que eu seja completo. Ele nem foi projetado para isso.

 

Seu cônjuge não o completa, meu amigo. Ele é importante, significativo e um presente de Deus para seu bem. Porém, sua integridade está na relação com Deus por meio de Jesus Cristo. Mantenha isso em perspectiva enquanto você vive seu matrimônio e enquanto esforça-se para seguir a Cristo. Seu cônjuge não o completará, porém Jesus pode fazê-lo.

 

FONTE: https://evangelio.blog/2017/05/19/su-cnyuge-no-lo-completa/

2 pensou em “A plenitude em Cristo, NÃO no casamento – Davi Dunham

  1. Esse artigo é retirado de algum livro escrito pelo autor? Se a resposta for sim, eu gostaria de obter o nome do livro em inglês (me parece que o autor é um pastor americano).
    Obrigada.

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